Doutrina da Trindade Antes de Nicéia ?


REVIEW
 
 
Por Rubens Dantas de Oliveira

 

Uma resposta a um artigo enganoso com citações mal aplicadas repostado por Marcelo Berti do site Teologando. O artigo foi traduzido do Inglês por Emerson de Oliveira.

 O Artigo faz uma avaliação e pesquisa superficial sobre a doutrina da trindade, valendo-se de citações seletivas na tentativa de provar que a moderna doutrina trinitária era parte da teologia dos escritores pré-Nicéia.

 O site começa afirmando:

“Esse post traz a reunião de algumas das citações dos Pais da Igreja antes de Nicéia sobre a Trindade, a Pessoa de Deus, a Pessoa de Cristo e do Espírito Santo. Na mentalidade desses autores, Deus é Trino, o Filho é Deus, e o Espírito Santo também.

Bom proveito ”

 (Obs. Esta REVIEW foi produzida mediante consulta, durante meses, aos escritos dos Pais pré Nicéia )

O artigo analisado começa citando Clemente de Roma.

“1. Deus Triuno

Não temos um só Deus e um Cristo e um Espírito de graça que foi derramado sobre nós?

Clemente de Roma (30-100 d.C.)

Nesta declaração Clemente não está dizendo que o espírito santo é alguém. Ao dizer que este é “derramado” percebe-se uma indicação de que o espírito santo não é alguém. De fato no dia de Pentecostes o espírito santo foi “derramado” sobre 120 discípulos de Jesus Cristo numa sala de sobrado de acordo com Atos capítulo 2. Mesmo que um trinitário comprometido não aceite que o espírito pode ser “derramado” e que isso indica que este é a poderosa e irresistível energia dinâmica de Deus, ele deveria contudo se perguntar se está sendo honesto consigo mesmo ao inferir que este texto, de Clemente de Roma,  fala de três pessoas co-iquais, ou co-eternas. Esta passagem de Clemente não tem nada que indica similaridade com o moderno conceito da Trindade da Cristandade. Antes de prosseguir com uma análise sobre o que dizem os escritores pré Nicéia, é importante ter em mente o seguinte:

O Apostolo Pedro escreveu um aviso por volta do ano 62 E.C.

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou trazendo sobre sí mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade e por avareza farão de vós  negócio com palavras fingidas; sobre os quais , já de largo tempo, não será tardia a sentença e a sua perdição não dormita” (2 Pedro 2:1-3 Almeida Edição Revista e corrigida)

Em sua ultima reunião com os Anciãos Cristãos de Éfeso, o Apostolo Paulo os alertou como segue:

“Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho; E que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discipulos após sí.” (Atos 20:29-31 Tradução João Ferreira de Almeida Edição Revista e Corrigida)

Continuando, Em sua segunda epístola aos Cristãos em Tessalônica, o Apostolo Paulo tentou rechaçar rumores de que o segundo advento de Cristo era iminente e declarou. “Não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição.” (2 Thessalonians 2:1-3) João Ferreira de almeida Revista e Corrigida; Edição de 1995

Com a morte de todos os outros Apostolos, o idoso Apostolo João mencionou que uma apostasia generalizada da Igreja estava em progresso. Seus comentários em 1 João 2:18-19, escrito cerca de 98 E.C são muito interessantes:

“Criancinhas, é a ultima hora,e, assim como ouvistes que vem o anticristo, já está havendo agora muitos anticristos, sendo que deste fato obtemos o conhecimento de que é a ultima hora.Sairam do nosso meio mas não eram dos nossos; pois se tivessem sido dos nossos,teriam permanecido conosco.Mas [sairam] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos.” TNM

O que o Apóstolo João quis dizer com “ultima hora”?

Esta “ultima hora” ocorreu perto do fim do primeiro século E.C. O surgimento de um “Cristianismo” alternativo estava em andamento. Em 2 Tessalonissences 2:6 Paulo escreveu que os Apóstolos “agiam como restrição” impedindo a apostasia. Contudo, após a morte destes, seria revelada uma grande apostasia ou desvio do que Paulo chama de “modelo de palavras salutares da verdade”.(2 Timóteo 1:13) Portanto os Escritos que surgiram nos anos que precedem a morte dos Apóstolos no tempo dos chamados “Pais pré Nicéia” além de não serem inspirados, possuem uma influência tortuosa sempre crescente a medida que o tempo passava, com evidentes desvios da verdade e até mesmo conceitos, que muito embora difererentes da moderna teologia trinitária, já apresentavam uma pontinha do que seria essa posterior teologia.Mas longe de apresentar tal doutrina, os escritos do segundo e terceiro século apresentam um claro subordinacionismo de Jesus Cristo a Jeová Deus, o Pai. Tais escritos servem também de referências históricas relevantes e por isso são citados por muitos pesquisadores sérios de nossos dias.

O site Teologando prossegue com uma citação de Clemente:

“E disse Deus: Tenho aqui o homem é como um de nós sabendo o bem e o mau.” Depois, ao dizer “como um de nós,” indica de certo número dos que entre si conversam, e que pelo menos são dois… Senão que este surto (Cristo), emitido realmente do Pai, estava com Ele antes de todas as criaturas e com esse conversa o Pai.

Como pode ver ao invés de reafirmar a trindade ao citar Gênesis 1:26 Clemente falou em “dois que conversam entre sí” e não “três” como dizem a maioria dos trinitaristas modernos!

Esta passagem ao invéz de apoiar tal doutrina revela evidência contrária a ela uma vez que Clemente não afirma a trindade ao citar um dos textos prediletos dos que “enxergam” uma trindade onde o texto não fala nada disso. Nas muitas páginas alegadamente escritas por Clemente de Roma ele não fala sobre a trindade quer de modo direto quer de modo indireto.

