É “o nome Jeová uma junção da palavra Adonai sobreposta ao tetragrama?

Muitos têm repetido as declarações acima. Alguns chegam ao ponto de citar as próprias publicações das Testemunhas de Jeová onde se afirma que não se sabe como era pronunciado o Nome, uma vez que nos manuscritos em hebraico temos apenas as consoantes. Antes de dizer qualquer coisa, quero ressaltar que a pronúncia exata do Nome de Deus não deveria ser desculpa para se evitar seu uso tanto nas traduções da palavra de Deus quanto na conversa diária. Dizer que a pronúncia exata é a que deve ser usada, não leva em consideração que os escritores inspirados do chamado Novo Testamento ao escreverem em grego não preservaram a pronúncia original dos nomes dos servos de Deus do chamado “Velho Testamento”, mas usaram seus equivalentes em grego. (Para detalhes adicionais veja este artigo)

Até mesmo hoje, o nome “Jesus” é pronunciado de diferentes formas dependendo do país onde você esteja. Em grego os apóstolos chamavam Jesus de Iesous. Ninguém jamais diria que eles estavam errados e que deveriam pronunciar  o nome Jesus exatamente assim como os judeus pronunciavam.

Portanto a pronúncia exata do Nome de Deus não é desculpa para se evitar usar este nome. Alguns recorrem a esta argumentação bem como a outras desculpas que não convencem. Por exemplo,  Maria a mãe de Jesus era chamada “Miriam”, tanto por Jesus como pelos vizinhos judeus que falavam hebraico, e como sabemos ninguém hoje que professa a veneração de Maria defende que a chamem de “Miriam”. Se fossemos usar a mesma pronúncia que os judeus usavam então jamais diríamos “Jeremias” e “Isaías”, mas sim Yermiáhu e Yeshayahu. O mesmo aconteceria com centenas de nomes encontrados nas Escrituras e hoje pronunciado de forma totalmente diferente.

Portanto podemos afirmar com certeza que os que criticam o Nome “Jeová” como sendo uma pronúncia errada não usam a regra ilusória e fantasiosa  que eles mesmos exigem que outros usem.

Se alguém não costuma usar o nome e nem sabe o nome de uma pessoa, como poderia dizer que esta é seu “amigo” ? De fato Jesus disse: “o mundo não veio a conhecer a Deus”.

Tais palavras registradas no capítulo 17 de João se mostram verdadeiras. No mesmo capítulo Jesus disse, em João 17:26:

E eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer” e pouco antes ele havia dito no verso 6:

Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo“.

Recentemente percebi que em um estudo mais detido e mais aprofundado a cerca do tetragrama, parece evidenciar que algumas declarações aceitas de modo quase que universal podem estar equivocadas. E se alguém tiver algo a dizer fique a vontade para postar aqui nesta página.

Observe o que disse certa página crítica do Nome “Jeová” :

“QUANDO SURGIU O NOME JEOVÁ?

No hebraico moderno do século VI depois de Cristo, os Massoretas colocaram os sinais das vogais adonay nas consoantes do tetragrama, daí em diante que os clérigos católicos começaram a tentar escrever o nome divino: Iahweh, Jehovah, Iavé e Jeová.”

A declaração acima pode estar  errada. Muitos eruditos acreditam que o nome ”Jeová” é uma forma hibrida “inventada  tardiamente” no tempo dos Massoretas, entre 600 E.C -1100 E.C,  e até mesmo Raimundo Martini (c. 1220-1287), o Dominicano, argumentou que a pontuação do Nome de Deus foi adicionada por Ben Naphtali e Ben Asher por volta de 900-960.  Atualmente afirma-se que a chamada “forma hibrida” é derivada da combinação das letras latinas JHVH com as vogais de Adonai,contudo, há evidências de que a forma “Jeová” já estava presente foneticamente em textos gregos e semíticos durante a antiguidade tardia.

Encontramos a forma “Jeová” escrita Ιεωά em textos gregos do 2º e 3º século E.C. 

 The Grecised Hebrew textεληιε Ιεωα ρουβα“ é interpretado como significando ”meus Deus Ieoa é mais poderoso”. (“La prononciation ‘Jehova’ du tétragramme“, O.T.S. vol. 5, 1948, pp. 57, 58. [Papiro Grego CXXI " PISTIS SOPHIA"  (do 3º séc.), Biblioteca do Museu Britânico] 

Uma coisa é certa após estas e muitas outras citações fica claro que muito antes dos Massoretas a forma IeHoWah já era usada o que torna a afirmação do site acima , no mínimo uma impossibilidade histórica.

