“TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO: TEXTO CONFIÁVEL OU PROPAGANDA IDEOLÓGICA?” PARTE II


Esta é a continuação da primeira parte de uma crítica feita à Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, por um teólogo  chamado Damião Bonfim. Ele prossegue dizendo a respeito da TNM:

apesar de ter qualidades que a distingue das demais traduções, tem erros que a tornam extravagante

Esperamos que aponte algum erro “extravagante” para a nossa consideração!

Organização reproduz e divulga um texto de suposta alta perícia

Isto Sr. Damião, não é uma suposição. O Erudito S. Maclean Gilmour do Queen’s Theological College, Professor do N.T de 1931-1955, referiu-se a TNM como sendo uma tradução da Bíblia “feita por uma comissão… que possui uma competência incomum em Grego.” (O destaque é meu)

optamos por apresentar textos pouco discutidos, mas que pactuam melhor com o propósito deste trabalho que visa destacar a influência ideológica que preserva a TNM entre seus leitores como uma tradução confiável

Ou seja, o autor pretende comentar textos menos discutidos na TNM e apresentar evidência de que
estes possuem uma “influência ideológica” que contamina os fiéis. Veremos!

Promove a TNM a “Organização Jeovista”?

A Bíblia pura em seus idiomas originais promove a adoração de Jeová. Eva, a primeira mulher, disse logo após dar a luz Caim, que havia trazido ao mundo um filho “com a ajuda de Jeová”. Ela não disse “com a ajuda do SENHOR”. Contudo, tradutores da Bíblia omitem o Nome de Deus, numa clara tentativa de ‘influenciar ideologicamente’ as massas para que evitem usar o Nome de Deus.

Textos de aparente pouca relevância para a fé cristã, na doutrina jeovista, tornam-se poderosos recursos de convencimento do caráter indispensável da STV para a bem aventurança e a salvação do fiel. Citemos como amostra, Jo 17,3, traduzido na edição brasileira de 1986, da seguinte forma: “Isto significa vida eterna: que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro”. A rápida leitura pode não sugerir muita coisa. Mas uma leitura mais perspicaz ajuda a perceber que o sentido dessa afirmação em outras edições de Bíblia é diferente. Pois, para os adeptos da Organização, esse versículo justifica o empenho por conhecer profundamente a literatura produzida pela STV, já que, segundo a doutrina jeovista, é necessário obter conhecimento intelectual a respeito de Deus; mas somente a “Organização de Jeová” dispõe do conhecimento exato, que é alimento necessário à salvação.

Em primeiro lugar, qualquer afirmação de que a tradução de João 17:3 na TNM em sua edição de 1986, não é exatamente o que o original quer dizer,  é uma desinformação.

 

A palavra grega traduzida aqui por ‘absorver conhecimento’ ou “conhecer” é uma forma do verbo gi•nó•sko. E o modo como a Tradução do Novo Mundo verte esta palavra visa destacar ao máximo o seu significado. O sentido básico de gi•nó•sko é “conhecer”, mas essa palavra grega tem várias nuanças de sentido. Observe as seguintes definições:

GINŌSKŌ (γινώσκω) significa estar assimilando conhecimento, chegar a conhecer, reconhecer, entender ou entender completamente.” (Expository Dictionary of New Testament Words, de W. E. Vine)

Portanto, traduzir gi•nó•sko por ‘absorver conhecimento’ não é ‘mudar a Bíblia’, segundo dizem os que criticam a Tradução do Novo Mundo. Num estudo sobre as várias nuanças de sentido dessa palavra, o renomado lexicógrafo James Hope Moulton declara:

“O presente simples, γινώσκειν, é contínuo, ou seja, ‘estar absorvendo conhecimento’.”  A Grammar of New Testament Greek. (Veja este artigo)

Ainda que devamos reconhecer que traduzir também é ato de interpretar, é latente que no caso citado, pesa muito a doutrina jeovista adequando o texto às suas necessidades, procurando dar sentido ao verbo “conhecer” que não é o próprio do texto.

Em momento algum Jesus associa a salvação ou o alcance da vida eterna à absorção de conhecimento, mas sim, condiciona a bem-aventurança à busca da unidade para com Deus e seu Cristo (Jo 17,21).