Em sua primeira Epístola de Clemente aos Coríntios, observe o que Clemente escreveu:

Capítulo I :

 ”… Graça e paz, do Deus Todo Poderoso por intermédio de Jesus Cristo, vos seja multiplicada.”
Capítulo XLII: “Os Apóstolos pregaram o Evangelho para nós da parte do Senhor Jesus Cristo; Jesus Cristo (fez isso) da parte de Deus.Cristo portanto foi enviado por Deus, e os Apóstolos por Cristo.”
Capítulo LVIII: “Que Deus, que vê todas as coisas, e que é o Governante de todos os espíritos e o Senhor de toda a carne e quem escolheu o nosso Senhor Jesus Cristo e a nós por intermédio dele, para sermos um povo peculiar- conceda a cada alma que invoca o seu glorioso e santo nome, fé, temor, paz, paciência, longanimidade…”  Como podemos ver, não há nada que sugere que Jesus é o Deus Todo Poderoso ou que seja igual a ele como afirma a moderna doutrina da trindade.

O Deus Todo Poderoso é apresentado como sendo um Ser distinto. Até mesmo superior ao Cristo a quem Ele “enviou” e “escolheu” para um propósito específico.

Isto nos mostra como o site do Marcelo Berti bem como outros que tentam citar escritos pré Nicéia a fim de “provar” que a doutrina da trindade surgiu antes do Concílio de Nicéia, são sites que fazem citações seletivas e analise superficial (pesquisam nos escritos algo que prove o ponto por eles defendido, ao invéz de lerem os escritos de uma maneira descompromissada e natural). O pouco que conseguem achar de declarações, sequer provam o ponto por eles defendido, a saber, o ensino da trindade exatamente como é formulada hoje.

Tendo em mente que Clemente de Roma, como se comumente acredita, viveu no primeiro século e que houve uma intersecção entre seu tempo e o tempo dos Apóstolos,  a doutrina da trindade nos moldes modernos, caso fosse apresentada por ele, seria um argumento a favor de tal ensino. Mas, como vimos, isso não acontece e citá-lo como alguém que cria num Deus “trino” é uma irresponsabilidade teológica de muitos pesquisadores e religiosos modernos.

Este tipo de material apresentado como opinião de acadêmico não se pauta pela imparcialidade e pesquisa séria. A aparência de erudição de muitas páginas na internet e a apostasia se espalha como “gangrena” assim como foi predito pelos Apóstolos. Agora mais do que nunca é vital que nos apeguemos ao “modelo de palavras salutares” que encontramos na palavra de Deus. Todos nós temos de ter nossa leitura pessoal da Bíblia Sagrada, a fim de não sermos enganados.

A própria falta de harmonia entre os escritores pré-Nicéia é um ponto ignorado por estes promotores da triunidade. Como sabemos Tertuliano pensa algo totalmente diferente de Justino o Martir sobre a natureza de Deus como veremos depois. Prosseguiremos com a avaliação da página de Marcelo Berti, que como vimos é na verdade uma cópia de um artigo originalmente escrito em Inglês:

Justino Mártir (160 d.C.)

Aqui se nos acusa de loucura, dizendo que depois de ter afirmado a Deus imutável, sempiterno e Pai de todos, adjudicamos um segundo posto a um homem que foi crucificado.

Justino Mártir (160 d.C.)

À verdade, o mesmo Espírito Santo, que faz nos* que falam profeticamente, dizemos que é uma emanação de Deus, emanando e voltando, como um raio do sol.

*Não fiz correção gramatical deste material postado pelos referidos no início deste artigo, devido a isso perceberá erros graves no texto postado por eles, sem o mínimo de responsabilidade e dedicação ao assunto.Longe de apoiar a doutrina de que o espírito santo é uma “pessoa” esta passagem de Justino apresenta o conceito de que este é uma “emanação de Deus” como um “raio de sol” que é uma fonte de energia e não uma pessoa.

A respeito dos escritos de Justino o Martir, temos muito para investigar.Vamos atentar para uma de suas obras…

A Primeira Apologia de Justino o Martir”    Analise cuidadosamente várias citações de Justino e tire sua conclusão sobre o que ele REALMENTE ENSINAVA:

Capítulo VI: “Portanto, somos chamados ateus e confessamos que somos ateistas, até o ponto em que deuses desta sorte estão cientes,mas não com respeito ao mais verdadeiro Deus, o Pai da justiça e temperança e de outras virtudes, que está livre de toda a impureza. Mas  tanto ele e o filho,  (que proveio dele e nos ensinaram estas coisas, e as hostes dos outros bons anjos que seguem e são feitos iguais a ele) e o espírito profético, nós homenageamos e adoramos…”

Capítulo XXI: “E quando dizemos também que a Palavra, que é o primeiro nascido de Deus, foi produzido sem a união sexual, e que ele, Jesus Cristo, nosso instrutor, foi crucificado e morreu, e levantou novamente, e ascendeu ao céus, propomos nada diferente do que credes concernente aqueles a quem estimais filhos de Jupiter. Pois vós sabeis quantos filhos vossos estimados escritores atribuiram a Jupiter: Mercurio… Esculapius… Bacchus… Hercules…”  Capítulo XXIII: “… Que Jesus Cristo é o único filho apropriado que foi gerado por Deus, sendo sua Palavra e o primeiro gerado, e poder…”
Chapter XLVI: “… Temos sido ensinado que Cristo é o primogenito de Deus e temos declarado acima  que ele é a Palavra de quem toda raça de homens foram participantes …
Capítulo LXIII “Ora, a Palavra de Deus é seu filho, como anteriormente dissemos e ele é chamado anjo e Apóstolo… porém muito está escrito a fim de provar que Jesus Cristo é o filho de Deus e o Apóstolo dele, sendo a muito A Palavra, e aparecendo na forma de fogo, e as vezes na semelhança de anjos… pois aqueles que afirmam que o filho é o Pai, são provados que nem se familiarizaram com o Pai, nem conheceram que o Pai do Universo tem um filho, que também, sendo também a primeira gerada palavra de Deus, é até mesmo(um) deus. E que há muito ele apareceu na forma de fogo e na semelhança de anjo a Moisés e aos outros Profetas…“(o sublinhado é meu)  Na “Primeira Apologia”, Justino o Martir apresenta Jesus Cristo como sendo o filho de Jeová( IHVH) Deus, o pai. Da mesma forma que Mercurio, Bacchus, etc.eram filhos de Jupiter. Ele também afirma que Jesus Cristo é o “primeiro gerado” de Deus, o “primogênito” de Deus. E, que Jesus Cristo sendo um Deus é subordinado a seu Pai e criador. Interessante que hoje em dia se perguntar a muitos Evangelicos quem foi o primeiro ser criado por Deus dentre todos, não terá resposta alguma nas escrituras, visto que não admitem que Jesus foi criado como o primogênito de toda a criação celestial de Deus, o Pai. Certa vez perguntei a um Pastor e este me disse que “o homem é a primeiríssima criação de Deus”. Quando eu insisti e indaguei sobre quem foi o primeiro ser criado por Deus nos céus antes de toda criação material, o Pastor e sua filha insistiram em dizer que “foi o homem”.

