Mateus 28:19 “batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo” inspirado por Deus ou adulteração posterior?


Estudiosos da palavra de Deus e muitos deles com credenciais de teólogos ou eruditos, tem colocado Mateus 28:19 como sendo interpolação semelhante a de 1 João 5:7, que como sabemos não aparece nos mais antigos e respeitados manuscritos (mss.) da palavra de Deus.Muitos tem sugerido que o final do evangelho de Mateus pode ter sido adicionado por escribas posteriores sob a influência das controvérsias trinitárias  na Igreja Cristã nos séculos 3 e 4. Contudo, neste artigo observaremos que Mateus 28:19 tem sim apoio nas mais antigas testemunhas textuais e não deve ser considerado como uma inequívoca interpolação tal qual 1 João 5:7. Para sermos mais exatos, sequer devemos considerar Mateus 28:19 e sua frase “em nome do Pai, do Filho, e do espírito santo” como sendo interpolação ou “acréscimo” ao texto original. A menos que surgisse evidência sobrepujante para isso com o apoio de textos mais antigos. Muitos predispostos a defenderem o unicismo ou ainda conceitos judaicos, atribuem a tal frase conhecida por muitos como “formula trinitária” o conceito de que é uma adulteração posterior. Chamam tal passagem de “formula trinitária” ou “expansão doutrinal posterior”, como se tal frase indicasse realmente uma trindade. Mas entendemos que este não é o caso.

Eusébio (260-339 dC) foi um historiador romano professamente cristão e é considerado como um erudito cristão bem preparado. Ele se tornou o Bispo de Cesareia em 314 E.C Ele cita muitos versículos em suas obras, e Mateus 28:19 é um deles. 17 vezes em suas obras anteriores a Nicéia, Eusébio cita Mateus 28:19 como “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome”, sem mencionar a chamada  fórmula batismal da Trindade ou ainda, como dizem alguns, formula “tripartite”. Comentaristas tem mencionado que a referência dos escritos de Eusébio são inconclusivas, até porque Tertuliano e Irineu não usaram a cláusula curta empregada por Eusébio, mas preferiram empregar a forma mais longa e tradicional.

Ireneu (c. 130-200) cita  Mateus 28:19, em seus escritos “Contra Heresias”, da seguinte forma:

“E de novo, dando aos discípulos o poder de regeneração em Deus, Ele disse a eles, “Ide e ensinais todas as nações, batizando-as no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. (seção XVII).

Tertuliano  (c. 160-225) por sua vez registrou a seguinte declaração:

“Conseqüentemente, depois que um destes se perdeu, ele comandou os outros onze, em sua partida para o Pai, para “ir e ensinar todas as nações, que deveriam ser batizadas no Pai, e no Filho e no Espírito Santo” (A Prescrição Contra os Hereges, XX)

Certa obra diz sobre Eusébio:

“A evidência de Eusébio deve ser considerada como inconclusiva, tendo em vista o fato de que todos os MSS. gregos e todas Versões existentes., contém a cláusula…A citação de Eusébio: “Ide fazei discípulo de todas as nações em meu nome”, não pode ser tomada como prova decisiva de que a cláusula “Batizando … e do espírito” faltava em cópias conhecidas por Eusébio, porque “em meu nome” pode ser a maneira de  Eusébio abreviar, por qualquer motivo tal cláusula”. (The International Critical Commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testament; S. Driver, A. Plummer, C. Briggs; A Critical & Exegetical Commentary of St. Matthew Third Edition, 1912, pages 307-308). 

Sabe-se que Eusébio usava com frequência os mesmos manuscritos que seu predecessor Pamphilus, onde se empregava a cláusula ” em meu nome”.  Muitos argumentam de forma a rejeitar a leitura mais longa:

“Feine (PER3, XIX, 396 f) e Kattenbusch (Sch-Herz, I, 435 f. Argumentam que a fórmula trinitária em Mateus 28:19 é espúria. Nenhum registro do uso da fórmula trinitária pode ser descoberto na Epístola de Atos dos apóstolos “(A Enciclopédia Padrão Internacional da Bíblia, James Orr, 1946, página 398 em Inglês).

