Epístola de Barnabé- É realmente parte das Escrituras canônicas inspirada por Deus?


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A Epístola de Barnabé (em grego: Επιστολή Βαρνάβα) escrita entre 70 e 130 E.C, contém vinte e um capítulos, preservadas inteiramente no Codex Sinaiticus, do 4º século E.C, onde ela aparece no final do chamado Novo Testamento. Aparece também no Codex Claromontanus do 4º século E.C

Não deve ser confundida com o Evangelho de Barnabé.

Há muitas inexatidões na Epístola ao se considerar observâncias da lei Mosaica, além de fracas interpretações das Escrituras.

A própria evidência interna desta carta aponta fortemente contra a opinião de alguns de que tenha sido escrita por Barnabé.  Não é mencionada até o tempo de Clemente de Alexandria. E é citada por Eusébio como parte dos livros “espúrios” muito conhecidos e lidos pela igreja da época, contudo, nunca considerados como autoritativos. Jerônimo do 4º Século E.C, fala da Epístola como sendo “de valor para a edificação da Igreja”, mas afirma que ela era “reconhecida como estando entre os escritos apócrifos”. O Patriarca de Jerusalém do 9º Século a considera como estando entre os escritos antilegomena ou “disputados”.  Ao lermos a carta de Paulo ao Gálatas no capítulo 2 onde ele fala de Barnabé, fica claro que este era um judeu outrora muito devoto. O que coloca em dúvidas qualquer afirmação de que ele tenha escrito uma Epístola tão crítica dos judeus e cheia de inexatidões. Não se harmoniza com as cartas de Paulo nem com Atos dos Apóstolos. Afirma que o pacto ou velha aliança  nunca foi destinado aos judeus, mas somente aos cristãos. O que não é exatamente o que Paulo diz em suas cartas. E demonstra que não é um livro inspirado por Deus, quando afirma que o antigo pacto jamais foi feito visando o povo judeu.  Resta pouca dúvida a respeito de sua canonicidade após se fazer uma avaliação de sua fraca evidência externa.  Em seu capítulo 16 a Epístola fala sobre a destruição de Jerusalém que ocorreu no ano 70 E.C, o que indica que foi escrita depois desta data. O Teólogo Hilgenfeld (Foto), que dedicou a esta Epístola muitos anos de pesquisa,  afirma:  adolf_hilgenfeld_-_zfwt_50

“Foi escrita no final do primeiro século por um cristão gentil da Escola de Alexandria que visava combater uma forma judaica de cristianismo  e resguardar aqueles que eram da mesma classe que ele .”

Por não fazer parte do cânon, Eusébio e Jerônimo não a considerou como parte do das Escrituras Sagradas. Orígenes a chama de “Epístola Católica”. (Cont. Cels, i. 63) Eusébio, o primeiro grande historiador da Igreja, relatou objeções a Epístola de Barnabé e esta acabou desaparecendo do apêndice do Novo Testamento. ( Site com a Epístola)

 

Clemente, considerava esta Epístola como canônica. Mas  sua opinião sobre canonicidade parece claramente não ter força. Por exemplo, ele se referiu ao mito da fênix como prova da ressurreição! A fênix, uma ave lendária que supostamente renasceu das próprias cinzas, estava relacionada à adoração do Sol na mitologia egípcia.
A Epístola de Barnabé interpreta a Lei mosaica como mera representação simbólica e os animais limpos — ruminantes de casco partido (fendido) — representa, segundo o autor desta Epístola, as pessoas que meditavam sobre a Palavra de Deus ou a “ruminavam”. O escritor dizia que o casco partido simbolizava o justo, que “anda neste mundo” e ao mesmo tempo anseia a vida no céu. Essas interpretações não se baseiam nas Escrituras. — Levítico 11:1-3.

 

A epístola é caracterizada pelo uso exagerado de alegoria, uma  interpretação que consiste em representar os escritos da Lei Mosaica sob forma figurada. Não contente em considerar a história e a Lei dos judeus como contendo tipos que se cumpre no cristianismo, ele elimina completamente o caráter histórico transitório do judaísmo. De acordo com muitos estudiosos ele ensina que nunca foi pretendido que os preceitos da Lei deveriam ser observados em seu sentido literal, que os judeus nunca tiveram uma aliança com Deus, que a circuncisão era a obra do Diabo, etc .; Apresenta um ponto de vista diferente de todos os outros escritores em sua visão crítica do judaísmo. Pode-se dizer mais exatamente que ele condena o exercício do culto pelos judeus na sua totalidade, porque em sua opinião, os judeus não sabiam como se elevar ao significado espiritual e típico que Deus tinha em vista ao lhes dar a Lei . 