Charles William King citando a obra “Na interpretação” (do 2º século) encontra o Nome na forma ΙΕΗΩΟΥΑ  que segundo Charles…”se cada vogal grega for lida com o verdadeiro som grego” veremos o que ele chama de ” a correta representação da pronúncia hebraica da palavra Jeová“.Charles William King, The Gnostics and their remains: Ancient and Mediaeval (1887), pp. 199-200. (Clique aqui para ver os escritos de William King)

Um trecho interessante da Obra de William King escrito em 1887 reza:

“O NOME ΙΑΩ .

Diodoro Sículus, ao enumerar os diferentes legisladores da antiguidade, diz: “Entre os judeus Moisés fingiu que o [verdadeiro] Deus de sobre nome Iao dera suas leis” (i. 94). E isto é elucidado pela observação de Clemente de Alexandria, que o Tetragrama hebraico, ou nome místico, é pronunciado ΙΑΟΥ, e significa ”Aquele que é e será.” Teodoreto afirma que as mesmas quatro letras foram pronunciadas pelos samaritanos como ΙΑΒΕ (Jave);pelos judeus como ΙΑΩ. Jeronimo (no Salmo viii. Diz, “O Nome do Senhor”entre os hebreus é de quatro letras, Iod, He, Vau, He, que é propriamente o nome de Deus, e pode ser lido como ΙΑΗΟ (Iaho) (que é em caracteres latinos), que é considerado pelos judeus impronunciável. O autor de “Tratado sobre Interpretação”, diz, ”Os egípcios  expressam o nome do Ser Supremo pelas sete vogais gregas ΙΕΗΩΟΥΑ“:.  que explica suficientemente a poderosa potência atribuída a esta fórmula pelo autor inspirado do “Pistis-Sophia“, e igualmente assim seu  freqüente aparecimento em talismãs agora sob consideração”.

Tem se afirmado em publicações de referência e obras respeitadas que o Nome Jeová é uma sobreposição ao tetragrama das vogais da palavra Adonai. Até mesmo a obra Estudo perspicaz das Escrituras repete esta declaração (Veja nota *). Veja um exemplo na Encyclopedia Judaica (em Inglês) Volume 7 (Jerusalém, Israel, Publishing House 1971) nas páginas 680 declara:

Cedo na era da idade média, quando o texto consonantal da Bíblia foi suprido com pontos vocálicos para facilitar a leitura correta tradicional,os pontos vocalicos para Adonai com uma variação- um sheva com o primeiro yod  de YHWH ao invés do hateph patah sob o Alef de Adonai, foram usados para YHWH, assim produzindo a forma YeHoWaH“.

Como vimos esta declaração ignora documentos primitivos que já usavam a forma “Jeová” (YeHoWaH) em textos gregos e semíticos. Alguns eruditos apaixonados pela pronúncia “Javé” (ou YahWeH ) chamam a forma YeHoWaH uma “impossibilidade filológica” como podemos ver na obra de  R. Laird Harris, “A pronúncia do Tetragrama,” bem como na Edição de  John H. Skilton , The Law and the Prophets (A Lei e os Profetas) : Old Testament Studies Prepared in Honor of Oswald Thompson Allis (Presbyterian and Reformed, 1974), 224. O argumento da “impossibilidade filológica” baseia-se na premissa de que o Tetragrama foi sobreposto as vogais de Adonai. Os eruditos não estão em total acordo a respeito do porque יְהֹוָה no texto massorético não é pontuado exatamente com as vogais de Adonai.

O Léxico Brown-Driver-Briggs afirma de modo equivocado que a pronúncia Jeová era desconhecida até 1520 quando então foi introduzida por Galatinus (cujo nome completo era Pietro Colonna Galatino ) e que este defendia o uso da pronúncia “Jeová”. Ocorre porém que em 1270 na obra Pugio Fidei, de Raimundo Martini, o nome “Jeová”  já aparecia.

Segundo alguns judeus várias fontes primitivas apoiam esta conclusão:

“Jehovistas” ou defensores da pronúncia “Jeová” (ou JeHoWaH ) tais como Nehemia Gordon (clique aqui para ver um artigo deste a respeito do Nome e a pontuação) que auxiliou na tradução do Rolo do Mar morto e muitos eruditos tais como  Michaelis, Drach, Stier, William Fulke (1583), Johannes Buxtorf, seu filho Johannes Buxtorf II, e John Owen (Século 17); Peter Whitfield e John Gill (Século 18); John Moncrieff  (Século 19); e mais recentemente Thomas D. Ross, G. A. Riplinger, John Hinton, e Thomas M. Strouse (Século 21).

