Seria mesmo “impossível” que Jesus tenha sido executado em uma estaca reta sem vigas transversais?


Alguns têm argumentado que Jesus não poderia ter sido executado em uma estaca reta sem vigas transversais. Certa pessoa chegou a publicar que seria “impossível” que Jesus tenha sido pendurado em uma estaca ou viga. 

Para uma consideração paralela leia o artigo CRUZ OU ESTACA?

A contestação de alguns se baseia num artigo da REVISÃO BÍBLICA de Abril de 1989, debaixo de dois subtítulos: a Vítima “Morre por Sufocamento”, e Cravos nas Mãos “Segurariam o Peso do Corpo?”. (Vale ressaltar antes, que este assunto não é de pouca importância como pensam muitos, argumentando que o que importa é que Cristo morreu para abrir a oportunidade de termos vida eterna, ocorre porém que a Cruz vem sendo usada pelos atuais professos “cristãos” e até mesmo adorna o local de adoração deles. Isso é claramente uso desastroso de objeto idólatra, algo seriamente condenado nas Escrituras, sem falar que a Cruz é de origem pagã e já era usada pela religião falsa desde Babilônica e o antigo Egito.)

Certos críticos, insistem em dizer que Jesus  morreu numa cruz e não numa estaca e baseando-se no artigo citado acima, tecem os seguintes comentários:

“O autor desacredita a teoria prévia da crucificação como formulada por A. A. LeBec em 1925 e cuja publicidade foi difundida pelo Dr. Pierre Barbet em 1953, que (1) Jesus morreu por sufocamento devido a ser incapaz de se levantar para respirar, e (2) os cravos em suas mãos estavam de fato nos pulsos (assumindo que as palmas das mãos não poderiam segurar o peso do corpo). Agora parece que a evidência não apoia a teoria de Barbet.”

Os críticos prosseguem:

“(1) Jesus não morreu por sufocamento, mas por choque e trauma. Adicionalmente, um homem empalado com braços estirados diretamente em cima de sua cabeça (como a Torre de Vigia descreve) sufocaria em minutos, considerando que um homem com mãos estendidas de lado a um ângulo de 60 70 graus (como em uma cruz) poderia viver por horas sem sufocar.

“(2) Há dois locais na PALMA de cada MÃO que permitem que um prego penetre e segure o peso do corpo inteiro até cem libras, tornando a “teoria do pulso” desnecessária para explicar como os braços de Cristo foram presos à cruz. Anos atrás, LeBec e Barbet tinham concluído que uma pessoa pendurada com os braços para cima sufocaria em questão de minutos, devido à inabilidade dos pulmões de se expandirem e se contraírem  em tal posição. Adicionalmente, o radiologista austríaco, Hermann Moedder, fez experiências com estudantes médicos nos anos 40, pendurando-os pelos pulsos com as mãos diretamente sobre suas cabeças (parecido com os quadros da Torre de Vigia com Jesus em uma estaca). Em alguns minutos, os estudantes ficaram pálidos, a capacidade pulmonar deles caiu de 5.2 a 1.5 litros, a pressão sanguínea diminuiu e a taxa de pulso aumentou. Moedder concluiu que a inabilidade para respirar aconteceria em aproximadamente seis minutos se não lhes permitissem ficar de pé e descansar.

“O mesmo se aplicaria a Cristo: se ele estivesse suspenso em uma estaca como a Torre de Vigia descreve, pendurado com as mãos suspensas diretamente para cima, teria sufocado em questão de minutos.

“Porém, Zugibe descobriu que, se os estudantes fossem pendurados através das mãos estendidas para o lado a 60-70 graus, eles não teriam nenhuma dificuldade de respiração por horas a fio. Uma vez que Lucas 23:44 e Mateus 27:45, 46 mostram que Cristo esteve na cruz durante aproximadamente três horas, a evidência aponta novamente para morte em uma cruz tradicional.”

Nesta consideração, observaremos que a declaração  “um homem empalado com braços estirados diretamente em cima de sua cabeça (como a Torre de Vigia descreve) sufocaria em minutos” é enganosa!

A pesquisa não focava na maneira em que a “Torre de Vigia descreve”, visto que, como poderá ver nesta matéria logo abaixo, uma representação semelhante às produzidas pelas Testemunhas de Jeová inclui um apoio para os pés de Cristo, algo que está ausente na teoria proposta e defendida por Zugibe. Antes de chegarmos nesse ponto, vamos fazer algumas considerações adicionais.

