Que Versão da Septuaginta devo usar?


lxx

 

 

Por Queruvim

Escrevi este artigo em resposta a diversas indagações a respeito da melhor edição crítica da Septuaginta (LXX ou  \mathfrak{G}  )

Um respeitado erudito bíblico alemão, Alfred Rahlfs juntamente com outros dois eruditos, Robert Holmes e James Parsons (Oxford, 1798–1827) consolidaram uma lista proposta de manuscritos da LXX.( Septuaginta -Studien)

Foram classificados mais de 2000 manuscritos bem como fragmentos. +  De fato, sobreviveram apenas raros manuscritos de traduções da Torá para o Grego Coiné produzidos pelos Rabinos judeus. #

A criação e divulgação de um texto crítico da Septuaginta  é um assunto de preocupação básica na erudição moderna. As duas maiores edições do texto da LXX apreciadas desde o início do século XX são A Septuaginta de Cambridge e A Septuaginta de Göttingen, cada uma com uma “edição menor” (editio minor) e uma “edição maior”  (editio maior).  Ambas coletam e organizam evidência textual apesar de diferirem não de forma teorética, mas na abordagem.

A Septuaginta de Cambridge

A Septuaginta de Cambridge consiste no texto de  H. B. Swete, ( O Velho Testamento em Grego) The Old Testament in Greek (1909-1922) e a chamada  “Septuaginta maior de Cambridge ” por A. E. Brooke, N. McLean, ( e H. St. John Thackeray) (1906-).  O projeto parou por volta de 1940. O texto de Cambridge é conhecido como um texto “diplomático” , edição que se centralizava em um texto tido como “o melhor”, diferente do texto de Göttingen, que é chamado “crítico”.

A Septuaginta de Göttingen

Consiste no primoroso trabalho intitulado Alfred Rahlfs’s Handausgabe (1935) e a “Septuaginta Maior de Göttingen” (1931-). Muito embora a edição de Rahlfs (editio minor) possa ser chamada de uma edição semi-crítica, A Septuaginta de Göttingen (editio maior) apresenta um texto crítico completo, sendo que este projeto ainda está em andamento. Baseia-se numa coleção de textos mais antigos possíveis, que porventura venham a ser recuperados. Nesta edição há uma restauração de forma cuidadosa, livro por livro, ou seção por seção, visando reconstruir o texto mais perto possível dos autógrafos ou originais.

As duas edições acima mencionadas se propuseram a apresentar dois aparatus textuais, um que buscava a correta evidência textual e o outro a evidência proveniente da Hexapla, nas traduções ou revisões de textos de Teodósio, Áquila e Símaco. Para quem não sabe estes três traduziram as Escrituras Hebraicas ou “Velho Testamento” para o Grego. Todos viveram no 2º século e tiveram seus textos reconhecidos principalmente devido à influência da Hexapla de Orígenes.

 

Para entender a história da produção impressa da Septuaginta, sugerimos que leia ou pesquise sobre:

A Poliglota Complutense **

A Septuaginta de Aldo Manúcio ( inventor do itálico) produzida em 1518 ##

A Vulgata Sixtina  (Vgs usada na TNM)

A edição de Grabe,  publicada em Oxford de 1707 a 1720

A Septuaginta de Alfred Rahlfs publicada em 1935. Baseou-se principalmente nos textos do Códice Vaticano (“Codex Vaticanus“, 4º século E.C) o Alexandrino (“Codex Alexandrinus“, 5 ºséculo E.C, que está no Museu Britânico, em Londres) e o Sinaítico (“Codex Sinaiticus“, também do 4º século E.C.)

A Septuaginta de Göttingen +

A Revisão da Septuaginta de Alfred Rahlfs publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. ***

Bíblia Apostólica Poliglota + (vídeo ) 

 

Sendo assim, de posse das informações elementares apresentadas neste curto artigo, fica mais fácil para o estudioso dos idiomas da Bíblia saber por onde começar em sua pesquisa textual. Poderá nortear seus estudos sabendo de antemão que tipo de edição melhor se aproxima da mais antiga versão grega das escrituras hebraico-aramaicas.

A “Septuaginta” — útil no passado e no presente

Edição Crítica à venda

Possuímos o cânon das Escrituras “graças à Igreja Católica”?

 

 

Edições Críticas Recomendadas:

Antes de tudo fica uma dica para quem quer fazer  pesquisa da Bíblia em Grego Moderno

Βιβλία της Αγίας Γραφής

 

I. Septuaginta. Vetus Testamentum Graecum Auctoritate Academiae Scientiarum Gottingensis editum, Göttingen, 1931- , 20 vol.:

Genesis (1974, J. W. Wevers)

Exodus (1991, J. W. Wevers, adiuvante U. Quast)

Leviticus (1986, J. W. Wevers, adiuvante U. Quast)

Numbers [Numeri] (1982, J. W. Wevers, adiuvante U. Quast)

Deuteronomy [Deuteronomium] (1977, J. W. Wevers, adiuvante U. Quast)

1 Ezra [Esdrae Liber I] (1974, R. Hanhart)

Ezra – Nehemiah [Esdrae Liber II] (1990, R. Hanhart)

Esther (1966, R. Hanhart)

Iudith [Iudith] (1979, R. Hanhart)

Tobit (1983, R. Hanhart)

