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“TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO: TEXTO CONFIÁVEL OU PROPAGANDA IDEOLÓGICA?”

Por Queruvim

Análise em três partes do artigo escrito por Damião Bonfim dos Santos, um dos Teólogos da Cristandade, que critica a Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada (TNM) produzida pelas Testemunhas de Jeová. (A fim de facilitar o entendimento destaco em azul as declarações do artigo escrito por ele).

Logo no início de seu artigo, o autor afirma que a “indica[ção] de possíveis textos problemáticos, [na TNM] parece não surtir o efeito desejado“. Parece então, que o Sr. Damião Bonfim se apresenta como um paladino que busca ajudar o público a entender as razões que levam muitos a  julgar confiável “uma obra amplamente questionada“. Em seu 4º parágrafo ele já adjetiva a Tradução do Novo Mundo da Bíblia de “polêmica“, “contestada” e  “questionada“.

Segundo Damião Bonfim, existe uma “propaganda ideológica jeovista” que é um “processo de ocultamento da realidade, que no caso, evita ao fiel outra percepção a respeito da obra – procedimento rotineiro nos grupos manipuladores“.  Citando uma obra intitulada: Propaganda: Ideologia e Manipulação de Nélson Garcia, Damião Bonfim credita às Testemunhas de Jeová um comportamento que visa “evitar que os receptores possam perceber a realidade por outro prisma que não aquele que lhes é proposto” (GARCIA p.53)

Ou seja, ele acusa as Testemunhas de Jeová, a quem chama de “jeovistas” de serem “manipuladores” e ‘ocultadores da realidade”.

Será que o Sr. Damião consegue em seu artigo provar que tais acusações são verdade? Apesar de usar linguagem rebuscada com aparência de seriedade acadêmica, o que revela um escrutínio destas acusações? Convido o leitor a se deter em uma avaliação deste artigo, que será apresentado em três partes, e veremos se ele realmente está falando a verdade. Ao mesmo tempo gostaria de dizer ao Sr. Damião, que a Igreja Católica, a que ele pertence,  possui muita história e reconheço que muitos teólogos católicos contribuíram significativamente para o progresso no entendimento da critica textual e merecem respeito por isso. Espero que o Sr. Damião progrida cada vez mais em entendimento e conhecimento.

Em primeiro lugar me parece que chamar as Testemunhas de Jeová de “jeovistas”, consiste em ‘ocultar a realidade’ do texto de Isaías 43:10-12, que chama os servos fiéis de Deus de “Testemunhas de Jeová”. Existe uma timidez em empregar esta designação bíblica da parte do Sr. Damião com referência a este grupo de adoradores.  Na verdade teólogos, não raro, removem o Nome de Deus de suas versões da Bíblia em um “processo de ocultamento da realidade”. Tenho repetido várias vezes em meus artigos, na página Tradução do Novo Mundo Defendida, que a remoção do Nome de Deus de suas versões prediletas da Bíblia, é um “procedimento rotineiro nos grupos manipuladores” que querem causar uma confusão entre o Soberano Senhor Jeová e o Senhor Jesus Cristo. Nós Testemunhas de Jeová, não somente temos orgulho de levar esta designação bíblica de “Testemunhas de Jeová”, (Isaías 43:10-12) como também de usar o Nome de Deus da forma como vemos que ocorre nos textos da Bíblia Hebraica. De fato, o Nome de Deus aparece milhares de vezes no texto da Bíblia em contraste com a palavra “Senhor”, especialmente quando se fala de Deus. Não ocultamos isso. Há uma tendência de teólogos católicos empregarem a terminologia “jeovismo” repetindo o que aprendeu em seus livros ou com professores de teologia. Será que grafar o nome de Deus com letras minúsculas e de forma tão crítica é realmente tratar a Deus com a dignidade que ele merece?

