Ensinavam os Pais da Igreja a doutrina da Trindade ?

 

 

 

Ao abordar este tema este material que preparei mostra claramente e sem rodeios, como vários críticos das Testemunhas de Jeová reagem ao considerarem este assunto.

Ao invéz de lerem de modo objetivo os escritores que viveram do 2º século em diante, procuram fazer uma abordagem seletiva , tendenciosa e distorcida do assunto. Obviamente no esforço de tentar enlaçar a todos os que não se detem de modo cauteloso em sua pesquisa sobre o assunto.

Muitos apelam para títulos altissonantes de Doutores em Teologia ou Pastores, a fim de afirmarem o que não passa de repetição de equivocos teológicos grosseiros. São milhares destes na internet! 

Observe o que certo crítico diz em sua página:

 “Para os TJs, a doutrina da Divindade de Cristo teria sido postulada oficialmente no Concíclio de Nicéia, que teria deturpado definitivamente o cristianismo primitivo”. (O GRIFO É MEU)

Antes de avaliarmos o que os Pais da Igreja realmente ensinavam, acho interessante e apropriado que os leitores desta página analisem com cuidado o uso e significado da palavra “Deus” nos escritos dos pais pré Nicéia.

Vamos aos fatos do que REALMENTE DIZEM AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ…

A Brochura  “Deve-se Crer na Trindade ? – É Jesus Cristo o Deus Todo Poderoso ? ” , publicada pelas Testemunhas de Jeová (TJ) , debaixo do tema “Como se desenvolveu a doutrina da Trindade” afirma : 

“No entanto,nenhum dos bispos em Nicéia promoveu uma Trindade. Eles decidiram apenas a natureza de Jesus, mas não o papel do espírito santo.” Ou seja as TJ afirmam que não foi definida nenhuma doutrina trinitária neste concílio apóstata. As TJ acreditam que Jesus é divino e jamais questionam sua divindade. Reconhecem que Jesus é um Deus ou divino, contudo não o Deus Todo Poderoso.

As TJ nesta brochura, alegam que a doutrina da trindade se desenvolveu no decorrer de muitos séculos até atingir a forma como é ensinada hoje.

Alguns, como o crítico do artigo mencionado em letras azuis acima, tem repetido que as TJ negam a divindade de Cristo. Uma avaliação  detida, revela porém, algo bem diferente do que dão a entender tais palavras precipitadas e carregadas de oposição. A verdade é que o entendimento da palavra “Deus” (elohim), é muito mais amplo na mente de uma TJ. Elas entendem que “Juizes” designados por Deus são “deuses”, Moisés foi um “Deus /Elohim” Exôdo 7:1 e Jesus, muito mais ainda, visto que recebeu toda a autoridade de seu Pai. (Mateus 28:18.)

 Nas Escrituras,a palavra “deus”pode significar”poderoso”ou “forte”. (Êxodo 12:12;Salmo 8:5; 2Coríntios 4:4) Antes de vir à terra,Jesus era”um deus”,ou’existia em forma de Deus’. Depois de sua ressurreição,ele voltou a uma posição ainda mais alta no céu. (João 1:1;Filipenses2:6-11) Os juízes em Israel eram chamados de “deuses” – certa vez pelo próprio Jesus.(Salmo 82:6;João 10:35) Jesus é o Juiz designado por Jeová, “destinado a julgar os vivos e os mortos”. (2 Timóteo 4:1;João 5:30) Obviamente,é bem apropriado que ele seja chamado de Deus Poderoso. É essencial que nunca percamos de vista a Jesus,a chave viva do conhecimento sobre Deus que conduz à vida eterna. As Testemunhas de Jeová esforçam-se em fazer exatamente isso e calorosamente exortam-no a juntar-se a elas em adorar a Deus “com espírito e verdade”. (João 4:24) Jesus disse: “O Pai está procurando a tais para o adorarem.” (João 4:23)

Para uma explicação correta do significado bíblico da palavra “Deus” (hebraico : Elohim) conforme ensinado nas escrituras e o VERDADEIRO MONOSTEÍSMO click aqui.

Em seguida este crítico cita alguns  escritores que viveram antes de nicéia:

“Segundo Eusébio de Cesaréia, Clemente teria sido Bispo de 92 d.C. à 101 em Roma, e por isso é  tradicionalmente chamado de Clemente de Roma… Em sua primeira carta, conhecida como 1 Clemente, lemos:

“Esta é a maneira, meus queridos amigos, pela qual encontramos nossa salvação, a saber, Jesus Cristo, o sumo sacerdote de nossas ofertas, o guardião e ajudador em nossas fraquezas. Por meio dele, olhamos firmemente para as alturas do céu, por meio dele, vemos como em espelho sua face perfeita e transcendente; por meio dele, os olhos de nosso coração foram aberto; por meio dele nossa mente, o Mestre desejou que provássemos do conhecimento imortal, pois ‘Ele, sendo o resplendor de sua majestade, é muito superior aos anjos, e o nome que herdou é muito mais excelente’ (cf. Hb.1.4)” (1Clem.36.1-2)

Alguns citam este e outros textos pré Nicéia como se isso fosse o ensino da Trindade!

As TJ não acham problema em chamar Jesus de Theós ou Deus. Algo que muitos pais pré Nicéia fizeram. Alguns quando chegam a ler nestes escritores pré Nicéia que Jesus é chamado de “Deus” (grego THEÓS ) concluem de modo teologicamente infantil que isto significa que Jesus é o próprio Deus Todo Poderoso! Muitos caem nesta categoria. Jesus é chamado de Deus/deus.Mas algo bem diferente é dizer que Jesus é parte da trindade segundo o conceito moderno.

Paulo sob inspiração nos alertou em Colossenses 2:8:

Acautelai-vos: talvez haja alguém que vos leve embora como presa sua, por intermédio de filosofia e de vão engano, segundo a tradição de homens, segundo as coisas elementares do mundo e não segundo Cristo

Os escritores que viveram no período após a morte dos Apóstolos  não são uma referência apropriada para basearmos nossa doutrina.Misturam filosofia humana e doutrinas pagâs  elementares do mundo pagão, que gradualmente foram enxertadas numa forma de cristianismo apostatado.

