Category Archives: Jeová

YHWH e o Enigma das Vogais

 

Por Queruvim

Este artigo demonstrará que o Nome de Deus ainda é pronunciado de forma bastante similar à pronúncia usada no tempo do antigo Israel. Veremos que as consoantes do Nome de Deus possuem sons vocálicos, rompendo assim com o pressuposto de que “não há como saber a pronúncia original” do Nome de Deus. Há mais informações envolvendo este assunto e que tenho o prazer de compartilhar com todos.

Será que é possível pronunciar o Nome Divino da mesma maneira que era pronunciado no antigo Israel? A afirmação comumente repetida é que as vogais genuínas não são conhecidas. Na verdade nunca se usavam vogais ao se escrever o texto da Bíblia Hebraica ( o chamado V.T). O texto era abjad, portanto desprovido de “vogais”. Estas vieram a existir uns 500 anos depois de Cristo. O correto é se perguntar “que sons vocálicos” eram empregados pelos servos de Deus da antiguidade. Será que temos uma resposta satisfatória e bem fundamentada sobre este assunto?

Basílica de São Pedro – Tumba do Papa Clemente XIII

Maimônides cujo nome verdadeiro era Moshe ben Maimon e que foi apelidado de Rambam (הרמב”ם),  em seus escritos Guia dos Perplexos [1] escrito em 1190, concluiu que o Nome de Deus era pronunciado sem nenhuma dificuldade, mesmo que o texto fosse abjade. Como isso é possível? Uma olhada no Talmude nos dá uma luz sobre isso. Escrito por judeus que  viveram entre o século I e o século III d.C, o Talmude em alguns lugares orienta os judeus a não pronunciarem o Nome “como ele é escrito” ou “segundo as suas letras”. Ora, não havia vogais no texto hebraico daquela época. Maimônides afirmou que o Nome era facilmente pronunciado “segundo as suas letras”. Ele disse a seus leitores que conhecer o significado desse nome era mais importante do que saber sua pronúncia, porque o significado por si só pode incitar à ação.

Nenhum outro nome é chamado  shem ha-meforash [2] exceto este Tetragrama, que é escrito, mas não é pronunciado segundo as suas letras.” Maimônides em Guia dos Perplexos capítulo 61.

 

Ele também sabia que alguns judeus acreditavam em uma influência quase mágica de letras ou uma pronúncia precisa dos nomes divinos, mas ele informou seu leitor contra tais práticas como pura invenção ou loucura. O aspecto notável de sua argumentação reside no fato de que ele conseguiu evitar a controvérsia sobre um assunto tão desnecessário. Ele afirmou, de fato, que na verdade era apenas o verdadeiro culto que se perdera, e não a pronúncia autêntica do Tetragrama, porque esta sempre foi possível “de acordo com suas letras”. Para sustentar essa ideia básica (que o verdadeiro culto é mais importante do que a pronúncia real), ele citou Sota 38a para provar que esse nome é a essência de Deus e essa é a razão para não abusá-lo, então ele por fim citou Números 6: 23-27 para mostrar que os sacerdotes foram obrigados a abençoar apenas por este Nome. 

É interessante observar que Judá Halevi, outro erudito judeu, apresentou quase os mesmos argumentos em seu livro O Kuzari publicado alguns anos antes, em 1140. Ele escreveu que a principal diferença entre o Deus de Abraão e o Deus de Aristóteles era o Tetragrama (Kuzari IV: 16). Ele provou também que este nome era o Nome pessoal de Deus (idem IV: 1). Para provar novamente que  o significado do Nome era importante e não a pronúncia, ele citou Êxodo 5: 2, onde Faraó perguntou מִי יְהוָה  “Quem é JEOVÁ?” Ele se referiu não a pronúncia , mas a autoridade deste Nome (idem IV: 15 ). Ele esclareceu finalmente que as letras do Tetragrama têm a notável propriedade de ser matres lectionis [3, ou seja, a pronúncia sonora vocálica não se perdeu, visto que estavam presentes no som das consoantes. O hebraico antigo não possuía um sistema de vogais. Com a necessidade de distinguir algumas palavras, certas consoantes foram utilizadas como indicadores de vogais. Estas consoantes são conhecidas como matres lectionis (mães de leitura).

