Por que o livro de Macabeus não é inspirado nem canônico


Macabeus apócrifo

Os livros de Macabeus possuem  informações históricas a respeito de eventos no segundo século AEC, desde o começo do reinado de Antíoco Epifânio (175 AEC) até a morte de Simão Macabeu (c. 134 AEC). Trata especialmente das façanhas do sacerdote Matatias e de seus filhos, Judas, Jônatas e Simão, nas suas lutas com os sírios.  Entretanto, conforme comenta The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica, 1976, Vol. VIII, p. 243),  “a história é escrita do ponto de vista humano”. Igual às outras obras apócrifas, não faz parte do inspirado cânon hebraico e por isso não foi adicionado por Jerônimo em sua Vulgata Latina. Foi evidentemente escrito em hebraico por volta da última parte do segundo século AEC.

Jerônimo, descrito como “o melhor perito hebraico” da igreja primitiva, e que terminou a tradução da Vulgata latina em 405 EC, (Foto) adotou uma posição definida contra tais livros apócrifos, e foi na realidade o primeiro a usar a palavra “apócrifos” explicitamente no sentido de não-canônicos, como se aplicando a tais escritos. Assim, no seu prólogo aos livros de Samuel e de Reis, Jerônimo alista os livros inspirados das Escrituras Hebraicas em harmonia com o cânon hebraico (em que os 39 livros estão agrupados como 22) e então diz: “De modo que há vinte e dois livros . . . Este prólogo das Escrituras pode servir como enfoque fortificado para todos os livros que traduzimos do hebraico para o latim; de modo que saibamos que tudo o que for além destes precisa ser colocado entre os apócrifos.fantastica-biblia-sacra-vulgata-seculo-18-em-latim-18983-MLB20162971035_092014-FAo escrever a uma senhora chamada Laeta, sobre a educação da filha dela, Jerônimo aconselhou-a: “Todos os livros apócrifos devem ser evitados; mas, se ela quiser alguma vez lê-los, não para determinar a verdade das suas doutrinas, mas por respeito pelos seus maravilhosos contos, deve dar-se conta de que não foram realmente escritos por aqueles a quem são atribuídos, que eles contêm muitos elementos falhos, e que requer grande perícia para achar ouro na lama.” — Select Letters (Cartas Seletas), CVII.

 

O próprio livro apresenta indícios muito claros de não ter sido inspirado.

Analise as palavras do próprio escritor de Macabeus:

 “Se está boa a composição e logrou feliz êxito, é o que eu desejava; se pouco valor tem e não excede a mediocridade, foi o que pude fazer”. (2º Macabeus 15: 38)

Ademais, em 2 Macabeus 2:1-5 podemos ler:

“Nos escritos encontra-se que o profeta Jeremias ordenou aos que partiam para a deportação que tomassem do  fogo, como ficou indicado… Entre outros conselhos do mesmo gênero, exortou-os a não deixar que a Lei se  afastasse de seu coração. Contava-se nesse escrito que o profeta, avisado por um oráculofez-se acompanhar  pela tenda e a arca, foi à montanha que Moisés subira e de onde contemplara o legado de Deus e que, lá  chegando, encontrou Jeremias uma habitação em forma de gruta, introduziu ali a tenda, a arca e o altar dos  perfumes, feito o que lhe obstruiu a entrada” (2° Macabeus 2: 1-5).

O relato apresenta Jeremias, por ocasião da destruição de Jerusalém, como levando o tabernáculo e a arca do pacto a uma caverna no monte do qual Moisés viu a terra de Canaã. (2 Macabeus 2:1-16) Naturalmente, o tabernáculo havia sido substituído pelo templo uns 420 anos antes. A Bíblia de Jerusalém, em uma nota diz sobre estes pormenores: “Eles não são conforme a  história; a Tenda não mais existia desde a construção do Templo de Salomão, a Arca desapareceu após  a reconstrução deste templo”

Encontramos uma clara contradição também  em 2 Macabeus  10:37 mais problemas, é que Timóteo é degolado:

“Degolaram a Timóteo, que se escondera numa cisterna e com ele seu irmão Quéreas e Apolófanes” (2°  Macabeus 10:37).

 

Mas “milagrosamente” após a degola Timóteo aparece de novo em 12:10, 24, 25,  lutando numa batalha.

 

“Afastara-se de lá com seu exército nove estádios, durante uma marcha contra Timóteo, quando caíram sobre ele um contingente de árabes constituído por ao menos cinco mil homens a pé e quinhentos cavaleiros… Timóteo, caindo ele próprio nas mãos dos soldados… astuciosamente lhes pedia que o deixassem partir são e salvo… puseram-nos em liberdade para salvar os seus irmãos” (2° Macabeus 12: 10, 24-25).

Em 2 Macabeus 12:44-45 aparece um ensino estranho as Escrituras e muito comum nas religiões pagãs:

“Se com efeito ele não esperasse que os soldados mortos em combate ressuscitariam, teria sido supérfluo rezar pelos mortos: persuadido que estava de que uma belíssima recompensa está reservada aos que adormecem piedosamente, santo foi e piedoso o seu pensamento; e foi essa razão porque mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício, para que fossem absolvidos de seu pecado” (2° Macabeus 12: 44-45).

 

Contradiz a Bíblia Sagrada

Não há na Lei de Moisés nenhuma orientação para que se celebre ou se ofereça sacrifícios ao mortos. As celebrações e aniversários fúnebres, e sacrifícios aos mortos  são todos impuros e desagradam a Deus porque têm a ver com o ensino não-bíblico e demoníaco de que a alma ou espírito não morre. (Eze. 18:4) Os cristãos verdadeiros ‘não podem participar da “mesa de Jeová” e da mesa de demônios’, de modo que rejeitam esses costumes. (1 Cor. 10:21) Obedecem à ordem: ‘Separai-vos, e cessai de tocar em coisa impura.’ (2 Cor. 6:17) Fazer sacrifícios aos mortos apenas promove as mentiras de Satanás e dos demônios. A Bíblia não afirma que os humanos têm uma alma que se separa do corpo por ocasião da morte. Antes, lemos que “o homem veio a ser uma alma vivente”. (Gên. 2:7) A alma é a pessoa inteira, e não parte invisível dela. Isso significa que, quando uma pessoa morre, a alma morre. (Lev. 23:30; Núm. 31:19; Eze. 18:4, 20; Luc. 6:9) Quanto à condição dos mortos, a Bíblia a descreve como de total inconsciência, afirmando: “Os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada.” — Ecl. 9:5; Sal. 146:3, 4.

2 Macabeus 14:37 diz que Razias era pai dos judeus, enquanto a Bíblia inteira diz que Abraão é o pai dos judeus. Paulo e os apóstolos inspirados não fazem citações destes livros apócrifos. A Bíblia está entrelaçada por meio de referências. Quem conhece a Bíblia observará uma nítida ausência de citações apostólicas dos escritos não somente de Macabeus como dos demais apócrifos.

 

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