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O Grego antigo possuía pontuação?

Indo direto ao ponto, observe o que afirmou um respeitado Teólogo e Professor do Novo Testamento do Seminário teológico Batista:

As inscrições mais antigas e papiros mostram poucos sinais de pontuação entre frases ou cláusulas em uma frase, embora a pontuação com o uso de sinais apareça em algumas antigas inscrições. No papiro de Ártemis, os dois pontos (:) ocasionalmente terminam a frase. Credita-se a Aristófanes de Bizâncio (260 A.E.C),  a invenção de um sistema regular de pontuação na oração que foi desenvolvido pelos gramáticos alexandrinos. Como regra, todas as frases, bem como as palavras, eram ligadas umas às outras de forma ininterrupta  (scriptura continua), mas finalmente foram providenciadas três paradas para a frase pelo uso do ponto. O ponto no topo da linha (. ) ( stigmh teleia, ‘ponto alto’) era um ponto final;   sob a linha (.) (hipostigmh) era igual ao nosso ponto-e-vírgula, enquanto um ponto médio (stigmh mesh) era equivalente à nossa vírgula. Mas mudanças graduais vieram sobre essas pontuações até que ficaram igual ao nosso “dois pontos”, o ponto inferior tornou-se o ponto final, o ponto médio desapareceu, e por volta do 9º século  A.D. a vírgula (,) tomou seu lugar. Por volta desse tempo também surgiu o ponto de interrogação (;) ou Ερωτηματικό. Estas pontuações diferiram do stikoi uma vez que eles diziam respeito ao sentido da sentença. Alguns dos mais antigos MSS. do N.T apresentam estas pontuações até certo ponto. B [Codex Vaticanus] tem o ponto mais alto como um ponto final, o ponto mais baixo é uma pausa mais curta.” A.T Robertson e,  A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research, pag. 242 . Compare W.H.P. Hatch, The Principal Uncial Manuscripts of the New Testament (Chicago: University of
Chicago Press, 1939).

A maldição de Ártemis – Fragmento com dois pontos ocorrendo no texto. (circa IV Século A.E.C)

 

Um pesquisador de gramática grega antiga, que viveu pouco depois de Aristófanes de Bizâncio (do terceiro
século A.E.C) foi Dionísio o Trácio, que viveu e escreveu de cerca de 170 a 90 A.E.C.  Trácio é citado como tendo escrito sobre pontuação em grego antigo centenas de anos antes da data dos nossos primeiros textos do N.T grego:

στιγμαί εἰσι τρεῖς· τελεία, μέση, ὑποστιγμή. +καὶ+ ἡ μὲν τελεία στιγμή ἐστι διανοίας ἀπηρτισμένης σημεῖον, μέση δὲ σημεῖον πνεύματος ἕνεκεν παραλαμβανόμενον, ὑποστιγμὴ δὲ διανοίας μηδέπω ἀπηρτισμένης ἀλλ᾽ ἔτι ἐνδεούσης σημεῖον. #

“Existem três marcas [ou, ‘pontos’], um período [ou, ‘um ponto final’], um ponto e vírgula / dois pontos [ou, ‘Um ponto do meio’], e uma vírgula. Por um lado, a marca de período é um sinal para uma completa expressão, mas um sinal de ponto-e-vírgula / dois pontos [ou, “ponto médio”] é pronunciado de acordo com os que o usam, enquanto uma vírgula é para o que ainda não está completamente expresso; diferente das outras pontuações, [a vírgula] é um sinal para o que ainda está inacabado.”

 

Não são poucos os eruditos de destaque que afirmam de modo equivocado que o grego antigo “não continha pontuações”. Até mesmo Kurt e Barbara Aland! Estes afirmaram:

 

…os primeiros manuscritos foram escritos em scriptio continua, ou seja, as letras uncial foram escritas continuamente, palavra após palavra e sentença após sentença, sem interrupção e com extremamente poucos auxílios de leitura. … i.e as letras unciais foram escritas continuamente e sem pontuação (caracteristicamente B2, uma olhada mais tarde, no Codex Vaticanus, esclarece a interpretação por uma pontuação que não estava disponível para o primeiro escriba).” (O destaque em negrito é meu). Kurt Aland e Barbara Aland, The Text of the New Testament, Revised and Enlarged, Erroll F. Rhodes, trans. (Grand Rapids: Eerdmans, 1989), pag. 282.

Apresento aqui alguns mss. que podem ser de ajuda na constatação das afirmações deste artigo. Todos estes apresentam diversas pontuações no texto.

P23/P.Oxy. 1229 do 3º século. (Observe após a palavra tanaton)

 

P45

 

P66 ( 2º século)

 

P75 (circa 175-225 )

 

 

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