A verdadeira prova de canonicidade de um livro ou carta não consiste em quantas vezes ou por que escritores não-apostólicos certo livro é citado. Sobre o cânon, lemos na Obra Estudo Perspicaz das Escrituras:

O conteúdo do próprio livro tem de dar evidência de ser produto do espírito santo. Por conseguinte, não pode conter superstições ou demonismo, nem pode incentivar à adoração de criaturas. Tem de estar em total harmonia e completa unidade com o restante da Bíblia, apoiando assim a autoria de Jeová Deus.

Para maior informação sugiro que leia e medite no seguinte artigo:

Confirmação antiga do cânon bíblico

Também sobre os apócrifos a página JW.ORG comenta:

“Comentando esses escritos apócrifos pós-apostólicos, The Interpreter’s Dictionary of the Bible (Dicionário Bíblico do Intérprete, Vol. 1, p. 166) declara: “Muitos deles são triviais, alguns são altamente teatrais, alguns são desagradáveis, até mesmo repulsivos.” (Editado por G. A. Buttrick, 1962) Funk and Wagnalls New Standard Bible Dictionary (Novo Dicionário Bíblico Padrão de Funk e Wagnalls, 1936, p. 56) comenta: “Eles têm sido a fonte frutífera de lendas sagradas e de tradições eclesiásticas. É para esses livros que temos de nos voltar para obter a origem de alguns dos dogmas da Igreja Católica Romana.”

Assim como os anteriores escritos apócrifos foram excluídos das Escrituras Hebraicas pré-cristãs aceitas, assim também esses posteriores escritos apócrifos não foram aceitos como inspirados, nem foram incluídos como canônicos nas primeiras coleções ou catálogos das Escrituras Gregas Cristãs. — Veja CÂNON.”

 

O objetivo do próprio Deus em preparar as Escrituras Sagradas, e a afirmação inspirada de que “a declaração de Jeová permanece para sempre”, garantem-nos que Jeová Deus preservou a integridade interna das Escrituras no decorrer dos séculos. — 1Pe 1:25.

 

Quem selecionou o cânon?

O que é o Fragmento Muratoriano?

É parte de um manuscrito em latim. O texto foi produzido originalmente em grego, por volta do fim do segundo século EC. Ele contém o mais antigo e respeitado cânon (lista autêntica) dos livros das Escrituras Gregas Cristãs, e também comentários sobre esses livros e seus escritores. —W 2006  15/2, páginas 13-14.

THE EPISTLE OF BARNABAS:
ITS QUOTATIONS AND THEIR SOURCES

by Robert Alan Kraft

PhD Thesis (Harvard University) April 1961 ( Artigo em Inglês)

Leia Também

THE EPISTLE OF BARNABAS. em Inglês

Epistle of Barnabas segundo a New World Encyclopedia 

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Comentários

  • KL  On 25 de dezembro de 2016 at 22:46

    Eu admiro muito a sua prontidão e disposição de responder a todos mesmo os mais ásperos .Alguém nessa página fez essa pegunta(título ) e você logo a respondeu muito obrigado!

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  • NOÉ  On 9 de janeiro de 2017 at 11:19

    SERIA MUITO INTERESSANTE SE O QUERUVIM FIZESSE UM ARTIGO FALANDO SOBRE SE O LIVRO DE ENOQUE TEM INFORMAÇÃO CONFIÁVEL, VISTO QUE ESTE É UM LIVRO CITADO NA BÍBLIA NO ASSUNTO DOS ANJOS QUE ABANDONARAM O CÉU E SE CASARAM COM MULHERES NOS DIAS DE NOÉ. SE JEOVÁ INSPIROU A CITAÇÃO DESSA PARTE DO LIVRO DE ENOQUE É PORQUE A INFORMAÇÃO PROCEDE. PORTANTO UMA MATÉRIA ABORDANDO O TRATAMENTO QUE ESTE LIVRO RECEBEU DURANTE A HISTÓRIA SERIA INTERESSANTE.

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