A neutralidade dos Primitivos Cristãos


Os Cristãos Primitivos e a Política

 

“Os cristãos mantinham-se alheios e separados do estado, como raça sacerdotal e espiritual, e o cristianismo parecia capaz de influenciar a vida civil apenas desse modo, sendo este, é preciso confessar, o mais puro, por praticamente se esforçarem a incutir mais e mais o sentimento sagrado nos cidadãos do estado.”  The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries, Nova Iorque, 1848, de Augusto Neander, traduzido do alemão por H. J. Rose, pág. 168

 

“Ao passo que eles inculcavam as máximas da obediência passiva, recusavam-se a tomar qualquer parte ativa na administração civil ou na defesa militar do império. (…) Era impossível que os cristãos, sem renunciarem a um dever mais sagrado, pudessem assumir o caráter de soldados, de magistrados ou de príncipes.”  History of Christianity, de Edward Gibbon, 1891, pág. 162-3

 

Os cristãos (…) evitavam cargos públicos e o serviço militar.”  The Great Events by Famous Historians, de F. P. G. Guizot, editado por R. Johnson, 1905, Vol. III, pág. 246

 

“O primitivo cristianismo foi pouco entendido e foi considerado com pouco favor pelos que governavam o mundo pagão. Os cristãos recusavam-se a participar em certos deveres dos cidadãos romanos. Os cristãos (…) achavam que era uma violação da sua fé entrar no serviço militar. Não queriam ocupar cargos políticos. Não adoravam o imperador.”  On the Road to Civilization, A World History, Filadélfia, EUA, 1937, de A. K. Heckel e J. G. Sigman, pág. 237, 238

 

Na publicação The Early Church (A Igreja Primitiva), o historiador Henry Chadwick diz que a primitiva congregação cristã era conhecida por sua “indiferença à posse do poder neste mundo”. Era uma “comunidade não-política, que não provocava distúrbios e era pacifista”.

A History of Christianity (História do Cristianismo) diz: “Havia entre os cristãos a ampla convicção de que nenhum deles devia ocupar um cargo político . . . Ainda no começo do terceiro século, Hipólito disse que a tradição cristã exigia que o magistrado cívico renunciasse ao seu cargo para poder ingressar na Igreja.”

 

Cristãos atuais, como agem?

O interessante é que assim como na Rússia de hoje, de modo parecido, embora a infame Gestapo de Hitler, ou polícia secreta, mantivesse todas as igrejas sob vigilância, ela perseguiu severamente apenas uma organização cristã.

“A perseguição até a morte”, salientou o historiador holandês Dr. Louis de Jong, “atingiu apenas um grupo religioso — as Testemunhas de Jeová”. — Het Koninkrijk der Nederlanden in de Tweede Wereldoorlog (O Reino da Holanda Durante a Segunda Guerra Mundial).

 

Os Cristãos Primitivos e a Guerra

 

A obra católica A History of the Christian Councils (História dos Concílios Cristãos) explica:

“Muitos cristãos, . . . sob os imperadores pagãos, tinham escrúpulos religiosos com o serviço militar e negavam-se terminantemente a pegar em armas, ou então desertavam. O Sínodo [de Arles, realizado em 314 EC], considerando as mudanças introduzidas por Constantino, estabeleceu a obrigação de que os cristãos tinham de servir na guerra, . . . por estar a Igreja em paz (in pace) sob um príncipe amigável aos cristãos.”

 

The Encyclopedia of Religion declara:

“Os primeiros pais da igreja, incluindo Tertuliano e Orígenes, afirmavam que os cristãos não podiam tirar uma vida humana, um princípio que os impedia de fazer parte do exército romano.”

O Professor C. J. Cadoux escreve no seu livro The Early Church and the World (A Igreja Primitiva e o Mundo):

“Até o reinado de Marco Aurélio, pelo menos, nenhum cristão se tornava soldado após seu batismo.”

 

O Professor K. S. Latourette escreve no seu livro A History of Christianity (História do Cristianismo):

“Uma das questões em que os primitivos cristãos discordavam do mundo greco-romano era a participação na guerra. Durante os primeiros três séculos, nenhum escrito cristão que sobreviveu até nós tolerava a participação dos cristãos na guerra.”

 

A revista The Christian Century, diz a respeito dos dos primitivos cristãos:

“Os bem primitivos cristãos não serviam nas forças armadas. Roland Bainton diz que ‘desde o fim do período do Novo Testamento até a década de 170-180 A.D. não há evidência alguma de cristãos no exército’ (Christian Attitudes Toward War and Peace (Atitudes Cristãs Diante da Guerra e da Paz) [Abingdon, 1960], pp. 67-8)

 

O professor John K. Roth escreveu em seu livro Holocaust Politics (A Política do Holocausto):

“Se as pessoas em toda a parte se lembrarem da lição ensinada pelo triângulo roxo, de defender o que é certo, isso poderá impedir-nos de causar um futuro desastre e levar-nos a agir de uma forma que mereça o mais elevado respeito de todos os humanos.”

 

“No segundo século, o cristianismo (…) tinha afirmado a incompatibilidade do serviço militar com o cristianismo.”  A Short History of Rome, de G. Ferrero e C. Barbagallo, 1919, pág. 382
“Os primitivos cristãos pensavam ser errado lutar, e não serviam no exército mesmo quando o Império precisava de soldados.”  The New World’s Foundations in the Old, de R. e W. M. West, 1929, pág. 131
“Uma cuidadosa análise de toda a informação disponível mostra que, até o tempo de Marco Aurélio [121-180 EC], nenhum cristão tornou-se soldado; e nenhum soldado, depois de tornar-se cristão, permanecia no serviço militar.” The Rise of Christianity, de E. W. Barnes, 1947, pág. 333
“Ver-se-á logo que a evidência da existência de um único soldado cristão entre 60 e cerca de 165 EC é extremamente insignificante;(…) até o reinado de Marco Aurélio, pelo menos, nenhum cristão se tornava soldado após seu batismo.” The Early Church and the World, de C. J. Cadoux, 1955, pág. 275, 276
“O comportamento dos cristãos era muito diferente daquele dos romanos. (…) Visto que Cristo havia pregado a paz, recusavam-se a tornar-se soldados.” Our World Through the Ages, de N. Platt e M. J. Drummond, 1961, pág. 125
“Os bem primitivos cristãos não serviam nas forças armadas, (…) desde o fim do período do Novo Testamento até a década de 170-180 A.D. não há evidência alguma de cristãos no exército.” Christian Attitudes Toward War and Peace, Abingdon, 1960, pág. 67-8

Explicando o que acabou por conduzir os que se diziam cristãos a envolverem-se no exército, certa obra afirma:

“Os cristãos que viviam mais perto do tempo de nosso Salvador criam, com indubitável confiança, que ele havia inequivocamente proibido a guerra — que eles abertamente afirmavam esta crença e que, em apoio dela, estavam dispostos a sacrificar, e realmente sacrificaram, suas fortunas e suas vidas. Os cristãos, porém, mais tarde, tornaram-se soldados. E quando? Quando sua fidelidade geral ao cristianismo ficou relapsa, quando, em outros sentidos, violaram os princípios dele, (…) Em suma, tornaram-se soldados quando deixaram de ser cristãos.” Uma Investigação da Concordância da Guerra com os Princípios do Cristianismo, de Jonathan Dymond pág. 60, 61, em inglês.

Os Cristãos hoje

 

A Australian Encyclopædia observou: “As Testemunhas de Jeová mantêm estrita neutralidade em tempos de guerra.”

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