Qual a Data certa da destruição de Jerusalem: 587 A.C ou 607 A.C ?


Os historiadores sustentam que Babilônia caiu diante do exército de Ciro em outubro de 539 A.E.C. O Rei era então Nabonido, mas seu filho Belsazar era co-regente de Babilônia. Alguns eruditos elaboraram uma lista de reis neobabilônicos e da duração de seus reinados, remontando desde o último ano de Nabonido até o pai de Nabucodonosor, Nabopolassar.De acordo com essa cronologia neobabilônica, o príncipe herdeiro, Nabucodonosor, derrotou os egípcios na batalha de Carquemis, em 605 A.E.C. (Jeremias 46:1, 2) Depois de Nabopolassar falecer, Nabucodonosor voltou a Babilônia para ascender ao trono. Seu primeiro ano de reinado iniciou-se na primavera seguinte (604 A.E.C.).A Bíblia relata que os babilônios sob Nabucodonosor destruíram Jerusalém no seu 18.° ano de reinado (19.° quando se inclui o ano de ascensão). (Jeremias 52:5, 12, 13, 29) Assim, caso se aceite esta cronologia neobabilônica, então a desolação de Jerusalém ocorreu no ano 587/6 A.E.C. Mas em que se baseia esta cronologia secular, e como se compara ela com a cronologia da Bíblia?

Algumas evidências principais desta cronologia secular são:

O Cânon de Ptolomeu: Cláudio Ptolomeu era astrônomo grego, que viveu no segundo século E.C. Seu Cânon, ou lista de reis, relacionava-se com uma obra sobre astronomia, produzida por ele. A maioria dos historiadores modernos aceita a informação de Ptolomeu sobre os reis neobabilônicos e a duração de seus reinados (embora Ptolomeu omita o reinado de Labashi-Marduque). Ptolomeu evidentemente baseou sua informação histórica em fontes que datavam do período selêucida, o qual começou mais de 250 anos depois de Ciro ter capturado Babilônia. Portanto, não surpreende que as cifras de Ptolomeu concordem com as de Beroso, sacerdote babilônico do período selêucida.

Estela de Nabonido, de Harã (NABON H 1, B): Esta estela ou coluna contemporânea com uma inscrição foi descoberta em 1956. Menciona os reinados dos reis neobabilônicos Nabucodonosor, Evil-Merodaque e Neriglissar. As cifras para estes três concordam com as do Cânon de Ptolomeu.

VAT 4956: Trata-se duma tabuinha cuneiforme que fornece informações astronômicas datando até 568 A.E.C. Diz que as observações eram desde o 37.° ano de Nabucodonosor. Isto corresponderia à cronologia que coloca seu 18.° ano de reinado em 587/6 A.E.C. Todavia, essa tabuinha é admitidamente uma cópia feita no terceiro século A.E.C., de modo que é possível que sua informação histórica seja simplesmente a que era aceita no período selêucida.

Tabuinhas comerciais: Milhares de tabuinhas cuneiformes, neobabilônicas, contemporâneas, foram encontradas com simples registros de transações comerciais, mencionando o ano do rei babilônico em que ocorreu a respectiva transação. Tabuinhas desta espécie foram encontradas para todos os anos de reinado dos reis neobabilônicos conhecidos na cronologia aceita do período.

Do ponto de vista secular, tais tipos de evidência talvez pareçam confirmar a cronologia neobabilônica que fixa o 18.° ano de Nabucodonosor (e a destruição de Jerusalém) em 587/6 A.E.C. No entanto, nenhum historiador pode negar a possibilidade de que o atual quadro da história babilônica pode ser enganoso ou errado. Por exemplo, sabe-se que os antigos sacerdotes e reis às vezes alteravam os registros para os seus próprios fins. Ou mesmo quando a evidência descoberta é exata, poderá ser interpretada mal pelos eruditos modernos ou ser incompleta, a ponto de que matéria ainda a ser descoberta poderá alterar drasticamente a cronologia do período em questão.

Evidentemente por reconhecer tais fatos, o Professor Edward F. Campbell Jr. apresentou uma tabela que inclui cronologia neobabilônica com a cautela: “Nem se precisa dizer que estas listas são provisórias. Quanto mais se estuda a complexidade dos problemas cronológicos no antigo Oriente Próximo, tanto menos se está inclinado a pensar numa apresentação como sendo definitiva. Por este motivo, o termo circa [cerca de] poderia ser usado ainda mais liberalmente do que é.” — The Bible and the Ancient Near East (ed. 1965.), p. 281.