Gunnar Samuellson, pastor evangélico, teólogo e erudito da Universidade de Gothenburg, escreveu uma tese de 400 páginas depois de nove anos de pesquisa, sendo que três anos e meio de sua pesquisa na Universidade foram voltados especificamente para o assunto do instrumento da execução de Cristo, na qual verificou (lendo 12 horas por dia, seis dias por semana e usando metodologia acadêmica) que a literatura em grego antigo – o grego koiné –, bem como a literatura hebraica e em latim, não apresentam a cruz moderna como símbolo comum de suplício, nem mesmo nos dias da Roma antiga. (Para uma consideração a respeito desse erudito, clique aqui.)

Quando perguntado sobre o resultado de sua pesquisa, esse erudito ponderou:

“Devemos ler o texto como ele é, não como nós pensamos que é. Devemos ler nas linhas, e não entre as linhas. O texto da Bíblia é suficiente. Não precisamos acrescentar nada.”

Será que o teólogo e erudito Gunnar Sammuelsson é Testemunha de Jeová?

“Se você busca por textos antigos que mencionam especificamente o ato da crucificação [tal como a entendemos hoje]”, diz Gunnar Samuellson, “você vai acabar com exemplos de apenas dois ou três”.

Segundo Gunnar Samuellson, a palavra staurós é usada na literatura antiga ao mencionar o que humanos faziam ao colocar frutas ou carcaças de animais pendurados em uma “staurós” para secarem. Seria tolice imaginarmos que eram “cruzes”. Antes, eram obviamente “estacas”.

Fica claro que uma pesquisa objetiva baseada na Palavra de Deus e na literatura greco-romana focada quanto ao uso das palavras nos idiomas originais da Bíblia não revela a cruz moderna como sendo o instrumento de execução no qual nosso Salvador foi pendurado.

Os pesquisadores que se debruçaram no assunto durante anos e são comumente citados pelas Testemunhas de Jeová usaram método científico e pesquisa responsável e não emoção ou tradição para afirmarem isso. Nem mesmo basearam suas pesquisas em conjecturas formuladas milênios depois da morte de Cristo. As declarações acima, que expressam uma crítica infundada da visão de eruditos dedicados e das Testemunhas de Jeová, ancoram-se em meras conjecturas que questionam evidências baseadas em pesquisa objetiva e em método acadêmico.

Em 1 Coríntios 4:6, Paulo, sob inspiração, nos alerta sobre o perigo de ir ‘além daquilo que está escrito’. As Testemunhas de Jeová evitam afirmar que Cristo foi pendurado em uma cruz de duas vigas, uma vez que não há evidência alguma disso nas Escrituras Sagradas. O ônus da prova de que o “staurós” usado era um instrumento cruciforme recai sobre os críticos das Testemunhas de Jeová, como se dá no caso do autor do artigo “Com quantos paus se faz um stauros”. (Veja uma resposta ao artigo crítico do entendimento das Testemunhas de Jeová a respeito da cruz.)

O médico legista americano Frederick Zugibe, um dos mais conceituados peritos criminais em todo o mundo e professor da Universidade de Colúmbia, dissecou a morte de Jesus com a objetividade científica da medicina. Zugibe, 76 anos, juntou ciência e fé e atravessou meio século de sua vida debruçado sobre a questão da verdadeira causa mortis de Jesus.

Segundo ele, Jesus morreu de parada cardiorrespiratória decorrente de hemorragia e perda de fluidos corpóreos (choque hipovolêmico), combinado com choque traumático decorrente dos castigos físicos a ele infligidos.

O começo da pesquisa de Zugibe é o Jardim das Oliveiras, quando Jesus se dá conta do sofrimento que se avizinha: condenação, açoitamento e, por fim, quando foi então pendurado no “staurós”. Relatos bíblicos revelam que, nesse momento, “o seu suor se transformou em gotas de sangue que caíram ao chão”. (Lu 22:44) A descrição (feita pelo apóstolo Lucas, que era médico) está em harmonia, segundo Zugibe, com o fenômeno da hematidrose, raro na literatura médica, mas que pode ocorrer em indivíduos que estão sob forte estresse mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se ao suor, que é então expelido pelo corpo.