Esses dois estudiosos deram informações harmoniosas e tão convergentes que marcaram um ponto de virada na história do Nome. No entanto, a expressão “pronunciado de acordo com suas letras”, que Maimonides citou  (letras vocálicas como Judá Halevi esclareceu) é estritamente exata apenas em hebraico. 

O Historiador do 1º Século Flavio ​​Josefo (37-10), que conhecia muito bem o sacerdócio da época, esclareceu que, quando os romanos atacaram o Templo, os judeus invocaram o atemorizante Nome de Deus (The Jewish War V: 438) Ele escreveu sobre este Nome:

“O sumo sacerdote tinha na cabeça  uma tiara de linho fino bordada com uma borda de púrpura, e cercada por outra coroa de ouro que destacava em relevo as letras sagradas, estas são quatro vogais“. (A Guerra Judaica V: 235)

É mais que óbvio que as “letras sagradas” mencionadas por Josefo, não eram vogais, mas caracteres paleo hebraico consonantais, que quando pronunciados tinham o som de quatro vogais. Eram consoantes que apresentavam o som vocálico ou mater lectionis ou “mãe da leituraEm hebraico as consoantes Y, W, H, ( יו‎  ה ) são usadas exatamente como as vogais I, e, o, a. 

 

Que evidência há de que o hebraico pré massorético era lido como matres lectionis?

Em anos recentes, com a divulgação dos manuscritos da região de  Qumrân, ficou claro após mais estudos do idioma hebraico, que no primeiro século o Yod como vogal era usado apenas para indicar os sons I e E. O Waw apresentava apenas os sons de Ô e U, e um final era empregado para representar o som de A. Além disso, o foi usado como vogal apenas no final de palavras, e nunca no meio delas (mas entre duas vogais o possui o som de um leve E ). Portanto, para se ler o tetragrama abjade YHWH como quatro vogais, deve-se ler IHÔA que é IEÔA.

Greg Stafford, erudito independente e autor do livro “Testemunhas de Jeová Defendidas”, certa vez questionou a validade de mater lectionis no texto da Biblia Hebraica. Descartou a existência de vogais implícitas na leitura do texto consonantal. Há porém farto material comprovando a afirmação de outros estudiosos a respeito deste assunto. ( Veja Studies in Hebrew and Aramaic Orthography in: Biblical and Judaic Studies vol.2 Indiana 1992 Ed. University of California pp. 137-170)

Há um estudo completo de inscrições bilíngues assírio-aramaicas na obra Etudes Assyriologiques Cahier de 1982 [5] onde se observa que por um longo tempo três vogais foram usadas para representar sons vocálicos, Waw para û, Yod para î, e He para final â. Por exemplo, numerosas palavras foram lidas “de acordo com sua leitura natural”:

 Escrita  Leitura    Escrita  Leitura
 TBH  TaBA    BTNWR<  BaTaNUR
 TYTB  TITaB    YGTZR  YiGTiZaR
 DMWT’  DaMUTa’    ‘DQWR  ‘aDaQUR
 GWGL  GUGaL    YLQH  YiLQaH
 ’LYM  ’aLIM    NHR  NaHaR
 TSLWTH  TaSLUTA    LMT  LaMaT
 WLKBR<  WaLaKaBaR    RHMN  RaHMaN

Podemos confirmar a fiabilidade de mater lectionis ao ler Gogel, A Grammar of Epigraphic Hebrew, [4] páginas 59-60, onde é observado que o Heh final  (na última letra do Tetragrama um h) pode representar um a longo em epigrafia hebraica, a saber, no hebraico encontrado em antigas inscrições. 