O Apostolo Paulo já havia alertado sobre isso quando disse:

“Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lobos opressivos e eles não tratarão o rebanho com ternura, 30 e dentre vós mesmos surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos…” (Atos 20 :29)

Citar tais apostatas da era pós apostolica é uma predileção de muitos a fim de tentar “provar” que desde antes de Nicéias ja se ensinava a doutrina da Trindade.

Daniel o Profeta porém recebeu a orientação angélica de que o “verdadeiro conhecimento” surgiria no tempo “do fim” e não na era da apostasia pós apostolica.

Não seria uma época de crescimento no conhecimento da verdade mas sim de “escuridão” e “coisas deturpadas” como Paulo afirmou poucos anos antes!

Isso está em harmonia com o que o Profeta Daniel escreveu em Daniel 12:4:

E quanto a ti, ó Daniel, guarda em segredo as palavras e sela o livro até o tempo do fim. Muitos [o] percorrerão, e o [verdadeiro] conhecimento se tornará abundante.”

E no versículo 9 o anjo disse a Daniel:

“…Vai, Daniel, porque as palavras são guardadas em segredo e seladas até o tempo do fim. 10 Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão refinados. E os iníquos certamente agirão iniquamente, e absolutamente nenhum iníquo entenderá; mas os perspicazes entenderão.”

Em Mateus 13: 18-30 Jesus conta a parábola do trigo e do joio. Nesta ele ilustra como seu ensino seria poluído por falsos instrutores. Os chamados pais da Igreja, instrutores que viveram a partir do 2º século e as principais Igrejas professamente cristâs de hoje são um exemplo perfeito de tal corrupção da verdade.

Ao citar Tertuliano a fim de apoiar a trindade, será que estes críticos acreditam assim como Tertuliano, que Jesus a princípio não era uma pessoa mas “um pensamento e a razão” de Deus ?

Orígenes acreditava que possuíamos uma alma antes de vir a terra. Clemente acreditava que nós podemos nos tornar deuses.

Para estes que acreditam que a brocura “Deve-se crer na Trindade ?” é equivocada eu faço um desafio. Estão estes escritores que citarei agora também todos equivocados em sua avaliação ? São eles Testemunhas de Jeová e seguem a “Torre de Vigia ?”

O Dr. H. R. Boer, em sua obra A Short History of the Early Church (Breve História da Primitiva Igreja), comenta o objetivo principal do ensino dos apologistas:

Justino [o Mártir] ensinou que antes da criação do mundo Deus estava sozinho e não existia nenhum Filho. . . . Quando Deus desejou criar o mundo, . . . gerou outro ser divino para criar o mundo para ele. Esse ser divino foi chamado . . . Filho, porque nasceu; foi chamado Logos, porque foi tomado da Razão ou Mente de Deus. . . .

“Justino e os outros apologistas, portanto, ensinavam que o Filho é uma criatura. Ele é uma criatura elevada, uma criatura suficientemente poderosa para criar o mundo, mas, não obstante, uma criatura. Na teologia, esta relação do Filho com o Pai se chama subordinacionismo. O Filho é subordinado, isto é, secundário ao Pai, dependente dele e causado por ele. Os apologistas eram subordinacionistas.”(O grifo é meu )A Short History of the Early Church, de Harry R. Boer, 1976, página 110

Será que Justino era aderente das Testemunhas de Jeová e da STV?

A respeito do entendimento mais antigo sobre a relação do Filho com Deus, o Dr. Martin Werner, em sua obra The Formation of Christian Dogma (A Formação do Dogma Cristão), diz o seguinte:

“Essa relação foi entendida inequivocamente como de ‘subordinação’, i.e., no sentido de subordinação de Cristo a Deus. Toda vez que no Novo Testamento se considera a relação de Jesus com Deus, o Pai, . . . ela é imaginada e representada categoricamente como subordinação. E o mais decisivo subordinacionista do Novo Testamento, segundo o relato sinóptico, foi o próprio Jesus . . . Essa posição original, firme e manifesta como era, pôde ser mantida por muito tempo. ‘Todos os grandes teólogos pré-Nicéia representaram a subordinação do Logos a Deus”. The Formation of Christian Dogma, de Martin Werner, 1957, página 125

Concordando com isso, R. P. C. Hanson, na obra The Search for the Christian Doctrine of God (A Busca da Doutrina Cristã Sobre Deus), declara:

Não há teólogo na Igreja Oriental ou Ocidental antes da erupção [no quarto século] da Controvérsia Ariana que de algum modo não considere o Filho subordinado ao Pai.”  The Search for the Christian Doctrine of God, de R. P. C. Hanson, 1988, página 64

   O Dr. Alvan Lamson, em The Church of the First Three Centuries (A Igreja dos Primeiros Três Séculos), acrescenta este testemunho a respeito do ensino das autoridades eclesiásticas antes do Concílio de Nicéia (325 DC):

A inferioridade do Filho foi geralmente, se não de modo uniforme, afirmada pelos Pais Pré-Nicéia . . . Que eles consideravam o Filho distinto do Pai é evidente do fato de que afirmavam claramente a inferioridade dele. . . . Eles o consideravam separado e subordinado.”4

Ele também escreveu:

A moderna e popular doutrina da trindade…não deriva nenhum apoio da linguagem de Justino (o martir), e esta observação estende-se a todos os Pais pré Nicéia, ou seja, a todos os escritores Cristãos, por três séculos após o nascimento de Cristo.É verdade que falam do Pai, do filho e do Espírito Santo, contudo, não como co-iguais, não como um em essência numérica, não como três em um, em nenhum sentido agora aceito pelos trinitários, o fato é o oposto.”
Da mesma forma, no livro Gods and the One God (Deuses e o Único Deus), Robert M. Grant diz o seguinte sobre os apologistas:

“A cristologia das apologias, como a do Novo Testamento, é essencialmente subordinacionista. O Filho é sempre subordinado ao Pai, que é o único Deus do Velho Testamento. . . . O que encontramos nesses autores antigos, pois, não é uma doutrina da Trindade . . . Antes de Nicéia, a teologia cristã era quase universalmente subordinacionista.”5 ( O grifo é meu )

Aproveito para perguntar aos trinitaristas e que coincidentemente são em sua maioria ANTI TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, por que distorcem tais declarações de Eruditos e pesquisadores imparciais a favor de suas visões teologicas ao ponto de afirmarem que os “Pais da Igreja” eram apoiadores de uma teologia trinitária digamos, “embrionária” ? 