Alguns tem feitos citações seletivas ou recortadas de comentários como o abaixo proveniente do Dicionário da Bíblia de Hastings com a intenção de fornecer provas que eruditos geralmente consideram que a frase tripartite de Mateus 28:19 é uma adição católica posterior, observe porém que  Hastings coloca algumas hipóteses e não apenas uma:

“A respeito do Batismo tem sido argumentado que como Mc 16:15 ocorre em uma passagem (16:9-20) que a crítica textual tem mostrado ser formada de nenhuma parte do evangelho original, Mt 28:19, por si só, é um fundamento muito frágil para dar suporte à crença que a ordenança descansa em uma prescrição de Jesus, mais especificamente como suas declarações são inconsistentes com os resultados da crítica histórica. Estes resultados, é afirmado, provam que todas as narrativas dos Quarenta Dias são lendas, que Mt 28:19 em particular somente canoniza uma situação eclesiástica posterior, que seu universalismo é contrário aos fatos da história da igreja primitiva, e sua fórmula Trinitária “estranha à boca de Jesus” (veja Harnack, História do Dogma, I, 79, e as referências ali fornecidas). É evidente, contudo, que algumas destas objeções descansam em pressuposições anti-supernaturais que realmente solicitam à pergunta em questão e outras, conclusões para as quais as premissas reais estão faltando. Contra todos eles nós temos que estabelecer o positivo e forte fato que dos primeiros dias do Cristianismo, o Batismo aparece como o rito de iniciação à comunidade da igreja (Atos 2:38,41, et passim), e que até Paulo, com toda sua liberdade de pensamento e interpretação espiritual do evangelho, nunca questionou sua necessidade (compare Rm 6:3 ff; 1 Co 12:13; Ef 4:5). Em qualquer outra suposição, onde ele não é decretado pelo próprio Senhor, é difícil de conceber como dentro do pequeno espaço de anos entre a morte de Jesus e as primeiras referências dos apóstolos ao tema, a ordenança não somente se originaria mas também estabeleceria de forma tão absoluta para cristãos judeus e gentílicos igualmente”.  James Hastings, A Dictionary of the Bible 4 vols (Scribners, 1905), 1.241-42.

O comentário do Novo Testamente de Tyndale, I, 275 menciona o seguinte:

“É freqüentemente afirmado que as palavras no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo não são as ipsissima verba [exatas palavras] de Jesus, mas tanto as palavras do evangelista colocadas em Sua boca, ou uma adição litúrgica posterior. É argumentado que nos lábios de Jesus elas são um anacronismo; que a Igreja antiga não as usou de fato como uma fórmula batismal até o segundo século; e que Eusébio de Cesaréia ao citar esta passagem freqüentemente omite ou varia estas palavras. De outra forma, as palavras são encontradas em todos manuscritos existentes; e é difícil ver por que o evangelista as teria inserido se na época que ele estava escrevendo elas não formavam nenhuma parte da liturgia da Igreja. É também difícil de supor que, se Eusébio tivesse realmente conhecido um manuscrito que omitisse estas palavras, algum traço da influência destes manuscritos não teria sobrevivido na tradição textual. Além disto, pode muito bem ser que a verdadeira explicação do porquê a igreja antiga não administrou imediatamente o batismo no nome triplo é que as palavras de xxviii.19 não foram destinadas originalmente por nosso Senhor como fórmula batismal. Ele não estava dando instruções sobre as exatas palavras a serem usadas no serviço do batismo, mas, como já foi sugerido, estava indicando que a pessoa batizada seria pelo batismo passada para a possessão do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.  R. V. G. Tasker, The Gospel According to St. Matthew in Tasker, ed., Tyndale New Testament Commentaries (Eerdmans,1961)

Uma nota ao pé da página em Mateus 28:19 na Tradução A Bíblia de Jerusalém afirma que a forma trinitária é um ” reflexo do uso litúrgico estabelecido mais tarde na comunidade primitiva. Recorde-se que os Atos falam de batizar “em nome de Jesus”, Atos 1:5 …”(A Bíblia de Jerusalém, 1966, página 64).