Justino o Martir acertadamente disse que foi Jesus Cristo. Isto está em harmonia com a verdade declarada em Apocalipse 3:14 onde chama a Jesus de o “o princípio (Grego: ARKHE ) da criação de Deus”

Colossenses 1:15 o chama de “o primogênito(PROTÓTOKOS) de toda a criação”. Nas escrituras a palavra primogênito está sempre associada ao primeiro filho ou o filho mais velho de uma familia. É a mesma palavra usada em Lucas 2:7 com referencia ao recém nascido Jesus na familia de José. Gênesis 49:3 (BEKHOR em Hebraico “primogênito) fala deste como sendo “o princípio da faculdade de procriação”. A Septuaginta (LXX) usou a palavra grega PROTÓTOKOS como equivalente do Hebraico BEKHOR. A mesma palavra é usada em Colossenses 1:15 com referência a Jesus Cristo. Justino o Martir não cria que Jesus e Deus era a mesma pessoa. Para ele Jesus era “THEÓS” no sentido que tinha poder. Mas não como sendo “HO THEÓS” ou “O Deus” ou o Pai que o produziu e o “gerou”.
Em Diálogo com Trifão,de Justino o Martir podemos encontrar mais informações e tirar a conclusão correta a respeito do que este escritor pensava sobre a natureza de Cristo:

Capítulo XXXIV: “Pois Cristo é Rei, e Sacerdote e (um) deus e Senhor, e anjo e homem e capitão…”   Como sabemos em Grego não existe o artigo indefinido “um”, portanto, aqui está o ponto onde reside muita confusão visto que não são poucos os que preferem verter a palavra grega “THEÓS” por “Deus”, com letras maiúsculas. Quando na verdade esta, assim seria, se em grego estivesse escrito “HO THEÓS”. Observe que ao usar uma tradução dos escritores pré Nicéia que verte THEÓS por “um deus” verá que as explicações de Justino, bem como a de muitos outros escritores antigos, estarão em perfeita harmonia com o entendimento de que esta palavra não é usada exclusivamente com referencia ao Ser Supremo e Criador do Universo.Para um entendimento correto do significado da palavra “Deus” em Hebraico “Elohim” clique aqui.

As próximas declarações de Justino mostram que THEÓS nem sempre é Deus, o Ser Supremo, mas um deus. Justino o Martir é citado como dizendo:
Capítulo XXXVII:

“Além disso, no diapsalm do Salmo  (47) referência então é feita a Cristo, ‘Deus subiu com um grito, o Senhor com o som de uma trombeta. Cantai ao nosso Deus’… e Trifão disse…. ‘pois quando dizeis que este Cristo existiu como (um) deus antes das eras, então que ele se submeteu a nascer e se tornar homem, contudo 1 que ele não proveio de homem isso parece ser não meramente  paradoxal mas também tolice… ‘Agora asseguradamente, Trifão,’ continuei, A prova de que este homem é o Cristo de Deus não falha… que ele existiu anteriormente como filho do Feitor de todas as coisas, sendo (um) deus, e nasceu um homem por intermédio da virgem…”

Observem os destaques sublinhados:
Capítulo LV:   ”e Trifão respondeu, ´ Nos lembraremos desta sua exposição, se fortalecerdes  (sua solução de) esta dificuldade por meio de outros argumentos; mas agora finalizar o discurso, e nos mostrar que o espírito da profecia admite um outro deus além do Feitor de todas as coisas…”
Muitos ignoram o caráter anartro do substantivo “THEÓS” (Deus), usado por Justino e muitos outros escritores, e aprofundam um equivoco.
Capítulor LVI: “Então (Justino) respondeu, ‘Tentarei persuadi-lo, visto que entendestes as escrituras (da verdade) do que digo que há, e que se diz haver, outro Deus e Senhor sujeito ao Feitor de todas as coisas; que também é chamado um anjo, por que ele anuncia ao homem o que quer que seja que o Feitor de todas as coisas, acima de quem não há outro Deus- deseja anunciar a eles… ‘. Então (Justino) respondeu, ‘Revertendo para as Escrituras, empreenderei persuadi-lo, que aquele que se diz ter aparecido a Abraão, e a Jacó, e a Moisés e que é chamado “Deus” é distinto dele que fez todas as coisas- numericamente, quero dizer, não (distinto) em vontade… ‘Pois afirmo que em nenhum momento ele nunca fez nada que Aquele que fez o Mundo- acima de quem não há outro Deus- não tenha desejado que ele fizesse e se engajado em fazer’.”  Estes comentários de Justino o Martir, além de inviabilizar os argumentos de uma “trindade” nos ensinos de Justino, mostra quão enganados estão muitos comentaristas e apologistas professamente cristãos. O mesmo ocorreu ao reproduzirem o seguinte artigo crítico da Brochura “Trindade” produzida pela Sociedade Torre de vigia de Bíblias e Tratados onde disseram:

“Brochura Trindade [das Testemunhas de Jeová]: Justino, o Mártir, falecido por volta de 165 EC, chamou o pré-humano Jesus de um anjo criado que “não é o mesmo que Deus, que fez todas as coisas”. Ele disse que Jesus era inferior a Deus e “nunca fez nada exceto o que o Criador. . . queria que ele fizesse e dissesse.