Será? Vou repetir o acima Sr. Damião! O renomado lexicógrafo James Hope Moulton declara:

“O presente simples, γινώσκειν, é contínuo, ou seja, ‘estar absorvendo conhecimento’.” — A Grammar of New Testament Greek. 

Notamos então, que γινώσκειν não somente foi vertido de modo exato na TNM como também as versões que optaram por vertê-lo por “conhecer”, não estão apresentando o significado original preciso. A revisão de 2015 da TNM não segue uma linha de tradução literal, por isso optou por facilitar e resumir o entendimento.

A TNM simplesmente se preocupou em verter exatamente a ideia original presente no grego coiné. Temos um problema aqui. Ou o Sr. Damião e os que pensam igual a ele são contra a exatidão de tradução da palavra de Deus, ou o preconceito os cegou ao ponto de julgar negativamente um excelente trabalho só porque professam uma fé diferente. Sua avaliação não é técnica, mas teologicamente motivada. Na minha opinião, um desfavor ao trabalho acadêmico. Imparcialidade não está entre suas ferramentas de análise textual. As TJ não se empenham profundamente em conhecer literatura humana, mas o objeto de sua pesquisa é a Bíblia Sagrada. Portanto, sua acusação é enganosa e tem como objetivo dar uma impressão de que as TJ são manipuladas, quando o Sr. é quem promove a não busca de conhecimento, a ignorância.

“γινώσκω descreve um conhecimento adquirido através da experiência e, portanto, é o verbo grego correto para descrever um conhecimento íntimo, experiencial e crescente de Deus”. (Basic of Biblical Greek  por Bill Mounce)

Assim como em inglês nós empregamos o verbo no infinitivo “learn” que significa “aprender”, e o usamos no presente contínuo “learning” com o sentido de “estar aprendendo”, também em grego empregamos γινώσκωσιν no sentido de “estar absorvendo conhecimento”. Infelizmente a maioria dos léxicos não vertem esta palavra de modo exato. Teólogos estão empregando o entendimento de 100 anos atrás sobre o significado de palavras em grego. Hoje o conhecimento aumentou bastante, ficou mais refinado, mais exato. Ao invés de recorrer a argumentos filosóficos, as Testemunhas de Jeová notaram que Paulo enfatiza a importância de se pesquisar e estudar as escrituras.

Como cristãos, cremos que Deus deseja que “toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade”. (1 Tim. 2:3, 4) Paulo enfatizou isso ao escrever aos cristãos em Colossos:

“É também por essa razão que, … não paramos de orar por vocês e de pedir que fiquem cheios do conhecimento exato da vontade dele, com toda a sabedoria e compreensão espiritual,” Col. 1:9

  • Filipenses 1:9

    “E isto é o que continuo a pedir em oração: que o seu amor se torne cada vez mais abundante, com conhecimento exato+ e pleno discernimento;”

Como podemos obter “conhecimento exato” a não ser por estarmos  “assimilando conhecimento”? Paulo orava por isso! Estava Paulo pregando algum tipo de “gnosticismo”? Claro que não! Mas é justamente o que o Sr. Damião afirma dos que procuram entender que há uma necessidade de se absorver conhecimento!

Por meio do estudo das Escrituras, os cristãos em Colossos ‘ficariam cheios’ de conhecimento exato. Dessa forma, eles conseguiriam ‘andar de um modo digno de Jeová, a fim de lhe agradar plenamente’. Também conseguiriam “dar fruto”, ou ter bons resultados, em “toda boa obra”, especialmente ao pregar as boas novas. Vemos assim que, para servir bem a Jeová, precisamos seguir uma programação de estudo da Bíblia. Queremos que nossos estudantes da Bíblia entendam isso.

Conhecimento apenas intelectual como sugere críticos? 