Temos que ter em mente que tais declarações são opiniáticas e não possuem peso autoritativo. Considere que o Didaquê é mais antigo que todos estes MSS. e apresenta apoio a leitura “batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo”. Segundo alguns pesquisadores, o Didaquê foi escrito no tempo do idoso Apóstolo João.

Tem se mencionado o texto hebraico de Shem Tov como sendo “prova” de que os autógrafos não apresentam a “fórmula batismal trinitária”. Tenha em mente porém que Shem Tov, (ישראל בן אליעזר) viveu no século XVIII sendo que há inúmeros textos bem mais antigos que apoiam a leitura de Mateus 28:19,20 diferente da dele. Sua versão pode ter sido um reflexo de sua opinião teológica e não exatidão proveniente de crítica textual.

Shem Tov apresenta a seguinte leitura:

ShemTovMattew28

A passagem como aparece em Mateus, ocorre  nos mais antigos e respeitados mss. em grego. De fato, o Sinaítico, do 4º Século,  apresenta a mesma leitura tradicional, “em nome do pai, do filho e do espírito santo”. Fonte:

http://www.codexsinaiticus.org/en/manuscript.aspx?book=33&chapter=28&lid=en&side=r&verse=19&zoomSlider=0

Todo manuscrito bíblico Grego existente que contém este verso de Mateus possui a frase tripartite. Bart Ehrman em seu The Orthodox Corruption of Scripture (Oxford,1993) nada fala sobre a suposta adição no texto de Mateus 28:19 em sua obra voltada justamente a avaliação comparativa de textos gregos na busca dos originais.

Os peritos britânicos que produziram o Texto de Westcott e Hort, uma gema ou texto padrão, empregaram a mesma fraseologia usada não somente no Sinaítico, mas no mss. Alexandrino e no mss.Vaticano, todos estes sendo os mais antigos e respeitados manuscritos na avaliação do texto do chamado Novo Testamento:
Por exemplo, o VATICANO

B – 03 (Vaticanus): Matthew 28:10-19

10 τοτε λεγει αυταις ο ις̅ μη φοβεισθε υπαγετεαπαγγειλατε τοις αδελφοις μου ινα απελθωσιν εις τηνγαλειλαιαν κακει με οψονται 11 πορευομενων δε αυτωνιδου τινες της σκουστωδιας ελθοντες εις την πολιναπηγγειλαν τοις αρχιερευσιν απαντα τα γενομενα 12 καισυναχθεντες μετα των πρεσβυτερων συμβουλιον τελαβοντες αργυρια ικανα εδωκαν τοις στρατιωταις 13λεγοντες ειπατε οτι οι μαθηται αυτου νυκτος ελθοντεςεκλεψαν αυτον ημων κοιμωμενων 14 και εαν ακουσθητουτο·· υπο του ηγεμονος ημεις πεισομεν και υμαςαμεριμνους ποιησομεν 15 οι δε λαβοντες αργυριαεποιησαν ως εδιδαχθησαν και διεφημισθη ο λογος ουτοςπαρα ιουδαιοις μεχρι της σημερον ημερας 16 οι δεενδεκα μαθηται επορευθησαν εις την γαλειλαιαν εις τοορος ου εταξατο αυτοις ο ις̅ 17 και ιδοντες αυτονπροσεκυνησαν οι δε εδιστασαν 18 και προσελθων ο ις̅ελαλησεν αυτοις λεγων εδοθη μοι πασα εξουσια [3] ενουρανω και επι της γης 19 πορευθεντες ουν μαθητευσατεπαντα τα εθνη βαπτισαντες αυτους εις το ονομα τουπατρος και του υιου και του αγιου πνευματος

 No ALEXANDRINO:

A – 02 (Alexandrinus): Matthew 28:10-19

10 τοτε λεγει αυταις ο ις̅ μη φοβεισθε· υπαγετεαπαγγειλατε τοις αδελφοις μου ινα απελθωσιν εις τηνγαλιλαιαν· και εκει με οψονται 11 πορευομενων δε αυτωνιδου τινες της κουστωδειας ελθοντες εις την πολιν·απηγγειλαν τοις αρχιερευσιν παντα τα γενομενα· 12 καισυναχθεντες μετα των πρεσβυτερων συμβουλιον τελαβοντες· αργυρια ικανα εδωκαν τοις στρατιωταις 13λεγοντες ειπατε οτι οι μαθηται αυτου νυκτος ελθοντεςεκλεψαν αυτον ημων κοιμωμενων· 14 και εαν ακουσθητουτο επι του ηγεμονος ημεις πεισομεν αυτον· και υμαςαμεριμνους ποιησομεν· 15 οι δε λαβοντες τα αργυριαεποιησαν ως εδιδαχθησαν· και διεφημισθη ο λογος ουτοςπαρα ιουδαιοις μεχρι της σημερον· 16 οι δε ενδεκαμαθηται επορευθησαν εις την γαλιλαιαν εις το ορος ουεταξατο αυτοις ο ις̅· 17 και ιδοντες αυτον προσεκυνησαναυτω· οι δε εδιστασαν· 18 και προσελθων ο ις̅ ελαλησεναυτοις λεγων εδοθη μοι πασα εξουσια εν ουρανω· και επιγης· 19 πορευθεντες μαθ[η]τευσατε παντα τα εθνη·βαπτι̣ζ̣ον̣τες·


f. 29v

αυτους εις το ονομα του πρ̅ς και του υυ̅· και του αγιουπν̅ς·

Outro mss. de igual força e aceitação é o Efraimi Rescriptus, onde lemos:
Literalmente: “”batizando-os em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo”
Em harmonia com isso, diversos eruditos ao produzirem mss. padrões que são usados como base para versões em outros idiomas usaram a mesma leitura.

πορευθέντες οὖν μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ Πατρὸς καὶ τοῦ Υἱοῦ καὶ τοῦ Ἁγίου Πνεύματος,
Westcott and Hort 1881
πορευθέντες οὖν μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ πατρὸς καὶ τοῦ υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου πνεύματος,
Πορευθέντες μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ Πατρὸς καὶ τοῦ Υἱοῦ καὶ τοῦ Ἁγίου Πνεύματος·Greek Orthodox Church 1904
πορευθέντες μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ Πατρὸς καὶ τοῦ Υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου Πνεύματος,Tischendorf 8th Editionπορευθέντες μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ πατρὸς καὶ τοῦ υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου πνεύματος,Scrivener’s Textus Receptus 1894
πορευθέντες οὖν μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ Πατρὸς καὶ τοῦ Υἱοῦ καὶ τοῦ Ἁγίου Πνεύματος·Stephanus Textus Receptus 1550
πορευθέντες οὖν μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ πατρὸς καὶ τοῦ υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου πνεύματος

Espero que este material possa ajudá-lo em sua avaliação pessoa do assunto. Acreditamos que a Comissão de Tradução da Bíblia das Testemunhas de Jeová recorreram a melhor evidência disponível ao produzirem o texto da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

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Comentários

  • Queruvim  On 4 de agosto de 2014 at 20:38

    Procurem comentar artigos como este visando agregar material relevante e pertinente ao tema.Isto enriquece a página.

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  • Saga  On 4 de agosto de 2014 at 23:46

    “Uma nota ao pé da página em Mateus 28:19 na Tradução A Bíblia de Jerusalém afirma que a forma trinitária é um ” reflexo do uso litúrgico estabelecido mais tarde na comunidade primitiva. Recorde-se que os Atos falam de batizar “em nome de Jesus”, Atos 1:5 …”(A Bíblia de Jerusalém, 1966, página 64)”

    O que os comentaristas da BJ querem dizer é:

    O evangelho de Mateus teria sido escrito bem depois do livros de Atos dos Apóstolos. E na época do evangelho matiano já teria se desenvolvido o costume litúrgico de se batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Como era comum no tempo da Didaké), já na época de Atos esse costume ainda não existia e isso transparece no livro em questão.

    Não colocou em questão se o verso é canônico ou original, não o colocou como sendo uma adição espúria tal como a Comma Joanina de 1 João 5:7,8. A especulação em questão não é sobre a autenticidade de Mt 28:29 e sim um comentário especulando a respeito da evolução da liturgia batismal, e teorizando sobre o momento histórico em que foram escritos os relatos de Atos e de Mateus a respeito do sacramento do batismo.

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