Pedofilia na Igreja


 

Dom, 11 Abr, 2010

Papa liderou ‘acobertamento de casos de pedofilia’

da BBC, em Londres

A reportagem do programa examinou um documento secreto interno da igreja, que instrui bispos como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres em suas paróquias.

O texto impõe um juramento, em que a vítima, o acusado e eventuais testemunhas se comprometem a manter sigilo absoluto sobre o caso.

A quebra do juramento levaria à excomunhão.

Durante mais de 20 anos, o homem encarregado de zelar pela obediência aos termos do documento foi o cardeal Joseph Ratzinger – antes de virar papa.

O documento, Crimen Solliciatonis (latim para Crime da Solicitação), foi escrito em 1962 em latim e dstribuído a bispos do mundo inteiro, com a recomendação de que fosse guardado a sete chaves. Poucas pessoas de fora da igreja tiveram acesso a este documento.

O documentário, realizado especialmente para o programa de reportagens Panorama, apresenta material colhido nos Estados Unidos, Brasil e em Roma.

A reportagem é conduzida por Colm O’Gorman, que foi estruprado por um padre católico aos 14 anos.

O programa descobriu sete padres acusados de abusos contra menores vivendo no Vaticano ou em seus arredores.

Um deles, o padre Joseph Henn, foi indiciado, em um tribunal nos Estados Unidos, por 13 acusações de abuso de menores.

Durante as filmagens, O’Gorman descobriu que o padre Henn respondia aos pedidos de extradição do escritório de sua ordem religiosa no Vaticano.

A produção do documentário começou em março de 2002. O Vaticano recusou os vários pedidos feitos pela equipe para que fossem respondidos casos apresentados no filme.

A igreja católica tem cerca de 50 milhões de crianças em suas congregações.

No ano passado, vários casos de abusos vieram à tona nos Estados Unidos.

Segundo um relatório da igreja americana, ficou comprovado que em todo o país cerca de 4 mil padres foram acusados de abusos sexuais contra 10 mil jovens, na maioria meninos.

BERLIM (Reuters) – A maioria dos alemães não confia na Igreja Católica, e um quarto dos católicos do país pensa em deixar a instituição após os escândalos de abuso sexual, mostrou uma pesquisa de opinião.

A pesquisa, a ser publicada na revista Focus na segunda-feira, apurou que 56 por cento dos alemães não confia na Igreja após informações de centenas de casos de abuso sexual e de acobertamento por clérigos

Somente 18 por cento dos alemães têm fé na Igreja, mostrou a pesquisa feita pela Focus com 613 pessoas. Entre os católicos, 26 por cento disseram que pensam em sair da Igreja, o que na Alemanha é uma decisão formal e tem consequências sobre o imposto de renda.

Uma pesquisa semelhante feita em março pela revista Stern mostrou que 19 por cento dos católicos alemães pensavam em deixar a Igreja. Milhares deixaram a Igreja no mês passado.

Um disque-denúncia apresentado na semana passada por Stephan Ackermann, bispo de Trier e especialista da Igreja nos casos de abuso, foi inundado com 12.293 ligações e ficou brevemente fora do ar. Apenas 2.670 ligações puderam ser respondidas.

Pedofilia na Igreja. Dúvida se a carta do papa foi completa e se inibirá o lobo mau de batina

1. Repercussões

Depois da carta enviada pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda, multiplicaram-se — como os pães do milagre relatado no Evangelho —, os artigos na mídia escrita internacional para analisar a (1) suficiência da resposta pontifícia, (2) o seu futuro efeito inibidor com relação àqueles clérigos inclinados a abusar sexualmente de menores e (3) a mudança de postura dos superiores eclesiais dos infratores, pois cansaram de encobrir fatos graves a fim de evitar a difusão dos escândalos e macular o nome da Igreja.

O britânico The Guardian, da terra onde a rainha é a chefe da Igreja e não o papa, foi crítico: “A carta do papa aos católicos irlandeses decepcionou as vítimas de pedófilos. Ele perdeu uma grande oportunidade”.

Também crítico foi o The New York Times, que, em 2004, denunciou os escândalos sexuais a envolver clérigos, num arco de 1950 a 2002: 4.400 padres pedófilos envolvidos em 7 mil atos abusivos.

O The New York Times considerou insatisfatória a carta papal: “O papa pede desculpas pelo escândalo sobre abusos sexuais, mas não adota ações disciplinares imediatas”.

Como se nota pela leitura da carta, o papa Ratzinger tocou em pontos fundamentais como admissão de crimes graves e formalizou um pedido de desculpas. Mas não especificou os procedimentos apuratórios em curso nem tocou em ressarcimentos financeiros às vítimas.