Após a condenação, Jesus é violentamente açoitado por soldados romanos por ordem de Pôncio Pilatos, o Governador da Judeia. Para descrever com precisão os ferimentos causados pelo açoite, Zugibe pesquisou os tipos de chicotes que eram usados no flagelo dos condenados.

O instrumento mais terrível para o açoitamento era conhecido como o flagellum. Consistia num cabo em que se fixavam diversas cordas ou tiras de couro. Essas tiras tinham presas nelas pedaços dentados de osso ou de metal, para tornar os golpes mais dolorosos e eficazes. A conclusão, segundo alguns, é que Jesus Cristo recebeu 39 chibatadas (o previsto na chamada “Lei Mosaica”), o que equivale na prática a 117 golpes.

As consequências médicas de uma surra tão violenta são hemorragias, acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões e possível laceração no baço e no fígado. A vítima também sofre tremores e desmaios. “A vítima era reduzida a uma massa de carne, exaurida e destroçada, ansiando por água”, diz o legista.

 

Teorias médicas a respeito da causa da morte de Cristo

 

Causa da morte

Especialização do Autor

Referência

Ruptura Cardíaca

Médico

Stroud 1847 (Ref. 2)

Falha Cardíaca

Médico

Davis 1965 (Ref. 15)

Choque Hipovolêmico

Patologista forense

Zugibe 2005 (Ref. 12)

Síncope[1]

Cirurgião

LeBec 1925 (Ref. 16)

Acidose[2]

Medico

Wijffels 2000 (Ref. 17)

Asfixia

Cirurgião

Barbet 1963 (Ref 18)

Arritmia e asfixia

Patologista

Edwards 1986 (Ref 19)

Embolismo[3] pulmonar

Hematologista

Brenner 2005 (Ref 20)

Desistência voluntária de viver

Médico

Wilkinson 1972 (Ref 21)

Não morreu realmente

Médico

Lloyd-Davies 1991 (Ref 22)

Poderá encontrar outras teorias propostas recentemente por Truman Davis, pelo cirurgião ortopédico Keith Maxwell ou ainda pelo fisiologista Brian Church, entre outros.

Quando um grande número de teorias são propostas para dar explicações em qualquer disciplina científica, isso frequentemente demonstra que não há evidência clara que possa indicar a resposta. Tanto historiadores arqueologistas e médicos participaram nas principais pesquisas, cujo objetivo era obter respostas a respeito da causa mortis de Cristo.

 

Bases equivocadas sobre as quais Zugibe edificou sua pesquisa

As pesquisas do médico legista Frederick Zugibe levaram a conclusões que não foram baseadas em quaisquer evidências positivas para a teoria do choque hipovolêmico (que não foi testada), mas antes na evidência negativa para a teoria da asfixia. Sem falar que parte da conclusão desse legista baseou-se numa análise que levou em conta o Sudário de Turim, considerado fraude por muitos. A datação por radiocarbono feita por três diferentes laboratórios revelam que esse sudário é na realidade uma fraude da Idade Média, datado como sendo de 1260 a 1390 E.C.

Temos que considerar também que as contestações de Zugibe contra a teoria proposta pelo cirurgião francês Pierre Barbet basearam-se em enforcamentos feitos pelo exército austro-germânico e pelos nazistas no campo de extermínio de Dachau. Nesses casos os prisioneiros eram suspensos com os braços diretamente acima da cabeça e as pernas ficavam soltas no ar. Zugibe contrasta estas suspensões com as que ele defende, onde o indivíduo pendurado tem os pés presos à cruz. Zugibe não faz uma avaliação que leva em consideração um individuo pendurado com seus braços acima de sua cabeça e com uma sustentação abaixo de seus pés.

O radiologista austríaco Ulrich Moedder também contesta o raciocínio de Barbet afirmando que esses voluntários não suportariam mais de seis minutos naquela posição sem descansar. Mas este é o ponto: Sem descansar! Alguém por acaso apresentou alguma evidência de que abaixo dos pés de Cristo não havia nenhuma sustentação? As Testemunhas de Jeová jamais propuseram isso, mas o contrário, como pode ver na figura abaixo.

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Ilustração:Aprenda do Grande Instrutor página 188

Temos que ressaltar que a pesquisa de Zugibe não foi uma refutação à “Torre de Vigia”, e evidentemente descartou a possibilidade mais evidente, conforme apresentada nas Escrituras Sagradas, a saber, que Jesus foi pendurado em um madeiro ou poste, e não em um objeto cruciforme. Baseou sua pesquisa a partir de tal pressuposto, não em sintonia, mas em discordância com o que a Bíblia realmente diz.