 

Observe como os nomes são lidos “segundo suas letras” na tabela abaixo produzida pelo estudioso Gérard Gertoux

 

SEGUNDO  SUAS CONSOANTES SUAS LETRAS A     SEPTUAGINTA  OS MASSORETAS
 1 Cr. 3:5  Yrwlym  Irušalim  Iérousalèm  Yerušalaïm
 Gên. 29:35  Yhwdh  Ihuda  Iouda  Yehudah
 Gên. 25:19  ‘brhm  ‘Abaraham  Abraam  ‘Abraham
 Gên. 25:19  Ysàq  Isaàaq  Isaak  Yisàaq
 Jer. 30:18  Y‘qwb  I‘aqub  Iakôb  Ya‘aqôb
 2 Cr. 27:1  Yrwšh  Iruša  Iérousa  Yerušah
 Gên. 46:17  Yšwh  Išua  Iésoua  Yišwah
 1 Cr. 2:38  Yhw’  Ihu’  Ièou  Yéhu’
 Gên. 3:14  Yhwh  Ihua  (Kurios)  (Adonay)

Apoio adicional à pronúncia do Nome como sendo Yehováh aparece no Talmude onde o Tetragrama é chamado Shem Hamephorash que significa “o nome lido distintamente” ou “o nome lido de acordo com suas letras” (Sifre Números 6: 23-27) מְפֹרָשׁ  Hamephorash significa “distintamente [lido]” ou ” separadamente [lido] “em hebraico. O sentido inicial de “ler distintamente” é “palavra por palavra” ou “letra por letra” (ver o Comentário de Gesenius 6567  n° 2), o sentido “interpretado” ou “traduzido” é um significado posterior. Apesar de alguns cabalistas afirmarem que a palavra mephorash significava “oculto”, é fácil verificar o significado correto dessa palavra na Bíblia (Neemias 8: 8; Esdras 4:18).

A frase “pronunciar o Nome de acordo com suas letras” significa pronunciar o Nome tal como está escrito, ou de acordo com o som de suas letras, o que é diferente de soletrar um nome de acordo com suas letras. De fato, os judeus era autorizados a soletrar o nome YHWH de acordo com suas letras (porque o próprio Talmude o fez), isto é, em hebraico Yod, He, Waw, He (ou Y, H, W, H em português); Por outro lado, era proibido pronunciá-lo segundo estas mesmas letras. 

Na primeira tradução judaica em francês (de 1836 a 1852), o tradutor judeu Samuel Cahen usou sistematicamente o nome Iehovah. Ele defendeu sua escolha devido ao trabalho do famoso gramático alemão W. Gesenius. O professor judeu J.H. Levy explicou por que preferiu a forma Y’howah, em vez de Yahweh, em seu artigo publicado em 1903 em The Jewish Quarterly Review.

 

Observe o que disse George Buchanan, professor emérito no Seminário Teológico de Wesley, Washington, DC, EUA: 

Na antiguidade, os pais muitas vezes davam aos filhos o nome de suas deidades. Isto significa que pronunciavam os nomes dos filhos assim como se pronunciava o nome da deidade. O Tetragrama foi incluído em nomes de pessoas, e eles sempre usavam a vogal do meio.” E acrescentou:

Esta [Yehowah] é a pronúncia correta do tetragrama, como pode-se ver claramente na pronúncia de nomes próprios no primeiro Testamento (PT), poesias, documentos aramaicos do 5º século, traduções gregas do Nome no Rolo do Mar Morto  e nos Pais da Igreja. (George Wesley Buchanan, “The Tower of Siloam”, The Expository Times 2003; 115: 37; pp. 40, 41)

 

Observe alguns exemplos de nomes teofóricos que começam com as três primeiras consoantes do Tetragrama: Yehoiakim, Yehonathan, Yehoshaphat,Yehoash, Yehoram, Yehoiada, Yehoiarib, entre outros. (Sobre nomes teofóricos leia este artigo)

 

 

Evidência do antigo Egito apoia a pronúncia “Jeová”

 

 

A mais antiga evidencia arqueológica apoia a pronúncia “Jeová” No templo de Amun em Soleb (Sudão) foram encontradas esculturas do templo do Faraó  Amenhotep III. Estas foram datadas  circa 1382-1344 A.E.C. (Lê-se Antes da nossa Era Comum). Trata-se de um hieróglifo Egípcio com a mais antiga inscrição do Nome de Deus de que se tem registro na arqueologia. Ao lado uma ilustração reconstituída da escultura.

