Category Archives: João 1:1 na TNM

Em João 1:1, o termo “deus” é aplicado tanto ao Pai como ao Filho, a Palavra. Mas, no texto grego, a palavra para “deus” (theos) é escrita de forma diferente, em ambos os casos. Por quê? O que significa isso?

Para quem não conhece grego, talvez pareça que há algo de significativo no fato de que a primeira palavra é grafada theon, e a segunda, theos. Mas a diferença é simplesmente uma questão de caso gramatical, em grego. João 1:1 reza:

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus [τον ϑεον, literalmente: o deus], e a Palavra era deus [ϑεος].”

O grego tem cinco casos: nominativo, genitivo, dativo, acusativo e vocativo. A grafia da palavra varia segundo o caso em que é usada. Por exemplo, tome o artigo definido “o”. No gênero masculino, “o” é escrito respectivamente nos primeiros quatro destes casos: ο, τον, τω, τον, no singular.

De modo similar, em João 1:1, a palavra theos é grafada segundo o caso específico usado. Na primeira ocorrência (“a Palavra estava com o Deus”), está no caso acusativo, e por isso é grafada ϑεον. Mas, na segunda ocorrência, está no caso nominativo, e por isso é grafada ϑεος. A grafia de theos, por si só não indica a pessoa ou a posição da pessoa indicada, conforme ilustra 2 Coríntios 4:4, 6. No versículo quatro, Satanás é identificado como ϑεος, “o deus deste sistema de coisas”, e, no versículo seis, o Criador é designado ϑεος. A grafia é a mesma em ambos os versículos, theos, porque se usa em ambos o caso nominativo. Portanto, o fato de theos ser grafado diferente, nas suas duas ocorrências em João 1:1, não indica nenhuma diferença no significado; em ambos os casos o significado é o de “deus”.

O que é interessante, em João 1:1, é que o artigo definido o [ho] não é usado diante de theos quando se aplica ao Filho, a Palavra. Sobre este ponto escreveu o famoso tradutor bíblico William Barclay:

“Agora, normalmente, exceto por motivos especiais, os substantivos gregos sempre têm o artigo definido diante de si, . . . Quando um substantivo grego não tem o artigo diante de si, torna-se mais descrição do que identificação, e tem mais o caráter de adjetivo, em vez de substantivo. Podemos ver exatamente o mesmo em inglês: Se eu disser: ‘Tiago é o homem’, então identifico Tiago como certo homem específico, em quem estou pensando; mas, se eu disser: ‘Tiago é homem’, então simplesmente descrevo Tiago como sendo humano, e a palavra homem torna-se uma descrição, não uma identificação. Se João tivesse dito ho theos en ho logos, usando o artigo definido diante de ambos os substantivos, então ele teria definitivamente identificado o logos [a Palavra] com o Deus, mas, visto que não há artigo definido diante de theos, este se torna descrição, e mais como adjetivo do que como substantivo. A tradução seria então, de modo desajeitada: ‘A Palavra estava na mesma categoria que Deus, pertencente à mesma ordem de ser como Deus’. . . . João não está identificando aqui a Palavra com o Deus. Expresso de modo simples, ele não diz que Jesus era o Deus.” — Many Witnesses, One Lord (1983), páginas 23, 24.

Portanto, em ambas as suas traduções, a do Dr. Edgar J. Goodspeed e a do Dr. James Moffatt (em inglês), eles vertem a frase: “A Palavra [ou Logos] era divino.” Isto mostra a sutil diferença na fraseologia usada pelo apóstolo João, uma diferença que se harmoniza com o fato de que Jesus não era igual em poder e eternidade com o Pai, mas era o Filho criado do Pai. (1 Cor. 11:3) A Tradução do Novo Mundo [edição de 2015] verte o versículo corretamente: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus.”

 

source: W15/11/77

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