A Sentinela de 2001 já abordou muito bem este assunto ao dizer:

“A expressão ‘absorver conhecimento’ tem um significado muito mais profundo do que apenas “conhecer”. Segundo Vine’s Expository Dictionary (Dicionário Expositivo, de Vine), essa expressão “indica um relacionamento entre a pessoa que conhece e o objeto conhecido; neste respeito, o que é conhecido é de valor ou de importância para quem o conhece e, é por isso que o relacionamento é estabelecido”. Tal relacionamento com alguém significa mais do que apenas conhecer a pessoa ou saber seu nome. Envolve também saber o que a pessoa gosta e o que não gosta, saber a que dá valor e quais as suas normas — e honrá-las. — 1 João 2:3;4:8.”

Portanto o Sr. Damião não deveria ter feito a seguinte acusação:

Quiçá por isso, a edição revisada da TNM, de 2015, adere à tradução comum, agora apresentando como sua opção de tradução para o texto ora discutido: “Isto significa vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro…”; contudo, mantém-se em nota de rodapé, como possível tradução para aquele versículo: ‘que assimilem conhecimento de ti’”, talvez como forma de não perder os diversos artigos que produziu defendendo que as traduções convencionais não exprimiam o melhor sentido do termo (esse mesmo que a partir da edição revisada em inglês (2013) e publicada no Brasil em 2015, reviu).

A Sentinela de 2001 Sr. Damião!  A TNM revisada em sua opção de tradução de João 17:3 não é uma reversão de entendimento, mas apenas uma facilitação dele. 

 

Sua afirmação de que há na TNM erros que a tornam extravagante mostraram ser até agora apenas acusações vazias. O fato de Paulo enfatizar a busca do “conhecimento exato” ou “pleno conhecimento” indica a necessidade de também se estudar a palavra de Deus. Não descartamos que há a necessidade de uma “intimidade com Deus” conforme o Sr. Damião infere de forma desonesta e preconcebida. Os links abaixo são a prova, entre muitos outros, que o Sr. Damião,  é um acusador falacioso de nossos irmãos. (Apoc. 12:10)

É mesmo possível ‘achegar-se a Deus’?

Cultive uma relação achegada com Jeová

O enganador ainda prossegue com seu artigo

Não se trata da simples obtenção de informação sobre esse algo ou alguém.

Parece que este pesquisador anti Testemunha de Jeová descuidado, não leu diversos artigos das Testemunhas de Jeová, inclusive a Sentinela de 2001! Eu dei uma olhada desde 1970 até 2010 há centenas de artigos na Biblioteca das Testemunhas de Jeová, que enfatizam a importância de se ter “intimidade com Deus” ou que falam especificamente sobre como podemos alcançar este tipo de relação achegada com Ele!

 VERSÃO  da Bíblia ou TRADUÇÃO de textos sagrados?

O autor acusa de forma sutil a TNM de ser uma “versão” e não uma “tradução”. Não é isso que muitos eruditos respeitados afirmam como vimos acima. Eu tenho estudado os idiomas da Bíblia a muitos anos, desde  1988 e não tenho dúvida de que isto é uma afirmação no mínimo equivocada da parte deste teólogo. A fim de tentar provar seu ponto, observamos que ele recorre astutamente a um dos mais enigmáticos textos em grego do Novo Testamento, a saber, Mateus 5:3 cuja tradução literal soa bastante estranha em muitos idiomas. Defendendo uma tradução Católica do texto ele diz:

O mesmo texto, na Nova Bíblia de Jerusalém, ed. 2002, é assim traduzido: “os pobres pelo espírito”, porque o sentido do texto não é o de elevação da pobreza espiritual, como se “ser pobre de espírito” fosse uma virtude. Pelo contrário, NÃO são felizes os pobres de espírito, mas os que assumem para si um espírito de pobreza, isto é, que não se apegam às riquezas da terra e, portanto, estão mais aptos a acolher as riquezas espirituais, ou a buscar os “tesouros dos céus” (Mt 6,20)

Antes de analisar a parte gramatical deste texto, ou seja, se o caso dativo, encontrado no texto grego desta passagem, se harmoniza melhor com a alternativa proposta na Nova Bíblia de Jerusalém, consideraremos a opinião dos editores da TNM, bem como diversos eruditos e comentaristas da mesma passagem

 

 

Citando o texto presente na TNM em sua edição revisada no Apêndice A1, lemos:

MATEUS 5:3

Literalmente: “pobres de espírito”

Ideia: “os que têm consciência de sua necessidade espiritual”