 

“Terra dos beduínos de Yehua[w]” 

 

Veja o artigo O nome de Deus, Jeová, num templo egípcio para maiores detalhes

O professor Gerard Gertoux se refere em seu livro ao que Maimonides escreveu, e diz:

“Este nome YHWH é lido sem dificuldade porque é pronunciado COMO É ESCRITO, ou de acordo com a sua LETRAS como diz o Talmud.”

Ele então exibe um longo estudo sobre a pronúncia de nomes, e tira a conclusão de que o Nome Divino é pronunciado” I-Eh-oU-Ah “. Ele mesmo escreve: “O nome Yahweh (que é BARBARISMO) só foi criado para BATALHAR com o verdadeiro nome Jeová” (O Nome de Deus … sua História).

 

 

É o Nome Yehwáh no texto Hebraico  uma forma hibrida proveniente de shema´?

Os eruditos Joüon e Muraoka afirmaram que a forma mais comum do Nome de Deus Yehwáh, nos textos massoréticos ( Códice de Leningrado, Códice de Alepo entre outros), se dá devido a sobreposição das vogais do qere Shema´ ao Tetragrama. (Shema´ é a forma aramaica para “O Nome”) Por que os judeus empregariam uma vocalização proveniente do aramaico sendo que normalmente acredita-se que empregam uma vocalização do próprio hebraico ´Adonay e Elohim?  Não estou convencido desta afirmação, visto que os nomes teofóricos empregam como prefixo Yeho e são vocalicamente indisputáveis e ninguém afirma que o shevá nestes casos sejam provenientes da sobreposição das vogais de Shema´. Além disso, após a primeira letra H do Nome de Deus, um em hebraico, temos um Holem ou vogal com som de ô em harmonia com mater lectionis, que seria inapropriado caso as vogais fossem uma “sobreposição” ou uma forma “hibrida” que inseriu shema´.  Entendo, portanto, que assim como Yehováh não é uma forma híbrida proveniente da sobreposição de ´Adonay com o tetragrama, tampouco Yehváh é uma sobreposição da palavra shema´ao tetragrama. Espero que estudiosos do assunto postem comentários nesta página para que possamos chegar a algum lugar nesta questão. Afinal de contas, há ou não uma sobreposição ao tetragrama no caso de Yehwáh comumente encontrado no texto massorético?

Nomes próprios terminados com Waw Hê nos dão uma importante dica

Ademais, todos os nomes próprios na Bíblia Hebraica terminados com um –wh são pronunciados no final e sem exceção por “vá”. Exemplos: Alva (Gên. 36:40Eva, em hebraico Hawwah (Gên. 4:1), Ishwah (Gên. 46:17), Iwwah (2Reis 19:13), Puwah (Números 26:23) and Tiqwah (2 Reis 22:14). Nomes teofóricos indicam que é muito provável que o Nome de Deus começasse com Yeho. Sendo assim, visto que o final de nomes próprios sempre terminavam com a pronúncia “wah” temos a forma Yehováh ou Jeová, em português, como sendo uma representação correta do Nome de Deus. Alguns tem perguntado como se pode conciliar isso com a terminação YAH  presentes em  alguns nomes. Ocorre que os nomes Teofóricos que empregam o Nome de Deus utilizam quer o prefixo Yeho ou o sufixo Yah. Portanto, podemos encontrar a abreviação YÁH como sufixo de vários de tais nomes, tais como Zacarias, Sofonias, Obadias etc. Não se refere as vogais iniciais do Nome mas à abreviação do Nome ou Yáh ou como lemos em português, Jah, sendo esta a forma poética abreviada de Jeová, o nome do Deus Altíssimo. (Êx 15:1, 2

Iaue ou Javé em português parece ser mais uma forma teológica e não filológica de se pronunciar o Nome de Deus.