Irresponsabilidade é a palavra que me vem a mente quando me lembro da emoção e despreparo da maioria dos cultos Evangélicos que atrelam nestes cultos fervorosos doutrinas particulares da Cristandade Apostata.

A Trindade supostamente cristã ensina que o Filho é igual a Deus, o Pai, em eternidade, poder, posição e sabedoria. Mas os apologistas diziam que o Filho não era igual a Deus, o Pai. Eles consideravam o Filho subordinado. Este não é o ensino da Trindade.

Tertuliano não ensinava a trindade segundo sua definição moderna e filosofava muito se distanciando das escrituras conforme os Apostolos alertaram que fariam os que dissiminariam a predita “Apostasia”.

Eles refletiam o ensino do primeiro século

Os apologistas e outros antigos Pais da Igreja refletiam em grande medida o que os cristãos do primeiro século ensinavam sobre a relação entre o Pai e o Filho. Note como isto é expresso no livro The Formation of Christian Dogma:

Na primitiva era cristã, não havia nenhum sinal de espécie alguma de problema ou controvérsia trinitária, como a que mais tarde produziu violentos conflitos na Igreja. A razão disso sem dúvida está em que, para o cristianismo primitivo, Cristo era . . . um ser do elevado mundo celestial de anjos, que foi criado e escolhido por Deus para a tarefa de trazer, no fim das eras, . . . o Reino de Deus.”6

Além disso, a respeito do ensino dos primitivos Pais da Igreja, The International Standard Bible Encyclopedia (Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão) admite:

No pensamento mais antigo da Igreja, a tendência, ao se falar sobre Deus, o Pai, é entender que Ele é primeiro, não como o Pai de Jesus Cristo, mas como a origem de todo ser. Assim, Deus, o Pai, é como que Deus por excelência. A Ele pertencem descrições tais como sem origem, imortal, imutável, inefável, invisível e incriado. Foi Ele quem fez todas as coisas, incluindo a própria matéria da criação, a partir do nada. . . .

Isto pode parecer sugerir que o Pai é o único devidamente Deus, e que o Filho e o Espírito o são apenas secundariamente. Muitas afirmações antigas parecem apoiar isto.”7

Embora esta enciclopédia passe a desacreditar essas verdades e a afirmar que a doutrina da Trindade era aceita naquela época antiga, os fatos negam essa afirmação. Considere as palavras do Cardeal John Henry Newman, famoso teólogo católico:

Admitamos que todo o círculo de doutrinas, das quais nosso Senhor é o tema, foi coerente e uniformemente confessado pela Primitiva Igreja . . . Mas certamente é diferente com a doutrina católica da Trindade. Não vejo em que sentido se pode dizer que há um consenso das primitivas [autoridades eclesiásticas] em seu favor . . .

Os Credos daquela época primeva não fazem menção . . . da [Trindade] de forma alguma. Fazem menção, sim, de um Três; mas quanto a existir algum mistério na doutrina, que os Três são Um, que Eles são co-iguais, co-eternos, todos incriados, todos onipotentes, todos incompreensíveis, não está declarado e jamais se poderia deduzir deles.”8

O Que Justino, o Mártir, REALMENTE Ensinava

Um dos mais antigos apologistas foi Justino , o Mártir. Falemos um pouco mais sobre ele. Sabemos que viveu de cerca de 110 a 165 DC. Nenhum de seus escritos existentes menciona três pessoas co-iguais em um só Deus.

Por exemplo, segundo A Bíblia de Jerusalém, uma versão católica, Provérbios 8:22-30 diz a respeito do pré-humano Jesus: “Iahweh me criou, primícias de sua obra, de seus feitos mais antigos. . . . Quando os abismos não existiam, eu fui gerada . . . Antes das colinas, eu fui gerada . . . Eu estava junto com ele [Deus] como mestre-de-obras.” Considerando estes versículos, Justino diz no seu Diálogo com Trífon:

“A Escritura declara que essa Prole foi gerada pelo Pai antes de serem criadas todas as outras coisas; e que aquilo que é gerado é numericamente distinto daquele que gera, isso qualquer pessoa admitirá.”9

Visto que o Filho nasceu de Deus, Justino usa, de fato, a expressão “Deus” com relação ao Filho. Ele declara na sua Primeira Apologia: “O Pai do universo tem um Filho; que, também, sendo o primogênito Verbo de Deus, é Deus mesmo.”10

A Bíblia também se refere ao Filho de Deus pelo título de “Deus”. Em Isaías 9:6, ele é chamado “Deus Poderoso”. Mas, na Bíblia, anjos, humanos, deuses falsos e Satanás também são chamados “deuses”. (Anjos: Salmo 8:5; compare com Hebreus 2:6, 7. Humanos: Salmo 82:6. Deuses falsos: Êxodo 12:12; 1 Coríntios 8:5. Satanás: 2 Coríntios 4:4.) Nas Escrituras Hebraicas, a palavra para “Deus”, ´El, simplesmente significa “Poderoso” ou “Forte”. Nas Escrituras Gregas, o equivalente é the·ós.

Além disso, o termo hebraico usado em Isaías 9:6 mostra uma distinção definida entre o Filho e Deus. Ali, o Filho é chamado “Deus Poderoso”, ´El Gib·bóhr, não “Deus Todo-Poderoso”. Esse termo em hebraico é ´El Shad·daí, e aplica-se unicamente a Jeová Deus, o Pai.

Para uma consideração ampla sobre o NOME DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO clique aqui

Note, porém, que, ao passo que Justino chama de “Deus” ao Filho, nunca diz que o Filho seja um de três pessoas iguais, sendo cada um deles Deus, mas formando os três apenas um Deus. Em vez disso, ele diz em seu Diálogo com Trífon:

“Há . . . outro Deus e Senhor [o pré-humano Jesus] sujeito ao Criador de todas as coisas [Deus Todo-Poderoso]; que [o Filho] é chamado também de Anjo, porque Ele [o Filho] anuncia aos homens o que quer que o Criador de todas as coisas — acima de quem não há outro Deus — deseja que lhes anuncie. . . .

