Tradução comparada – 1João 1.1-3

Pronome Relativo em grego

masculino

feminino

neutro

sing. plur. sing. plur. sing. plur.
nom. ὅς οἵ αἵ
gen. οὗ ὧν ἧς ὧν οὗ ὧν
dat. οἷς αἷς οἷς
acc. ὅν οὕς ἥν ἅς

Este artigo é uma resposta ao Teologando e seus comentários dirigidos a Tradução do Novo Mundo feitos por Marcelo Berti, autor do artigo.

Suas palavras estão em azul ao passo que as respostas dadas aqui estarão em preto. Ele usa adjetivos fortes e palavras carregadas de emoção ao chamar a Tradução do Novo Mundo de “maliciosa”, “uma desgraça” ,”infeliz” de tradutor ‘débil” e outras declarações do gênero.

começa seu artigo assim…

Tradução comparada – 1João 1.1-3  

 O objetivo para esse tipo de avaliação é apresentar a nítida alteração do texto grego para fins teológicos realizada pelos tradutores da TNM.

A pergunta que fica no ar aqui é que “fins teológicos” seriam estes ? Segundo ele as TJ “colocam em risco a ” concepção cristã da pré-existência de Cristo“. Tal acusação é enganosa visto que como verá abaixo no link da página oficial das Testemunhas de Jeová, elas crêem que Jesus teve uma existência pré humana. Na verdade a acusação uma vez provada aqui ser uma clara distorção, nos faz pensar que o objetivo do autor do Teologando é o mesmo da maioria dos que criticam as TJ.

Qual seria este objetivo ?

Desacreditar e ridicularizar as TJ por eles serem membros de outra Igreja cuja pregação zelosa e persistente entre outras coisas os incomoda. Na verdade o histórico das Testemunhas de Jeová é de enervar a qualquer Igreja. Uma vez que as TJ denunciam várias doutrinas da Cristandade como sendo antibíblicas.

Consegue ele  provar que as TJ “colocam em risco a concepção cristã da pré-existência de Cristo” ?

Seu artigo começa citando a opinião de Teólogos e estudiosos cuja opinião é totalmente irrelevante para ser levada em conta, uma vez que estes são fortes opositores e contrários as Testemunhas de Jeová, visto que assim como o autor do Teologando, eles também demonstram um forte desafeto e espírito crítico contra as TJ. O julgamento deles jamais poderia ser imparcial e justo (princípio básico na critica textual) visto que está enuviado e afetado pelo seu ardente desejo de desacreditar as TJ mesmo que , para conseguirem isso, tenham que recorrer a acusações vazias ou até mesmo mentiras.

Ele começa colando as fontes provenientes de páginas americanas que dizem…

Sobre o texto da TNM, Ray C. Stedman diz o seguinte:

Um exame detido, que vá além da aparência superficial de exegese, revela uma verdadeira trapalhada de fanatismo, preconceito e predisposição tendenciosa que viola todas as regras de criticismo bíblico e todos os padrões de integridade acadêmica”

Como este Pastor assalariado poderia falar de modo imparcial a respeito de outra religião  uma vez  que sua Igreja o sustentava e pagava até mesmo sua aposentadoria ? Como pode a opinião de uma pessoa que discordava dos Pastores de sua própria Igreja ser levada em conta ?

 Anthony Hoekma atestou:

 ”A Tradução do Novo Mundo da Bíblia não é de modo nenhum uma tradução objetiva do texto sagrado para Inglês moderno, mas é em vez disso uma tradução tendenciosa na qual muitos dos ensinos peculiares da Watchtower Society são introduzidos sorrateiramente no texto da própria Bíblia”

A opinião deste Erudito também não serve para um leitor imparcial visto que ele era bastante conhecido por sua forma implacável de perseguir as Testemunhas de Jeová em seus cultos. Até mesmo escrevendo um livro onde destaca as Testemunhas de Jeová e as coloca na mais desfavoravel luz possível. Apesar de sua boa formação teológica ele escrevia sempre a favor da Igreja Evangélica Reformada.