Observe em letras azuis o que a página destes trinitários diz sobre os escritos de Justino, mostrando que nem sequer leram com atenção !

(Note que as palavras anjo criado e inferior a Deus não estão com aspas. Isto é porque estas palavras NÃO estão em qualquer escrito de Justino).

Como vimos esta idéia está claramente presente nos escritos de Justino!

Justino “diz haver, um “outro Deus e Senhor “”sujeito ao Feitor de todas as coisas” ; que também é chamado um anjo… e que é chamado “Deus” é distinto dele que fez todas as coisas- numericamente, quero dizer, não (distinto) em vontade…”

Este material criticando a boa brochura “Deve-se crer na Trindade ? ” (Publicado pelas Testemunhas de Jeová ) não merece o mínimo de credibilidade.Notem o que estão repetindo e compare com o que Justino disse no Capítulor LVI acima!

*Debaixo do tema “Desonestidade da Brochura Trindade” artigo originalmente publicado em Inglês, tanto Marcelo Berti como outros opositores das Testemunhas de Jeová tem repetido ou republicado a tradução mal feita deste artigo. O artigo foi péssimamente traduzido por Emerson de Oliveira, até então, um opositor das Testemunhas de Jeová. A medida que for lendo os escritos pré- Nicéia descubra se há um claro ensino da Trindade e tire suas conclusões!
Continuemos avaliando os escritos de Justino e observe o que sublinhei se referindo a Cristo!

Capítulo LXI: “Vos darei um outro testemunho, meus amigos,’ eu disse, ‘das escrituras, que Deus gerou antes de todas as coisas um princípio (que era) um certo poder racional (procedendo ) de sí mesmo, que é chamado pelo espírito santo, ora a glória do Senhor, ora do filho, e também sabedoria, e também um anjo, (um) Deus, e o Senhor e Logos... Ele fala por meio de Salomão o seguinte, “Se eu vos declarar o que acontece diariamente, farei relembrar eventos desde a eternidade, e os observaremos. O Senhor me fez o princípio de seus caminhos pelos seus trabalhos. Desde a eternidade Ele me estabeleceu no princípio antes dele ter feito a terra”…”

Aqui, Justino identifica a “sabedoria”(de Provérbios 8:22 )  como sendo Jesus em sua existencia pré-humana.
Capítulo LXII: “…Assim como as Escrituras por meio de Salomão tornou claro, que aquele a quem Salomão chama de Sabedoria, foi gerado como um princípio antes de todas as suas criaturas e como descendencia de Deus…”
 
Capítulo LXIII: “(Re: Heb. 1:8,9) Portanto estas palavras testificam explicitamente que ele é testemunhado por aquele que estabeleceu estas coisas como merecedor de ser adorado como (um) um deus e como Cristo.”(lembre-se de que “adorado” aqui tem o sentido de homenageado segundo vários dicionários e léxicos respeitados, algo que se ignorado, também causa uma grande confusão ao se inferir que quando PROSKINÉO (adorar) é usado com referencia a Jesus isto faz dele forçosamente Deus.Este é um erro elementar dos que ignoram o significado principal da palavra grega PROSKINÉO)   O Vines Expository Dictionary diz debaixo da palavra grega usada aqui por Justino :

“1.PROSKUNEO…,prestar homenagem, reverenciar(de pros, para com, e kuneo, beijar) é a palavra mais frequente vertida adorar.”

A Manual Greek Lexicon of the New Testament, produzido por G.Abbott-Smith, 3º edição, p.386 diz:

“[pros-kuneo],..(< kuneo,beijar),….prestar homenagem, reverenciar, adorar.

A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, by William F.Arndt and F.Wilbur Gingrich, 1957, diz nas páginas 723,724, debaixo de proskuneo:

“…usado para designar o costume de alguém de se prostrar diante de uma pessoa, e beijar seus pés, a orla de suas vestes, o chão, etc, …..(cair por terra) adorar, prestar homenagem a,, prostrar-se diante, reverenciar a, receber respeitosamente.(veja aqui Chave Linguistica de Reinecker , p.2, onde o acima é citado referente a Mateus 2:2) Para saber mais sobre PROSKINÉO clique aqui.

Capítulo LXIV: “Aqui Trifão diz, Seja ele reconhecido como Senhor e Cristo e (um) Deus…”
 
Capítulo LXVIII: “… Eles (os Judeus) concordam que algumas Escrituras que mencionamos a eles, e que expressamente provam que o Messias haveria de sofrer, ser adorado, e (seria chamado) ‘Deus’…”
 
Capítulo CII: “pois se o filho de Deus evidentemente declara que pode ser salvo (não) porque ele é um filho, nem por que ele é forte ou sábio, mas que sem Deus ele não pode ser salvo, muito embora ele seja sem pecados, assim como  Isaias declara em palavras para o efeito de que  ainda que com respeito a sua própria linguagem ele não tenha cometido nenhum pecado (pois ele não cometeu nenhuma iniquidade ou injúria com sua boca), como é que vós ou outros que esperais ser salvos sem esta esperança, sustentais que não estais desencaminhando a vós mesmos?”
 
Capítulo CXXIV: “…Que a interpretação (do salmo 82) seja considerada como desejais, todavia é demonstrado que todos os homens considerados dignos de se tornarem ‘deuses’ e de terem poder de se tornarem filhos do Altíssimo e que serão cada um julgados e condenados igualmente a Adão e Eva. Provei agora extensamente que Cristo é chamado (um) Deus.” (Evidentemente Justino se refere a deus no sentido de Jesus ser uma divindade secundária assim como juizes humanos também são chamados no Salmo 82:6: “Vós sois deuses”)
O que aprendemos de Justino o Martir em seu Diálogo com Trifão? Que Jesus era “um outro Deus” a parte do “Feitor de todas as coisas”. Que Jesus, como um “deus”, era “distinto daquele que fez todas as coisas”. Também, Justino relatou que Proverbios 8:22-31 se aplica a Jesus  e que portanto Jesus teve um princípio, que ele “foi gerado como um princípio”.
Adicionalmente, Justino  nos informa que Cristo dependia de Deus ‘para ser salvo´, que ele não poderia salvar a si mesmo. O Cristo de Justino o Martir não é igual a Deus em poder, posição ou idade.  Aqueles que fazem citação dos pais pré-Nicéia, articulando a palavra THEÓS ( muito embora esta seja anartra e se refira a Jesus como “um deus”) sim, os que falam destes escritores e ignoram as passagens que citei e as frases que sublinhei aqui, estão desinformando ao invéz de informar o que tais escritores REALMENTE TINHAM EM MENTE.

