Jesus sempre foi Filho de Deus?


 Entre os trinitários, mas principalmente entre os unicistas, esse assunto é, em muito, controverso. Haverá respostas variadas. Se você for começar uma conversa com um deles, peça para ele esclarecer esse assunto antes de começar a conversa. Já ocorreu comigo de eles mudarem a resposta quando encurralados. Assim, antes de conversar com um trinitário, pergunte: 

– Jesus veio à Terra em forma de filho ou ele é o Filho eterno de Deus?

Ele sempre foi o Filho de Deus

        Muitos trinitários concordarão (pelo menos até serem encurralados) que Jesus sempre foi o Filho de Deus. Aplicam-se comumente os títulos “Filho Eterno” e “Deus-Filho” a Jesus, embora nenhum desses títulos esteja em parte alguma das Escrituras. Jesus sempre foi, é, e sempre será o Filho de Deus. Vejamos o que a bíblia diz sobre isso:

 (João 3:16) “Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito […]”
(1 João 4:9) “[…] Deus enviou o seu Filho unigênito […]”
(Gálatas 4:4) “[…] Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher […]”

        Essas frases tão conhecidas não dizem que ‘Deus amou tanto o mundo que veio à Terra em forma de Filho’, mas que Jesus já era filho de Deus antes de vir à Terra, e nasceu como tal no ventre de Maria. Se Jesus não fosse filho de Deus antes de vir à Terra, não faria sentido ele alegar que ‘não veio de sua própria iniciativa’.

 

(João 8:42) […] pois vim de Deus e estou aqui. Eu não vim de minha própria iniciativa, mas foi ele que me enviou.”

 

         Agora veja uma ilustração de Jesus, onde podemos entender plenamente a separação entre Pai e Filho:

 

(Lucas 20:9-16) “[…] Um homem plantou um vinhedo e o arrendou a lavradores, e viajou para fora, por bastante tempo. 10 Na época devida, enviou um escravo aos lavradores, para que lhe dessem alguns dos frutos do vinhedo. Os lavradores, porém, depois de espancá-lo, mandaram-no embora de mãos vazias. 11 Mas ele lhes enviou outro escravo. A esse também espancaram, humilharam e mandaram embora de mãos vazias. 12 Ele ainda mandou um terceiro; a esse também feriram e expulsaram. 13 Em vista disso, o dono do vinhedo disse: ‘O que farei? Enviarei o meu filho, o amado. Provavelmente respeitarão a ele.’ 14 Quando os lavradores o viram, raciocinaram entre si, dizendo: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, para que a herança se torne nossa.’ 15 Assim, eles o lançaram para fora do vinhedo e o mataram. O que lhes fará então o dono do vinhedo? 16 Voltará e matará esses lavradores, e dará o vinhedo a outros.”

        Vamos entender os personagens dessa ilustração:

  1. O Dono do vinhedo: Deus, o Pai;

  2. Os lavradores: Os líderes judaicos;

  3. Os escravos: Os profetas enviados;

  4. O Filho: Jesus, a Palavra.

        Essa ilustração de Jesus acaba com qualquer discussão sobre esse tema. Jesus já era filho de Deus antes de vir à Terra.  Vejamos outro texto absoluto nesse quesito:

 

(João 17:5) “E agora, Pai, glorifica-me ao teu lado com a glória que eu tive junto de ti antes de o mundo existir.”

         Note que Jesus estava junto do Pai antes do mundo existir, e que ele tinha glória. Mas que glória é essa? A mesma glória de Deus? Essa glória é inata ao Filho ou é concedida por alguém maior que ele?

(João 1:14) “[…] uma glória como a de um filho unigênito de um pai.”
(João 17:22) “[…] eu lhes tenho dado a glória que tu me tens dado, a fim de que sejam um, assim como nós somos um.”