H.H. Rowley parece ser bem incisivo nesse assunto:

 ”A tradução é marcada por um literalismo empedernido que só vai exasperar qualquer leitor inteligente – se é que algum dos seus leitores é inteligente – e em vez de mostrar a reverência que os tradutores dizem ter pela Bíblia, é um insulto à palavra de Deus… este volume é um exemplo brilhante de como a Bíblia não deve ser traduzida”

Esta opinião é o oposto de muitos Eruditos e estudiosos neutros! (Clique aqui )

H.H. Rowley era membro da igreja Batista de Leicester na Inglaterra . Sua declaração de que a leitura da tradução do novo mundo “exaspera” é apenas sua opinião, que por sinal revela muito a respeito de sua capacidade de avaliar de modo imparcial. Por exemplo, será que as TJ não possuem um “leitor inteligente” como ele sugere ? Esta declaração mostra claramente que este homem além de mal educado se esquece do mandamento bíblico de defender a fé com “temperamento brando e profundo respeito” (1 Pedro 3:15) lemos neste texto Sagrado:

” Mas, santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança [que há] em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito“~

Não entendo porque o Marcelo Berti continua postando este absurdo que visa difamar as TJ e até mesmo ridiculariza-las, sendo que no dia 14 de Maio de 2009 ele me enviou um -mail onde eu contestei estas decaclarações mal educadas deste cidadão chamado H. Rowley e enfatizei que a maioria das TJ são muito inteligentes… O marcelo porém disse:

 “Se a frase fosse, MUITOS são MUITO inteligentes eu até aceitaria com um pouco de dificuldade…”

Não lhe parece isso bem diferente do que afirmou o Erudito Evangélico H.H. Rowley ?

Tais declarações são bem acolhida por aqueles que gostam da mentira e difamação que alimenta muitos sites Ant-TJ.

 Vale lembrar que o texto em português da TNM é uma tradução do inglês, e por apenas essa condição não merece tanta credibilidade, como parece apresentar. Entretanto, como é grande o avanço dessa versão e da corrupção que ela promove, vale uma observação detalhada de sua sagacidade e entorpecimento mental que promove por ser explicitamente mal intencionada e malfadada em sua realização.

 Vamos analisar a declaração em destaque acima…

“Vale lembrar que o texto em português da TNM é uma tradução do inglês, e por apenas essa condição não merece tanta credibilidade”

Temos muitas versões produzidas não somente no Brasil como também nos Estados Unidos que não foram feitas a partir do texto hebraico e Grego. Nem por isso jamais se questionou sua credibilidade. Ademais a TNM foi produzida com constante consulta ao texto hebraico e grego, mesmo ao se verter esta para o português. Isso pode ser visto no próprio texto que o autor deste artigo usa para contender.

“Além disso, muitas das primeiras traduções da Bíblia para o inglês e outras línguas foram feitas não a partir do grego e hebraico, como era de se esperar, mas do trabalho monumental e clássico de Jerônimo em latim.” fonte: http://www.recoveryversion.org/portugues/translation.html

O mesmo aconteceu com outras versões que foram bem acolhidas tanto pela Igreja Catolica como protestante.

Tradução de António Pereira de Figueiredo

António Pereira de Figueiredo, padre português, começou o projeto de tradução da Bíblia em português. Era baseada na Vulgata em latin e levou 18 anos para ser completada…Por ser uma versão com português mais recente, foi considerada melhor que a de Almeida, apesar de não ter sido baseado nos idiomas originaisTeve boa acolhida entre católicos e protestantes. Fonte :http://pt.wikipedia.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%B5es_da_B%C3%ADblia_em_l%C3%ADngua_portuguesa

Em 1997  é publicada a Tradução Ecumênica da Bíblia (sendo baseada na versão francesa), sendo parte de sua comissão católicos e protestantes.http://pt.wikipedia.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Ecum%C3%AAnica_da_B%C3%ADblia

 As mais antigas traduçoes da Bíblia para o Inglês foram feitas a apartir da Vulgata latina e não dos textos hebraicos e Gregos. Isso pode ser visto a o se estudar  Caedmon, o veneravel Bede, Alfred o Grande, Aldhelm, Eadfrith, os Evangelhos de Lindisfarne e John Wycliffe. Fonte: http://gbgm-umc.org/umw/bible/english.stm

Não se vê alguém, assim como fez o Marcelo Berti,  achincalhar tais tradutores ou mesmo  suas traduções da Bíblia pelo fato destas terem sido produzidas a partir de textos da vulgata!