Qualquer um hoje em dia que aplicar a sabedoria personificada de Proverbios 8 a Jesus Cristo, é claramente identificado como pensando da mesma maneira que Justino neste ponto. E podemos assegurar que estes hoje não são a maioria nem são os propaladores da doutrina da trindade.

Iremos considerar agora os escritos de Irineu. Este escritor certamente lança bastante luz neste assunto visto que escreveu o suficiente a respeito, a fim de entendermos o que pensava sobre a natureza de Deus. Os que apoiam um Deus Triuno postaram a seguinte passagem:

Irineu (180 d.C.)

Por isso, como a meninos, aquele que era o pão perfeito do Pai se nos deu a si mesmo como leite, quando vinho a nós como um homem; a fim de que, nutrindo nossa carne como de seu peito, mediante essa nos acostumássemos a comer e beber ao Verbo de Deus, até que fôssemos capazes de receber dentro de nós o Pão da imortalidade, que é o Espírito do Pai.

Como vimos este texto não é relevante a fim de apoiar a conclusão de uma trindade. Até por que a frase que diz que Cristo “se nos deu a sí mesmo” não pode ser dissociada da declaração de que “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito”(João 3:16)O Apóstolo João escreveu sob inspiração em 1 João 4:10:

“O amor é neste sentido,não que nós tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou o seu filho como sacrifício propiciatório pelos nossos pecados” o verso anterior diz que “Deus enviou o seu filho unigênito”.

Claro que Jesus se ofereceu voluntariamente a fim de salvar a humanidade, contudo, tal iniciativa provém de Deus, o Pai.

Paulo sob inspiração escreveu que a iniciativa veio do Pai, quando escreveu em Romanos 8:32:

“Aquele que nem mesmo poupou o seu próprio filho, mas o entregou por todos nós…” Aceitar a doutrina de que Deus enviou a ele mesmo é distorcer o sentido simples e claro da palavra de Deus conforme apresentada nestes textos que citei  aqui e muitos outros que demonstram que a Bíblia em sua simplicidade não apresenta o conceito moderno de um Deus em três pessoas. A Bíblia não faz distinção entre “pessoas” dentro de uma divindade.Todavia isso é repetido todo tempo por modernos teólogos e pastores da cristandade.

Irineu (180 d.C.)

Os presbíteros, discípulos dos Apostolos, ensinam que este será o ordem e providência para os que se salvam, bem como quais são os degraus pelos quais se ascende: pelo Espírito subimos ao Filho e por este ao Pai, e o Filho ao final entregará sua obra ao Pai.

Este texto fala do Pai, do filho e do espírito santo. Mas nada indica que são três pessoas co-iguais e co-eternas como afirma a doutrina trinitária. Encontramos evidência contrária a tal doutrina quando Irineu diz que o filho no final “entregará sua obra ao Pai”.

Irineu (180 d.C.)

Tenho aqui a regra de nossa fé, o fundamento do edifício e a base de nossa conduta: Deus Pai, no criado , ilimitado, invisível, único Deus, criador do universo. Este é o primeiro e principal artigo. O segundo é: o Verbo de Deus, Filho de Deus, Jesus Cristo nosso Senhor, que se apareceu aos profetas segundo o desígnio de sua profecia e segundo a economia disposta pelo Pai; por meio dele foi criado o universo. Ademais ao fim dos tempos para recapitular todas as coisas se fez homem entre os homens, visível e tangível, para destruir a morte, para manifestar a vida e restabelecer a comunhão entre Deus e o homem. E como terceiro artigo: o Espírito Santo por cujo poder os profetas profetizaram e os pais foram instruídos no que diz respeito a Deus, e os justos foram guiados pelo caminho da justiça, e que ao fim dos tempos foi difundido de um modo novo sobre a humanidade, por toda a terra, renovando ao homem para Deus.

Podemos observar neste texto de Irineu, que não se pode apoiar a doutrina da trindade uma vez que ele diz … “o espírito santo por cujo poder os profetas profetizavam” …e desta forma vemos que ele associa este espírito com o poder de Deus. Mas a linguagem destes escritores não inspirados começa a preocupar. Por que ? Observamos frases que são muito repetidas hoje e que não tem apoio na palavra de Deus. Por exemplo, quando lemos que Jesus “se fez homem” isso me lembra a péssima tradução da frase grega que aparece em João 1:14. Foi vertida por muitas traduções da Bíblia como dizendo “E o verbo se fez carne” quando na verdade o texto reza: “…a palavra se tornou carne” (KAI HO LOGOS SARX EGENETO)Não se utiliza aqui o verbo “fazer” nem o pronome reflexivo “se, a sí mesmo”. A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas verteu corretamente este texto, o que não aconteceu com a maioria das versões das escrituras que sutilmente inserem suas doutrinas posteriores no texto da Bíblia Sagrada.Dizer que Jesus “se fez carne” exclue a Jeová Deus, o principal envolvido em transferir a vida de Jesus desde o domínio celestial para o ventre de uma virgem Judia.Não é de admirar que o Erudito Jason Beduhn afirme que a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas é “a mais exata das traduções comparadas” numa pesquisa academica.

Irineu (180 d.C.)

