Prova a exclamação de Tomé em João 20:28 que Jesus é verdadeiramente Deus?


Apoia a trindade a expressão surpresa de Tomé ao ver o ressuscitado Jesus, quando exclamou:

 “Meu Senhor e meu Deus”? (João 20:24-29)

Observe o que o livro Raciocínios a base das Escrituras comenta:

João 20:28 (ALA) reza: “Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!”

Não há objeção a se referir a Jesus como “Deus”, se isto é o que Tomé tinha em mente. (Afirma-se isso em vista do entendimento da palavra Deus nos dias da Grecia antiga e Roma ser bem diferente do uso atual como poderá ver neste artigo)  Estaria em harmonia com a própria citação de Jesus dos Salmos em que se dirige a palavra a homens poderosos, juízes, pelo termo “deuses”. (João 10:34, 35, ALA; Sal. 82:1-6) Naturalmente, Cristo ocupa uma posição bem mais elevada do que tais homens. Devido à singularidade da sua posição em relação a Jeová, Jesus é mencionado em João 1:18 (NM) como “o deus unigênito”. (Veja também ALA, VB.) Isaías 9:6 (ALA) também descreve profeticamente Jesus como “Deus Forte”, mas não como o Deus Todo-poderoso. Tudo isso está em harmonia com o fato de Jesus ser descrito em João 1:1 como “um deus”, ou “divino”. (NM, AT).

O contexto nos ajuda a tirar disto a conclusão correta. Pouco antes da morte de Jesus, Tomé ouvira a oração de Jesus, na qual se dirigia a seu Pai como “o único Deus verdadeiro”. (João 17:3, ALA) Após sua ressurreição, Jesus enviou uma mensagem aos seus apóstolos, inclusive a Tomé, na qual dizia: “Subo . . . para meu Deus e vosso Deus.” (João 20:17, ALA) Após registrar o que Tomé disse quando realmente viu o ressuscitado Cristo e tocou nele, o apóstolo João declarou: “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (João 20:31, ALA) Portanto, se alguém concluiu, à base do que Tomé exclamou, que o próprio Jesus é “o único Deus verdadeiro”, ou que Jesus é “Deus Filho” trinitário, precisa reexaminar o que o próprio Jesus disse (v. 17 ) e a conclusão claramente expressa pelo apóstolo João (v. 31 ).”

 Tomé ficou muito comovido em decorrência de se dar conta do fato notável de que Jesus Cristo realmente havia sido ressuscitado, e de que estava face a face com ele. Entretanto, nada no relato indica que Tomé pensasse que Jesus era igual ao Pai. João, que registrou as palavras de Tomé, citara Jesus como dizendo que até mesmo homens eram chamados de “deuses”. Certamente, o ressuscitado Senhor Jesus Cristo é maior do que qualquer homem. (João 10:34, 35) E, no mesmíssimo capítulo em que lemos as palavras de Tomé, João registrou a declaração de Jesus de que o Pai é o Deus de Jesus. — João 20:17.

Paulo revelou que os cristãos do primeiro século entendiam corretamente a relação existente entre Jesus e seu Pai celestial, quando escreveu que “para nós há realmente um Deus, o Pai, . . . e um Senhor, Jesus Cristo.” — 1 Coríntios 8:6.

No  grego usado para se escrever o chamado “Novo Testamento”, existem  cinco diferentes formas da palavra “Senhor” e por isso, cinco diferentes pronúncias, dependendo da aplicação da palavra. Mas no português, “Senhor” é sempre pronunciado da mesma forma, independentemente do uso da palavra “senhor”. Observe como a palavra “Senhor” ocorre no texto grego:

  1. ky’rios…………………….nominativo

  2. Kyri’ou……………………genitivo

  3. Kyri’o……………………..dativo

  4. Ky’rion……………………acusativo

  5. Ky’rie……………………..vocativo

Vejamos um exemplo parecido no uso da palavra “Deus”, em grego koine “THEÓS”:

  1. Deus é amor Theo’s – Caso Nominativo

  2. A Palavra de Deus Theou’ – Caso Genitivo

  3. Ele falou com Deus Theo’ – Caso Dativo

  4. A Palavra estava com Deus Theo’n – Caso Acusativo

Note que no português a forma da palavra “Deus” mantém-se sempre a mesma, independentemente de como funciona na sentença, ao passo que no grego a forma e a soletração mudam. No Grego Clássico (ou Ático) existe outra ocorrência usada chamada de “vocativo”. O uso desta forma aplica-se a uma declaração dirigida a uma pessoa. Em outras palavras, quando alguém fala, e a declaração é dirigida diretamente para aquela pessoa, a forma vocativa do substantivo é usada.

A ocorrência do Vocativo: O substantivo do grego ocorre de forma a identificar a pessoa ou coisa a que se dirige ou para a qual é usada. (Ancient Greek: A New Approach, Carl Ruck, Department of Classical Studies, Boston University, Cambridge, MA, the MIT Press, 3rd printing, 1987, p.189).

O vocativo é um termo da oração que corresponde a um chamamento, uma invocação. Vem do Latim VOCARE que quer dizer invocar, chamar. Veja um exemplo:

CRIANÇA, não verás país como este!
Estudem para o teste, ALUNOS!
CAIO, vá comprar pão para o lanche.

À medida que a linguagem se desenvolvia, a ocorrência do vocativo deu lugar à forma do nominativo. Esta tornou-se ainda mais comum à medida que o Koiné ou Grego Helenístico – o grego da LXX e do Novo Testamento – se desenvolveu. Assim chegamos a uma parte vital para o correto entendimento de da declaração do Apóstolo Tomé dirigida a Jesus . O  nominativo deu lugar ao vocativo, excepto — isto tem grande relevância — na palavra “Senhor” em grego, (ky’rios — forma nominativa). “Senhor,” na aplicação bíblica, não se conforma com este padrão. Isto também é verdade no caso da palavra dida’skalos, que significa “instrutor,” e talvez em mais algumas palavras gregas. A forma vocativa para “Senhor” Ky’rie foi mantida pelos tradutores da LXX e pelos inspirados escritores do Novo Testamento, e a retenção desta forma para “Senhor” é a chave gramatical para entendermos João 20:28. Esta diferença vital entre o nominativo e o vocativo não discernível na tradução portuguesa.

 

No evangelho de João, antes e depois da ressurreição de Jesus,  cada declaração direta, dirigida a Cristo usando a palavra “Senhor” (ky’rie), falada direta e sobre Jesus, João usa sempre o vocativo. Em João 20:28, não é “ky’rie” mas “Ky’rios”( nominativo) que é usado, o que indica que enquanto Tomé está falando com Jesus, ele não está falando SOBRE Jesus! Da mesma forma que uma filho diz a seu Pai: “Meu Deus, olha só isso pai” O filho não está chamando ao pai de “Deus”. É apenas uma exclamação. 

Muitos eruditos apoiam a tese de que a declaração de Tomé foi de fato uma exclamação. Esta exclamação foi dita a Jesus, contudo era uma declaração dirigida ao Deus Todo-Poderoso, Jeová. A totalidade dos textos no Novo Testamento,  onde ocorre  a palavra “Senhor”, é de 113 ocorrências. Em cada ocorrência no Novo Testamento, onde a palavra “Senhor” é usada de forma direta, num discurso direto, é sempre, sem excepção, usado o vocativo. Não é usado o nominativo. Revendo a Septuaginta Grega (LXX), não existe uma única ocorrência válida, da forma gramatical semelhante à sentença de João 20:28, onde “ky’rios” aparecendo com “theo’s” tenha o artigo com ky’rios, (o Senhor de mim e o Deus de mim) sendo usado como vocativo! Visto que é exatamente o que ocorre em João 20:28 (o uso de ky’rios, (nominativo) e não ky’rie, nós não temos uma declaração direta para e sobre Jesus, mas uma declaração feita a Jesus – mas endereçada a outro!