Consideração do texto de 1 João 1:1-2

A Tradução do Novo Mundo é uma tradução literal que não oferece paráfrases do texto. O uso de um pronome demonstrativo neutro em 1 João 1:1-2 no texto em Português da TNM revela que a comissão de Tradução estava bem ciente do pronome relativo neutro usado no texto grego, e não o contrário, fazendo então esforço no sentido de transmitir os pensamentos e declarações com a máxima similaridade ao texto grego.

TNM          “Aquilo que era desde [o] princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos observado atentamente e as nossas mãos têm apalpado, com respeito à palavra da vida”

Analisemos este texto consultando o texto grego :

1 João 1:1 ο ην απ αρχης ο ακηκοαμεν ο εωρακαμεν τοις

οφθαλμοις ημων ο εθεασαμεθα και αι χειρες ημων

εψηλαφησαν περι του λογου της ζωης

Observe o uso do pronome relativo. Aparece no caso acusativo singular neutro. Isso não é mencionado em momento algum pelo autor deste artigo crítico da TNM.Ele apenas diz de maneira tímida que a cláusula “pode ser traduzida” por “aquilo” em outro contexto. Sabemos que o pronome relativo deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere. Mas nem sempre é assim mesmo no grego usado pelo ápóstolo. Um exemplo é João 4:22 onde fala de alguém que não é ninguem mais ninguem menos que o Deus Todo Poderoso e usa-se, não um artigo definido, mas um pronome relativo neutro também! Ademais, em 1 João 1:1 percebe-se uma oração subordinada a  περi τοu λόγου τῆς ζωῆς ou “acerca da palavra da vida”  . Isto explica por que não háveria nenhuma incoerência em chamar o sujeito da oração de “Aquilo”. Não existe essa coisa de regra absolutista neste assunto.

A crítica deste autor só faria sentido se o apóstolo tivesse usado o pronome relativo singular masculino ὅς (vide tabela acimaou ainda o  pronome demonstrativo  ουτος (houtos) ocorrendo num caso nominativo masculino. As Traduções da Bíblia citadas abaixo apoiam este entendimento e estão em sintonia com a Tradução do Novo Mundo.

New American Standard Bible

   What was from the beginning, what we have heard, what we have seen with our eyes, what we have looked at and touched with our hands, concerning the Word of Life

Literalmente : “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos”

GOD’S WORD  Translation

1The Word of life existed from the beginning. We have heard it. We have seen it. We observed and touched it”

Observe nesta ultima o pronome neutro usado para fazer concordãncia nominal e similaridade com a sintaxe do texto grego. Muito embora não possamos dizer que este texto tenha como princípio uma tradução literal com equivalencia dinâmica, demonstra contudo o que é evidente no texto grego escrito pelo Apóstolo, um caso acusativo singular neutro.

International Standard Version

1What existed from the beginning, what we have heard, what we have seen with our eyes, what we observed and touched with our own hands—this is the  Word of life!

———————————–

Não vemos a força das argumentações deste crítico da Tradução do Novo Mundo visto que  este texto da TNM está em perfeita sintonia com todas as principais versões da bíblia em Inglês. Aliás a versão em Ingles da Tradução do Novo Mundo é exatamente igual as melhores traduções existentes atualmente. Como poderá confirmar abaixo:

New International Version

That which was from the beginning, which we have heard, which we have seen with our eyes, which we have looked at and our hands have touched—this we proclaim concerning the Word of life.”

COMPARE COM A TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO onde lemos :

That which was from [the] beginning, which we have heard, which we have seen with our eyes, which we have viewed attentively and our hands felt, concerning the word of life

English Standard Version

That which was from the beginning, which we have heard, which we have seen with our eyes, which we looked upon and have touched with our hands, concerning the word of life”

E até mesmo a Bíblia mais usada pela comunidade Evangélica Americana verteu igualmente a TNM!