Em seu famoso Sermão do Monte, Jesus usou uma expressão que muitas vezes é traduzida como “bem-aventurados os pobres de espírito”. (Mateus 5:3, Almeida, revista e corrigida) Mas, em muitas línguas, a tradução literal dessa expressão não é muito clara. Em alguns casos, uma tradução muito literal poderia dar a entender que “os pobres de espírito” são pessoas mentalmente desequilibradas ou sem energia e determinação. No entanto, Jesus estava ensinando ali que a felicidade das pessoas não depende de elas satisfazerem suas necessidades físicas, mas de reconhecerem que precisam da orientação de Deus. (Lucas 6:20) Assim, traduções como “os que têm consciência de sua necessidade espiritual” ou “os que reconhecem que precisam de Deus” transmitem o significado dessa expressão de forma mais exata. — Mateus 5:3, Bíblia Fácil de Ler.

A edição jeovista afirma que a tradução idiomática desse texto é: “os que têm consciência de sua necessidade espiritual”. Já a TNM de 1986, o traduz como “os cônscios de sua necessidade espiritual” (“tradução correspondente à versão em inglês da TNM, constante da “KIT” e que pretende traduzir o texto grego (em letras cursivas), conforme a ed., 1985, p. 29”):

Será que são somente as Testemunhas de Jeová que optaram por entender Mateus 5:3 como se referindo aos “cônscios de sua necessidade espiritual”?

Schaff’s Popular Commentary on the New Testament #

“5: 3. Os pobres de espírito, não em corpo, nem ‘em mente. “O humilde, cônscios de suas necessidades espirituais e, assim, preparados para serem preenchidos com as riquezas do Evangelho. O discurso começa no início; senso de necessidade vem antes de bênçãos espirituais; o fruto da lei e o germe do Evangelho. Agora, para os judeus com suas esperanças não eram “pobres em espírito, daí a pertinência da introdução. O orgulho é sempre o primeiro e grande obstáculo para a obtenção de uma parte no reino.”

Observe como gregos nativos entendem a frase grega “ΟΙ ΠΤωΧΟΙ Τω ΠΝΕΥΜΑΤΙ” (os pobres de espírito)

“Μακάριοι οι πτωχοί τω πνεύματι”

από Νίκος » Δευτ Αύγ 06, 2012 5:49 pm

“Μακάριοι οι πτωχοί τω πνεύματι, ότι αυτών εστί η βασιλεία των ουρανών” (Ματθ. 5, 3)

Πολλές φορές προβληματίστηκα από την ερμηνεία αυτής της φράσης του Ευαγγελίου. Τι σημαίνει ακριβώς “οι πτωχοί τω πνεύματι” και γιατί ο Χριστός λέει ότι σ΄αυτούς μόνο ανήκει η Βασιλεία των Ουρανών;

Χτες άκουσα στο ραδιοφωνικό σταθμό της Εκκλησίας της Ελλάδος μια ομιλία του παπα-Γιώργη του Μεταλληνού στην οποία έδινε μια εξαιρετικά ενδιαφέρουσα και ακριβή (κατά την ταπεινή μου γνώμη) ερμηνεία της φράσης αυτής. Είπε, δηλαδή, ότι πτωχοί τω πνεύματι είναι εκείνοι που συναισθάνονται ότι υποφέρουν από έλλειψη Θείας Χάριτος (Πνεύματος) και στρέφονται στο Θεό αναζητώντας διαρκώς την κάλυψη της έλλειψης αυτής. Αυτοί, λοιπόν, που πλησιάζουν συνεχώς προς το Θεό σε αναζήτηση Χάριτος, αυτοί θα κερδίσουν τη Βασιλεία των Ουρανών.

“Bem-aventurados os pobres em espírito”

 por Nick »  06 de 2012 17:49

“Bem-aventurados os pobres em espírito, que a estes pertence o reino dos céus” (Mat. 5, 3)

Há confusão a respeito da interpretação desta frase do Evangelho. O que exatamente significa “pobres de espírito” e por que Jesus diz que a eles pertence o reino dos céus?