Logo no final de sua primeira página, o autor, crítico da TNM, afirma que as Testemunhas de Jeová, a quem chama agora de STV, rejeitam o “conteúdo em língua original” da palavra de Deus. Afirma também que pretende ajudar as pessoas a não terem um conceito “exclusivamente negativo ou favorável” da TNM.  O fato é que a maioria das páginas na internet que falam sobre a TNM apresentam um conteúdo exclusivamente negativo. E não somente isso, evitam colocar-la em suas páginas de traduções da Bíblia!  Acesse por exemplo os links abaixo e observe claramente como a Cristandade, os que professam ser cristãos, sequer citam a Tradução do Novo Mundo produzida pelas Testemunhas de Jeová!

https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/1

http://www.bibliaonline.net/biblia/?livro=1&versao=17&lang=pt-BR&cab=

http://www.bibliaonline.net/acessar.cgi?pagina=avancada

http://biblehub.com/wht/matthew/1.htm

Observou como a Cristandade nos links acima evita a todo custo qualquer referência à Tradução do Novo Mundo da Bíblia? Será que este processo preconceituoso de ocultamento não é na realidade uma “manipulação”? Como podem alegar defender direitos humanos quando exalam preconceito religioso ao evitarem uma tradução da Bíblia, somente porque esta é produzida por uma religião que pensa diferente da deles?  É altamente suspeito que um dos poucos eruditos, que fez uma avaliação comparativa entre diversas traduções da Bíblia de língua inglesa, tenha colocado a TNM como “a mais exata das versões comparadas”, e esta seja vítima de um “processo de ocultamento”!

B.A., University of Illinois;
M.T.S., Harvard Divinity School;
Ph.D., Indiana University

Para avaliar a confiabilidade da obra dos tradutores, o erudito Dr. Jason D. BeDuhn, professor-associado de estudos religiosos da Universidade do Norte do Arizona, Estados Unidos, examinou e comparou a exatidão de oito importantes traduções, inclusive a TNM, publicada pelas Testemunhas de Jeová. Apesar de um resultado altamente favorável, note o que o SR. Damião, teólogo anti Testemunha de Jeová fala sobre a TNM:

“No geral, porém, a TNM é melhor classificada como paráfrase”

Não é isso que os fatos demonstram. BeDuhn classificou-a como “notavelmente boa”, “muito melhor” e “a mais exata das traduções que foram comparadas”, BeDuhn disse também que a TNM é a  “mais exata como tradução literal e em  conservar as expressões originais dos escritores do Novo Testamento”. (Destaque é meu) Este erudito escreveu suas impressões a partir de uma análise filológica acadêmica, não teológica. Quanto a TNM revisada de 2015, esta não é uma tradução literal mas uma de equivalência dinâmica, conforme abordei detalhadamente aqui. A TNM em sua versão anterior é tão literal que serve perfeitamente para os estudiosos dos idiomas originais. Não há dúvida disso!  Poderiam se citar talvez raros textos que na edição de 1986 seja uma “paráfrase”, mas este não é o caso da tradução! Procure certificar-se disso!

 

Eu apreciaria que teólogos  nos apresentasse alguma pesquisa séria onde se fez comparações entre várias traduções da Bíblia. Algo realmente acadêmico seguindo a metodologia correta e que preocupa‐se com a “descrição direta da experiência como ela é” e não como sua predileção teológica quer que seja. Verá na segunda e terceira parte desta review ou análise, que o autor deste ataque teológico contra as Testemunhas de Jeová e a TNM, não sabe sequer a gama aceitável de significação da palavra grega PANTAS!

 

Benjamim Kedar disse sobre a TNM “Essa obra reflete um esforço honesto de obter uma compreensão do texto tão precisa quanto é possível. . . . Eu nunca descobri na Tradução do Novo Mundo intento preconceituoso de dar ao texto uma interpretação que este não contenha.”

 
 

Benjamim Kedar 

Com 48 anos de Mestrado pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Doutorado pela Universidade de Yale, E.U.A, Professor na Universidade Hebraica de Jerusalém desde 1981, Membro do Instituto para Estudos Avançados em Princeton, Professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, Membro do Conselho de Educação Superior de Israel, Presidente da Associação Internacional de Estudos referente as Cruzadas e vice-director for Archaeology of the Israel Antiquities Authority (IAA)