King James Version

That which was from the beginning, which we have heard, which we have seen with our eyes, which we have looked upon, and our hands have handled, of the Word of life

Observe o que o Erudito Jason Beduhn comentou quando indagado por mim a respeito do texto de 1 João 1:1 na tradução do Novo Mundo:

26/10/2010

Dear Mr. Oliveira, 

Yes, the translation of 1 John 1:1 in the NWT seems fine to me, and there are no particular challenges or issues in translating this sentence.  I would translate etheasametha as “have examined” — more simple and straightforward than “have viewed attentively.”  But I don’t think the meaning is particularly altered by the choice there.

best wishes,

Jason BeDuhn

Professor of Religious Studies

Northern Arizona University

Prezado Sr Oliveira,

A Tradução de 1 João 1:1 na TNM me parece boa e  não há nenhum desafio em particular ou polêmica ao se traduzir esta sentença. Eu traduziria etheasametha por “tenho examinado”, mais simples e que destaca mais do que “temos observado atentamente” Mas não acho que o significado é particularmente alterado pela escolha [feita] alí”

Felicidades,

Jason BeDuhn

Professor de Estudos Religiosos na

Northern Arizona University

Agora compare com a opinião de um antagonista…

Nesse pequeno verso das escrituras podemos ver uma primeira distorção que poderia colocar em risco a concepção cristã da pré-existência de Cristo. Entretanto, a tradução é tão infeliz que não podemos ao certo compreender o que intencionavam os responsáveis por essa tradução.

Sei que o autor se refere a versão em Português da TNM contudo ele generaliza sem demonstrar de modo evidente sua distinção ao fazer sua crítica, que como vimos se aproveita de declarações sensasionalistas de religiosos contrários as TJ e faz isso com refer~encia a Bíblia em Inglês e não a versão em português.

a tradução é tão infeliz que não podemos ao certo compreender o que intencionavam os responsáveis por essa tradução

Percebo que não compreende mesmo! Pois um dos motivos que citou acima (relacionado com a pré-existência de Jesus) e tão “infeliz” como sua analise gramatical. Se há uma debilidade e malícia agora podemos ve-la de modo claro!

As Tj nunca questionaram a existência pré humana de Jesus e dizer isso é que é uma “distorção’. A crítica textual deste autor é tão” infeliz” que nós compreendemos que ele tenta de todas as maneiras desacreditar a TNM com uma aparência de conhecimento dos idiomas da bíblia, mas lamentavelmente, afirmo que ele não deveria rejeitar o básico de concordância gramatical a favor de teologia tradicional.

Observe que o texto da TNM inicia com a seguinte declaração: “Aquilo que era desde [o] princípio“. Segundo essa leitura podemos supor que existe “algo” (não alguém) que existe desde o início.

O texto se refere a “palavra da vida” que como sabemos gramaticalmente é algo.

Muitos Eruditos não fazem essa confusão.

Marshall: “O escritor usa aqui a forma neutra, muito embora a  palavra grega ‘logos’ seja masculina. Em toda parte porém ele usa o neutro quando uma forma masculina seria esperada. Aqui o uso do neutro sugere que o autor tem em mente  a mensagem cristâ que foi encarnada em Jesus.”

Observou como o apóstolo usa uma forma “neutra muito embora a palavra grega ´logos’ seja masculina”  o que desbanca a declaração feita a seguir!

 a regra geral do pronome relativo grego é que ele concorda em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se refere.

 Na literatura joanina a expressão “ap`arxes” tanto pode apontar para a criação (Jo8.44; 1Jo.2.13) como para o início do cristianismo (Jo.15.27; 1Jo.2.7, 24). Assim, a versão TNM aponta para aquilo que existia desde o início do mundo (coexistente com Deus), ou do início do cristianismo. De qualquer modo, é preciso inferir que tal opção sugere que João teria ouvido, visto, observado e apalpado (observe o presente contínuo) algo que aponta para a palavra da vida.

Observemos com detida atenção este verso conforme aparece na Tradução Almeida Revisada e Fiel:

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.”