Nós oramos pelo menos três vezes ao dia, porque somos devedores de três: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Aqui não diz que “oramos ao Pai , o Filho e o Espírito Santo” como alguns enxergam. Diz que somos “devedores” destes três, o que de fato é verdade. Outros escritores como Orígenes em seus escritos,  fala claramente contra se orar a Jesus Cristo. De fato as Escrituras mencionam Jesus como tendo dito:

“Tens de orar do seguinte modo: “Pai nosso que estais nos céus”. Portanto as orações devem ser dirigidas ao Pai. O próprio Jesus fez isso no capítulo 17 de João. Além disso ele disse que o que pedirmos a Deus “por meu intermédio” ele nos dará.”Se pedirdes ao Pai qualquer coisa, ele volo-dará em meu nome”(João 16:23) “Fazei conhecer as vossas petições a Deus” (Filipenses 4:6) Cristo é aquele “por meio de quem” nos achegamos a Deus em oração.Irineue outros, obiamente começa a desviar o entendimento correto sobre este assunto, pavimentando o caminho da grande apostasia.Muitos fizeram isso. Como de fato fora predito.”Jesus disse em João 4:23: “Adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos…” Jesus se incluiu como alguém que adorava ao Pai e orava a ele. Portanto as orações devem ser dirigidas exclusivamente a Jeová Deus, por intermédio de Jesus Cristo.

Irineu em sua obra “Contra as heresias” livro II

Afirma:

“Capítulo 28:6: “Mas além da razão inflada(com sua própria sabedoria), vós presunsosamente manteis que estais familiarizados com os inespressíveis mistérios de; ao passo que nem mesmo o Senhor, o próprio Filho de Deus, concedeu que somente o pai sabe o dia e a hora do julgamento quando ele declara claramente  ‘Mas a respeito daquele dia, ninguém sabe, nem o Filho, mas somente o Pai”. Se o Filho não se envergonhava de atribuir o conhecimento daquele dia somente ao Pai, mas declarou o que era verdade concernente ao assunto, tampouco nós nos envergonhamos de reservar ao Pai aquelas grandes questões que possam nos ocorrer.”

Capítulo 28:8:

 Pois se alguém deve questioner as razões do por que o Pai, que possue comunhão com o Filho em todas as coisas, declarou que somente oSenhor sabe o dia e a hora (do julgamento), encontrará no presente, não mais apropriado, ou correto, ou segura razão que essa (visto que de fato, o Senhor é o único Mestre verdadeiro), que aprendamos por intermédio dele que o Pai é acima de todas as coisas. Pois  ‘o Pai’, diz ele, ‘é maior do que eu´… O Pai, portanto, é declarado por nosso senhor exceder com respeito ao conhecimento…

De Irineu Contra as Heresias  livro I e II, aprendemos que na visão de Irineu o Logos não era igual ao Pai em conhecimento e que ele era o “único gerado” ao passo que o Pai foi chamado de “Deus Único o Todo Poderoso”. Também Irineu viu o espírito santo como aquele que “proclamou por meio dos profetas as dispensações de Deus”.
Continuando nossa avaliação dos Escritos de Irineu:
Irineu Contra as Heresias, livro III
Capítulo 6: “… Pois o espírito designa a ambos. (deles) pelo nome de Deus,tanto a ele que é ungido como filho, e ele que unge, que é, o Pai. E novamente: Deus Poe-se de pé na Congregação dos deuses, julga no meio dos deuses. Ele (aqui) refere-se ao Pai e ao Filho, e aqueles que receberam a adoção; porém estes são a Igreja dos quais Ele fala novamente, ‘O Deus dos deuses. O Senhor falou, e chamou a terra´. A quem se quer dizer com ‘ Deus´? Aquele de quem ele disse ‘Deus  virá abertamente, nosso Deus, e não se manterá silencioso. Que é, o Filho, que veio manifestado aos homens, que disse, ‘Apareci abertamente aqueles que não me procuram’. Mas de que deuses (ele fala)? (Daqueles) a quem ele diz, ‘Eu disse, ‘Vós sois deuses, e todos filhos do Altíssimo’. A estes , sem dúvida, que receberam a graça da  ‘ adoção pela qual clamamos, Abba, Pai’.”
Capítulo 8: “Pois estas todas as coisas, quer sejam anjos, ou arcanjos, ou tronos, ou dominios foram tanto estabelecidas como criadas por Ele que é Deus sobre tudo, por intermedio de sua Palavra, João, portanto destacou… de forma que ele de fato que criou fez todas as coisas pode sozinho, junto com sua Palavra, serem corretamente chamados Deus e Senhor…”

Tertuliano Ensinava a Trindade ?

Tertuliano (c. 160 a 230 DC) foi o primeiro a usar a palavra latina trinitas. Conforme observado por Henry Chadwick, Tertuliano propôs que Deus é ‘uma substância que consiste em três pessoas’. Isto não significa, porém, que tivesse em mente três pessoas co-iguais e co-eternas. Entretanto, suas idéias foram usadas como ponto de partida por escritores posteriores que elaboravam a doutrina da Trindade.The Early Church, de Henry Chadwick, impressão de 1980, página 89.

O conceito de Tertuliano sobre Pai, Filho e espírito santo era bem diferente da Trindade da cristandade, pois ele era subordinacionista. Ele considerava o Filho subordinado ao Pai. Na obra Against Hermogenes (Contra Hermógenes), ele escreveu:

“Não devemos supor que haja algum outro ser, exceto unicamente Deus, que seja não gerado e incriado. . . . Como pode algo, exceto o Pai, ser mais velho, e por isso deveras mais nobre, do que o Filho de Deus, o Verbo unigênito e primogênito? . . . Esse [Deus] que não precisou de um Criador para lhe dar existência, será muito mais elevado em categoria do que [o Filho] que teve um autor que o trouxe à existência.” The Ante-Nicene Fathers, Volume III, página 487.

Também, na obra Against Praxeas, ele mostra que o Filho é diferente do Todo-Poderoso Deus e é subordinado a ele, ao dizer:

“O Pai é a inteira substância, mas o Filho é uma derivação e parcela do todo, conforme Ele Próprio reconhece: ‘Meu Pai é maior do que eu.’ . . . Assim, o Pai é distinto do Filho, sendo maior do que o Filho, visto que um é Aquele que o gera e outro Aquele que é gerado; também, um é Aquele que envia, e outro Aquele que é enviado; e, além disso, Aquele que cria é um, e Aquele por meio de quem a coisa é feita é outro.” Ibid., páginas 603-4.