Alguns dos mencionados acima, como por exemplo. John Gill, defendeu no século 18 a idéia de que os pontos vocálicos “foram inspirados por Deus” e que a forma “IeHoWaH” também foi inspirada e transmitida até os nossos dias. Parece claro contudo, que isso não é correto. Os Mss do mar morto, descobertos depois desta pesquisa de John Gill não possuiam “sinais vocálicos”. A alegação de que “é impossível ler o texto sem saber nada sobre vogais” parece muito equivocada em vista da ausência de vogais mesmo no hebraico moderno falado em Israel e o sistema abjade encontrado em muitos Mss antigos e linguas do oriente médio.

Como vimos, a  Enciclopédia Judaica deixa de mencionar a forma mais frequente de pontuar o nome de Deus , a saber, YeH-WaH. De modo similar a The International Standard Bible Encyclopedia editada por Geoffrey W.Bromiley na página 507 afirma que os Massoretas “deixaram as consoantes para YahWeh no texto, mas colocaram com estas as vogais para Adonai, a, o, aComo vimos tal afirmação pode estar errada. As vogais exatas que corresponde a palavra Adonai sequer são usadas. (CONFIRA AQUI)

Acredito que pode ser um equivoco crer que o Nome Jeová possa ser uma sobreposição das vogais de Adonai ao tetragrama (IHVH). Isto se dá visto que tal afirmação feita por muitos eruditos, tais como o Erudito Barker em seu livro The Lord Almighty, não se harmoniza com a evidência. (CLIQUE aqui para ver artigo defendendo a tese de que a forma YeHoWaH é mais primitiva do que se pensa)

Há 2000 anos, não se usavam pontos massoréticos ou sinais vocálicos no texto hebraico das Escrituras Sagradas na porção conhecida hoje como o “Velho Testamento” (ou Escrituras Hebraicas). Os textos hebraicos atuais usam a massorah ou sinais vocálicos produzidos pelos massoretas a fim de se saber quais sons eram originalmente usados na leitura da palavra de Deus. Por volta de 600 E.C em diante passou-se a usar tais sinais vocálicos. Quando os judeus massoretas foram vocalizar o tetragrama usaram a forma Yehwah amplamente. Para uma avaliação, observe, por exemplo, o livro de Gênesis. No texto massorético hebraico da Bíblia Hebraica Stuttgartensia, das 165 vezes em que o Nome de Deus, o Tetragrama aparece, 12 vezes é pontuado para se ler Yehovah, 2 vezes Yehwih e uma vez em Gênesis 2:16 é incerto. Na maioria dos textos onde ocorre o tetragrama no B19 usa se a vocalização “Yehwah”.

O que fica evidente neste mapeamento da vocalização do tetragrama é que o “e” na palavra Yehwah é um sheva e não um hateph Patah que ocorre na primeira sílaba da palavra Adonai. Em Adonai temos um hateph patah um holem e um qamets. Em Yehwah temos um sheva na sílaba inicial. Freedman e O’Conor apresentam a seguinte explicação para esta diferença:

os Massoretas, contudo, não supriram a pontuação vocálica exata para sua pronúncia, que teria resultado na forma Yahowa. Esta forma resultaria na violação do próprio tabu que eles procuravam observar se a primeira silaba contivesse a vogal a”.

De fato, tal argumento parece indicar, por outro lado, uma tendência de se evitar até mesmo pronunciar a forma Ya ou Já. É bem conhecido que os mais antigos mss da LXX contém o tetragrama em caracteres gregos vertidos na forma IAO. Esta pode ser muito bem a pronuncia original do Nome de Deus. Tal forma IAO é usada em outras obras gregas da época.

Isto talvez explique o porquê dos massoretas evitarem sobrepor Adonai ao tetragrama pra se ler Yahovah. Ao mesmo tempo caso tal conclusão esteja equivocada, nos revela que o Nome Jeová pode não ser a sobreposição das vogais de Adonai ao tetragrama.

*A organização de Jeová não é contra a pesquisa independente como alegam alguns opositores das Testemunhas de Jeová. Pelo contrário, a organização incentiva a busca do conhecimento. O que não pode ser tolerado é a imposição de visões particulares ou entendimentos pessoais a cerca de doutrinas claramente  apresentada nas escrituras.Querer impor entendimentos pessoais ou até mesmo minimizar a autoridade dos anciãos designados ou mesmo o corpo Governante da organização de Jeová é um erro. Afinal eles pesquisam todo tempo e isto é feito por um grupo de dezenas ou até mesmo centenas de pessoas sob a supervisão do Corpo Governante da amorosa associação das Testemunhas fiéis de Jeová, para o benefício de milhões de ovelhas.