Percebe-se  neste texto após uma análise de sua sintaxe que desde o início o texto já apresenta uma pronome relativo neutro. O mesmo versículo nos mostra o porque disso ao usar a frase “palavra da vida“, que como sabemos é algo, e aplicá-la a pessoa que evidentemente revela ser Jesus Cristo. As Testemunhas de Jeová não teriam porque “colocar em risco a concepção cristã da pré-existência de Cristo” visto que este é um ensino básico das Testemunhas de Jeová. Alguém que lesse essa declaração poderia muito bem deduzir que as Testemunhas de Jeová não crêem na existência pré-humana de Jesus. Isso é apenas mais uma distorção visando descaracterizar o que as TJ dizem. Que elas realmente pregam em harmonia com a Bíblia Sagrada que Jesus teve uma existência pré humana pode ser confirmado além de dúvidas aqui.

A verdade sobre a expressão “ho en ap` arxês” é que até poderia (em outro contexto) ter sido traduzida como “aquilo que era desde o princípio” visto que o pronome relativo “ho” pode ser traduzido como: aquilo, aquele, que, o que. Provavelmente, o tradutor mal intencionado, aproveita-se dessa brecha para inserir sua visão sobre o assunto na “tradução” que pretende realizar.

Essa suposta visão a ser “inserida” como já vimos não existe, uma vez que as TJ JAMAIS NEGAM a existência pré-humana de Cristo. Além disso, pergunte-se :  Foram outros tradutores/traduções mal intencionados quando verteram o texto com uma margem de interpretação sintaticamente semelhante a da TNM ?

Entretanto, a regra geral do pronome relativo grego é que ele concorda em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se refere. Eventualmente, é definido por um verbo, substantivo ou preposição que o governa (Mt.2.9; At.17.3; Rm.2.29). Se isso é verdadeiro, deveríamos esperar algum substantivo que fosse neutro e singular para que pudesse aceitar a opção neutra de “aquilo”. Entretanto, não encontramos no texto nehum substantivo neutro, o que torna infeliz a opção do débil tradutor desse texto. A grande pergunta, então, é: A que se refere o pronome relativo?

O que o autor desconhece é que nem sempre essa regra ocorre e o texto que estamos estudando é um exemplo claro disso. “logos” é um substantivo masculino contudo a frase se inicia com um pronome neutro.

A frase inicial deste texto vertida “O que era” é um pronome relativo grego singular no genero neutro vertido do grego “ho”,  apontando para o conceito que é descrito como  a “palavra da vida” isto explica por que o apóstolo João escolhe um pronome relativo neutro ao invés do artigo definido. Claro que a “palavra da vida se refere a Jesus” identificado em outros textos como “a palavra” ou “ho logos”. Longe de negarem isso, as Testemunhas de Jeová entendem assim visto que publicaram uma Encyclopedia onde afirmam:

“Ministério terrestre e glorificação celestial. No devido tempo, ocorreu uma mudança. João explica: “De modo que a Palavra se tornou carne e residiu entre nós [na pessoa do Senhor Jesus Cristo], e observamos a sua glória, uma glória tal como a de um filho unigênito dum pai.” (Jo 1:14) Tornando-se carne, a Palavra tornou-se visível, audível e palpável a testemunhas oculares na terra. Desta forma, os homens de carne podiam ter contato e associação diretos com “a palavra da vida”, que, diz João, “era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos observado atentamente e as nossas mãos têm apalpado”. — 1Jo 1:1-3. Estudo Perspicaz das Escrituras Vol. 3 debaixo do tema “palavra, A”

João Costuma usar um pronome no caso acusativo singular neutro ao se referir a alguém. Como podemos observar em João 4:22:

“Adorais o que não conheceis; nós adoramos o que ( em grego: “ho”  ) conhecemos, porque a salvação se origina dos judeus.”

υμεις προσκυνειτε ο ουκ οιδατε ημεις προσκυνουμεν ο οιδαμεν οτι η σωτηρια εκ των ιουδαιων εστιν

Nem por isso as traduções da Bíblia vertem o pronome por “aquele” ou “quem”, mas sim “o que”. Estão elas distorcendo as escrituras ?