Os cristãos, que crêem na Bíblia, têm vez após vez encontrado que a palavra dela suporta a prova de muita crítica e tem-se mostrado exata e fidedigna. Reconhecem que, sendo a Palavra inspirada de Deus, ela pode ser usada como medidor na avaliação da história e dos conceitos seculares. (2 Timóteo 3:16, 17) Por exemplo, embora a Bíblia falasse sobre Belsazar como governante de Babilônia, os eruditos, durante séculos, estavam confusos sobre ele, porque não existia nenhum documento secular que falasse de sua existência, identidade ou posição. Finalmente, porém, os arqueólogos descobriram registros seculares que confirmaram a Bíblia. Sim, a harmonia interna da Bíblia e o cuidado exercido pelos seus escritores até mesmo em questões de cronologia, recomendam-na tão fortemente ao cristão, que ele coloca a autoridade dela acima das opiniões de historiadores seculares, que sempre mudam.

Mas, como nos ajuda a Bíblia a saber quando Jerusalém foi destruída, e como se compara isso com a cronologia secular?

O profeta Jeremias predisse que os babilônios destruiriam Jerusalém, e transformariam a cidade e o país numa desolação. (Jeremias 25:8, 9) Ele acrescentou:

E toda esta terra terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao Rei de Babilônia por setenta anos.” (Jeremias 25:11)

Os 70 anos expiraram quando Ciro, o Grande, no seu primeiro ano, libertou os judeus e estes voltaram à sua pátria. (2 Crônicas 36:17-23) Cremos que a leitura mais direta de Jeremias 25:11 e de outros textos é que os 70 anos contam desde quando os babilônios destruíram Jerusalém e deixaram a terra de Judá desolada. — Jeremias 52:12-15, 24-27; 36:29-31.

Todavia, os que se estribam principalmente na informação secular quanto à cronologia daquele período dão-se conta de que, se Jerusalém tivesse sido destruída em 587/6 A.E.C., certamente não se teriam passado 70 anos até Babilônia ser conquistada e Ciro deixar os judeus voltar à sua pátria. Na tentativa de harmonizar as questões, afirmam que a profecia de Jeremias começou a cumprir-se em 605 A.E.C. Escritores posteriores citam Beroso como dizendo que Nabucodonosor, após a batalha de Carquemis, estendeu a influência babilônica sobre toda a Síria-Palestina, e que, quando voltou a Babilônia (no seu ano de ascensão, 605 A.E.C.), levou cativos judaicos ao exílio. Assim calculam os 70 anos como período de servidão a Babilônia, começando em 605 A.E.C. Isto significaria que o período de 70 anos expiraria em 535 A.E.C.

Mas, esta interpretação traz vários problemas grandes:

Embora Beroso afirme que Nabucodonosor levou cativos judaicos no seu ano de ascensão, não há nenhum documento cuneiforme que confirme isso. O que é ainda mais significativo, Jeremias 52:28-30 relata cuidadosamente que Nabucodonosor levou cativos judaicos no seu sétimo ano, no seu 18.° ano e no seu 23.° ano, não no seu ano de ascensão. Também, o historiador judaico Josefo declara que, no ano da batalha de Carquemis, Nabucodonosor conquistou toda a Siria-Palestina, “exceto a Judéia”, contradizendo assim Beroso e entrando em conflito com a afirmação de que os 70 anos de servidão judaica começaram no ano de ascensão de Nabucodonosor. — Antiquities of the Jews X, vi, 1.

Além disso, em outro lugar, Josefo descreve a destruição de Jerusalém pelos babilônios e diz então que “toda a Judéia e Jerusalém, e o templo, continuaram a ser um deserto por setenta anos”. (Antiquities of the Jews X, ix, 7) Declarou especificamente que “nossa cidade ficou desolada durante o intervalo de setenta anos, até os dias de Ciro”. (Against Apion I, 19) Isto concorda com 2 Crônicas 36:21 e Daniel 9:2, de que os preditos 70 anos foram 70 anos de desolação total do país. O escritor Teófilo de Antioquia, do segundo século (E.C.), também mostra que os 70 anos começaram com a destruição do templo, após o reinado de 11 anos de Zedequias. — Veja também 2 Reis 24:18 a 25:21.