“[O Filho] é distinto Daquele que fez todas as coisas, — numericamente, quero dizer, não [distinto] na vontade.”11

Há uma passagem interessante na Primeira Apologia de Justino, no capítulo 6, em que ele faz uma defesa contra a acusação da parte dos pagãos de que os cristãos são ateístas. Ele escreve:

“Tanto Ele [Deus] como o Filho (que se originou Dele e nos ensinou estas coisas, e a hoste de outros anjos bons que o seguem e são feitos semelhantes a Ele), e o Espírito profético, veneramos e adoramos.”12
Um tradutor desta passagem, Bernhard Lohse, comenta: “Como se não bastasse que nesta enumeração os anjos sejam mencionados como seres honrados e adorados por cristãos, Justino não hesita em citar anjos antes de mencionar o Espírito Santo”.13 — Veja também An Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio Sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã).14

Assim, ao passo que Justino, o Mártir, parece ter-se desviado da doutrina pura da Bíblia na questão sobre quem deve ser objeto de adoração por parte do cristão, ele claramente não considerava o Filho igual ao Pai, assim como os anjos não eram considerados iguais a Ele. A respeito de Justino, citamos de novo da obra de Lamson, The Church of First Three Centuries:

“Justino considerava o Filho distinto de Deus, e inferior a ele: distinto, não no sentido moderno, como se formasse uma das três hipóstases, ou pessoas, . . . mas distinto na essência e na natureza; com subsistência real, substancial, distinta de Deus, de quem ele derivou todos os seus poderes e títulos; constituído debaixo dele, e sujeito à vontade dele em todas as coisas. O Pai é supremo; o Filho é subordinado: o Pai é a fonte do poder; o Filho, o recipiente: o Pai origina; o Filho, como seu ministro ou instrumento, executa. Eles são dois em número, mas concordam, ou são um, na vontade; a vontade do Pai sempre prevalece sobre a do Filho.”15

Ademais, em parte alguma diz Justino que o espírito santo seja uma pessoa igual ao Pai e ao Filho. Portanto, em nenhum sentido se pode dizer honestamente que Justino ensinava a Trindade conforme é ensinada atualmente nas igrejas que se dizem cristãs.

O ensino de Clemente

 

Clemente, de Alexandria, (c. 150 a 215 DC) também chama o Filho de “Deus”. Ele até mesmo o chama de “Criador”, um termo nunca usado na Bíblia com referência a Jesus. Queria ele dizer que o Filho era igual em todos os sentidos ao todo-poderoso Criador? Não. Clemente referia-se evidentemente a João 1:3, onde diz a respeito do Filho: “Todas as coisas vieram à existência por intermédio dele.”16 Deus usou o Filho como agente nas Suas obras criativas. — Colossenses 1:15-17.

Clemente chama o Supremo Deus de “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus”,17 e diz que “o Senhor é o Filho do Criador”.18 Ele diz também: “O Deus de todos é apenas um Criador bom e justo, e o Filho [está] no Pai.”19 Portanto, ele escreveu que o Filho tem um Deus acima dele.

Clemente fala a respeito de Deus como o “primeiro e único provedor da vida eterna, que o Filho, que a recebeu Dele [Deus], nos dá.”20 O Doador da vida eterna é claramente superior àquele que, por assim dizer, é o transmissor. Assim, Clemente diz que Deus “é o primeiro, e o mais elevado”.21 Além do mais, ele diz que o Filho “está mais próximo Daquele que é unicamente o Todo-Poderoso” e que o Filho “pede todas as coisas em harmonia com a vontade do Pai”.22 Vez após vez, Clemente mostra a supremacia do Deus Todo-Poderoso sobre o Filho.

A respeito de Clemente, de Alexandria, lemos o seguinte em The Church of the First Three Centuries:

“Poderíamos citar numerosas passagens de Clemente em que a inferioridade do Filho é distintamente afirmada. . . .

“Ficamos espantados de que qualquer pessoa que leia Clemente com atenção normal possa imaginar por um único instante que ele considerasse o Filho numericamente idêntico — um — com o Pai. Sua natureza dependente e inferior, conforme se parece a nós, é reconhecida em toda a parte. Clemente acreditava que Deus e o Filho eram numericamente distintos; em outras palavras, dois seres — um supremo, o outro subordinado.”23

Além disso, pode-se dizer de novo: mesmo que às vezes Clemente pareça ir além daquilo que a Bíblia diz a respeito de Jesus, em parte alguma fala de uma Trindade composta de três pessoas iguais em um só Deus. Apologistas como Taciano, Teófilo e Atenágoras, que viveram entre a época de Justino e a de Clemente, tinham conceitos similares. Lamson diz que “não eram melhores trinitaristas do que o próprio Justino; isto é, não acreditavam num Três indivisível, co-igual, mas ensinavam uma doutrina totalmente inconciliável com essa crença”.24

Tertuliano cria na trindade ensinada hoje ?

 

Tertuliano (c. 160 a 230 DC) foi o primeiro a usar a palavra latina trinitas. Conforme observado por Henry Chadwick, Tertuliano propôs que Deus é ‘uma substância que consiste em três pessoas’.25 Isto não significa, porém, que tivesse em mente três pessoas co-iguais e co-eternas. Entretanto, suas idéias foram usadas como ponto de partida por escritores posteriores que elaboravam a doutrina da Trindade.