Existe uma linha muito tênue que separa uma tradução de equivalência dinâmica de uma paráfrase, e esta linha simplesmente some aos olhos dos que adoram cultos de emoção barulhentos, ao invés de estudar objetivamente a palavra de Deus em suas igrejas. Já observou a enorme diferença entre uma reunião das Testemunhas de Jeová e um culto evangélico? As TJ estudam os textos da Bíblia em suas reuniões citando diversas Traduções da Bíblia de forma aprofundada e meticulosa, juntamente com oração a Jeová por meio de Cristo Jesus. E a maioria dos cultos da Cristandade são um local de barulho e emoção onde não se estuda com responsabilidade temas importantes. Missas católicas também não são feitas com uma pesquisa coletiva com todos os presentes raciocinando à base das escrituras. Observe esta missa de um Padre bastante conhecido e note como sequer usam a Bíblia em seus cultos de emoção.  Como poderíamos esperar então um concordância entre estes dois grupos distintos, a saber, a Cristandade e as Testemunhas de Jeová?
Já na página 2 do artigo do Damião Bonfim, ele dá um tiro no pé ao elogiar o que chama de “ponto positivo da TNM“. Ele  “justifica a omissão de algumas passagens…a exemplo do famoso “coma joanino. Refiro-me àquele texto que consta das bíblias traduzidas a partir do chamado Textus Receptus 2 (sec. XVI), pelo qual foram acrescentadas em 1Jo 5,7 observações de caráter doutrinário. Mas que, conforme destaca Paroschi, citando Metzger, são oriundas de comentário tecido à margem de algum manuscrito, por um copista, sendo indevidamente incorporadas ao texto grego, e que os mais antigos e melhores manuscritos encontrados não apresentam (PAROSCHI, 1993, p. 100).”  

Se ele justifica a omissão de certas passagens na TNM, isso é uma confissão de que toleram adições ao texto da Bíblia!

 Que vergonha! Só isso já serve para um leitor de bom juízo perceber o caráter cristão destes críticos e como consideram algo pequeno o erro de se tomar liberdades com o texto da Bíblia Sagrada! (Eu considero a remoção do Nome de Deus das Traduções da Bíblia uma adulteração de documento). Ou seja, teólogos católicos e evangélicos que trabalham na tradução da Bíblia são, em muitos casos,  pessoas que praticam adulteração de documento.

Pegue um bom léxico ou interlinear da Igreja Evangélica e verá que na verdade muitas versões tradicionais acrescentaram muitas passagens ao texto Sagrado. (Leia Prov. 30:6)

Mateus 17:21; 18:11; 23:14; Marcos 7:16; 9:44 e 46; 11:26; Lucas 17:36; João 5:4; Atos 8:37; 15:34; 24:7; e Romanos 16:24 não se encontram nos manuscritos mais antigos. Por isso, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas possui um traço em seu lugar ou estão ausentes na nova TNM Revisada. Mas esses versículos também não são encontrados em muitas traduções. Uma comparação com traduções modernas, como The New English Bible (NEB) e a Bíblia de Jerusalém (BJ), mostra que outras comissões tradutoras também reconheceram, em notas de rodapé, que os versículos em questão não fazem parte do texto bíblico.

Para uma avaliação detida deste assunto leia o artigo: Por que a Tradução do Novo Mundo não contém alguns versículos que aparecem em outras traduções da Bíblia ?

Acusação de Tradução “anônima”

O texto prossegue falando da parcialidade na tradução até a impossibilidade de averiguar o gabarito de seus tradutores e na página 7 de seu texto em Pdf,  bem adiante, ele fala dos tradutores da TNM e diz: “Entretanto, essa “expertise” não pode ser averiguada, já que a constatação do respaldo acadêmico de seus supostos tradutores é inviabilizada pelo anonimato do trabalho que a Organização referenda…” 

Como assim “supostos Tradutores?” Quem é que detém a mais amplamente difundida revista do Mundo? Como isso é possível se eles são “supostos tradutores”?  Veja o artigo: The Most Widely Read Magazine in the World

Este comentário infeliz do Sr. Damião já desmonta seu trabalho e revela suas intenções. Não apresenta material científico filológico, mas simples birra anti Testemunha de Jeová. Este tipo de material é desnecessário e não contribui para a ciência no estudo particularmente voltado para filologia e traduções da Bíblia. As Testemunhas de Jeová já foram chamados de “Titans no campo da tradução”. Dê uma olhada na quantidade de idiomas que podemos visualizar ao consultar a página oficial das TJ. No canto superior direito deste link.