A sentença grega é montada com uma seqüência de mais três pronomes relativos acompanhados de verbos (no passado – perfeito e aoristo) que caracterizam o objeto de referência dos pronomes relativos. O que se pode esperar então é que, o pronome relativo que acompanha a expressão “que era desde o principio” faça referência ao “logôu tou zoês”, traduzido por Palavra da Vida pela TNM.

Se faz referência a “palavra da vida” então não há nada de errado em usar uma pronome demonstrativo neutro. Visto que como sabemos “a palavra” no sentido literal não é alguém. E todos nós sabemos disso. Não confunda com quem a palavra respresenta neste verso.

 Pronome Relativo em grego

masculino

feminino

neutro

sing. plur. sing. plur. sing. plur.
nom. ὅς οἵ αἵ
gen. οὗ ὧν ἧς ὧν οὗ ὧν
dat. οἷς αἷς οἷς
acc. ὅν οὕς ἥν ἅς

ο  (se Lê: Ho) Aparece neste texto como um pronome relativo acusativo singular neutro.Diferente do exemplo abaixo.

Observe um exemplo do uso do pronome grego quando se refere a pessoas:

Τιμόθεον, ὅς ἐστίν μου τέκνον (1 Co. 4:17)

Timóteo que é meu filho

“Aquilo” como tradução do pronome relativo  Ho é plenamente justificavel visto que João diz que “temos ouvido” a tal. Na verdade nós ouvimos palavras e palavras não são “alguém”.Concorda com o versículo 2 onde lemos que a vida (ἡ ζωὴ ) foi manifestada…e sabemos que “a vida” não é alguém mas “aquilo” que veio e se manifestou.

A soma dessas observações parecem nos dar respaldo suficiente para compreendermos a expressão Logos da Vida como uma alusão a Cristo, o que tornaria todos os pronomes relativos masculinos e singular, diferente do que nota-se na versão TNM. (Observe como o autor ignora o texto grego onde o pronome não é masculino e passa ele mesmo a cometer o mesmo erro dos teólogos que até mesmo articulam a palavra “pneuma” para forçar sua teologia de que “pneuma” é alguém.) É notório os argumentos apresentados por Daniel Wallace onde mostra o costume de muitos teólogos e até mesmo Eruditos em personificar o que a gramática grega jamais personifica !

A gramática grega fala por si mesmo visto que em 1 João 1:1-2 não temos um pronome relativo num caso nominativo masculino. Sendo assim quem será que realmente está forçando teologia ao se traduzir/interpretar o texto ?

A Nota da Bíblia de Barnes fez um comentário que demonstra a coerência da Tradução do Novo Mundo em empregar em Português um pronome demonstrativo neutro.

O sentido pode ser este: “O que quer que houvesse com respeito a Palavra da vida, ou a ele que é a palavra viva, o filho de Deus encarnado, bem desde o começo,desde o tempo em que ele foi primeiro manifestado em carne; O que quer que houvesse com respeito a sua natureza enaltecida , sua dignidade, seu personagem, que fosse sujeito ao testemunho dos sentidos, ser objeto de visão, ou ser escutado, ou tocado, ou que me permitisse ver, and e isso eu vos declaro a respito dele.” João alega ser uma testemunha competente com referencia a tudo o que ocorreu como manifestação a respeito do que o filho de Deus era Grifo é meu

 

LINK ADICIONAL SOBRE JOÃO 1:1 A PALAVRA ERA “UM DEUS” OU “DIVINA” ?

Outros comentários em Inglês que apoiam a TNM em português:

Vincent’s Word Studies

That which (ὃ)

It is disputed whether John uses this in a personal sense as equivalent to He whom, or in its strictly neuter sense as meaning something relating to the person and revelation of Christ. On the whole, the (περί), concerning (A. V., of), seems to be against the personal sense. The successive clauses, that which was from the beginning, etc., express, not the Eternal Word Himself, but something relating to or predicated concerning (περί) Him. The indefinite that which, is approximately defined by these clauses; that about the Word of Life which was from the beginning, that which appealed to sight, to hearing is, to touch. Strictly, it is true, the περί is appropriate only with we have heard, but it is used with the other clauses in a wide and loose sense (compare John 16:8). “The subject is not merely a message, but all that had been made clear through manifold experience concerning it” (Westcott).

