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É o “Beijo santo” um requisito cristão?

O ósculo santo (em latim: osculum pacis), chamado também de beijo santo ou beijo da paz, foi uma forma de saudação usada por Jesus Cristo e seus discípulos, pela ação de beijar a face mutuamente, não somente em regiões onde esse era um costume habitual, mas também entre os cristãos de Roma. Pelo que se observa atualmente entre a população do Oriente, o ósculo santo consistia em um beijo na face e não nos lábios como dizem alguns. O beijo no mundo bíblico era uma saudação comum. Para os primeiros cristãos, todavia, se tornou um sinal do amor fraterno.

Atos 20:37
Então, abateu-se sobre todos profundo sentimento de tristeza, e abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam.

1 Coríntios 16:20
Todos os irmãos daqui vos saúdam! Cumprimentai-vos uns aos outros com o costumeiro beijo santo!

2 Coríntios 13:12
Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo.

1 Tessalonicenses 5:26
Saudai todos os irmãos com um beijo santo.

1 Pedro 5:14
Cumprimentai-vos uns aos outros com o beijo de santo amor fraternal. Paz a todos vós que estais vivendo em Cristo!

Atos 20:37
Então, abateu-se sobre todos profundo sentimento de tristeza, e abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam.

1 Coríntios 16:20
Todos os irmãos daqui vos saúdam! Cumprimentai-vos uns aos outros com o costumeiro beijo santo!

2 Coríntios 13:12
Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo.

1 Tessalonicenses 5:26
Saudai todos os irmãos com um beijo santo.

1 Pedro 5:14
Cumprimentai-vos uns aos outros com o beijo de santo amor fraternal. Paz a todos vós que estais vivendo em Cristo!

A obra Estudo Perspicaz das Escrituras sob o título “beijo” diz:

O “Beijo Santo”. Entre os primitivos cristãos havia o “beijo santo” (Ro 16:16; 1Co 16:20; 2Co 13:12; 1Te 5:26), ou “beijo de amor” (1Pe 5:14), possivelmente dado em indivíduos do mesmo sexo. Esta primitiva forma cristã de saudação talvez corresponda à antiga prática hebraica de as pessoas se saudarem com um beijo. Embora as Escrituras não forneçam pormenores, o “beijo santo” ou “beijo de amor” evidentemente refletia o amor e a união saudáveis que prevaleciam na congregação cristã. — Jo 13:34, 35.” JW.ORG

O Testamento Grego do Expositor ( em Inglês) comenta:

“O costume de combinar saudação e beijo era oriental, e especialmente judeu, e assim se tornou cristão.”

 

Benson Commentary 

Saúdem uns aos outros com um beijo santo

“Os judeus consideraram o beijo como uma expressão de amizade. Assim, Joabe fingindo grande amizade com Amasa, levou-o pela barba para beijá-lo, quando ele o matou, 2 Samuel 20: 9. Nosso Senhor diz a Simão, Lucas 7:45: Não me beijastes; O que significa que ele não expressou tal carinho para ele como a mulher tinha feito ao beijar seus pés. Judas também beijou nosso Senhor, fingindo amizade com ele, no momento em que ele o traiu. Essa maneira de expressar amizade uns com os outros entre os discípulos de Cristo foi adotado e praticado em suas assembleias religiosas. Então, Justino o Mártir nos informa, em seu relato sobre as assembleias religiosas dos cristãos, Apolog. Orações sendo encerradas, nos saudamos uns aos outros com um beijo, e então o pão e o copo são trazidos ao presidente, & c. Isso foi chamado de beijo santo, para distingui-lo do beijo obceno; E o beijo da caridade, 1 Pedro 5:14, para distingui-lo do beijo traidor de Joabe e Judas; Sendo dado como expressão desse amor sincero, casto e espiritual, que os cristãos deveriam ter uns com os outros. Nas ocasiões mencionadas por Justino, os homens e as mulheres não se beijaram mutuamente: os homens apenas saudavam os homens, e as mulheres não beijavam outros a além do próprio sexo; Como pode ser conhecido por sua maneira de sentar-se nas assembleias públicas, descreveu Apost. Constit., Lib. 2. c. 57. Do outro lado, deixe os laicos sentados, com todo o silêncio e boa ordem; E as mulheres, deixem-nas sentar-se separadamente, mantendo o silêncio. Então, depois de uma longa descrição do culto, o autor acrescenta: “Então, deixe os homens se saudarem uns aos outros e as mulheres umas as outras, dando o beijo no Senhor”. Com o tempo a diferença de maneira, esse método de se comportar em assembleias públicas mudou. Mas que  isso foi o modo antigo não pode ser duvidado, sendo derivado da sinagoga. “- Macknight.