A que conclusão chegamos a respeito da  pronúncia original do Nome de Deus após esta análise?

  • O mais antigo testemunho arqueológico  favorece a pronúncia “Jeová”. Uma breve inscrição datada do tempo de Amenophis III (cerca de 1400 a.C foi encontrada em Soleb), que é fácil de decifrar, e pode-se transcrever esta frase escrita em hieróglifos: “t3 š3-sw-w yh-w3- W “Esta expressão é vocalizada no sistema convencional por “ta ‘sha’suw yehua’w “, que se pode traduzir por:” terra dos beduínos aqueles de yehua’ “.

 

  • Um dos 3 grandes representantes da Tradição Massorética, O Texto Massorético do Códice de Leningrado ou B19 apresenta uma vocalização antiquíssima feita pelos massoretas a partir do 5º século E.C,  onde o Nome de Deus é representado YeH-WaH. Das 165 vezes que ocorre em Gênesis, 150 é vocalizado YeH-WaH.

 

  • A ocorrência de Mater Lectionis indica, como consideramos neste artigo, que O Yod tem som de Ypsilon, o Waw tem som de O e o final,  som de A. Portanto temos Yhowáh, como a forma correta “de acordo com as suas letras”. (Lembrando que as palavras são normalmente acentuadas na sílaba final em hebraico sem necessidade de uma morae ). Veja  Ziony Zevit, Matres Lectionis in Ancient Hebrew Epigraphs, David Noel Freedman, ed. (Cambridge, Mass.: American Schools of Oriental Research, 1980), páginas 12-15

 

  • Os Nomes teofóricos indicam sem margem de dúvidas, que as iniciais eram Yeho. Todos os nomes teofóricos que começam com YHW são vocalizados Yeho,  sem exceção Por exemplo o nome Jesus começa em hebraico com as consoantes hebraicas YH que se lê Yeho, como é o caso da maioria dos nomes que se iniciam com YH. O Nome Jesus contém o Nome de Deus e significa “Jeová é [a] Salvação” ou “Jeová Salva” Yehoshu`a. Os que insistem em dizer que o Nome de Deus se pronuncia no começo alguma coisa tal como Yaho ignoram a indisputabilidade fonética de tais nomes teofóricos. Se esquecem que o nome cuja pronúncia original é tida como perdida ou esquecida é o Nome de Deus, a saber o Tetragrama e não os outros nomes, inclusive os nomes teofóricos, que continuaram a ser repetidos na tradição oral e nas sinagogas a cada sábado desde o tempo do antigo Israel. Alguns vão mais longe ao afirmarem que não se pronuncia o hebraico como se pronunciava ou que a pronúncia do hebraico “se perdeu”. Pode até ser que sotaques e algumas variações fonéticas ocorreram com o tempo, mas afirmar que “não se sabe” a pronúncia original do hebraico é um exagero. Até porque temos textos gregos e outros transliterando passagens da Bíblia hebraica, como por exemplo na Hexapla. Alguns argumentam que o Nome de Deus está associado a um verbo e deve ser pronunciado seguindo esta linha. Mas tal afirmação não tem sentido, visto que se assim fosse, Moisés saberia facilmente qual era o significado do Nome YHWH. O próprio erudito Gesenius em sua Gramática de Gesenius reconheceu que se seguirmos os nomes teofóricos, a pronúncia ou vocalização do tetragrama seria facilmente Yehouah, mas devido ao entendimento de teólogos e cabalistas que supunham que o Nome de Deus era uma forma verbal, defendia ele mesmo a pronúncia Javé.

 

  • A Terminação Waw Hê em nomes próprios são sempre pronunciados váh. 