Tertuliano, em Against Hermogenes, declara além disso que houve tempo em que o Filho não existia como pessoa, mostrando que ele não considerava o Filho um ser eterno no mesmo sentido que Deus era. Ibid., página 478.

O Cardeal Newman disse: “Tertuliano deve ser considerado heterodoxo [crente em doutrinas não ortodoxas] na doutrina sobre a geração eterna de nosso Senhor.”An Essay on the Development of Christian Doctrine, páginas 19, 20.

A respeito de Tertuliano, Lamson declara:

“Essa razão, ou o Logos, como foi chamado pelos gregos, foi mais tarde, segundo acreditava Tertuliano, mudado para o Verbo, o Filho, isto é, um ser real, tendo existido desde a eternidade apenas como um atributo do Pai. Tertuliano atribuiu a ele, porém, uma categoria subordinada ao Pai . . .

“A julgar por qualquer explicação geralmente aceita da Trindade da atualidade, seria inútil tentar salvar Tertuliano da condenação [como herege]. Ele não suportaria o teste nem sequer um momento.” The Church of the First Three Centuries, páginas 108-9.

O mesmo se dá também com respeito a outros escritores do segundo e terceiro séculos, tais como Irineu, Hipólito, Orígenes, Cipriano e Novaciano. Embora alguns tenham igualado o Pai e o Filho em certos respeitos, em outros eles consideravam o Filho subordinado a Deus, o Pai. E nenhum deles sequer especulou que o espírito santo fosse igual ao Pai e ao Filho. Por exemplo, Orígenes (c. 185 a 254 EC) declara que o Filho de Deus é “o Primogênito de toda a criação” e que as Escrituras “conhecem a Ele como a mais antiga das obras de criação”.The Ante-Nicene Fathers, Volume IV, página 560. 

Ainda há muitas citações de Tertuliano que lançam mais luz sobre o que ele REALMENTE pensava sobre a natureza de Deus. Em A Apologia ele diz:

Capítulo 21:

“Nos foi ensinado que (a Palavra) procede de Deus e que nesta procissão ele é gerado, de modo que ele é o Filho de Deus, e é chamado de Deus a partir da unidade de substância com Deus Porque Deus também é um espírito. Mesmo quando o raio é disparado a partir do sol, ainda é parte da massa , o sol ainda vai estar no raio, porque é um raio de sol – não há divisão de substância, mas apenas uma  extensão. Assim, Cristo é o Espírito do Espírito, e Deus de Deus, como a luz se acendeu de luz … Assim, também, o que  saiu de Deus é ao mesmo tempo Deus e Filho de Deus, e os dois são um .. desta forma, também, como ele é o Espírito do Espírito e Deus de Deus, ele é feito um segundo em modo de existência – em posição, não por natureza, e ele não retirar-se da fonte original, mas saiu [dela].. “

TERTULIANO CONTRA MARCION LIVRO 2:

Capítulo 27: “No entanto, com respeito, ao Pai, o evangelho que é muito comum a nós,  testemunha que ele nunca foi visível, de acordo com a palavra de Cristo,” Nenhum homem conhece o Pai, senão o Filho ” e mesmo no Antigo Testamento, ele havia declarado: “Nenhum homem pode me ver e continuar vivo”. Ele quer dizer que o Pai é invisível, em cuja autoridade e em nome de quem ele era Deus que apareceu como o Filho de Deus … (Cristo), e é dessa maneira que é ele nosso Deus  … unindo em si o homem e Deus, Deus em milagres, no homem, os fracos, a fim de que ele pode dar ao homem o quanto ele leva de Deus … “

Na visão de Tertuliano o Logos (Jesus Cristo) foi gerado a partir do ser de Deus e por isso ele é Deus de Deus ainda está “dentro” do Logos como ‘o sol ainda está em um raio “. A noção de duas pessoas sendo um só Deus parece ser inerente a teologia de Tertuliano. O Espírito Santo não chegou a este nível em Tertuliano.

Pode ser interessante comparar o Logos de Tertuliano ao de seus antecessores e contemporâneos. Justino o Mártir viu o Logos como “outro Deus e Senhor”; Tertuliano vi os dois como o mesmo Deus. Taciano viu o Logos como um ser originário e fora da substância de Deus, aquele que parecia ser um ser só para ele, enquanto o Logos de Tertuliano parece ser nada mais, nada menos do que uma extensão do próprio ser de Deus. Isto também é verdade quando consideramos as opiniões de Teófilo de Antioquia, seu Logos vem de Deus, mas é visto como outro ser a ajudar a Deus e ir onde quer que ele seja enviado, uma vez que ele é um subordinado. Irineu é menos restritivo, com sua identificação de “Deus”. Para ele, este termo aplicado ao Pai, ao Filho e aos crentes adotados aqui na terra. Para Irineu, o Logos não é “Deus” no sentido de que ele é “Deus” com Tertuliano.

Um dos mais conceituados “Pais” agora leva a nossa atenção, seu nome é Orígenes.

Origenes: nascido de pais cristãos em 185 dC, em Alexandria, no Egito. Orígenes foi o mais prolífico de todos os escritores cristãos primitivos. Treinado por Clemente de Alexandria, foi eleito Ancião aos 18 anos quando Clemente teve que fugir por sua vida. Ele era um amigo de Hipólito e distingue-se pelo primeiro comentário completo da Bíblia. Em 253 EC, aos 70 anos, ele foi capturado, torturado e morreu uma semana depois por causa de sua fé. Ele não era um trinitário.

