Testemunhas de Jeová da Coreia do Sul Enfrentam Estigma por Não Servirem ao Exército


SEUL, Coreia do Sul – Desde que era um adolescente, Kim Min hwan sabia que ele teria que fazer uma escolha: abandonar suas convicções religiosas ou ir para a prisão. Kim é um membro das Testemunhas de Jeová, que há décadas têm enfrentado penas de prisão como objetores de consciência em vista da Lei do Serviço Militar da Coreia do Sul. Desde sua libertação da prisão em 2013, o Sr. Kim tem sofrido um estigma muito grande para encontrar um trabalho significativo embora seja formado em engenharia química. Ele passa seus dias trabalhando como voluntário na sede das Testemunhas de Jeová ao sul de Seul.

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Kim Min-hwan, a direita, uma Testemunha de Jeová da Coréia do Sul, cantando hino. Foi preso por ser um objetor de consciência. Credito: Jean Chung do The New York Times

“Fui predestinado a se tornar um condenado porque eu acredito em um Criador” disse o Sr. Kim de 31 anos, em uma entrevista. “Quero que a Coreia do Sul reconheça que há outras maneiras não militares para nós servirmos a comunidade.”

Ao longo dos anos  as Testemunhas de Jeová têm apresentado uma série de apelos pedindo ao Tribunal Constitucional a declaração de que a Lei do Serviço Militar viola o direito constitucional à liberdade de consciência e de religião. A esperança de um fim a suas agruras aumentou em julho, quando o tribunal realizou uma audiência pública em vista de vários apelos apenas quatro anos depois de ter rejeitado petições semelhantes. O tribunal provavelmente se pronunciará sobre o assunto antes do final do ano.

As Testemunhas de Jeová já foram arrastadas para campos de treinamento militar e paliçadas, onde foram difamadas como “comunistas” e “traidores” e até mesmo torturadas e mortas. Poucos falaram em favor delas na Coréia do Sul, onde as igrejas tradicionais as encaram como um culto e as pessoas estão obcecadas devido a ameaças do Norte. Na democrática Coreia do Sul hoje, as Testemunhas de Jeová jovens do sexo masculino já não mais sofrem espancamentos brutais. Mas 600 a 700 objetores de consciência ainda são enviados para a prisão, em média, a cada ano – quase todos Testemunhas de Jeová.

Eles são responsáveis ​​por mais de 90 por cento do total de todos os objetores de consciência detidos no mundo, de acordo com as Testemunhas de Jeová, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e grupos de direitos humanos. As duas Coreias estão tecnicamente em guerra depois de uma trégua ter dado fim a Guerra da Coreia em 1953, e as tensões aumentaram sob o novo líder norte-coreano, Kim Jong-Un. Muitos aqui argumentam que não punir os objetores de consciência poderia comprometer a capacidade da Coréia do Sul de dissuadir a Coreia do Norte com sua força militar de 1,1 milhão de homens.  “A Coreia do Norte continua a ser uma ameaça militar direta e presente,” disse Seo Kyu Young, consultor jurídico do Ministério da Defesa, em uma recente audiência no Tribunal Constitucional. “Se introduzirmos serviços alternativos, veríamos um aumento acentuado no número de pessoas se evadindo, sob o pretexto de consciência”, disse ele.

“Os sul-coreanos não iriam querer servir nas forças armadas se tivessem uma escolha, e ficariam com raiva se  outros não servissem enquanto eles são obrigados”, disse Park Yu-ho, 27, que recusou-se a se juntar ao exército, em parte como  protesto contra as mortes e espancamentos recentes em campos militares e massacres a tiros cometidos por soldados vítimas de bullying“.

Atualmente, objetores de consciência são julgados em tribunais civis e normalmente são dadas sentenças de 18 meses de prisão. Este ano começaram a ter algum apoio de tribunais inferiores, onde seis deles não foram considerados culpados mesmo que suas absolvições foram objeto de recurso pelo Ministério Público. O abuso sofrido por objetores de consciência foi uma das piores e mais ignoradas violações dos direitos humanos sob a ditadura militar dos anos 1970. Funcionários recrutados invadiram igrejas das Testemunhas de Jeová para levar embora os homens com idade para o serviço militar. Quando se recusavam a pegar em armas, “eram espancados como sacos de pancada”, de acordo com a comissão presidencial sobre mortes suspeitas nas forças armadas.

Em seus relatórios, em 2008, a Comissão atribuiu as mortes de cinco Testemunhas de Jeová, entre 1975 e 1985 a espancamentos e torturas que eram “rotina” entre os instrutores dos Centros militares e policiais militares que lidavam com os objetores de consciência. Os relatórios, o primeiro do tipo, descreve”atos bárbaros que nunca deveriam ter ocorrido em uma sociedade civilizada” – incluindo fome, tortura da água, e as células solitárias menores que uma cabine telefônica onde as Testemunhas de Jeová foram obrigadas a ficar dias sem dormir.