O conceito de Tertuliano sobre Pai, Filho e espírito santo era bem diferente da Trindade da cristandade, pois ele era subordinacionista. Ele considerava o Filho subordinado ao Pai. Na obra Against Hermogenes (Contra Hermógenes), ele escreveu:

“Não devemos supor que haja algum outro ser, exceto unicamente Deus, que seja não gerado e incriado. . . . Como pode algo, exceto o Pai, ser mais velho, e por isso deveras mais nobre, do que o Filho de Deus, o Verbo unigênito e primogênito? . . . Esse [Deus] que não precisou de um Criador para lhe dar existência, será muito mais elevado em categoria do que [o Filho] que teve um autor que o trouxe à existência.”26
Também, na obra Against Praxeas, ele mostra que o Filho é diferente do Todo-Poderoso Deus e é subordinado a ele, ao dizer:

“O Pai é a inteira substância, mas o Filho é uma derivação e parcela do todo, conforme Ele Próprio reconhece: ‘Meu Pai é maior do que eu.’ . . . Assim, o Pai é distinto do Filho, sendo maior do que o Filho, visto que um é Aquele que o gera e outro Aquele que é gerado; também, um é Aquele que envia, e outro Aquele que é enviado; e, além disso, Aquele que cria é um, e Aquele por meio de quem a coisa é feita é outro.”27

Tertuliano, em Against Hermogenes, declara além disso que houve tempo em que o Filho não existia como pessoa, mostrando que ele não considerava o Filho um ser eterno no mesmo sentido que Deus era.28 O Cardeal Newman disse: “Tertuliano deve ser considerado heterodoxo [crente em doutrinas não ortodoxas] na doutrina sobre a geração eterna de nosso Senhor.”29 A respeito de Tertuliano, Lamson declara:

“Essa razão, ou o Logos, como foi chamado pelos gregos, foi mais tarde, segundo acreditava Tertuliano, mudado para o Verbo, o Filho, isto é, um ser real, tendo existido desde a eternidade apenas como um atributo do Pai. Tertuliano atribuiu a ele, porém, uma categoria subordinada ao Pai . . .

“A julgar por qualquer explicação geralmente aceita da Trindade da atualidade, seria inútil tentar salvar Tertuliano da condenação [como herege]. Ele não suportaria o teste nem sequer um momento.”30

Não Há Trindade

Se lesse todas as palavras dos apologistas, descobriria que, embora se tenham desviado em alguns pontos dos ensinos da Bíblia, nenhum deles ensinava que o Pai, o Filho e o espírito santo eram co-iguais em eternidade, poder, posição e sabedoria.

O mesmo se dá também com respeito a outros escritores do segundo e terceiro séculos, tais como Irineu, Hipólito, Orígenes, Cipriano e Novaciano. Embora alguns tenham igualado o Pai e o Filho em certos respeitos, em outros eles consideravam o Filho subordinado a Deus, o Pai. E nenhum deles sequer especulou que o espírito santo fosse igual ao Pai e ao Filho. Por exemplo, Orígenes (c. 185 a 254 EC) declara que o Filho de Deus é “o Primogênito de toda a criação” e que as Escrituras “conhecem a Ele como a mais antiga das obras de criação”.31

Uma leitura objetiva dessas antigas autoridades eclesiásticas mostra que a doutrina da Trindade, ensinada atualmente pelos líderes das igrejas que se dizem cristãs, não existia no seu tempo.

Conforme diz a obra The Church of the First Three Centuries:
A moderna doutrina popular da Trindade . . . não deriva apoio da linguagem de Justino: e esta observação pode ser estendida a todos os Pais Pré-Nicéia; isto é, a todos os escritores cristãos durante três séculos após o nascimento de Cristo. É verdade que falam do Pai, do Filho e do Espírito profético ou santo, mas não como co-iguais, não como uma só essência numérica, não como Três em Um, sentidos hoje aceitos pelos trinitaristas. O diametralmente oposto é a realidade. A doutrina da Trindade, segundo explicada por esses Pais, era essencialmente diferente da doutrina moderna. Isto afirmamos como fato tão irrefutável como qualquer fato da história das opiniões humanas.”32

Na realidade, antes de Tertuliano, a Trindade nem sequer era mencionada. E a Trindade “heterodoxa” de Tertuliano era muito diferente daquilo que se crê hoje.

Referências:

1. A Short History of the Early Church, de Harry R. Boer, 1976, página 110.
2. The Formation of Christian Dogma, de Martin Werner, 1957, página 125.
3. The Search for the Christian Doctrine of God, de R. P. C. Hanson, 1988, página 64.
4. The Church of the First Three Centuries, de Alvan Lamson, 1869, páginas 70-1.
5. Gods and the One God, de Robert M. Grant, 1986, páginas 109, 156, 160.
6. The Formation of Christian Dogma, páginas 122, 125.
7. The International Standard Bible Encyclopedia, 1982, Volume 2, página 513.
8. An Essay on the Development of Christian Doctrine, do Cardeal John Henry Newman, Sexta Edição, 1989, páginas 14-18.
9. The Ante-Nicene Fathers, editado por Alexander Roberts e James Donaldson, Reimpressão Americana da Edição de Edimburgo, 1885, Volume I, página 264.
10. Ibid., página 184.
11. Ibid., página 223.
12. Ibid., página 164.
13. A Short History of Christian Doctrine, de Bernhard Lohse, traduzido do alemão para o inglês por F. Ernest Stoeffler, 1963, segunda edição em brochura, 1980, página 43.
14. An Essay on the Development of Christian Doctrine, página 20.
15. The Church of the First Three Centuries, páginas 73-4, 76.
16. The Ante-Nicene Fathers, Volume II, página 234.
17. Ibid., página 227.
18. Ibid., página 228.
19. Ibid.
20. Ibid., página 593.
21. Ibid.
22. Ibid., página 524.
23. The Church of the First Three Centuries, páginas 124-5.
24. Ibid., página 95.
25. The Early Church, de Henry Chadwick, impressão de 1980, página 89.
26. The Ante-Nicene Fathers, Volume III, página 487.
27. Ibid., páginas 603-4.
28. Ibid., página 478.
29. An Essay on the Development of Christian Doctrine, páginas 19, 20.
30. The Church of the First Three Centuries, páginas 108-9.
31. The Ante-Nicene Fathers, Volume IV, página 560.
32. The Church of the First Three Centuries, páginas 75-6

Sem dúvida que os ensinos destes escritores do 2º século e outros que viveram antes do Concílio de Nicéia, eram bem diferente do ensino e “sâ doutrina” conforme prezado pelos Apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo.

Tertuliano ao usar a palavra trindade não tinha em mente a moderna doutrina da trindade, como fazem pensar muitos apoiadores da trindade. Pode-se verificar pela história que a moderna doutrina da trindade era desconhecida pelos “pais da Igreja”.Tal ensino é também biblicamente desconhecido, uma vez que nenhum versículo sequer fala  de uma trindade. Se alguém cita João 1:1 deverá ler o texto novamente e notará que alí aparecem apenas duas pessoas, a saber, “a palavra” que é o próprio Jesus. Este é chamado no texto de THEÓS, ao passo que O Deus Todo Poderoso  é referido como  `O THEÓS. Portanto duas pessoas. Não três. Eruditos bíblicos e Historiadores da Igreja reconhecem a ausencia do ensino da Trindade nos escritos dos escritores que viveram antes do Concílio de Nicéia.