Das mais de 10 teorias proposta para a causa da morte de Jesus Cristo, realizadas por pessoas muito experientes em campos tais como patologia forense, medicina ou cirurgia, embora aparentemente plausíveis, revelam, porém, depois de um exame mais detalhado, que estas não podem ser sustentadas devido à ausência de informação nos poucos dados disponíveis.

E mesmo depois de consultas referentes ao período romano feitas na British Library, juntamente com a única descoberta arqueológica com um suposto modelo de crucificação (Giv’at ha-Mivtar), estudados durante uma visita a Jerusalém, temos um meandro de conjecturas que dispensam qualquer afirmação dogmática a respeito da real causa mortis. Em Israel, até mesmo um osteoarqueólogo foi consultado no caso dos restos mortais achados em 1968 do calcanhar de Yehohanan ben Hagakol.

CRUCIFIXION IN ANTIQUITY

THE ANTHROPOLOGICAL EVIDENCE

Joe Zias e Skeles, que  em 1985 participaram  em uma pesquisa acadêmica onde reavaliaram o achado arqueológico de 1968 do homem de Ha Giv´At- Mivtar, afirma claramente em sua página na internet que no caso da crucificação em massa de 6000 Judeus na via Apia “seria mais plausível que a maneira mais eficiente e mais rápida seria prender a vítima a uma arvore ou cruz com suas mãos acima da cabeça.A vítima morreria em minutos ou no mínimo em algumas horas se esta não estivesse presa ou amarrada embaixo“. (DESTAQUE É MEU)

FONTE:

http://www.joezias.com/CrucifixionAntiquity.html

As propostas de uma resposta a respeito da causa mortis de Jesus a partir de uma visão arqueológica são limitadas demais para se chegar a uma opinião inquestionável – o que desbanca o dogmatismo de muitos críticos contra as Testemunhas de Jeová. Preferimos ficar com a afirmação simples de que Cristo morreu em uma estaca, pois é isso o que a Bíblia diz de modo inquestionável em sua simplicidade. Até porque vários fatores envolvidos na causa de sua morte não são claramente detalhados nem pela Bíblia, nem pela história ou sequer pela arqueologia. 

A conclusão é que a pesquisa de muitos opositores das Testemunhas de Jeová não tem valor algum, uma vez que é feita com espírito de rivalidade e na tentativa desesperada de ridicularizar ou desacreditar as Testemunhas de Jeová, mesmo que para isso tenham que, como sempre usar de desonestidade, ao apresentarem pesquisa tendenciosa e não realmente objetiva com o intuito de achar a verdade. Acreditam que a verdade seria algo que pudesse descartar a conclusão das Testemunhas de Jeová. Isso procuram com todo vigor. Acabam perdendo o compromisso com a verificabilidade dos fatos, imparcialidade e método científico. Quando digo método científico estou me referindo a forma responsável de pesquisa com amplo espectro de análise que não deixa nenhum fato importante fora da pesquisa. Antes, agrega-os a pesquisa. Observe por exemplo como alguns ignoram totalmente os mais respeitados dicionários

como se estes fossem irrelevantes ou inexistentes na forma em que estes definem as palavras STAURÓS E XYLON! A simples citação destas obras é inútil para estes opositores. A soma geral é entendida por eles como sendo doutrinas da “torre de Vigia”.


[1] Medicina: Perda repentina da consciência com suspensão aparente das funções vitais de respiração e circulação. – Michaelis.

[2] Med Estado de alcalinidade diminuída do sangue e dos tecidos, caracterizado por hálito doce e doentio, dor de cabeça, náusea, vômitos e distúrbios visuais; geralmente causado por excesso de produção de ácidos. – Michaelis.

[3] Med Formação de embolias [Obliteração repentina de uma artéria ou veia por um êmbolo (partícula estranha)]; estado das artérias em consequência dessa formação. – Michaelis. 

Sobre a cruz temos também este artigo: 

Resposta a um artigo crítico sobre STAUROS

“Sinal dos pregos” no corpo de Jesus – o que indica?

LINK ADICIONAL SOBRE OUTRO ASSUNTO:

O QUE DIZ A BÍBLIA SOBRE TRANSFUSÕES DE SANGUE?

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