Mas a própria Bíblia fornece evidência ainda mais marcante contra a alegação de que os 70 anos começaram em 605 A.E.C. e que Jerusalém foi destruída em 587/6 A.E.C. Conforme já mencionado, se fôssemos contar a partir de 605 A.E.C., os 70 anos chegariam a 535 A.E.C. Mas, o inspirado escritor bíblico Esdras relatou que os 70 anos se estenderam até o “primeiro ano de Ciro, Rei da Pérsia”, que emitiu o decreto que permitiu aos judeus voltar à sua pátria. (Esdras 1:1-4; 2 Crônicas 36:21-23) Os historiadores aceitam que Ciro conquistou Babilônia no outubro de 539 A.E.C. e que o primeiro ano de reinado de Ciro começou na primavera (setentrional) de 538 A.E.C. Se o decreto de Ciro foi emitido mais para o fim de seu primeiro ano de reinado, os judeus podiam ter estado facilmente de volta na sua pátria por volta do sétimo mês (tisri), conforme diz Esdras 3:1; isto seria em outubro de 537 A.E.C.

Todavia, não há maneira razoável de esticar o primeiro ano de Ciro de 538 até 535 A.E.C. Alguns tentaram eliminar o problema de modo forçado alegando que Esdras e Daniel, ao falarem do “primeiro ano de Ciro”, estavam usando algum conceito judaico peculiar, que diferia da contagem oficial do reinado de Ciro. Mas isto não pode ser sustentado, porque tanto um governador não-judaico como um documento dos arquivos persas concordam em que o decreto foi emitido no primeiro ano de Ciro, assim como os escritores bíblicos relatam com cuidado e especificamente. — Esdras 5:6, 13; 6:1-3; Daniel 1:21; 9:1-3.

A “boa palavra” de Jeová está relacionada com o período predito de 70 anos, porque Deus disse:

“Assim disse Jeová: ‘De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar.’” (Jeremias 29:10)

Daniel estribou-se nesta palavra, confiando em que os 70 anos não fossem um ‘número redondo’, mas uma cifra exata em que se podia confiar. (Daniel 9:1, 2) E assim veio a ser.

De maneira similar, estamos dispostos a ser guiados principalmente pela Palavra de Deus, em vez de por uma cronologia que se baseia primariamente em evidência secular ou que discorda das Escrituras. Parece evidente que o entendimento mais fácil e mais direto das diversas declarações bíblicas é que os 70 anos começaram com a desolação completa de Judá, depois de Jerusalém ter sido destruída. (Jeremias 25:8-11; 2 Crônicas 36:20-23; Daniel 9:2) Assim, contando para trás 70 anos a partir de quando os judeus voltaram à sua pátria em 537 A.E.C., chegamos a 607 A.E.C. como data em que Nabucodonosor, no seu 18.° ano de reinado, destruiu Jerusalém, tirou Zedequias do trono e acabou com a linhagem de reis judeus no trono, na Jerusalém terrestre. — Ezequiel 21:19-27.

FONTE: WATCHTOWER

LEIA O ARTIGO PRINCIPAL A RESPEITO DE JERUSALÉM E 607 A.E.C E OS NÚMEROS DE A SENTINELA QUE ABORDAM O TEMA RECENTEMENTE PUBLICADOS!

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Comentários

  • elves ribeiro  On 4 de setembro de 2015 at 16:57

    Imagino que as duas datas para a destruição de Jerusalém a de 587 AC datada pelos historiadores e a advogada pelos Tjs como 607 AC, poderão estar corretas. O que existe é apenas uma APARENTE discrepância não raro e comum quando choca a descrição bíblica com a histórica. Ou seja, ao passo que a bíblia fala da destruição de Jerusalém de um ponto de vista fidedigno em detalhes, a história considera de um ângulo diferente, o do ponto de vista e ideias de historiadores que contam segundo interesses seculares e muitas vezes á nós desconhecidos. O que explicaria as diferentes datas. Isso tem se dado em alguns casos e muitos tem criticado a veracidade bíblica, só pra mais tarde ter que ‘engolir’ a exatidão do registro bíblico.

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  • Queruvim  On 4 de setembro de 2015 at 17:10

    Desculpe mas não há como conciliar as duas datas em vista de diferença de 20 entre as duas. A não ser que você acredite que uma criança de recém nascida não é diferente de um homem de 20 anos.

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