Dr. Ehrman por exemplo em um discurso reconhece isso e diz que 1 João 5:7 é o “ÚNICO TEXTO” que provaria a doutrina da trindade, contudo, este foi adicionado ao texto.

Poderá ouvir o áudio do Dr. Ehman no final deste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=IgUJEx6h_wc

O Dr. Afirma que este versículo é interessante visto que por muitos anos foi citado como apoio da doutrina da trindade.Ele diz ainda que nenhum texto diz explicitamente que Deus é uma Trindade. Isso não é nada novo para as Testemunhas de Jeová.

Origenes acreditava que o filho de Deus, Jesus era subordinado ao Pai antes de sua encarnação. Isso é bem diferente do que pregam os modernos trinitários.

Qual é a posição destes criticos, a trindade de Orígenes/Tertuliano ou a moderna doutrina da trindade ?

Eu recomendo alguns a lerem o livro de Lewis Ayres com o Tema “Nicéia e seu legado” onde verá que esta publicação também confirma que a doutrina da Trindade era desconhecida nos dias de Jesus, dos Apostolos e escritores que viveram antes do Concílio de Nicéia.

The New Encyclopædia Britannica diz:

“Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita, como tal, aparecem no Novo Testamento, e nem Jesus ou seus seguidores tencionaram contradizer o Shema do Velho Testamento: ‘Ouve, ó Israel: O Senhor, nosso Deus, é um só Senhor’ (Deut. 6:4). . . . A doutrina desenvolveu-se gradualmente com o decorrer dos séculos, enfrentando muitas controvérsias. . . . Por volta do fim do 4.° século . . . a doutrina da Trindade tomou substancialmente a forma que desde então tem conservado.” — (1976), Micropædia, Vol. X, p. 126.

A New Catholic Encyclopedia diz: “A formulação de ‘um só Deus em três Pessoas’ não foi solidamente estabelecida, de certo não plenamente assimilada na vida cristã e na sua profissão de fé, antes do fim do 4.° século. Mas, é precisamente esta formulação que tem a primeira reivindicação ao título o dogma da Trindade. Entre os Pais Apostólicos, não havia nada, nem mesmo remotamente, que se aproximasse de tal mentalidade ou perspectiva.” — (1967), Vol. XIV, p. 299.

Em The Encyclopedia Americana lemos: “O cristianismo derivou-se do judaísmo, e o judaísmo era estritamente unitário [cria que Deus é uma só pessoa]. O caminho que levou de Jerusalém a Nicéia dificilmente foi em linha reta. O trinitarismo do quarto século de forma alguma refletiu com exatidão o primitivo ensino cristão sobre a natureza de Deus; foi, ao contrário, um desvio deste ensinamento.” — (1956), Vol. XXVII, p. 294L.

Segundo o Nouveau Dictionnaire Universel: “A trindade platônica, que em si é meramente um rearranjo de trindades mais antigas, que remontam aos povos anteriores, parece ser a trindade filosófica racional de atributos que deram origem às três hipóstases ou pessoas divinas ensinadas pelas igrejas cristãs. . . . O conceito deste filósofo grego [Platão, do 4.° século AEC] sobre a trindade divina . . . pode ser encontrado em todas as religiões [pagãs] antigas.” — (Paris, 1865-1870), editado por M. Lachâtre, Vol. 2, p. 1467.

O jesuíta John L. McKenzie, no seu Dictionary of the Bible, diz:

“A trindade de pessoas dentro da unidade de natureza é definida em termos de ‘pessoa’ e de ‘natureza’, que são termos filosóficos gr[egos]; na realidade, esses termos não aparecem na Bíblia. As definições trinitárias surgiram em resultado de longas controvérsias, em que estes termos e outros, tais como ‘essência’ e ‘substância’, foram erroneamente aplicados a Deus por alguns teólogos.” — (Nova Iorque, 1965), p. 899.

The New Catholic Encyclopaedia admite: “A maioria dos textos do Novo Testamento revela o espírito de Deus como sendo algo, não alguém; isto se vê especialmente no paralelismo entre o espírito e o poder de Deus. ( 1967, Vol. XIII, p. 575 ) Diz também : “Os apologistas ( escritores cristãos gregos do segundo século ) falavam com demasiada hesitação do Espírito; pode-se adiantar até certo ponto que o fizeram de modo impessoal demais.” – Vol. XIV, p. 296.

The Dictionary of Religious Knowledge ( Dicionário de Conhecimento Religioso ), de Abbott, chama a Trindade de característica “deveras marcante” da religião hinduísta, sendo “discernível” nas antigas religiões pré-cristãs da Pérsia, do Egito, de Roma, do Japão, da Índia e da Grécia. O Professor Hopkins responde: “A doutrina da trindade era evidentemente desconhecida de Jesus e de Paulo; de qualquer modo, eles nada dizem sobre ela.” – Origin and Evolution of Religion ( Origem e Evolução da Religião ).

Newman em The Development of Christian Doctrine ( O Desenvolvimento da Doutrina Cristã ), página 15, escreveu que os credos antes do tempo de Constantino não faziam qualquer menção dela. “Fazem deveras menção de Três; mas, nunca se declara, e jamais se poderia deduzir deles que haja qualquer mistério na doutrina, que os Três são Um, que Eles sejam coiguais, coeternos, todos incriados, todos onipotentes, todos incompreensíveis”.

Reconhece a New Catholic Encyclopedia ( Nova Enciclopédia Católica ): “Há o reconhecimento, por parte de teólogos bíblicos, inclusive um número constantemente crescente de católicos-romanos, de que não se deve falar de Trinitarismo no Novo Testamento sem séria qualificação. Há também o reconhecimento intimamente paralelo, por parte dos historiadores de dogmas e dos teólogos sistemáticos de que, quando se fala deveras de Trinitarismo inqualificado, já se passou do período das origens cristãs para, digamos, o último quadrante do 4.° século. Foi somente então que aquilo que se poderia chamar de dogma trinitário definitivo, ‘Um Deus em três Pessoas’ tornou-se cabalmente assimilado na vida e no pensamento cristãos.”