Ontem ouvi na estação de rádio da Igreja Grega um discurso de Metallinou do Papa George que deu uma interpretação muito interessante e precisa (na minha humilde opinião) a respeito desta frase. Ele disse, que os pobres de espírito são aqueles que se tornam conscientes de que eles sofrem com a falta de Graça Divina (Espírito) e se  voltam para Deus em busca continuamente para cobrir esta carência. Então, eles constantemente se aproximam em direção a Deus em busca da Graça, estes ganharão o reino dos céus.” # ( O negrito é meu)

O Comentário da Bíblia de Jamieson-Fausset-Brown concorda com estes nativos de língua grega, pois diz a respeito de Mateus 5:3:

“Mas aqui as palavras explicativas, “de espírito”, consertam o sentido a “aqueles que em sua consciência mais profunda se dão conta de toda a sua necessidade” (compare o grego de Lucas 10:21, João 11:33, 13:21, Atos 20:22 Ro. 12:11, 1Co 5: 3, Pil. 3: 3). Essa convicção auto-esvaziadora de que “diante de Deus estamos desprovidos de tudo” está no fundamento de toda excelência espiritual, de acordo com o ensinamento da Escritura. Sem ela, somos inacessíveis às riquezas de Cristo; Com ele estamos no estado apropriado para receber todos os suprimentos espirituais.  (Re 3:17, 18, Mt 9:12, 13).”

Há inúmeros comentários da Bíblia que tentam dar uma explicação a respeito desta passagem, que é literalmente vertida por “pobres de espírito” na vasta maioria das traduções da Bíblia.”

The Biblical Illustrator

“I. Por pobres em espírito se entende aqueles que foram convencidos de sua pobreza espiritual. Todos sem Cristo são miseráveis, cegos, nus, pobres. São sensíveis às suas necessidades; ”

 

Comentário de Adam Clarke em inglês diz: “Pobre de espírito – Aquele que é profundamente sensível à sua miséria e pobreza espiritual .”

Vincent’s Word Studies

Diz a respeito de Mat. 5:3

“…Denotando a completa miséria espiritual, cuja consciência precede a entrada no reino de Deus, e que não pode ser aliviada pelos próprios esforços, mas apenas pela livre misericórdia de Deus. (Ver em 2 Coríntios 6:10, e ver 2 Coríntios 8: 9).” (negrito é meu)

The FourFold Gospel

“O pobre de espírito é aquele que sente uma profunda miséria espiritual e compreende sua pequenez diante de Deus.”

 

Abbott´s Ilustrated New Testament

“Pobres de espírito são aqueles que são  …cônscios da ignorância”

John Trapp Complete Commentary

“Pobres de espírito: mendigos no espírito. Mendici spiritu.”

The Popular Commentary by Paul E. Kretzmann

“A referência de Jesus aqui não é primariamente à pobreza temporal, à miséria terrena, como em outras passagens do Novo Testamento, 1Co 1: 26-28; Tiago2: 5. Ele está falando dos pobres e miseráveis ​​”em espírito”, aqueles que se encolhem e se dobram com medo e temor, que estão tremulamente vivos aos desejos e necessidades de sua alma, que sentem em seu próprio coração, no que diz respeito às riquezas espirituais , Nada além de um grande vazio, um desespero de suas próprias habilidades, Mat. 11: 5-28; Isa_61: 1; Isa_62: 2; 5: 5. Como estes, conscientes, dolorosamente conscientes de suas deficiências morais, o Senhor chama de abençoado, feliz.” 

Thomas Coke Commentary on the Holy Bible

“A pobreza de espírito implica a falta, e consequentemente um procura habitual, e a dependência de Deus, para o suprimento, pela oração, pela fé e pela obediência…. os pobres de espírito, são as almas humildes, que, profundamente conscientes de sua ignorância e culpa, podem resignar-se silenciosamente aos ensinamentos divinos e acomodar-se às mais baixas circunstâncias que a Providência lhes designará…”

Justin Edwards’ Family Bible New Testament

“Pobres de espírito; os humildes, que sentem sua dependência de Deus em todas as coisas, temporais e espirituais, e olham para ele para o fornecimento de todas necessidades; mais especialmente aqueles que sentem sua necessidade, como pecadores, de bênçãos espirituais, e olham para Jesus Cristo para concedê-las.”