Gostaríamos de perguntar ao Damião o seguinte: Qual a Bíblia que Jesus e os Apóstolos usavam? Caso responda que estes usavam a Septuaginta (LXX), então poderíamos perguntar:  Quem foram os tradutores da LXX? Cite o nome de um dos 70 judeus que traduziram a LXX e sua formação ou “gabarito”.  Claro que ninguém fala sobre as qualificações deles!  De forma similar, a Almeida, King Jaime, BJ, Reina Valera são nomes fantasias e seus tradutores também não são popularmente conhecidos.

Recentemente foi publicada a Versão Rei Jaime Nome Divino que segue o mesmo procedimento de não revelar os nomes dos da Comissão de Tradução.(Clique aqui e confirme isso)  Até mesmo organizações evangélicas como a Lockman Foundation declara no prefácio da New American Standard Bible: “nenhuma obra será jamais personalizada” e isso ficou claro na versão de 1971 da NASB quando eles mesmos disseram:

” Não usamos o nome de nenhum erudito para referência ou recomendações pois é nossa crença de que a palavra de Deus deve se impor pelos seus méritos”

Este tipo de zombaria velada da parte do Sr. Damião e de muitos outros demonstra um padrão reconhecido.

Lemos na palavra de Deus:

Os judeus  que perseguiam a Jesus ficaram admirados, dizendo:

Como é que este homem tem conhecimento de letras, sendo que não estudou nas escolas?”  Jesus, por sua vez, respondeu-lhes e disse: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” João 7:15

Os primitivos pregadores cristãos não eram homens de elevada instrução segundo os padrões do mundo. O Sinédrio percebeu que os apóstolos Pedro e João eram “homens indoutos e comuns”. (At 4:13) Historiadores seculares registraram comentários do mesmo teor.

Celso, o primeiro a escrever contra o cristianismo, transforma em zombaria o fato de que trabalhadores braçais, sapateiros, lavradores, os mais desinformados e cômicos dos homens, sejam zelosos pregadores do Evangelho.

(The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries [A História da Religião e da Igreja Cristãs, nos Três Primeiros Séculos], de Augustus Neander; traduzido do alemão para o inglês por Henry John Rose, 1848, p. 41)

Condenam as TJ outras traduções da Bíblia? 

Assim, aquela tentativa de aproximação ao trabalho da crítica-textual, acompanhada da ideia discretamente difundida entre as TJs de que somente a TNM é realmente confiável, parecem motivar a adequação de seu texto ao credo do grupo que a cultiva. Isso a coloca em descrédito e justifica a tese comum de que “a tradução da Bíblia realizada pelas Testemunhas de Jeová (A Tradução do Novo Mundo) baseia-se em uma seleção arbitrária de leituras de manuscritos segundo critérios dogmáticos (o preconceito do anônimo Comitê de tradutores) e não segundo os critérios científicos da crítica textual…” (ARENS, 2007, p. 148).

O texto diz que “a ideia de que somente a TNM é confiável motiva a adequação de seu texto ao credo”. Apesar de muitos opositores religiosos afirmarem que as Testemunhas de Jeová consideram a Tradução do Novo Mundo como a “única Bíblia correta  que deve ser usada” um exame revela que fiel ao seu nome, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados  sempre chamou a atenção para várias traduções da Bíblia disponíveis, comprava-as em grande quantidade de modo a obter bons preços, e daí as colocava à disposição do público por um preço que, às vezes, era apenas 35 por cento do preço de tabela . Entre algumas destas traduções encontravam-se as seguintes:

  • Tradução literal de Young
  • Tradução de Leeser (inglês ao lado do hebraico)
  • New Testament de Tischendorf (com leituras variantes dos MSS gregos)
  • Tradução de Murdock (do siríaco)
  • Bíblia Variorum (com várias traduções em inglês)
  • The Newberry Bible (com notas marginais)

Para ver como as Testemunhas de Jeová também usam e imprimem amplamente outras versões da Bíblia leia este artigo.

