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Tertuliano e a Trindade

Embora Tertuliano tenha utilizado a palavra trindade uns 200 anos após a morte de Cristo, ele não tinha em mente o mesmo conceito adotado pelos trinitaristas modernos sobre o significado deste termo. A afirmação dos trinitários de que ele era um “defensor da trindade” é  uma declaração enganosa. Tertuliano sequer definia tal palavra da mesma forma que é definida pelas principais igrejas de hoje. Ao traduzir os textos de Tertuliano, percebi que os trinitários evitam colocar o artigo indefinido antes da palavra “Deus” ao verterem para o inglês. Parece que se esquecem de que existe essa alternativa. Ao considerarmos os escritos de Tertuliano, observamos que quando chama Jesus de “Deus” não estava querendo dizer que Jesus é o próprio Criador. Leia o texto abaixo escrito por Tertuliano para chegar a um entendimento correto do que ele tinha em mente. Observará na discussão abaixo, que Tertuliano começou em seu tempo a usar em suas dissertações terminologias e frases filosóficas, tais como “substância”, “essência” , “natureza” e “pessoas” ao falar sobre Deus. Contribuiu ao desenvolvimento da posterior doutrina trinitária. Alguns fazem citações de algumas palavras de Tertuliano, que aparentemente enfoca a trindade, mas na verdade, não era a doutrina da trindade que ele defendia. Era uma mistura confusa. Tertuliano amava dissertar sobre os a quem chamava de “hereges” sendo ele mesmo talvez o maior herege de sua época ao fundir doutrinas da Bíblia com filosofias platônicas.

A Brochura “Deve se crer na trindade” publicada pelas Testemunhas de Jeová diz numa citação sobre Tertuliano:

“Tertuliano, falecido por volta de 230 EC, ensinou a supremacia de Deus. Disse ele: “O Pai é diferente do Filho (outra pessoa), uma vez que é maior; assim como quem gera é diferente de quem é gerado; quem envia, diferente de quem é enviado.” Ele disse também: “Houve tempo em que o Filho não existia. . . . Antes de todas as coisas virem a existir, Deus estava sozinho.”

 

Analise o conceito de Tertuliano sobre a natureza de Deus.

http://www.intratext.com/IXT/ENG0268/_PI.HTM

Agnoscat ergo Hermogenes idcirco etiam 
Deixe Hermógenes então confessar que

sophiam dei natam et conditam praedicari,
a mesma sabedoria de Deus é declarada como nascendo e criada

ne quid innatum et inconditum praeter solum deum crederemus.
pela razão especial de que não devemos supor que há outro ser a não ser somente Deus que é não gerado e incriado.

Si enim intra dominum quod ex ipso et in ipso fuit sine initio non fuit,
pois se aquilo que foi inerente ao Senhor era dele e nele era contudo não sem um princípio,

sophia scilicet ipsius, exinde nata et condita ex quo in sensu dei ad opera mundi disponenda coepit agitari, Quero dizer sua sabedoria, que nasceu e foi criada quando na mente de Deus ela começou a se mover para o arranjo de suas obras criativas.

multo magis non capit sine initio quicquam fuisse quod extra dominum fuerit.
Quanto mais impossível é que algo tenha sido sem um princípio que era intrínseco ao Senhor.

Si uero sophia eadem dei sermo est [sensu sophia et], sine quo factum est nihil,
Mas se esta mesma sabedoria é a Palavra de Deus, na capacidade de Sabedoria, sem quem nada foi feito

sicut et dispositum sine sophia, quale est ut filio dei, sermone unigenito et primogenito, aliquid fuerit praeter patrem antiquius et hoc modo utique generosius,
Como pode algo, exceto o Pai, ser mais velho, e por isso deveras mais nobre, do que o Filho de Deus, o Verbo unigênito e primogênito?

nedum quod innatum fortius et quod infectum facto ualidius,
Para não dizer que o que não é gerado é mais forte do que o que nasceu, e o que não é feito é mais poderoso do que o que é feito.

quia quod, ut esset,nullius eguit auctoris, multo sublimius erit eo quod, ut esset, aliquem habuit auctorem Porque o que não exigia que um Criador lhe dê existência, será muito mais elevado do que o que tem um autor que o trouxe a existência.

 

 

RESUMINDO:

“Não devemos supor que haja algum outro ser, exceto unicamente Deus, que seja não gerado e incriado. . . . Como pode algo, exceto o Pai, ser mais velho, e por isso deveras mais nobre, do que o Filho de Deus, o Verbo unigênito e primogênito? . . . Esse [Deus] que não precisou de um Criador para lhe dar existência, será muito mais elevado em categoria do que [o Filho] que teve um autor que o trouxe à existência.”

http://www.tertullian.org/latin/adversus_hermogenem.htm

 

 

nam nec pater potuit esse ante filium nec iudex ante delictum
Pois nem pai poderia ter sido antes do filho nem juiz antes do delito

Veja esta tradução literal do texto de Tertuliano em seu relato “Contra Hermogenes” no capítulo 3. Ele diz que antes do filho Deus não era pai, assim como antes do delito ou pecado, Deus não era juiz. Ou seja, ele infere que houve um tempo em que o filho não existia! A mesma passagem prossegue afirmando que é isso mesmo que ele quer dizer,  pois diz:

Fuit autem tempus cum ei delictum et filius non fuit
Houve (ou foi) também tempo com ele delito e filho não existia(ou havia)

 

 

Louvado seja JEOVÁ, o Ser Supremo e o ÚNICO que vive para todo o sempre!

 



 

 

Ensinavam os Pais da Igreja a doutrina da Trindade ?

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