1 Maccabees [Maccabaeorum Liber I] (1936, 19672 W. Kappler)

2 Maccabees [Maccabaeorum Liber II] (1959, 19762, W. Kappler, R. Hanhart)

3 Maccabees [Maccabaeorum Liber III] (1960, 19802, R. Hanhart)

Psalms and Odes [Psalmi cum Odis] (1931, 19793, A. Rahlfs)

Job [Iob] (1982, J. Ziegler)

Wisdom of Solomon [Sapientia Salomonis] (1962, 19802, J. Ziegler)

Sirach [Sapientia Iesu Filii Sirach] (1965, 19802, J. Ziegler)

Minor Prophets [Duodecim Prophetae] (1943, 19672, J. Ziegler)

Isaiah [Isaias] (1939, 19672, J. Ziegler)

Jeremiah, Baruch, Lamentations, Epistle of Jeremiah [Ieremias-Baruch-Threni-Epistula Ieremiae] (1957, 19762, J. Ziegler)

Ezekiel (1952, J. Ziegler, 19782, J. Ziegler, suppl. D. Fraenkel)

Susanna, Daniel, Bel and the Dragon [Susanna-Daniel-Bel et Draco] (1954, J. Ziegler, 19992, O. Munnich).

Subsequent volumes as they appear.

II. Septuaginta, id est Vetus Testamentum Graece iuxta LXX interpretes, A. Rahlfs, Stuttgart, 1935, 2 vol.:

Joshua [Iosue] (see also below)

Judges [Iudicum]

Ruth

1-2 Samuel or 1-2 Reigns [Regnorum I-II] (see also below)

1-2 Kings or 3-4 Reigns [Regnorum II-IV] (see also below)

1-2 Chronicles [Paralipomenon I-II] (see also below)

4 Maccabees [Machabaeorum IV]

Proverbs [Proverbia]

Ecclesiastes (or Qoheleth)

Song of Songs [Canticum] (see also below)

Psalms of Solomon [Psalmi Salomonis].

Outras Edições Críticas de grande valor: 

Song of Songs (1996, J. Treat, Lost Keys: Text and Interpretation in Old Greek Song of Songs and its Earliest Manuscript Witnesses [Ph.D. Diss., University of Pennsylvania]). Available as UMI Microform 9628015 from UMI Dissertation Services. The apparatus is more extensive than in Rahlfs.

Samuel-Kings-Chronicles (1989-1996, N. Fernández Marcos – J. R. Busto Saiz, El texto antioqueno de la Biblia griega I-III, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas.) Whether this text is LXX/OG, in the so-called Kaige sections, or recensional remains controversial.

Joshua (1931-1938 & 1992, Max L. Margolis, The Book of Joshua in Greek, Parts I-IV: Paris; Part V: Philadelphia [Preface, E.Tov]). This edition has an extensive, organized apparatus.

Anúncios
Both comments and trackbacks are currently closed.

Comentários

  • KL  On 14 dez 2016 at 9:07

    Queruvim existem evidências de que o nome divino aparecia na LXX.Será que ele algum dia aparecerá em uma edição critica da mesma ; ou ódio e desinteresse pelo nome é intransponível?(Eu digo isso porque eu considero que tudo que é dito sobre por que não existem textos gregos críticos com o tetragrama como historinhas coisas que não convencem )

    E a tempos tenho uma dúvida você julgar que definições de palavras hebraicas sob a perspectiva de obras como AHL (Ancient Hebrew Lexicon) que faz uma analise da palavra e de sua raiz aparte dos símbolos quase pictográficos do paleo hebraico .em dignas de confiança ou a serem vistas com cautela? https://www.studylight.org/lexicons/hebrew/hwview.cgi?n=8416

    Curtir

  • Queruvim  On 14 dez 2016 at 21:22

    Prezado leitor KL,

    A noção de símbolos pictográficos perdeu sua força com a utilização de caracteres hebraicos mais modernos. Alguns se simpatizam com numerologia ou supostas mensagens “embutidas” em palavras hebraicas.Claro que o sentido pictográfico não pode ser ignorado. Apesar da clara manifestação de figuras pictográficas no hebraico arcaico, não acho correto vislumbrar em todas as palavras um sentido pictográfico muitas vezes fantasioso. O idioma Grego foi usado pelos apóstolos inspirados e este não esbanja em nada sentido pictográfico. No sistema de escrita egípcio as inscrições antigas usavam sinais pictográficos (representações de animais, aves, plantas e outros objetos) junto com certas formas geométricas, os gregos chamaram de hieróglifos. Mesmo os mais respeitados léxicos deixam a desejar quando procuram um sentido secular para uma dada palavra hebraica ou grega empregada nas escrituras de forma diferente e no contexto cultural de sua época.

    Quanto ao Nome de Deus, Jeová, acredito que muitos jovens entram nas mais renomadas escolas de teologia do mundo, também para atacar covardemente as TJ com seus títulos de doutores. Acredito que a oposição ao Nome de Deus, citado em sua colocação, é uma questão mais de tradição da religião e sacrilégio. A religião tradicional de um modo geral jamais será iluminada visando galgar da escuridão para a luz, pois isto ocorre somente no monte da casa de Jeová.(Isaías 2:2-4)

    Curtir

  • KL  On 15 dez 2016 at 0:45

    Muitíssimo obrigado Queruvim ,eu estou muitíssimo contente com a tua resposta.

    Curtir