Peter Pett’s Commentary on the Bible #

“Esta palavra ‘pobre’, basicamente, indica o destituído. Mas no Antigo Testamento refere-se regularmente ao piedoso que reconhece as suas próprias necessidades espirituais desesperadas.”

Portanto depois de avaliarmos diversos comentários da Bíblia a respeito de Mateus 5:3, notamos que muitos eruditos concordam com a forma de tradução encontrada na TNM.

É raro a TNM em sua edição de 1986 em português, apresentar uma tradução não literal de textos bíblicos.

Mas tinha que aparecer um engraçadinho para tentar enganar os leitores por meio de suas colocações e fazê-los crer que a TNM se distancia do texto original em todo o seu trabalho de tradução! É a famosa falácia da composição, onde ele apresenta uma parte para tentar de forma desonesta convencer outros de que o restante segue o mesmo padrão!

Mas será que mesmo tentando dar esta impressão, (que deduzimos a partir do título onde acusa a TNM de não ser uma “tradução” e sim “versão”), estaria ele correto em sua abordagem gramatical de Mateus 5:3? Observe o que ele afirma:

Observe que a expressão grega tô pneúmati é traduzida literalmente por “to the spirit” (para o espírito), precedido da partícula “as”, transmitindo a ideia de “quanto ao espírito”. Logo, a tradução literal para o inglês proposta é: “pobres para o espírito”. Mas o texto à esquerda, da The New World Translation (versão em inglês da TNM) apresenta o texto como “cônscios de suas necessidades espirituais” – como se estivesse interpretando a expressão obscura e contestável “pobres de espírito”, não o texto grego mesmo. 

A TNM não fez uma “interpretação” da frase “pobres de espírito” vertida por outros. É muita ingenuidade Sr. Damião, achar que as Testemunhas de Jeová, com uma comissão de muitas dezenas de pessoas, que foram usadas para traduzir a Bíblia, iria copiar uma tradução feita por evangélicos ou outros.

a versão proposta pela TNM é uma tentativa de melhorar uma tradução convencional imprecisa,

Colega para de preconceito! Nós temos a fama de não pular casa ao pregar. Por que então faríamos uma tradução plagiada, apressada e desleixada de textos da palavra de Deus?

É apenas uma Tradução de equivalência dinâmica. Equivalência dinâmica é uma abordagem à tradução. Também conhecida como equivalência funcional, tenta transmitir o pensamento, expressado em um texto fonte (se necessário, ao custo da literalidade, original ordem das palavras, etc),  representa ênfase, respectivamente, na leitura e fidelidade para com o texto original.  Interessante que o autor chama a opção de tradução “pobres de espírito”, de obscura e contestável. Concordamos com isso! A maioria das versões fazem uma trapalhada ao traduzir este verso.

Na verdade, se a tradução exata fosse essa, [ pobres DE espírito, no genitivo] no grego deveria constar hoi ptochoì toû pneumatós (os pobres DE espírito). Já que o caso genitivo “normalmente limita a qualidade do SUBSTANTIVO sobre seu tipo, classe ou categoria, normalmente denotando possessão, fonte ou conceitos transmitidos pela preposição [portuguesa] DE…” (DICIONÁRIO GRAMATICAL DO GREGO DO NOVO TESTAMENTO, p. 84).

Realmente concordamos que não há um caso genitivo, exemplo οἱ πτωχοί τοῦ κόσμου (partitivo genitivo), “os pobres do mundo”, o que desabona ainda mais a tradução feita na versão Almeida !

Ocorre que, no texto grego consta: hoi ptochoì tô pneúmati (os pobres em/ pelo espírito), caso dativo “…normalmente usado para OBJETO INDIRETO, designando a pessoa ou coisa para a qual algo é dado ou para quem algo existe ou é feito…” (DICIONÁRIO GRAMATICAL DO GREGO DO NOVO TESTAMENTO, p. 57).

A Comissão de Tradução da TNM levou em consideração diversas fontes antigas inclusive em latim e aramaico a fim de tentar encontrar o sentido desta expressão aparentemente contestável. A forma dativa do texto realmente sugere algo como “pobres quanto ao espírito”.

Paulo em Romanos 6:11 diz:

οὕτως καὶ ὑμεῖς λογίζεσθε ἑαυτοὺς εἶναι νεκροὺς μὲν τῇ ἁμαρτίᾳ ζῶντας δὲ τῷ Θεῷ ἐν Χριστῷ Ἰησοῦ.

Assim também vocês, considerem-se mortos com relação ao pecado, mas vivos com relação a Deus, por meio de Cristo Jesus.

Neste texto temos o caso dativo onde dois substantivos precedem ao dativo em grego. Na tradução proposta pelo Sr. Damião, hoi ptochoì tô pneúmati (os pobres em/ pelo espírito), emprega-se uma forma preposicional ou um dativo locativo como opção de tradução. Sendo assim, pergunto: Há no caso de Mateus 5:3 um dativo de vantagem/commodi ou um dativo de referência? A forma como se interpreta o dativo, quer seja um dativo de esfera ou dativo de referência ou outro, muda totalmente o sentido da frase ou pode terná-la sem sentido algum! Para mim é claro que temos um dativo de referência em mateus 5:3. “Pobres quanto ao/com referência ao espírito”.  Se entendermos que o adjetivo ptochoì como significando “necessitado” ou “mendigo”, “pedinte”, o entendimento muda bastante!

STRONGS NT 4434: πτωχός

“Com o dativo de referência τῷ πνεύματι, no que se refere ao espírito… alguns tornam a ideia mais íntima e ética “cônscios de sua necessidade espiritual, Mat. 5:3; Compare com a Epístola de Barnabás 19 [ET] ἔσῃ ἁπλοῦς τῇ καρδία καί πλούσιος τῷ  πνεύματι “serás simples de coração e rico quanto ao[ou no que se refere ao] espírito”

Neste texto grego antigo do 2º século , temos um adjetivo+artigo no dativo+substantivo, uma construção gramatical similar. 

John Trapp Complete Commentary

“Pobres de espírito: mendigos no espírito. Mendici spiritu.”

O mesmo texto, na Nova Bíblia de Jerusalém, ed. 2002, é assim traduzido: “os pobres pelo espírito”, porque o sentido do texto não é o de elevação da pobreza espiritual

Criticar as opções de tradução comumente vistas “pobres  de espírito” e optar por ““os pobres pelo espírito”, como na NBJ  não mudou nada!  Como assim “pobres pelo espírito”? Os leitores católicos vão entender que o Espírito Santo os torna pobres? Ou um espírito de falecido os empobrece?

As Testemunhas de Jeová entenderam que “pobre” tem o sentido de “carente”, necessitado”, que cai muito bem dentro da gama aceitável de significação de πτωχός.

Portanto a ideia “carente quanto ao espírito” é bem literal e pode ser vertida sem problemas por “cônscios de sua necessidade espiritual”. Que seria uma tradução de equivalência dinâmica. Como vimos alguns comentários  de eruditos apoiam esta opção.

Assim, a tradução de Mt 5,3 na TNM, parece ser …sem a devida atenção ao que consta do texto grego em The New Testament in Original Greek, obra que os anônimos tradutores alegam ser o texto-base da versão em inglês constante da TNM.

Diria então que os autores dos referidos comentários da Bíblia acima, não deram a “devida atenção ao que consta no texto grego”?

Observe o que comenta os pesquisadores do Texto Copta referente a esta passagem:

3 ϪⲈ ⲚⲀⲒⲀⲦⲞⲨ ⲚⲚϨⲎⲔⲈ ϨⲘ ⲠⲈⲠⲚⲈⲨⲘⲀ ϪⲈ ⲦⲰⲞⲨ ⲦⲈ ⲦⲘⲚⲦⲢⲢⲞ ⲚⲘⲠⲎⲨⲈ.

Os “pobres” ou “necessitados” na Bíblia representam aqueles que sabem muito pouco sobre coisas espirituais, mas querem aprender. “Espírito” representa nossa mente quando estamos recebendo idéias verdadeiras do Senhor.”

 

Tradução do Novo Mundo Texto Confiável ou

Propagando Ideológica PARTE I

Decidi escrever uma terceira parte deste artigo em Defesa da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada. 