         Jesus sempre foi o Filho de Deus, mas nem sempre foi “filho do homem”. (Mateus 8:20) Este título lhe foi concedido apenas a partir do momento em que ele “[…] se achou na feição de homem.” (Filipenses 2:8)

 

“fui produzida”

        Jesus Cristo é representado pela sabedoria de Jeová na passagem de Provérbios 8:22-30, por ser aquele em quem a sabedoria de Jeová se tornou manifesta. Essa sabedoria figurativa é dita como sendo gerada ou produzida:

 
(Provérbios 8:24, 25)
“Quando não havia águas profundas, fui produzida,
Quando não havia mananciais transbordando de água.
Antes de serem assentadas as montanhas,
Antes de haver montes, fui produzida,

 

        Assim, fica claro que o personagem representado por detrás dessa sabedoria foi “gerado” “Antes de haver montes” – uma forma poética de dizer “Antes de haver mundo”.

       Justino, o Mártir, já entendia que o Filho era uma criatura, assim como as Testemunhas de Jeová. Veja as palavras do próprio Justino quanto a isso:

“’O Senhor me criou no princípio de Seus caminhos para seus trabalhos, Da eternidade Ele me estabeleceu no princípio, antes de Ele ter formado a terra, e depois de Ele ter feito as profundezas… Ele me gera antes de todas as montanhas…’ Quando eu repeti essas palavras, eu acrescentei: “Vocês percebem, meus ouvintes, se derem atenção, que as Escrituras declararam que sua Descendência foi gerada pelo Pai antes das coisas criadas; e que o que é gerado é numericamente distinto daquele que gera, qualquer um admitirá isso.” (Justino, o Mártir, CXXVIIL, página 264) [Os grifos são meus]

 

 

 

 

No livro A Short History of the Early Church (Uma breve história da igreja primitiva), Harry R. Boer (1976) explica o conceito de Justino sobre o Filho de Deus. Segundo o BOER, Justinho defendeu que Deus

 

 

 

 

 

gerou outro ser divino a fim de criar o mundo para ele. Este ser divino era chamado de Logos ou Filho de Deus. Ele foi chamado de Filho porque ele foi gerado; ele foi chamado de Logos porque ele foi tomado da Razão ou Mente de Deus.”

 

O argumento do desespero

      Alguns trinitários, mas principalmente unicistas, argumentam que Jesus não era filho de Deus antes de vir à Terra, mas que ele se tornou tal a partir de algum momento. A ideia sobre qual seria esse momento varia de trinitário para unicista, de pessoa para pessoa, e dependendo do nível de desespero no qual o trinitário encurralado se encontra.

        Vejamos alguns textos usados sobre isso:

 

(Lucas 1:32) “Ele [i.e. Jesus] será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,”

      Aqui o argumento gira em torno da expressão “será chamado”. Alguns argumentam que visto que ali diz “será chamado”, então “Filho de Deus” é meramente nominativo. No entanto, o texto em pauta se limita a mostrar que as pessoas reconheceriam a Jesus como Filho de Deus. O autor não está dizendo que Jesus era Deus em forma de Filho de si mesmo, e que Jesus somente se tornou filho a partir de sua forma humana. Definitivamente, não é isso que o autor tinha em mente. Essa declaração tem caráter profético, e se cumpriu quando o próprio Jeová identificou a Jesus como seu filho:

 

(Mateus 3:17) “[…] uma voz vinda dos céus disse: ‘Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.’”

 

        E também se cumpriu com exatidão por muitos dos que conheceram a Jesus. Os apóstolos e amigos de Jesus repetidas vezes o identificaram desta forma.

  • Disse Natanael: “Rabi, tu és o Filho de Deus.” (João 1:49)
  • Pedro exclamou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” (Mat. 16:16)
  • Confessou Marta: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus.” (João 11:27)
  • O apóstolo João escreveu para que as ‘pessoas cressem que “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. (João 20:31)
  • E, quanto ao ministério do apóstolo Paulo, diz-se: “Começou […] a pregar Jesus, que Este é o Filho de Deus.” — Atos 9:20.

        Assim, “será chamado” tem caráter profético, e não indica um título meramente nominativo à forma humana de Jesus.

 

“Hoje me tornei seu Pai”

        Alguns unicistas (ou trinitários com seus devaneios) argumentam que Deus se torna pai de Jesus com base no seguinte texto:

 

(Hebreus 1:5) “’Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai’? E novamente: ‘Eu me tornarei seu pai e ele se tornará meu filho’?”

 

        Essas palavras foram originalmente dirigidas a Davi e a Salomão, respectivamente no Salmo 2:7 e em 2 de Samuel 7:14 e se cumpriram mais plenamente em Jesus.