Uso do Nome “Jeová” em traduções de língua Inglesa

As seguintes versões da Bíblia vertem o tetragrama como Jehovah quer de modo exclusivo ou em versos selecionados:

  • William Tyndale, in his 1530 translation of the first five books of the English Bible, at Exodus 6:3 renders the divine name as Iehovah. In his foreword to this edition he wrote: “Iehovah is God’s name… Moreover, as oft as thou seeist LORD in great letters (except there be any error in the printing) it is in Hebrew Iehovah.”
  • The Great Bible (1539) renders Jehovah in Psalm 33:12 and Psalm 83:18.
  • The Geneva Bible (1560) translates the Tetragrammaton as JEHOVAH, in all capitals, in Exodus 6:3, Psalm 83:18, Jeremiah 16:21, and Jeremiah 32:18.
  • In the Bishop’s Bible (1568), the word Jehovah occurs in Exodus 6:3 and Psalm 83:18.
  • The Authorized King James Version (1611) renders Jehovah, four times (in all capitals) in Exodus 6:3, Psalm 83:18, Isaiah 12:2, Isaiah 26:4, and three times in compound place names at Genesis 22:14, Exodus 17:15 and Judges 6:24.
  • Webster’s Bible Translation (1833) by Noah Webster, a revision of the King James Bible, contains the form Jehovah in all cases where it appears in the original King James Version, as well as another seven times in Isaiah 51:21, Jeremiah 16:21; 23:6; 32:18; 33:16, Amos 5:8, and Micah 4:13.
  • Young’s Literal Translation by Robert Young (1862, 1898) renders the Tetragrammaton as Jehovah 6,831 times.
  • In the Emphatic Diaglott (1864) a translation of the New Testament by Benjamin Wilson, the name Jehovah appears eighteen times.
  • The English Revised Version (1885) renders the Tetragrammaton as JEHOVAH, in all capitals, where it appears in the King James Version, and another eight times in Exodus 6:2,6–8, Psalm 68:20, Isaiah 49:14, Jeremiah 16:21, and Habakkuk 3:19.
  • The Darby Bible (1890) by John Nelson Darby renders the Tetragrammaton as Jehovah 6,810 times.
  • The Five Pauline Epistles, A New Translation (1900) by William Gunion Rutherford uses the name Jehovah six times in the Book of Romans.
  • The American Standard Version (1901) renders the Tetragrammaton as Je-ho’vah in 6,823 places in the Old Testament.
  • The Modern Reader’s Bible (1914) by Richard Moulton uses Jehovah in Exodus 6:2–9, Exodus 22:14, Psalm 68:4, Psalm 83:18, Isaiah 12:2, Isaiah 26:4 and Jeremiah 16:20.
  • The Holy Scriptures (1936, 1951), Hebrew Publishing Company, revised by Alexander Harkavy, a Hebrew Bible translation in English, contains the form Jehovah in Exodus 6:3, Psalm 83:18, and Isaiah 12:2.
  • The New English Bible (1970) published by Oxford University Press uses JEHOVAH in Exodus 3:15 and 6:3, and in four place names at Genesis 22:14, Exodus 17:15, Judges 6:24 and Ezekiel 48:35.[100]
  • The Living Bible (1971) by Kenneth N. Taylor, published by Tyndale House Publishers, Illinois, uses Jehovah extensively, as in the 1901 American Standard Version, on which it is based.
  • In the New World Translation of the Holy Scriptures (1961, 1984) published by the Watchtower Bible and Tract SocietyJehovah appears 7,210 times, comprising 6,973 instances in the Old Testament, and 237 times in the New Testament—including 70 of the 78 times where the New Testament quotes an Old Testament passage containing the Tetragrammaton,[101] where the Tetragrammaton does not appear in any extant Greek manuscript.
  • The Bible in Living English (1972) by Steven T. Byington, published by the Watchtower Bible and Tract Society, renders the word Jehovah throughout the Old Testament over 6,800 times.
  • Green’s Literal Translation (1985) by Jay P. Green, Sr., renders the Tetragrammaton as Jehovah 6,866 times.
  • The American King James Version (1999) by Michael Engelbrite renders Jehovah in all the places where it appears in the original King James Version.
  • The Original Aramaic Bible in Plain English (2010) by David Bauscher, an English translation of the New Testament, from the Aramaic of The Peshitta New Testament with a translation of the ancient Aramaic Peshitta version of Psalms & Proverbs, contains the word “JEHOVAH” in call caps, in the New Testament, over 200 times.
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