De fato, os elogios propalados pela STV à TNM tendem a não atrair leitores de outros segmentos a terem uma edição dela, nem exercem influência positiva nesses leitores, no sentido de conhecê-la melhor, nem a tornam referência entre os catedráticos escriturísticos.

Não nos incomoda o fato de que os líderes religiosos deste mundo não se simpatizam conosco nem com a Tradução da Bíblia que usamos. Como se cumpriria a escritura quando lemos que Satanás domina a maioria? ( 1 João 5:19) Como acha Sr Damião, que Jesus era considerado pelos famosos escribas “catedráticos” de seu tempo? Será que o mundo acolheu a Jesus? Não foi Jesus que disse que a estrada larga, para onde vão a maioria das pessoas, é a que conduz a destruição? (Mat. 7:13,14)

Ainda assim, mensagens de apoio à contestada tradução são comuns nas publicações jeovistas. “Uma tradução da Bíblia que toca o coração” (A Sentinela (Fácil de Ler, 15/12/2015, pp 9-14); “A Tradução do Novo Mundo é apreciada por milhões no mundo” (A Sentinela, de 15/11/2001, pp 7-9); “Uma tradução notavelmente boa” (A Sentinela, 01/12/2004, p. 30). Apenas alguns exemplos para ilustrar como há intensa propaganda positiva da TNM nas publicações que circulam entre as TJs.

 

A literatura citada acima, se pouca atenção recebe do público em geral, é bem prestigiada pelos membros do grupo, que se habituando a ler coisas do tipo: “uma tradução confiável”, “emocionante”, “exata” e “elogiada pelos eruditos”, têm despertada a impressão de que dispõem da melhor tradução de bíblia disponível no mercado. Impressão robustecida pela notória técnica da repetição6 de que faz uso a STV em suas publicações.

Acima vemos uma declaração enganosa. O prestígio dado à TNM  pelas Testemunhas de Jeová, se deve não aos elogios que ocasionalmente se faz a ela, mas aos motivos apresentados para tais elogios. Por exemplo, A Sentinela de 01 de Dezembro de 2004 cita a conclusão de que a TNM foi considerada “a mais exata das traduções comparadas” por Jason BeDuhn. Raramente se faz este tipo de pesquisa acadêmica. Portanto, longe de dar uma impressão exagerada sobre a TNM, a Sentinela cita uma pesquisa realmente acadêmica, usando-se o método filológico e não teológico de abordagem. Isso é oportuno e necessário em vista de tantos ataques vazios provenientes de inúmeros teólogos da Cristandade. É fácil acusar alguém de ser manipulador e de fazer propaganda ideológica, difícil é provar isto.

Por isso, supostos erros de tradução e eventuais correções na TNM são menos sentidas pelo leitor jeovista, porque esse é preparado ideologicamente para aceitar qualquer tradução que lhe seja orientado seguir

Aqui, o autor da crítica fala como se as Testemunhas de Jeová estudassem menos que os grupos da Cristandade, quer católicos ou evangélicos que ele talvez  reconheça como “cristãos”. Está para aparecer algum grupo que estuda e pratica a adoração da Bíblia com tanta dedicação como as Testemunhas de Jeová. Há igrejas chamadas “cristãs” cujos membros sequer levam um exemplar da Bíblia em seus cultos. Falar contra as TJ não vai melhorar a situação patética e decadente da “Igreja”, especialmente os neopentecostais. São estes que ouvem a pregação do PA (Pericope da Adúltera) como se fosse parte das Escrituras Sagradas. Eu jamais ouvi no Salão do Reino alguém discursar, desde os anos de 1970, contando o caso da mulher pega em adultério. Todavia, é repetido pela Cristandade e é ensino predileto das Igrejas da Cristandade. Na verdade, a repetição de textos não canônicos e de acréscimos à palavra de Deus é um hábito de seus irmãos de fé Sr. Damião. Não é um problema das Testemunhas de Jeová. São seus irmãos de fé que estão “preparados ideologicamente para aceitar qualquer tradução que lhe seja orientado seguir”. Pior ainda, em muitos casos, são tão desinformados que perdi a conta de quantas vezes semanalmente somos acusados de “tirar textos da palavra de Deus”, quando na realidade, seu próprio artigo começa reconhecendo como “ponto positivo” a omissão destas passagens interpoladas no texto Sagrado. Ou seja, o Sr. Damião acusa as TJ daquilo que praticam; aceitar qualquer tradução sem averiguação.