        O erro no argumento unicista é desconsiderar que esse texto analisa a filiação de Jesus de uma percepção nova. Paulo aplica essa passagem na questão da ressurreição de Jesus.

 

(Atos 13:33) “Deus a cumpriu plenamente para nós, os filhos, ressuscitando Jesus,como está escrito no segundo salmo: ‘Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai.”.
(Romanos 1:4) “[…] foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, por meio da ressurreição dentre os mortos.”

 

        Note que Paulo declara que Jesus foi “declarado Filho de Deus” nessa profecia porque foi ‘ressuscitado dentre os mortos’. Isso não quer dizer em nenhuma hipótese que Jesus não era filho de Deus antes de morrer.

        Mas qual é esta percepção nova sob a qual Jesus assume como “filho de Deus”? A imortalidade.

 

(Apocalipse 21:6, 7) “A todo aquele que tiver sede darei gratuitamente da fonte da água da vida. Todo aquele que vencer herdará estas coisas, e eu serei o seu Deus e ele será o meu filho.”

 

        Hoje, graças ao poder de Jeová, o Pai, Jesus não pode mais morrer. Ele é imortal.

        Vemos, então, claramente que se alguém alegar que Jesus somente foi “Filho de Deus” a partir de sua ressurreição, terá que negar todas as vezes que Jesus, antes de sua morte e ressurreição, disse:

 

(João 10:36) “Sou Filho de Deus.”

 

        O escritor de Hebreus também aplicou isso no mesmo contexto da ressurreição:

 

(Hebreus 5:5) “Do mesmo modo, o Cristo não glorificou a si mesmo fazendo-se sumo sacerdote, mas foi glorificado por Aquele que lhe disse: “Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai.”
 

        Portanto, fica claro que as declarações “Hoje me tornei teu Pai”, e “ele se tornará meu filho”, não são o começo da filiação de Jesus, mas o começo de uma nova perspectiva sob a qual Jesus é o Filho.

 

OS TRÊS ESTÁGIOS DE JESUS COMO FILHO DE DEUS

Na pré-existência humana

Durante a existência humana

No céu

João 3:16, 17:5, Gálatas 4:4

João 10:36, 14:28,

Apocalipse 2:18, 1 Coríntios 15:27,28

Ele já veio como Filho

Ele declarou ser Filho

Ele sempre será Filho

 

        Dessa forma, não há motivos para alegar que as palavras “hoje me tornei seu pai” estariam contradizendo as palavras de João 3:16. Apenas o contexto mostra que Deus se tornou pai de Jesus sob uma concepção diferente da anterior: Jesus agora é imortal e glorificado. As palavras de Hebreus 1:5 são uma garantia de que Jeová aprova Jesus, não uma exclusão de sua anterior filiação.

 

CONCLUSÃO

        Assim como eu não sou o mesmo ser que meu pai é, mas somos pessoas e seres distintos, embora sejamos ambos de natureza humana, Jesus, sendo o Filho de Jeová, é também de natureza divina, porém distinto tanto na pessoa quanto na essência (Ser). No entanto, visto que pai é quem dá a vida, e Filho é quem passa a existir a partir do desejo de um pai, Jesus é Filho de Deus porque nasceu de Deus, antes, durante, e depois de sua vinda à Terra. Esta última por meio de sua ressurreição.

        É isso que significa ser filho de alguém, é isso que significa Jesus ser Filho de Deus – ele nasceu de Deus.

FONTE: http://centraldadefesabiblica.org/2017/08/22/jesus-sempre-foi-filho-de-deus/

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Comentários

  • NADSON ARAÚJO  On 25 ago 2017 at 19:40

    EXCELENTE ARTIGO!

    Gostaria de agradecer profundamente o autor desta página por publicar e compartilhar essa preciosa verdade sobre a verdadeira natureza de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa matéria segue uma linha de raciocínio lógica, coerente e, sobretudo, amparada pelas Escrituras Sagradas.

    Queruvim, que Jeová Deus continue te abençoando com perspicácia, sabedoria e humildade.

    Att,

    NADSON ARAÚJO

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  • Felex  On 21 out 2017 at 16:03

    Muito obrigado pelo artigo!

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