About these ads
Both comments and trackbacks are currently closed.

Comentários

  • Rivo Silva  On 5 de maio de 2011 at 15:08

    Rubem, simplesmente muito boa sua consideração sobre o assunto. Você preenche uma lacuna muito importante ao usar seu conhecimento do grego para considerar os argumentos dos que se opõem a obra e que também conhecem o grego koiné, pois refutar a esses se torna mais difícil da parte de alguém que não domina o idioma. Alguns ignoram que nem sempre o conhecimento vem acompanhado de imparcialidade e alguns o usam a fim de tentar dar apoio a seu entendimento pré-concebido sobre o assunto. Maravilhoso o seu trabalho.

  • Ernesto Sarmento  On 21 de agosto de 2011 at 20:29

    Tarefa ingrata, ter de lidar com esse tipo de gente, … gabo-lhe a paciência! Saiba, que nem todos, os que não somos TJ subscrevemos esse tipo de críticas, vazias, baloufas, sem fundamento, carentes de demonstração sólida. Gostei de ler o que escreveu, neste assunto e noutros. Encontrei a página por mero acaso e deparo-me com bons temas e sã análise. Decidi redigir este brevíssimo comentário, pois tenho o desejo de ser notificado sobre os novos assuntos.
    Bem-haja!

  • givanilson rocha  On 31 de agosto de 2011 at 9:49

    estou acompanhando eses estudos com grande satisfação.esse foi de fato profundo,continue com essa vontade de defender a ” VERDADE”.

  • givanilson rocha  On 31 de agosto de 2011 at 16:26

    prezado irmão,eu tenho um livro intitulado ” Novo comentàrio bíblico comtenporâneo de J. ramsey Michaeles.comentando a respeito de João 1:1 essa obra diz: ” a ausência do artigo definido,no grego,antes de Deus levou alguns a presumir que a palavra estaria sendo usada como adjetivo( o verbo era divino),e até mesmo a suprir ,com implicaçoes politeísticas,um artigo indefinido como faz a tradução do novo mundo.aí ele diz: todavia,há duas razões por que VERBO tem artigodefinido,no grego,e DEUS,não: 1 motivo:para indicar que VERBO é o sugeito da oração,ainda que em grego venha após o verbo ” SER” ( i.e.,” O verbo era Deus ” e não ” Deus era o verbo”) e 2 motivo:para indicar que VERBO e DEUS não são termos totalmente intercambíaveis.embora o VERBO seja DEUS,Deus é muito mais do que o VERBO;Deus é também o pai enguanto o verbo é indentificado no verso 14 não como o pai,mas como o unigênito do pai.nos termos dos debates posteriores acerca de cristo,o verbo tem a mesma natureza de Deus,mas, o verbo e o pai não são a mesma pessoa. onde está o principal erro dessas duas RAZÕES apresentada por esse professor?

    • queruvim  On 2 de setembro de 2011 at 21:24

      As Testemunhas de Jeová adoram apenas um Deus. Mas acreditam assim como o Salmista inspirado, (Sal.8:5) que existem vários “deuses” legítimos. Sim, os anjos são chamados de “ELOHIM” no Salmo 8:5. Era o Salmista inspirado “politeista” ? Claro que não! Ele apenas considerava seres angelicais, com poderes e autoridade a eles delegados, como sendo seres poderosos ou ELOHIM (Deus/deuses). Politeistas são aqueles que crêem e ADORAM outros seres. Moisés foi chamado de ELOHIM em Exodo 7:1, sem que contudo ele fosse adorado pelos Israelitas. Ele foi assim chamado devido ao poder e autoridade concedidos a ele por Jeová Deus ao designa-lhe para libertar seu Povo.

      “Vê, eu te fiz Deus para Faraó” diz o texto de Exodo 7:1. Era Moisés um falso Deus ? