Isaac Newton e seus estudos sobre a Trindade


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Isaac Newton considerado por muitos como o maior cientista que já viveu, foi um profundo pesquisador de Teologia e da Bíblia Sagrada. Chegou a colecionar vários manuscritos antigos até mesmo de partes de livros como Revelação ou Apocalipse. Ele citava de modo prolixo diversos dos principais “Pais da Igreja”.

Newton era esperto! Nunca discutia seu entendimento sobre a trindade publicamente, pois teria sido morto pelos católicos ou protestantes. Suas anotações sobre o assunto só foram encontradas depois de sua morte.  Newton sentia que a doutrina da consubstancialidade entre o Pai e o Filho era um conceito metafísico emprestado da filosofia grega, sendo que até mesmo perguntou: ” Será que Cristo enviou seus apóstolos para pregar metafísica ao povo sem maior instrução, suas esposas e crianças?” Citou ainda que os dois principais textos usados pelos trinitários para “provar a trindade” eram falsificações do texto da Bíblia Sagrada. Quais textos eram estes? 1 Timóteo 3:16 e 1 João 5:7.  Ao clicar neste links verá que esta página tem alertado a respeito das adulterações feitas nestes textos por pastores e teólogos tanto católicos quanto “evangélicos”. Newton rejeitava também a doutrina da imortalidade da alma. #  ( Wood (2004), Science and dissent in England, 1688–1945, p. 50.)

John Byl, em seu artigo “Newton e a Trindade”, pinta um quadro claro de que Newton não era trinitário.

Em suas anotações  particulares, algumas das quais não foram examinadas completamente até meados do século 20, Newton comprometeu-se num esforço significativo em criticar as doutrinas trinitárias da Igreja. Byl escreve:

“Em uma de suas anotações fica claro que, já no início dos anos 1670, Newton ficou bastante absorto na doutrina da Trindade. Sobre este tema  estudou extensivamente não só a Bíblia, mas também muitos dos “Pais da Igreja”. Rastreou a doutrina da trindade desde Atanásio (298-373); Ele se convenceu de que, antes de Atanásio, a Igreja não tinha nenhuma doutrina trinitária. No início do 4º século , Atanásio se opôs a Arius (256-336), que afirmou que Deus o Pai tinha primazia sobre Cristo. Em 325, o Concílio de Niceia condenou como heréticas as opiniões de Arius. Assim, de acordo com a visão de  Newton, Atanásio triunfou sobre Arius em impor a falsa doutrina da trindade sobre o cristianismo. Newton afirmou ainda que, para apoiar o trinitarianismo, a Igreja deliberadamente corrompeu a Bíblia, modificando textos cruciais.

Por exemplo, Newton afirmou que as palavras bem conhecidas de I João 5: 7 (“há três que dão testemunho no céu, o pai, a Palavra e o Espírito Santo: e estes três são um”) não estavam no original na Bíblia anterior ao 4º século (Newton, ao que parece, não era um homem apenas da versão Rei Jaime). Newton escreve que “os Padres … preferiram abandonar as Escrituras do que não condenar Arius”. Pouco tempo depois, a corrupção universal do cristianismo seguiu a corrupção central da doutrina: no 4º século o trinitarianismo contaminou todos os elementos do cristianismo. O anti-trinitarismo de Newton também é evidente em sua interpretação do Apocalipse. De acordo com Newton, o sétimo selo começou no ano 380, quando o trinitarianismo foi oficialmente ratificado no Conselho de Constantinopla. A grande apostasia não era o romanismo, mas o trinitarianismo, “a falsa religião infernal”, para citar as próprias palavras de Newton.”

Em 1936, John Maynard Keynes obteve uma quantidade significativa dos escritos não publicados de Newton. Ele destacou 12 pontos principais defendidos por Newton.

Em suas anotações Newton fez as seguintes 12 observações sobre a trindade, deixando em branco sua 13º anotação:

1- A palavra “Deus” não é empregada em nenhuma parte das escrituras para significar mais do que uma das três pessoas ao mesmo tempo.

2- A palavra “Deus” de forma alguma restrita ao Filho ou Espírito Santo significa sempre o Pai de uma ponta a outra das Escrituras.

3- Sempre que é dito nas escrituras que há apenas um Deus, isto quer dizer o Pai.

4- Enquanto alguns hereges tomaram Cristo como um mero homem e outros como sendo o Deus Supremo, São João no seu Evangelho se esforçou em declarar  sua natureza de modo que os homens pudessem ter a partir daí uma apreensão correta dele e evitar tais heresias e com este objetivo o chama de A Palavra ou o Logos: devemos supor que ele intencionou usar tal termo no sentido empregado no mundo antes de usa-lo, quando de forma semelhante aplicava-se a um ser inteligente. Pois, se os Apóstolos não tivessem usado as palavras como as encontraram, como poderiam esperar ser corretamente compreendidos? Ora, o termo Logos nos escritos de São João, era geralmente usado no sentido dos platônistas, quando aplicado a um ser inteligente e os arianos entendiam no mesmo sentido, e portanto, o deles é o verdadeiro sentido de São João.

5- O Filho em vários lugares confessa sua dependência da vontade do Pai.

6- O Filho confessa o Pai maior, então o chama de seu Deus, etc.

7- O Filho reconhece a presciência original de todas as coisas futuras de estar somente no Pai.

8- Não há menção de uma alma humana em nosso Salvador além da palavra, pela meditação pela qual a palavra deveria ser encarnada. Mas a própria palavra foi feita carne e tomou sobre si a forma de um servo.

9- Foi o filho de Deus que Ele enviou ao mundo e não uma alma humana que sofreu por nós. Se houvesse tal alma humana em nosso Salvador, teria sido uma coisa de grande importância completamente omitida pelos Apóstolos.

10- É um epíteto apropriado do Pai ser chamado Todo Poderoso. Porque por Deus Todo Poderoso sempre entendemos o Pai. Contudo, isto não é  limitar o poder do Filho. Pois ele faz tudo o que vê o Pai fazer; Pois reconhecer que todo poder está originalmente no Pai e que o Filho tem poder nele, mas  que ele deriva do Pai, porque ele professa que de si mesmo não pode fazer nada.

11- O Filho em todas as coisas submete sua vontade à vontade do Pai, o que seria irracional se ele fosse igual ao Pai.

12- A união entre ele e o Pai,  ele interpreta como sendo igual à dos santos uns com os outros. Que é uma concordância de vontade e conselho.

13- 

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