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Comentários

  • Marcos  On 17 abr 2017 at 23:42

    Meu querido e amado irmão, acho louvável sua iniciativa de defender a verdade, mas esses opositores não merecem um clique sequer de nossos teclados. É perda de tempo falar com pessoas tendenciosas e extremamente desprovidas de bom senso e de até amor ao próximo, por tentar desvirtuar os sinceros que querem aprender a verdade. Jeova fará sua parte de atrair ao seu filho aqueles que são realmente sinceros e imparciais na busca de informação de peso e de qualidade.

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  • Cansanção Urtiga  On 18 abr 2017 at 0:22

    Esses teólogos e líderes da cristandade… rs
    Se preocupam tanto com as TJs !

    Têm medo que a fonte ($$$$$$$$) venha a secar ! rarara
    Essa é a verdadeira preocupação deles.
    E quanto mais combater as TJs, melhor.

    Mas, devido ao orgulho, amor ao money e outras coisitas mais, não se apercebem que essa, NÃO É uma “obra de homens”.
    Pois se fosse, já havia sido derrubada há muito !

    Nem ao menos dão atenção ao que está escrito em Atos 5 : 32 – 39 :

    … 38 Por isso, diante das circunstâncias, digo-lhes: Não se metam com esses homens; deixem-nos em paz. Porque, se esse plano ou essa obra for de homens, será derrubada; 39 mas, se for de Deus, vocês não poderão derrubá-los.+ Senão, pode ser que vocês estejam até mesmo lutando contra o próprio Deus.”

    Deviam aprender com Gamaliel, outrora fariseu.

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  • ARAÚJO  On 19 abr 2017 at 0:10

    Esses Antagonistas falam de boca cheia contra as Testemunhas de Jeová. Eles professam ser Cristãos e verdadeiros seguidores de Jesus Cristo. Orgulham-se de seus títulos seculares acadêmicos e de suas Faculdades de Teologia. Entretanto, já sabemos que de Cristãos eles não têm absolutamente NADA. São, na verdade, apenas defensores de doutrinas antibíblicas, as quais são ensinadas e propagadas em seus Cultos Religiosos. Falam tanto de Jesus Cristo, no entanto, NÃO ESTÃO NEM UM POUCO OCUPADOS EM PREGAR AS BOAS NOVAS DO REINO, assim como Cristo pregou e ordenou aos seus VERDADEIROS seguidores. O Povo de Jeová realiza esta obra com amor e senso de urgência. E isso ninguém pode negar.

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  • KL  On 19 abr 2017 at 15:45

    O texto copta no N.T cita o nome de Deus?Queruvim

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  • A Serviço do Reino  On 19 abr 2017 at 18:42

    Quando Damião fez o texto, eu o refutei nas principais argumentações, mas infelizmente, os comentários foram apagados. Mas estou feliz demais por mais essa tua defesa. Ficou ótima.

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  • Queruvim  On 19 abr 2017 at 20:52

    O Nome de Deus não aparece no texto COPTA, ocorre porém muitas vezes em textos coptas mágicos e no papiro Pistis Sofia.

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  • KL  On 20 abr 2017 at 14:03

    Muito obrigado!

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  • KL  On 20 abr 2017 at 14:12

    Queruvim você disse que aparece muitas vezes nesses papiros mágicos mas qual é mais comum na forma ιαω (IAO ) ,Ιεηωουα(Jehova/Iehoua) ou ainda na forma ιεωα[ Jeva {que aparentemente parece ser um forma breve de Ιεηωουα}]?

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  • Queruvim  On 20 abr 2017 at 14:22

    Aparece de diversas formas.

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  • Caique  On 20 abr 2017 at 14:42

    Desculpe minha ignorância, mas o que são esses textos coptas mágicos e esse Papiro?

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  • Saga  On 24 abr 2017 at 19:06

    Parte 2 do senhor Damião um mimimi em cima de Mateus 5:3 onde critica a Almeida e defende uma tradução praticamente igual

    Pobre De Espírito x Pobre Pelo Espírito

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  • Edrych misteriosa  On 17 ago 2017 at 9:14

    Papiros mágicos? COMO assim?
    irmão Queruvim

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