a Organização jeovista repagina publicações periodicamente, para sedimentar um tipo de consciência sobre assuntos que lhe são caros (quem é Jesus; se a Trindade é bíblica; o nome de Deus e, é claro, o grau de perícia da TNM), tática de afirmação junto a seus partidários, para despertar no fiel um sentimento de segurança e certeza de que fez a opção correta ao ingressar no grupo.

Interessante, a literatura do povo de Jeová atenta simplesmente à Bíblia como autoridade. Se há algo que é “repaginado” são textos bíblicos que confirmam o correto entendimento sobre quem é Jesus, o Nome de Deus entre outros assuntos. Este estudo dedicado da palavra de Deus é que nos dá segurança e certeza de que fizemos a escolha certa. Não repaginamos “publicações” mas textos contidos nestas. Suas declarações são sutilmente enganosas. E querem dar a impressão de que o que uma Testemunha de Jeová crê é resultado de estudo de “publicações” somente. A Bíblia é o foco de nossas pesquisas. Veja uma prova clara neste link bem sucinto e bem resumido, ao mesmo tempo que o desafio a apresentar uma página tão bem elaborada quanto esta:

https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/wp20110301/quem-e-jesus-cristo/

A União doutrinal mundial das Testemunhas de Jeová sob a direção do CG em contraste com a baderna teológica da Cristandade

Assim, fazer conhecer algumas das razões que supostamente asseguram a confiabilidade da obra é uma espécie de obrigação que o “Corpo Governante” tem para com seus fieis, no sentido de oferecer a eles subsídios que os tranquilize e que lhes sirva de fonte de pesquisa para eventuais refutações aos que porventura contestem algum texto de tradução polêmica dela constante. Isso parece justificar o zelo pela retomada de assuntos em publicações periódicas como uma espécie de estratégia ideológica de sedimentação da imagem de alta confiabilidade dos pontos cruciais de suas doutrinas distintivas, ou de sua edição de Bíblia sui generis, e que, para eles, expressa a verdade textual por excelência.

O crítico se esquece nesta abordagem, que as TJ estão unidas doutrinalmente e sob a supervisão mundial de uma classe de cristãos maduros, ao passo que  as Igrejas evangélicas, e outras que  afirmam seguir a Cristo, estão divididas em um emaranhado de seitas conflitantes doutrinalmente. Lembro-me que ao pregar em uma região do nordeste do Brasil, encontrei pessoas da Igreja Assembléia de Deus que diziam que Jesus não é o próprio Deus em forma humana, mas criado por Deus e enviado por ele. Isto aconteceu em minha primeira designação em território pouco trabalhado. Mesmo entre correligionários, parece haver um conflito de crenças em assuntos doutrinais e de conduta. Percebi então, que os fiéis na Cristandade estão muito confusos e não possuem mecanismos de unidade doutrinal semelhante ao das TJ. Ao invés de perceber que isto reflete o verdadeiro cristianismo, o autor Damião Bonfim desdenha dos verdadeiros cristãos.

Por exemplo, em anos recentes, as igrejas da cristandade têm estado divididas por contínuos debates sobre assuntos doutrinais. Clérigos não se entendem e  perguntam: É aceitável o controle da natalidade? Que dizer do aborto? Devem mulheres ser ordenadas como sacerdotisas? Como deve a igreja encarar o homossexualismo? Deve a religião aprovar a guerra? As Testemunhas de Jeová não estão divididas neste assunto.

1 cor. 1:10 diz:

“Eu os exorto, irmãos, pelo nome do nosso Senhor Jesus Cristo, que todos falem de acordo e que não haja divisões entre vocês, mas que estejam completamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar.”