O Comentário feito pela obra Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary, afirma que o costume do “beijo santo” (em grego  ἅγιον φίλημα; se exortava a se cumprimentarem  ἐν φιλήματι ἁγίῳ. ) veio “do oriente entre os judeus e permanece até hoje”. Tertuliano comentado sobre este beijo  em Lib. Dec.; diz que este acontecia principalmente ao se receber a eucaristia, que é a forma como se referiam à ceia. “Era um símbolo de amor e concórdia” afirma o comentário Matthew Poole’s Commentary. Segundo Tertuliano um dos “pais da Igreja”, o “osculum pacis” e as Constituições Apostólicas o chamava de “beijo do Senhor”.  Justino, também considerado um dos “Pais da Igreja” e mártir, diz que era normal entre os cristãos dar-se um beijo fraterno antes da Santa Ceia. Alguns acreditam que o presidente da celebração beijava o seu vizinho e este o seu próximo e assim por diante; o mesmo se fazia entre as mulheres. Desta prática teria surgido o “abraço da paz” que os católicos realizam antes da comunhão, por ocasião da missa. Quando Paulo escreveu aos cristãos na Macedônia em sua carta aos Filipenses bem como aos cristãos em Tessalônica, não deu orientações envolvendo o “beijo santo”, pois parece que em algumas ocasiões, até mesmo quando suas cartas foram enviadas a muitas  igrejas ou localização geográfica diferente, não tornava tal sugestão apropriada.

O Gill’s Exposition of the Entire Bible falando sobre “o beijo santo” diz:

“Saudai uns aos outros com um beijo sagrado … A saudação cristã é desejando  toda a felicidade temporal, espiritual e eterna; E que, como deveria ser mútuo, também deve ser saudável e sincero, e isso significa “beijo sagrado”; A alusão é a um costume comum na maioria das nações, usado por amigos para se encontrar ou se separar, para se beijar, em sinal de seu profundo amor e amizade e amizade sincera uns com os outros; E é chamado de “santo”, para distingui-lo de um beijo iníquo e lascivo…”

Sem dúvida que o “beijo santo” é um costume muito visto  principalmente entre os judeus e árabes. Sabemos que é um hábito em alguns países, mas no Brasil é um costume recente, mas de fato, já está se tornando um costume conhecido.

Não raro, observamos esportistas e outros atletas cumprimentarem outros do mesmo sexo com um beijo afetuoso que denota certa “amizade”.

É claro que este costume não é aceito normalmente em todos os lugares. No Brasil a lei diz que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. De fato, não há lei alguma que exige isso nem mesmo nas Escrituras Sagradas. As orientações dos apóstolos não devem ser tomadas como ordenanças ou requisitos para todos os cristãos. Parece claro que nos anos que se seguiram à morte do último dos apóstolos, regras e conceitos humanos foram tomando lugar na igreja. O resultado é que alguns estavam se aproveitando destas orientações apostólicas para tocarem em alguém do sexo oposto. Foi então, que surgiu o costume de se separarem na igreja; homens de um lado mulheres de outro. Já era assim nas sinagogas judaicas. Este costume prevaleceu entre as igrejas do período pré Niceia. É praticado até hoje entre alguns que professam o cristianismo, contudo, este costume do oriente antigo não era algo que visava uma espécie de ritual semelhante ao Lavapés, um um rito religioso observado por diversas denominações cristãs  baseado no relato de João 13:1-17, que menciona Jesus realizando-o durante a Última Ceia. Antes, o “beijo santo” era apenas uma maneira dos cristãos primitivos, principalmente de origem judaica ou semitas, expressarem o amor cristão que tanto identificaria os verdadeiros seguidores de Cristo.( João 13:35) Portanto, de que adianta uma igreja beijar uns aos outros numa forma fingida de “amor cristão” quando vão às guerras e matam correligionários assim como tem feito por exemplo membros da Igreja evangélica, católica e Protestantes?

O livro History of Christianity, de Paul Johnson, diz:

“Dentre 17.000 pastores evangélicos, nunca houve mais de cinqüenta que cumprissem longos termos de prisão [por não apoiarem o regime nazista] em qualquer época.”

Contrastando tais pastores com as Testemunhas de Jeová, Johnson escreveu:

“Os mais valentes eram as Testemunhas de Jeová, que proclamavam a sua inequívoca oposição doutrinal desde o início e sofreram em conseqüência disso. Recusaram qualquer cooperação com o Estado nazista.”