2. Túnel do tempo

Em 1995, veio a furo o escândalo na Áustria e a demissão do arcebispo de Viena, Hans Hermann Groer, nada resolveu.
Nos Estados Unidos, em 2004, constatou-se, como frisei acima, que 4.400 padres pedófilos tinham perpetrado 7 mil abusos sexuais. Em 2002, fora defenestrado o cardeal de Boston, Bernard Law.
A remoção, em 2006, do padre pedófilo Marcial Maciel, da Legião de Cristo no México, só teve efeito midiático.
Nem a indenização de 706 milhões de euros, estabelecida pela Justiça canadense, refreou o lobo mau que se disfarça com batina (confira, abaixo, o texto “Lobo mau de batina”).
Neste 2010, pipocaram escândalos numerosos na Alemanha, Holanda, Suíça e Itália.
Esse quadro sinalizava ao papa Ratzinger a necessidade de anunciar providências efetivas, ou seja, responder de modo a identificar procedimentos disciplinares instaurados e partir para uma efetiva, e não apenas retórica, cooperação com a Justiça laica.

3. A dureza da carta

A carta do papa Bento XVI, não se pode olvidar, foi dura e plena de expressões contundentes como, por exemplo, “crimes hediondos”, “confiança traída”, “dignidade violada”, “dano imenso”, “ultraje”, “indignação”, “tristeza”, “lágrima”.

Numa passagem, ficou grafado: “Em nome da Igreja exprimo abertamente vergonha e o remorso que todos sentimos, experimentamos”.

A mensagem aos católicos irlandeses, e não se precisa de lupa ou ginástica mental para perceber, tem peculiariades próprias de uma carta pastoral.

Deixa claro, por exemplo, que fatos individuais, contrários aos deveres e à ética católica, não maculam toda a instituição. Ou seja, não são de inteira responsabilidade da comunidade católica. Em outras palavras, os abusos sexuais de padres representam a infidelidade, traição, de alguns e não uma responsabilidade de todos.

4. Mudança de postura

Por outro lado, está clara a mudança de postura da Igreja. Antes, os clérigos pedófilos eram considerados doentes que podiam ser recuperados. Como consequência, os escândalos eram abafados.

Não será mais assim. Pelo menos, espera-se.

5. Lobo mau de batina

Reproduzo artigo que escrevi para a revista CartaCapital, na minha coluna semanal intitulada Linha de Frente para a Cidadania.

Os pedófilos têm a imagem associada à do Lobo Mau das histórias infantis, ou melhor, àquele personagem que deseja comer Chapeuzinho Vermelho. O lobo virou logotipo em sites que, a cada ano, exibem ilegalmente imagens de 12 milhões de crianças, entre 10 e 12 anos de idade.

Para indignação geral, o Lobo Mau também usa batina de padre e abusa sexualmente de crianças nos colégios e internatos. Em janeiro deste ano, cerca de 50 ex-alunos denunciaram abusos sexuais no colégio jesuíta Canisius de Berlim. E violências sexuais foram admitidas, ainda neste 2010, em colégios nas cidades de Hamburgo, Frankfurt, Munique. Também em Regensburgo, entre 1958 e 1973, com os meninos do coral da Catedral de Ratisbona. O coral, fundado no ano de 975, foi dirigido, de 1964 a 1994, pelo padre Georg Ratzinger, irmão mais velho do papa. Georg não é pedófilo, mas exagerava nos corretivos, desferindo tapas no rosto das crianças.

O próprio papa Ratzinger se assustou quando foi veiculado que havia protegido, quando arcebispo de Munique (março de 1977 a fevereiro de 1982), um abade pedófilo. Este, removido da diocese de Essen para Munique, em janeiro de 1980. O abade deveria realizar terapia, mas acabou encaminhado a uma paróquia para desenvolver atividade pastoral, sem restrições.

Em 1986, quando Ratzinger já havia assumido (1981), a convite do papa Wojtyla, a Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício de triste memória, o abade pedófilo, por outros abusos sexuais, foi condenado pela Justiça alemã: 18 meses de cárcere, com suspensão condicional da execução da pena (sursis).

O clérigo Gerhard Gruber, então vigário-geral de Munique, assumiu a responsabilidade pelo sucedido e isentou Ratzinger. No ex-Santo Ofício, o atual papa não cobrou punição a nenhum padre pedófilo. Como Bento XVI e, diante dos escândalos, pregou a tolerância zero e transparência nas apurações sobre pedofilia e violências sexuais.