Ele tem muito a compartilhar conosco como veremos: *

ORAÇÃO 15:01

Se entendermos o que a oração realmente é, devemos saber que nós nunca devemos orar a qualquer coisa gerada – nem mesmo a Cristo – mas somente a Deus e Pai de todos, a quem até mesmo orou nosso Salvador, como já dissemos, e nos ensina a rezar Porque quando ele disse, “Ensina-nos a orar ‘, ele não ensina como orar para si mesmo, mas ao Pai, e a dizer:’. Pai Nosso, que estais no céu”. Porque, se o Filho, como é mostrado em outros lugares, é distinto do Pai em sua natureza e pessoa., então devemos orar ou para o Filho e não ao Pai, ou a ambos, ou ao Pai somente. Todos concordarão que orar ao Filho e não o Pai seria muito estranho  e seria contra a evidência mais clara, e se a ambos, então devemos, obviamente, rezar e fazer nossos pedidos no plural, dizendo: “concedei-vos ‘,’ vósso favor ‘ , ‘fornecei-vós’, ‘salvai-vós “, e tudo semelhante desta mesma forma .. Mas isso é claramente incongruente, ninguém pode apontar onde alguém tem feito isso nas Escrituras. Resta, então orar a Deus oPai de todos, mas não a parte do Sumo Sacerdote que foi nomeado com um juramento pelo Pai … ” (O SUBLINHADO É MEU)

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* Todas as citações são de Orígenes antigos escritores cristãos – As obras do Pais em Tradução, Série, Volume 19, “Orígenes” Traduzido por John J. O’Meara; Newman Press, 1954.
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ORAÇÃO 15:02

“… E portanto se alguém  orar corretamente não reza para ele ao passo que reza a si mesmo, mas sim ao Pai que nosso Senhor Jesus nos ensinou a invocar em nossas orações … Ele não disse simplesmente,. me peçam, ou pedir ao Pai: mas, se pedirdes qualquer coisa ao Pai, ele vo-la dará em meu nome “.

ORAÇÃO 16:01

“… Porque o Pai pode ser corretamente considerado também como o Senhor de seu Filho, e também Senhor  daqueles que por intermédio dele se tornam filhos …

EXORTAÇÃO AO MARTÍRIO 29 Parte V
(Em relação a oração de Jesus para deixar passar este cálice de mim) “… Mas esta não foi a vontade do Pai,. que, em comparação com a vontade do Filho, e com o julgamento do Salvador, dispõe e ordena todas as coisas com sabedoria superior. “

Claramente o Logos de Orígenes * não é igual ao Pai em sabedoria ou em autoridade e o Espírito Santo não entra em suas discussões no mesmo nível que o Logos, e muito menos com o Pai.O Logos de Orígenes não é “Deus” no sentido de que o Pai é “Deus”.

Em A Doutrina de de subordinação de  Orígenes  de J. Nigel Rowe é , Um Estudo na cristologia de  Orígenes, página 7, nota:

“Deve ser salientado que, embora na visão de Orígenes, o Filho é o único ser que partilha a divindade do Pai em sua plenitude, há outros seres – anjos e homens – que possuem tal divindade, em parte, a Divindade é, portanto, organizadas em uma hierarquia de quadrupla, em que a maior dos tipos inferiores é superada pela “Palavra” de Deus, e o “Verbo” de Deus, por sua vez é superada pelo Deus do Universo. Na verdade, certos seres (isto é, os anjos) são explicitamente honrados por Deus com o título de “Deus” na medida em que eles participam de sua divindade. Em um lugar Orígenes destaca que ” São João insere o artigo definido antes da palavra θεος quando esse termo refere-se à causa αγενητος de todas as coisas, mas omite que quando a palavra é aplicada ao λογος “.

Trinitaristas argumentam que o dogma da trindade foi revelado gradualmente com o passar dos séculos. Mas tal argumento se choca com as declarações de Orígenes. Claro que Orígenes falou em trindade como pode ser visto em um de seus escritos. Contudo não tinha a visão de que o Pai , o Filho e o Espírito Santo fossem co-iguais e co-eternos como a posterior teologia trinitária. 

Expondo sobre as nuances da língua grega, em João 1:1, Orígenes escreveu:

“A seguir observamos o uso que João faz do artigo nessas sentenças. Ele não escreve sem cuidado a este respeito, nem está desfamiliarizado com as sutilezas da língua grega. . . Ele usa o artigo, quando o nome “Deus” (em grego THEÓS ) refere-se ao incriado dentre todas as coisas, e o omite quando o Logos é chamado de “Deus”. . . O Deus que está acima de tudo é Deus com o artigo. . . todos além do Único Deus é deus através da participação em Sua divindade, e não deve ser chamado simplesmente de “O Deus”, mas “deus”. . . O verdadeiro Deus, então, é “ O Deus”, (Ó THEÓS ) e aqueles que são formados após, são deuses, imagens Dele,o protótipo, por assim dizer.”

Espero poder contribuir mais com as declarações de outros “Pais da Igreja” e com citações diretas deste para que o leitor deste artigo posso tirar suas próprias conclusões diretamente da fonte.

Portanto, este artigo ainda está sendo escrito. Peço a compreensão de todos visto que publicar estes artigos demandam tempo e pesquisa cuidadosa e até mesmo verificação nos textos gregos.

Rubens Oliveira

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Comentários

  • Rivo  On julho 25, 2011 at 1:16 pm

    Rubens não esqueça desse artigo. Muito edificante.

  • givanilson rocha  On setembro 3, 2011 at 5:38 pm

    É, contra fatos não há argumento. eu sempre usei esse argumento do espirito ser derramado para provar que o espirito santo é a força ativa de Deus( não o poder de Deus claro ) mas os trinitaristas estão usando um texto que eu não me lembro agora, onde Paulo diz: estou sendo derramado como bebida” ales afirmam que assim como paulo era uma pessoa e estava sendo derramado,assim também o espirito santo pode ser derramado sendo uma pessoa.mas no contexto geral a fortes evidencias que o espirito é sim a força de Deus em ação.

  • julio cezar  On outubro 4, 2011 at 7:49 pm

    gostaria que o amado fizesse uma exegese clara direto do texto grego sobre a passagem de atos.20:28 – “…a igreja de THEÓS,queele comprou com o seu próprio sangue”.

    • queruvim  On outubro 6, 2011 at 1:10 am

      Publiquei algo a respeito de Atos 20:28. Com citações de vários eruditos e traduções alternativas. Alguns usam Atos 20:28 para “provar” que Deus é Jesus e Jesus é Deus. Ao meu ver é o mesmo que uma criança quando finge que está bebendo àgua em copos vazios e comendo comida em pratinhos de plasticos vazios!

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