O que é o Paraíso que Jesus prometeu ao malfeitor que morreu ao seu lado?
A imagem acima é uma reprodução de um dos melhores textos gregos do Novo Testamento o Vaticanus 1209 do 4º século. Observe que no texto grego há um ponto não antes da palavra “semeron” (dia) mas depois desta. É interessante os comentários do Erudito Earle Ellis em sua obra The Gospel of Luke no comentário da Bíblia New Century (pub. por Wm.B.Eerdmans Publishing Co. Grand Rapids Michigan, reprint of 1983):
“ Alguns manuscritos produzidos razoavelmente cedo colocam a vírgula depois de “hoje” e assim, continuam com a referência a parousia do verso 42. “
Isto, sem dúvida, mostra que este erudito sabe a respeito da pontuação no Ms Vaticanus em Lucas 23:43. Observe o que a obra Estudo Perspicaz diz a respeito deste assunto:
“O relato de Lucas mostra que um malfeitor, que estava sendo executado ao lado de Jesus Cristo, falou em defesa de Jesus e pediu que Jesus se lembrasse dele quando ‘entrasse em seu reino’. A resposta de Jesus foi: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” (Lu 23:39-43) A pontuação usada na tradução destas palavras depende, naturalmente, do entendimento que o tradutor tem do sentido das palavras de Jesus, visto que no texto original grego não se usou nenhuma pontuação. A pontuação no estilo moderno só se tornou comum por volta do nono século EC. Embora muitas traduções ponham uma vírgula (ou dois pontos) antes da palavra “hoje”, e desta forma dêem a impressão de que o malfeitor entrou no Paraíso naquele mesmo dia, não existe nada no restante das Escrituras que apóie isto. O próprio Jesus ficou morto e no túmulo até o terceiro dia e foi então ressuscitado como as “primícias” da ressurreição. (At 10:40; 1Co 15:20; Col 1:18) Ele ascendeu ao céu 40 dias depois. — LEIA Jo 20:17; At 1:1-3, 9.
A evidência, portanto, é de que o uso da palavra “hoje”, por Jesus, não foi para indicar quando o malfeitor estaria no Paraíso, mas, em vez disso, para chamar a atenção para o momento em que essa promessa estava sendo feita e no qual o malfeitor mostrara certa medida de fé em Jesus. Tratava-se do dia em que Jesus fora rejeitado e condenado pelos mais categorizados líderes religiosos do seu próprio povo e, depois disso, sentenciado à morte pela autoridade romana. Ele se tornara objeto de zombaria e ridicularização. Portanto, o malfeitor ao seu lado mostrara uma notável qualidade e elogiável atitude de coração em não concordar com a maioria, mas, em vez disso, em falar em defesa de Jesus e expressar sua crença na vindoura realeza dele. Reconhecendo que a ênfase é corretamente colocada no momento em que a promessa estava sendo feita, em vez de na época de seu cumprimento, outras traduções, tais como as de Rotherham e de Lamsa, em inglês, as de Reinhardt e de W. Michaelis, em alemão, a Tradução Ecumênica da Bíblia, em português, bem como a siríaco curetoniano do quinto século EC, verteram esse texto de modo similar à Tradução do Novo Mundo, aqui citada.
Quanto à identificação do Paraíso a respeito do qual Jesus falou, é claro que não é um sinônimo do Reino celestial de Cristo. Anteriormente, naquele dia, apresentara-se a entrada no Reino celestial como perspectiva para os fiéis discípulos de Jesus, mas à base de terem ‘permanecido com ele em suas provações’, algo que o malfeitor jamais fizera, sendo que sua morte na estaca ao lado de Jesus ocorrera puramente por causa de suas próprias ações criminosas. (Lu 22:28-30; 23:40, 41) O malfeitor obviamente não havia ‘nascido de novo’, da água e do espírito, o que Jesus mostrou ser um pré-requisito para a entrada no Reino dos céus. (Jo 3:3-6) Nem era o malfeitor um dos ‘vencedores’ que o glorificado Cristo Jesus disse que estariam com ele em seu trono celestial e que teriam parte na “primeira ressurreição”. — Re 3:11, 12, 21; 12:10, 11; 14:1-4; 20:4-6.
Algumas obras de referência apresentam o conceito de que Jesus se referia a uma localização paradísica no Hades ou Seol, supostamente um compartimento ou divisão ali para os aprovados por Deus. Afirma-se que os rabinos judeus daquela época ensinavam a existência de tal paraíso para aqueles que tinham morrido e estavam aguardando a ressurreição. A respeito dos ensinos dos rabinos, o Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia), de Hastings, declara: “A teologia rabínica, como nos foi transmitida, apresenta uma extraordinária miscelânea de idéias sobre essas questões, e no caso de muitas delas é difícil determinar as datas a que devem ser designadas. . . . Tomando a literatura exatamente como é, pode parecer que o Paraíso era considerado, por alguns, como sobre a própria terra, por outros, como fazendo parte do Seol, por ainda outros, como nem sobre a terra nem sob a terra, mas no céu . . . Mas há certa dúvida no que diz respeito, pelo menos, a parte disto. Estes vários conceitos são realmente encontrados no judaísmo posterior. Eles aparecem mais precisamente e em mais pormenores no judaísmo cabalístico medieval . . . Mas é incerto até que ponto estas coisas podem remontar. A mais antiga teologia judaica pelo menos . . . parece dar pouco ou nenhum lugar à idéia dum Paraíso intermediário. Ela fala de um Gehinnom para os iníquos, e de um Gan Eden, ou jardim do Éden, para os justos. É questionável se ela vai além desses conceitos e assegura um Paraíso no Seol.” — 1905, Vol. III, pp. 669, 670.
Mesmo que eles realmente ensinassem isto, seria muitíssimo desarrazoado crer que Jesus propagaria um conceito assim, em vista da sua condenação das tradições religiosas não bíblicas dos líderes religiosos judaicos. (Mt 15:3-9) É provável que o paraíso realmente conhecido pelo malfeitor judeu com quem Jesus falou fosse o Paraíso terrestre descrito no primeiro livro das Escrituras Hebraicas, o Paraíso do Éden. Sendo assim, seria razoável que a promessa de Jesus apontasse para um restabelecimento de tais condições paradísicas na terra. Portanto, sua promessa ao transgressor daria assegurada esperança duma ressurreição de tal pessoa injusta para ter a oportunidade de viver nesse Paraíso restaurado. — Veja At 24:15; Re 20:12, 13; 21:1-5; Mt 6:10. “
FONTE: Estudo Perspicaz das Escrituras PUBLICADO PELAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ.


Comentários
Muuuuuuuuuuuuuuuuuuito boa a explicação.