The Catholic Encyclopedia for School and Home ( Enciclopédia Católica Para a Escola e o Lar ) admite : “A Trindade era desconhecida das pessoas antes do tempo de Nosso Senhor”.

The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge ( Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso de Schaff-Herzog ) indica: “Muitos dos cristãos primitivos, por sua vez, sentiam peculiar atração pelas doutrinas de Platão, e as empregavam quais armas para a defesa e extensão do Cristianismo, ou colocavam as verdades do Cristianismo numa moldura platônica. As doutrinas do Logos (“a Palavra” em grego ) e da Trindade obtiveram seu formato dos Padres gregos que, se não educados nas escolas, foram muito influenciados, direta ou indiretamente pela filosofia platônica, em especial em sua forma judaico-alexandrina.

The Illustrated Bible Dictionary (Dicionário Bíblico Ilustrado – Protestante ) declara: “A palavra Trindade não é encontrada na Bíblia. Não achou um lugar formal na teologia da igreja até o 4.° século. Embora não nos forneça uma doutrina formulada da Trindade, contém todos os elementos com os quais a teologia formulou a doutrina.”

The New International Dictionary of the New Testament Theology declara: “Tudo isto sublinha o ponto de que o Cristianismo primitivo não dispunha de uma doutrina explícita da Trindade, tal como foi subseqüentemente formulada nos credos da igreja primitiva”.

No prefácio do livro History of Christianity ( História do Cristianismo ), de Edward Gibbon, lemos: “Se o paganismo foi conquistado pelo cristianismo, é igualmente verdade que o cristianismo foi corrompido pelo paganismo. O puro deísmo dos primeiros cristãos foi mudado, pela Igreja de Roma, para o incompreensível dogma da trindade. Muitos dos dogmas pagãos, inventados pelos egípcios e idealizados por Platão, foram retidos como sendo dignos de crença.”

O Dicionário do Conhecimento Religioso menciona que muitos dizem que a Trindade “é a corrupção emprestada de religiões pagãs e enxertada na fé cristã”. E o Paganismo no Nosso Cristianismo declara : “A origem da Trindade é inteiramente pagã”.

Na Enciclopédia de Religião e Ética, James Hastings escreveu: “Na religião indiana, p.ex., temos o grupo trinitário de Brama, Xiva e Vixenu; e na religião egípcia, com o grupo trinitário de Osíris, Ísis e Hórus. Tampouco é apenas em religiões históricas que encontramos Deus sendo considerado como uma Trindade. Vem-nos à mente em especial o conceito neoplatônico da Suprema e Derradeira Realidade”, que é “representada triadicamente”.

The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge ( Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog ) mostra a influência dessa filosofia grega: “As doutrinas do Logos e da Trindade receberam a sua forma de Pais Gregos, que foram muito influenciados, direta ou indiretamente, pela filosofia platônica. Que dessa fonte se infiltraram erros e corrupções na Igreja, não pode ser negado.”

No livro A Statement of Reasons ( Declaração de Razões ), Andrews Norton diz sobre a Trindade: “Podemos traçar a história dessa doutrina e descobrir a sua origem, não na revelação cristã, mas sim na filosofia platônica. A Trindade não é uma doutrina de Cristo e de seus Apóstolos, mas sim uma ficção da escola de posteriores platonistas.”

A Igreja dos Primeiros Três Séculos diz: “A doutrina da Trindade foi formada de maneira gradual e comparativamente tardia e teve a sua origem numa fonte inteiramente estranha à das Escrituras Judaicas e Cristãs. Cresceu, e foi enxertada no cristianismo, pelas mãos de Pais platônicos.”

É de interesse observar, como afirma o teólogo da Catedral de Coventry, H. W. Montefiore, quando diz que  “mui raramente deveras é Jesus chamado de Deus no Novo Testamento”.
Numa preleção na Universidade de Manchester, o Professor visitante de Teologia, G. H. Boobyer, explicou:

“Ocorrem umas nove ou dez passagens em que Jesus é, ou poderia ser, aludido como ‘Deus’ (‘theos’). . . . Duas ou três delas, contudo, são altamente duvidosas, e, das restantes, vários graus de . . . incerteza estão ligados a todas, exceto uma, que é a exclamação adoradora de Tomé para com o ressuscitado Jesus em João xx. 28 como ‘Meu Senhor e meu Deus!’

Diferenciando esta passagem das outras, Vincent Taylor — perito moderadamente conservador dos problemas cristológicos — fala dela como ‘a única atribuição clara de Deidade a Cristo’ no Novo Testamento.”
Mas, será que até mesmo esta aparentemente ‘única atribuição clara de Deidade a Cristo’ prova que ele é o Deus Onipotente? John Martin Creed, como Professor de Divindade na Universidade de Cambridge, observou:

A exclamação adoradora de S. Tomé ‘meu Senhor e meu-Deus’ (João xx. 28) ainda não é a mesma coisa que se dirigir a Cristo como sendo sem ressalva Deus, e precisa ser equilibrada pelas palavras do próprio Cristo ressuscitado a Maria Madalena (v. 17): ‘Vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e meu Deus e vosso Deus.”
Tomé talvez se tenha dirigido a Jesus como “Deus” no sentido restrito de ele ser “um deus”, mas não o Deus Onipotente. As Escrituras falam das pessoas espirituais ou anjos como sendo deuses. Por exemplo, 2 Coríntios 4:4 diz: “O deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos.” Aqui, o anjo iníquo Satanás, o Diabo, é chamado de “deus”.
Também, naquele tempo, humanos poderosos eram comumente chamados de “deuses”.

Por exemplo, o rei selêucida Antíoco IV, que regeu de 175-163 A. E. C., denominou-se Theos Epiphanes (“Deus Manifesto”) em moedas. E o imperador romano do primeiro século, Domiciano, tinha predileção pela honra de ser “Senhor e Deus”. A Bíblia, também, reconhece as pessoas poderosas como “deuses”, afirmando: “Há muitos ‘deuses’ e muitos ‘senhores’.” — 1 Cor. 8:5; compare com o Salmo 82:1-7.

 A Conclusão desta analise mais objetiva revela portanto que Jesus é “O filho de Deus” assim como o reconheceu Paulo e pregava avidamente após sua conversão conforme lemos em Atos 9:20.

Críticos modernos e a aparência de Teologia tem na verdade distanciado as pessoas Daquele a quem Jesus chamou de “O ùnico Deus Verdadeiro”.

Jeová é outra pessoa distinta de Cristo e o Deus adorado durante 4000 anos antes da vinda do Messias e filho de Deus.

Usar alguns textos para tentar provar que Jesus é o próprio Deus Todo poderoso é uma distorção das escrituras que começou gradualmente logo após a morte do ultimo dos apóstolos.

 

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Comentários

  • Frankmar  On fevereiro 6, 2011 at 2:54 am

    As Testemunhas de Jeová estão certas em rejeita a doutrina da trindade,por 2 motivos:1-a Bíblia não se encontra uma doutrina da trindade e 2-os antigos Cristãos não ensinavam uma doutrina da Trindade como é hoje ensinada por muitas Igrejas. porem as Testemunhas de Jeová não são o único grupo a rejeita a errada doutrina da Trindade.existe Igrejas Cristãos que rejeitam tambem a doutrina da Trindade como:
    os Cristadelfianos(Irmãos em Cristo), a Igreja de Deus da fé de Abraão,A Igreja Cristã Bíblica Adventista e os Unitarios Bíblicos.todas essas Igrejas ensinam que:1-Deus é uma só pessoa que é o Pai(1 Corintios 8:6),Deus Pai é maior do que seu filho Jesus(João 14:28) e Jesus é subordinado a Deus Pai ou Javé(1 Corintios11:3).

  • Pacheco  On maio 23, 2011 at 12:12 pm

    Tenho lido alguns atigos vossos. Espanta-me como conseguem dar a vota as traduções. Cristo não é o TODO PODEROSO? è evidente na vossas traduções não.Qual é a figura principal de Genesis a Apocalipse? Jesus Cristo! Isaías chama-me o Pai da Eternidade Capitulo 9. Paulo diz que aquele que se manisfestou a Moisés com o nome de Jeová, o grande “EU SOU”, foi Cristo. A Palavra Trindade não aparece, mas o Espirito Santo é DEUS, estudem os atributos de Jeová e do Espirito em todas as Escrituras e verão a igualdade de Pessoas.Além de Jeová não é o verdadeiro nome de Deus, por que ninguém sabe quais as consoantes omitidas no nome, por isso há muitas hipóteses para nome de Deus. Meus amigos procurem traduçoes independentes da vossa tradução,há muitas sociedades biblicas com óptimas traduções. Sem o Espirito Santo não podeis compreender a Deus pois o negais!

    • queruvim  On maio 25, 2011 at 12:24 am

      Pacheco, as Testemunhas de Jeová produziram e ainda produzem bíblia em muitos idiomas e de editoras que nem mesmo são das Testemunhas de Jeová. Em países onde não se produziu a Tradução do Novo Mundo, as TJ usam traduções seculares aceitas nestes países. O que torna seus comentários evidentemente faltoso e desprovido de informações. Sobre Cristo, em lugar algum se diz que ele é o “Deus Todo Poderoso”. Gabriel disse a Maria que ele é o “Filho do Altíssimo”. Jesus ao derramar seu sangue precioso comprou pessoas e se tornou “`Pai ” destes, contudo o Profeta Isaias diz que isso foi feito por quem ? “Jeová dos exercitos fará isso” escreveu o profeta Isaias no capítulo 9. A respeito da pronúnica do Nome de Deus. Isso é irrelevante. Nem mesmo os nomes dos profetas nós pronunciamos DA MESMA FORMA que era pronunciado no antigo Israel. Até mesmo o nome “Jesus” não teve sua proununcia preservada quanto os escritores do N.T escreveram os Evangelhos em Grego.

  • givanilson rocha  On setembro 5, 2011 at 10:48 pm

    Desculpe-me seu pacheco, mas diante do seu comentario eu faço-lhe uma simples pergunta: se o espirito santo é Deus porque nas introduçoes das cartas do novo testamento geralmente só se menciona dois, por exemplo:leia por favor romanos 1:1;primeira aos corintos 1:1;segunda aos corinto 1:1;gálatas 1:1;efesios 1:1 filipenses 1:2;colosenses 1:1;primeira e segunda tessalonicense 1:1; primeira e segunda a timoteo 1:1; tito 1:1; tiago 1:1; são poucas as vezes que os tres são mencionados juntos. porque não deveria em todas essas ocorrencias eles serem mencionados juntos? e quando são isso não é problema pois pedro tiago e joão são varias vezes mencionados juntos,assim como abrão isaque e jacó,mas eles não são ” UM SÓ “.

  • givanilson rocha  On setembro 5, 2011 at 10:52 pm

    além do mais o fato de o espirito ser personificado,não prova que ele é uma pessoa pois em genesis 4:10 diz que a VOZ do sangue abel CLAMAVA a Deus,e o sangue não é uma pessoa é?

  • Jose  On outubro 22, 2011 at 8:33 pm

    De todas as pessoas (da esfera espiritual) descritas na biblia somente treis delas participam de uma comunhao, aproximaçao, uniao ,(2Co 13.13). Anjos e demonios nao compartilham. Somente e´ Deus aquele que possue natureza divina.(Gl 4.8)

    “…O fato de Jesus ser verdadeira divindade, ou de natureza divina, nao faz com que ele como Filho de Deus seja coigaul e coeterno com o Pai, assim como o fato de todos os seres humanos fazerem parte da humanidade ou da natureza humana nao faz com que sejam coigauis ou todos da mesma idade. Raciocinio a base das Escrituras pg 413

    Podemos dizer que anjos, demonios, o diabo etc sao deuses por natureza ? nao,sao falsos deuses. A expressao “Filho de Deus” atribuido a Jesus lhe confere ser Deus por natureza e nao apenas por posiçao. A natureza humana foi criada nao é eterna, por isso nao sao todos da mesma idade. Todavia a natureza de Deus é eterna e se Jesus possue a natureza eterna de Deus em natureza ele é igual a Deus. O presidente da republica em posiçao é maior do que nós porem em natureza nao. Em natureza O Pai e o Filho Jesus sao iguais.

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