O crítico passa então a dissertar com o intuito de dar uma impressão de que o Corpo governante das TJ prepara os fiéis para que sejam “pirados” em uma espécie de mecanismo de defesa em prol da TNM. Na verdade, as Testemunhas de Jeová estudam inúmeros temas diferentes e conselhos práticos da Bíblia e demonstram muito amor a Deus e a Bíblia Sagrada. A maioria são pessoas simples que estão contentes com a promessa de um mundo melhor e querem então partilhar isso com outros. Usam a Bíblia para mostrar que o mundo não ficará sempre do jeito que está. Diferente do Sr. Damião que não entende o que o Reino de Deus fará pela terra, elas tem forte fé na mudança prometida por Deus. Entendem e pregam o verdadeiro Evangelho a respeito do Reino. Não é o medo de uma punição após a morte ou uma obsessão qualquer, que motiva as TJ a pregar e ensinar. Considero as dissertações do Sr. Damião uma apresentação preconcebida e equivocada ao analisar as Testemunhas de Jeová e a TNM. Seu texto revela algo que beira a um desespero e uma visão superficial com o inconfundível espírito anti TJ. Mistura  inveja/desprezo com afirmações provenientes de opositores declarados das TJ, além de falta de conhecimento dos idiomas da Bíblia. Não tenho dúvida de que vou provar este ponto.

 

Ao falar do que chama de sentimento de exclusivismo a justificar a ideia de superioridade que as TJs têm de si em relação aos demais, o autor quer, por acaso,  nos fazer crer que  todos os outros grupos que não professam ser os verdadeiros cristãos é que são o povo de Deus?  Por que então, toleram seus líderes envolvidos em corrupção, como é o caso do Pastor Everaldo e em atividades altamente duvidosas, como é o caso do Pastor Silas Malafaia? Ou ainda permitem que seus padres promovam abertamente o comunismo? Sentimento de exclusivismo advém, entre outras coisas,  de termos certeza que não toleramos corruptos, partidários da política, seja ela comunista ou não, e outros pecadores impenitentes como parte da Igreja.

Ou estes padres/pastores estão sendo punidos ou excomungados de suas fileiras e eu não estou sabendo?

Não é a palavra falada do ‘Corpo Governante das TJ que lhes dão uma certeza de que são exclusivamente os verdadeiros cristãos’. É a consideração da Bíblia em nossos estudos e a prática dela em nossas vidas que nos dá isso. Por acaso se esqueceu que no 1º século os cristãos recorreram aos Apóstolos em Jerusalém para decidir questões importantes e que poderia gerar divisão de entendimento? Atos 15 mostra então, que eles estavam unidos sob a supervisão de uma classe de irmãos maduros ungidos pelo espírito santo.  Que espírito de Deus podemos esperar no meio das Igrejas divididas e manchadas pela corrupção, crassos abusos sexuais e derramamento de sangue em tempo de guerra? O Centro de pesquisa popular e de imprensa intitulado Different Faiths, Different Messages afirmou que , “a vasta maioria dos americanos brancos Evangélicos, de linha Protestantes e Católicos apoiaram a ação militar contra o Iraque . O maior apoio veio dos Evangélicos, 77 por cento apoiaram a guerra.”

Reforça o que Friedrich Heer, professor católico-romano de História da universidade de Viena, mais tarde admitiu em seu livro God’s First Love (O Primeiro Amor de Deus):

“Nos fatos frios da história alemã, a Cruz e a suástica vieram a ficar cada vez mais unidas, até que a suástica proclamou a mensagem da vitória das torres das catedrais alemãs, as bandeiras suásticas apareceram ao redor dos altares, e os teólogos, pastores, eclesiásticos e estadistas católicos e protestantes acolheram a aliança com Hitler.” — Página 247.

qualquer outro “alimento” que não provenha desse escravo é não só desnecessário, como maléfico. Sim, e quer saber o porquê?

O ensino provido em templos católicos ou evangélicos serve apenas para fazer cócegas nos ouvidos. Ser cristãos sim…mas somente quando lhes é conveniente, né Sr. Damião!

O livro History of Christianity, de Paul Johnson, diz:

“Dentre 17.000 pastores evangélicos, nunca houve mais de cinqüenta que cumprissem longos termos de prisão [por não apoiarem o regime nazista] em qualquer época.”