Outra forma de dizer isto: Em João 20:28, nós encontramos na declaração de Tomé dirigida a Jesus, não ky’rie, mas ky’rios. Se Tomé nas suas palavras quisesse fazer a declaração “Senhor meu, e Deus meu” referindo-se a Jesus, então ele teria usado o vocativo ky’rie, como todas as declarações existentes no Novo Testamento quando referidas a Jesus como “Senhor”. Mas, visto que ky’rios é usado na sentença de Tomé, enquanto ele a dirigia a Jesus, é endereçada a outro – nomeadamente o “Senhor e Deus” de Tomé e do próprio Jesus! (Veja João 20:17 e Apocalipse 3:2, 12 (quatro vezes) onde Jesus chama a Jeová de “meu Deus”).

Repetindo o mesmo entendimento acima, a Obra Estudo Perspicaz das Escrituras diz a respeito desta passagem:

“Na ocasião em que Jesus apareceu a Tomé e aos outros apóstolos, removendo as dúvidas de Tomé sobre a ressurreição de Jesus, Tomé, então já convencido disto, exclamou a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus! [literalmente: “O Senhor de mim e o Deus (ho The·ós) de mim!”].” (Jo 20:24-29) Alguns peritos têm encarado esta expressão como uma exclamação de espanto falada a Jesus, mas realmente dirigida a Deus, seu Pai. Todavia, outros afirmam que o grego original exige que as palavras sejam consideradas como dirigidas a Jesus. Mesmo assim, a expressão “Meu Senhor e meu Deus!” ainda teria de se harmonizar com o restante das Escrituras inspiradas. Visto que o registro mostra que Jesus enviara anteriormente a seus discípulos a mensagem: “Eu ascendo para junto de meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus”, não existe motivo para se crer que Tomé imaginasse que Jesus fosse o Deus Todo-poderoso. (Jo 20:17) O próprio João, ao narrar o encontro de Tomé com o ressuscitado Jesus, diz o seguinte sobre este e outros relatos similares: “Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome.” — Jo 20:30, 31.

Portanto, Tomé pode ter-se dirigido a Jesus como “meu Deus” no sentido de Jesus ser “um deus”, embora não o Deus Todo-poderoso, não “o único Deus verdadeiro”, a quem Tomé tinha muitas vezes ouvido Jesus orar. (Jo 17:1-3) Ou, talvez se tivesse dirigido a Jesus como “meu Deus” dum modo similar às expressões feitas por seus antepassados, registradas nas Escrituras Hebraicas, com as quais Tomé estava familiarizado. Em várias ocasiões, quando um mensageiro angélico de Jeová visitava certas pessoas ou se dirigia a elas, tais pessoas, ou às vezes o escritor bíblico que registrava tal acontecimento, respondiam ao mensageiro angélico, ou falavam dele, como se fosse Jeová Deus. (Veja Gên 16:7-11, 13; 18:1-5, 22-33; 32:24-30; Jz 6:11-15; 13:20-22.) Isto se dava porque o mensageiro angélico atuava por Jeová, como Seu representante, falando em Seu nome, talvez usando o pronome pessoal na primeira pessoa do singular e chegando mesmo a dizer: “Eu sou o verdadeiro Deus.” (Gên 31:11-13; Jz 2:1-5) Tomé, portanto, talvez se tenha referido a Jesus como “meu Deus” neste sentido, reconhecendo ou confessando que Jesus era o representante e porta-voz do verdadeiro Deus. Seja qual for o caso, é certo que as palavras de Tomé não contradizem a declaração expressa de Jesus, que ele mesmo tinha ouvido, a saber, de que “o Pai é maior do que eu”. — Jo 14:28.”

Para uma consideração mais aprofundada deste texto de João 20:28 leia este artigo

Para uma consideração feita por um dos mais respeitados eruditos a respeito de João 1:1 clique aqui

 

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