                        (יהוה)

  • O Nome não é uma “junção do Tetragrama com Adonay (Veja este artigo)

    O que fica evidente neste mapeamento da vocalização do Tetragrama é que o “e” na palavra Yehwah é um sheva e não um hateph Patah, que ocorre na primeira sílaba da palavra “Adonay”. Em “Adonay” temos um hateph patah, um holem e um qamets. (Veja figura abaixo). Não são poucos os eruditos que reconhecem isso.  Freedman e O’Connor , também Joüon e Muraoka autores do respeitado A Grammar of Biblical Hebrew. Também George Wesley Buchanan disse que “esta pontuação disputada não pode ser usada como evidência a favor de uma forma ou outra”. (George W. Buchanan, “Some Unfinished Business with the Dead Sea Scrolls,” RevQ 13 (1988), página 415. )

    Hebraico(Strong’s #3068)
    YEHOVAH
    יְהֹוָה
    Hebraico (Strong’s #136)
    ADONAY
    אֲדֹנָי
    י Yod Y א Aleph glottal stop
    ְ  sheva simples E ֲ Hataf patah A
    ה He H ד Dalet D
    ֹ Holam O ֹ Holam O
    ו Vav V נ Nun N
    ָ Qamats A ָ Qamats A
    ה He H י Yod Y

 

  • Autoridades eruditas judaicas reconhecem que Yehováh é a forma genuína de se pronunciar o Nome de Deus. Por exemplo, o Rabino  Joseph Sitruk (1987-2008) afirmou:

“O nome Ye.ho.váh  escrito com as letras hebraicas Yod, He , Vav, He é considerado o nome genuíno de Deus.”

 

  • O Historiador do 1º Século Flavio ​​Josefo (37-10) escreveu sobre as letras do Nome de Deus e afirmou que:

    “…estas são quatro vogais“. (A Guerra Judaica V: 235)

 

  • Encontramos a forma “Jeová” escrita Ιεωά  em textos gregos do 2º e 3º séculos E.C. 

 The Grecised Hebrew text “εληιε Ιεωα ρουβα“ é interpretado como significando ”meus Deus Ieoa é mais poderoso”.  – “La prononciation ‘Jehova’ du tétragramme”, O.T.S. vol. 5, 1948, pp. 57, 58. [Papiro Grego CXXI ” PISTIS SOPHIA”  (do 3º séc.), Biblioteca do Museu Britânico.] 

Pap_Greek_IEWA

Sendo assim, todos estes pontos resumidos acima, apoiam a vocalização do Nome de Deus para que este seja lido “segundo as suas letras”, a saber, Yehowáh, em português fica mantida a vocalização básica que identifica claramente o Nome do Deus Todo Poderoso, o Ser Supremo, Jeová.

 

Para mais informações sugiro que leia o artigo abaixo para se livrar do fantasma da suposta inviabilidade da letra Jota. (j)

Se o Hebraico não tem letra J por que vários nomes tem?

 

Notas

1 – (Parte I capítulos 61-64; Para ver em Inglês #)

2 – Significado de meforash

Brown-Driver-Briggs

I. [מָּרַשׁ] Verbo tornar distinto, declarar  (Hebraico Posterior separar).  Piel: separar, explicar, portanto Aramaico  מְּרַשׁ especialmente Pael; Siríaco separar, distinguir, explicar, compare Mandean, Nö M 221). Qal  Infinitivo construto  ׳לִפְרשׁ לָהֶם עַלמִּֿי י  Levítico 24:12 (P) declarar distintivamente a eles.

3– O hebraico antigo não possuía um sistema de vogais. Com a necessidade de distinguir algumas palavras, certas consoantes foram utilizadas como indicadores de vogais. Estas consoantes são conhecidas como matres lectionis (mães de leitura; hebr. אֵם קְרִיאָה‎‎).

4A Grammar of Ephigraphic Hebrew  by Sandra landis Gogel

5 –  A. Abou-Assaf, P. Bordreuil, A. R. Millard – La statue de Tell Fekherye et son inscription bilingue assyro-araméenne. in: Etudes Assyriologiques Cahier n°7, Paris 1982, Editions Recherche sur les civilisations. pp. 13-60

Anúncios