Um oficial ameaçou amarrar uma Testemunha de Jeová a um poste e forçá-la a ter uma infusão de sangue, disse a comissão. Uma testemunha de Jeová, Jung Chun-guk, foi convocado mais duas vezes após a sua libertação da prisão e cada vez escolheu uma pena de prisão, servindo um total de sete anos e 10 meses com início em 1969. Hong Young-il, 49, que serviu dois anos na prisão de 1990-1992, disse que um interrogador militar certa vez colocou uma pistola em sua testa e fingiu executá-lo. Grande parte do abuso ocorreu em plena vista de outros estagiários em campos de treinamento, uma cena familiar para muitos que passaram por eles nos anos 1970 e 80.

Ainda que a punição corporal fosse uma ferramenta disciplinar comum no exército naquele tempo, a tendência generalizada de se ser contra as Testemunhas de Jeová reforçou o silêncio da sociedade sobre sua perseguição. “Um companheiro de cela condenado por molestar sexualmente uma criança de 5 anos de idade, gostava de me dar lições de modo prepotente sobre a importância de defender o país”, disse Ryu Yong-Beom, 60, uma Testemunha de Jeová que serviu três anos na prisão na década de 1970.

A difamação de objetores como “comunistas” ou “jongbuk”  – seguidores Coreia do Norte – continua até hoje. Em uma carta enviada a um jornal local em janeiro, Kim Kyung-muk, um cineasta e objetor de consciência aprisionado, disse que outros presos o repreendeu por “não ser qualificado para ser um cidadão sul-coreano.”

Após a prisão, objetores de consciência passaram a ver suas oportunidades de emprego seriamente limitadas,visto que o governo e as grandes empresas discriminam ex-presidiários, especialmente aqueles que evitou o serviço militar. O Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas e Anistia Internacional pedem repetidamente a Coreia do Sul para que concedam o serviço alternativo para os objetores de consciência. O comitê chamou a prisão deles de uma violação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, a que a Coreia do Sul é signatária.

A Coreia do Sul interpreta o acordo de forma diferente.  “Este debate é um luxo que não podemos pagar, enquanto a Coréia do Norte estiver lá”, disse Cho Myung-sik, 36, um veterano. “Além disso, como você irá reconhecer genuínos objetores de consciência de falsificadores [fakers]se introduzirmos serviços alternativos?…”

Algumas Testemunhas de Jeová  emigraram para os Estados Unidos para salvar seus filhos da prisão. Vários objetores de consciência da Coréia do Sul ganharam recentemente o estatuto de refugiados no Canadá, França e Austrália.

Para o Sr. Ryu e sua esposa Jung Seon hee , a mudança tem sido muito lenta. Ela disse que seus dois irmãos foram espancados na prisão militar na década de 1980 até ficarem “quase mortos”. Seu filho foi libertado no ano passado depois de cumprir 15 meses. Em julho, um outro filho, Ryu Heung sol, foi condenado a um ano e meio. “Eu tinha esperança de que o nosso sofrimento acabaria na geração dos meus filhos “, disse Jung. ” Estou triste que este país permanece tão primitivo , incapaz de mostrar clemência a uma minoria como nós. “

Matéria original no The New York Times

Minhas considerações:

Ao ver este artigo, nos lembramos das palavras de Jesus quando disse que o amor identificaria os verdadeiros seguidores dele. (João 13:34,35). As demais Igrejas que se auto intitulam “cristãs” e outras se juntaram ao governo da Coreia em taxar as Testemunhas de Jeová de “culto”, “seita” ou até mesmo “comunistas”. Algo que sempre se repete em época de febre de guerra. Isso não é coisa nova. As TJ já estão acostumadas a sofrer esta covardia da parte dos da religião babilônica. 

Eles não somente violam as palavras de Jesus quando disse que “quem tomar a espada perecerá por ela” (Mat. 26:52) como também desconhecem as palavras de Cristo registradas em Apoc. 13:10:

“Se alguém matar com a espada, terá de ser morto pela espada. Isso exige perseverança e fé da parte dos santos.”

Como grupo a Cristandade em suas milhares de denominações, pouco se importam com o que Jesus falou. Se você está no meio da religião babilônica, saia logo, pois o tempo que resta é curto. Como grupo é mais do que claro quem são os verdadeiros cristãos. Não espere para ver a constatação na volta de Cristo. Pois será um dia de desespero e morte dos covardes que perseguem os genuínos seguidores de Cristo. Colocam a lupa em desespero a fim de encontrarem o que entendem ser erros das Testemunhas de Jeová, enquanto eles mesmos apoiam a guerra das nações e a corrupção na política partidária. Não pensem que “Pastor” é sinônimo de santidade. Os chamados evangélicos agregam também pessoas de bem, mas que estão sendo convidados a saírem do meio da hipocrisia e da confusão. Apoc 18:4

Se houver uma guerra entre as duas Coreias, os evangélicos em sua maioria e como grupo,  “matarão com a espada” e consequentemente “perecerão pela espada” disse Jesus. Apoc. 13:10

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