O Didaquê e a trindade


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O Didaquê (Διδαχń, “ensino”, “doutrina”, “instrução” em grego)  também chamado pelos escritores que viveram antes do Concilio de Nicéia , como “Instrução dos Doze Apóstolos” (do grego Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin) são escritos considerados por um número cada vez maior de eruditos, anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C.

O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesaréia que viveu no século III, em seu livro “História Eclesiástica”, mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI ( ano 1056 ) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla.

Outros estimam que foi escrito entre os anos 70 e 90 d.C., contudo são coesos quanto a origem sendo na Palestina ou Síria. Segundo Willy Rordorf, a Didachê é uma “compilação anônima de diversas fontes derivadas da tradição viva, de comunidades eclesiais bem definidas”, portanto a questão da datação equivale à questão das datas das tradições ali registradas, que indubitavelmente remontariam ao século I d. C., derrubando as teses de datação tardia.

Impostores e outros devem ter tentado explorar a bondade dos cristãos verdadeiros. O Didaquê, ou A Instrução dos Doze Apóstolos, recomenda que um pregador itinerante seja hospedado por “um dia ou, se necessário, mais outro”. Depois disso, quando ele vai embora, “não deve levar nada a não ser o pão necessário . . . Se pedir dinheiro, é um falso profeta”. O documento continua, dizendo: “Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar. Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio. Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!”

Em vez de seguir a prática instituída por Jesus na Refeição Noturna do Senhor, conhecida também como a Santa Ceia, o autor de O Didaquê sugeria que o vinho fosse passado antes do pão. (Mateus 26:26, 27) Esse escritor também dizia que, se não houvesse um lugar com água suficiente para realizar um batismo por imersão, bastaria aspergir água sobre a cabeça da pessoa. (Marcos 1:9, 10; Atos 8:36, 38)

Claramente não inspirado nem parte dos Evangelhos em vista destes pequenos desvios, o Didaquê, contudo apresenta muita informação que lhe dá uma importância de documento e referencia interessante para os estudiosos do primitivo cristianismo. Além disso o Didaquê incentiva a pesquisa do Evangelho de Cristo. No Didaquê,  Jesus jamais é mencionado como o é atualmente na maioria das Igrejas chamadas cristãs. Jesus não é igualado a seu Pai por ser chamado de Deus ou de “Deus Pai”. Nem mesmo é considerado como parte de uma trindade ou “Deus em forma humana” como é atualmente divulgado nas Igrejas Evangélicas.

Jesus é mencionado sempre no Didaquê como sendo “o Filho de Deus” e o “Servo de Deus”. Assim como nos Evangelhos não se vê claramente nem por inferência a doutrina da trindade. SE este fosse um ensino claro e proveniente de Cristo deveria ser mencionado, o que não ocorre no Didaquê.

Atanásio (367) e Rufino (380) mencionam o Didaquê como estando entre os “apócrifos”. A ausência da doutrina trinitária deve fazer os “cristãos” de hoje avaliarem as seguintes perguntas:

Por que não se fala neste escritos de Jesus como sendo o próprio Deus ?

Por que se repete vez após vez a frase “Jesus o servo do Pai” ?

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