Algumas medidas serão anunciadas em breve pelo papa Ratzinger. Depois de ouvir reclamação da chanceler Angela Merkel, o papa, na Carta aos Irlandeses, deixará clara a obrigatoriedade da comunicação de ilícitos sexuais para as autoridades policiais, laicas e de a Igreja colaborar com as investigações.

A Igreja não é uma mera associação privada, como proclamam os democratas franceses de tradição jacobina. Como já frisaram pensadores liberais, a fé não é algo indiferente para o homem e, por isso, as religiões (todas) não são simples associações privadas. Só que tal status não serve para justificar que um religioso fique fora do alcance dos tribunais da Justiça laica, por fato tipificado como crime.

A notícia de crime de violência sexual para a polícia, informam os vaticanistas, só não será realizada se a vítima não quiser. Será deixada, assim, uma porta aberta para eventuais pressões e invocação do espírito cristão do perdão.
O instituto da prescrição canônica será mudado para as infrações graves, como a pedofilia. Atualmente, o prazo prescricional é de dez anos, a contar da data que a vítima completa 18 anos. Como se sabe, muitas vítimas só conseguem vencer barreiras psicológicas depois dos 40 anos e motivadas por um grande e recente escândalo.

A pedofilia perpetrada por integrantes da Igreja será, por determinação do papa Ratzinger, considerada imprescritível. A propósito, o fim da prescrição para pedófilos foi sugerido pelo monsenhor Charles Scicluna, acusador-geral nos procedimentos perante a Congregação da Doutrina da Fé. Em 2002 e logo após estourar o escândalo de Boston (EUA), onde 200 padres foram acusados de praticar pedofilia, o então papa Wojtyla deliberou que, caso a caso, se poderia, pela gravidade do ato, não se reconhecer a prescrição.

Com Ratzinger indignado e abatido, realizou-se o tradicional Congresso sobre Sacerdócio, organizado pela Congregação Vaticana para o Clero. O bispo de Regensburgo, Gerhard Ludwig Müller, falou sobre celibato, instituído na Igreja latina pelo Concílio de Trento de 1563, e abusos sexuais. E concluiu: “Não consigo estabelecer ligações entre o celibato e os casos de pedofilia ocorridos na Igreja. Os abusos sexuais sucedem em todos os segmentos, até nos não celibatários”.

O consagrado psiquiatra e neurologista alemão Marfed Lutz, da Universidade de Wuerz-burg, derrubou a polêmica tese do criminalista europeu Bill Marshall. Para o criminalista, a castidade não representa um fato natural e pode predispor a uma conduta desviante. Segundo Lutz, não há “déficit de intimidade” entre celibatários. Quem “consegue manter uma vida espiritual iluminada pela presença de Deus não padece de déficit afetivo”, frisou Lutz.
O referido congresso abriu caminho para Ratzinger fincar o pé no celibato, ou melhor, reafirmou o seu “valor sagrado, como autêntica profecia”.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Igreja de Boston deve pagar US$ 85 milhões a vítimas de pedofilia

Padre americano condenado por pedofilia é

morto da Folha Online

O ex-sacerdote americano John Geoghan, condenado por pedofilia e uma figura central do escândalo sobre abusos sexuais na Igreja Católica, foi atacado na prisão e morreu hoje, informaram fontes do sistema prisional e a Arquidiocese de Boston.

”A Arquidiocese de Boston oferece suas orações pelo descanso da alma de John e estende suas orações e consolo à sua querida irmã Cathy”, diz um comunicado da instituição divulgado pela rede de TV CNN.

Anteriormente, um funcionário do presídio, que pediu para não ser identificado, disse que Geoghan foi ferido em uma briga na prisão em Shirley (Massachusetts) e morreu algumas horas depois em um hospital da região.

Geoghan, 67, foi preso no ano passado após ser declarado culpado de molestar um garoto.

A Igreja Católica havia se oferecido para pagar uma indenização de US$ 65 milhões para resolver as centenas de processos de abuso sexual que vários jovens abriram contra a Igreja.

O advogado Mitchell Garabedian, que representa os muitos jovens que dizem terem sido molestados por Geoghan, afirmou estar chocado e surpreso com a notícia da morte do ex-padre.

”Os meus clientes preferiam ter visto John Geoghan ser punido de forma justa pela sociedade”, afirmou Garabedian.

No ano passado, Geoghan recebeu a sentença máxima de nove a 10 anos na prisão, mas deveria cumprir apenas seis, já que a avaliação da pena havia sido suspensa.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/papa-pedofilia.shtml

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