Contrastando tais pastores com as Testemunhas de Jeová, Johnson escreveu:

“Os mais valentes eram as Testemunhas de Jeová, que proclamavam a sua inequívoca oposição doutrinal desde o início e sofreram em conseqüência disso. Recusaram qualquer cooperação com o Estado nazista.”

Estes são fatos acompanhados e documentados por um historiador de verdade, que escrevia não sua opinião mas fatos!

Como não poderíamos perceber o sentimento de exclusivismo Sr. Damião, se fomos quase que “exclusivamente” os poucos que não se acovardaram diante do monstro nazista? Responda isto Sr. Damião teólogo sabedor.

Parece que o alimento espiritual provido pelo clero foi maléfico e resultou em se matarem mutualmente em nome de Cristo.

Ainda assim o Sr. Damião, prossegue minimizando a importância de uma supervisão mundial da obra e da organização de Jeová e afirma, tentando defender dissidentes ou apóstatas:

Essa pressão ideológica sobre os fieis e o estímulo à consciência de que é a Organização jeovista a única detentora da verdade bíblica, e que por isso dessa organização todos dependem, ajudam a entender por que, apesar de citarem outras edições de Bíblia, as Tjs somente confiam na tradução bíblica produzida pela Organização de que participam.

Nos dias de Cristo será que eram os Fariseus e Saduceus que detinham a verdade sobre Deus e o entendimento dos cumprimentos das promessas? Claro que não! Jesus alertou do perigo que era o ensino deles ao dizer:

“Jesus lhes disse: “… tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.” Mateus 16:6 

Após a morte e ascensão de Cristo a verdade estava com o grupo supervisionado pelos “Anciãos e Apóstolos em Jerusalém”. O relato explica: “Pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, junto com toda a congregação, enviar a Antioquia homens escolhidos dentre eles, junto com Paulo e Barnabé, a saber, Judas, que era chamado Barsabás, e Silas, homens de liderança entre os irmãos.” Além disso, uma carta foi preparada e enviada com esses homens para que fosse lida em todas as congregações em Antioquia, na Síria e na Cilícia. — Atos 15:22-26.

A carta forneceu orientações claras aos cristãos gentios não apenas sobre a questão da circuncisão, mas também sobre o que eles precisavam fazer para receber o favor e a bênção de Jeová. As Testemunhas de Jeová hoje, mesmo somando cerca de 7 milhões de pessoas em bem mais de 100 mil congregações em todo o mundo, são bem unidas nas suas crenças e ações. Como essa união é possível, especialmente em vista da confusão e da discórdia que prevalecem no mundo hoje? Essa união se deve principalmente à orientação clara e direta que Jesus Cristo, o Cabeça da congregação, fornece por meio do escravo fiel e prudente. (Mat. 24:45-47)

Falando da Organização de Jeová o autor diz que esta defende que a imprecisão das traduções convencionais é fundamental para justificar o que julga ser a paganização do cristianismo

Como é que é? As TJ defendem ser fundamental a imprecisão em traduções da Bíblia? De onde tirou essa bobagem? Agora percebo que seu cérebro falhou e escreveu coisas sem nexo. Pensei que iria fazer uma análise de material de nível acadêmico!

Vou postar o parágrafo inteiro onde ele fala essa bobagem:

Para a Organização, dispor de uma Bíblia diferenciada das demais é imprescindível, pois defende que a imprecisão das traduções convencionais é fundamental para justificar o que julga ser a paganização do cristianismo, tratado por essa razão como “cristandade”, e os textos que, no entendimento das TJs, essa “cristandade” usa para fundamentar doutrinas rejeitadas pela Organização (caso do discurso teológico que admite a existência de um Deus que subsiste na unidade de pessoas, não na unicidade – conforme acreditam).  

What? Uma “unidade de pessoas”? A Bíblia jamais usa esta terminologia nem ensino. Está mais para filosofia grega.

Não percam a segunda parte deste artigo onde considero os textos gregos citados pelo Sr. Damião:

 Damião Bonfim dos Santos;  De confissão Católica Romana, Atualmente é graduando em Teologia pela UNINTER.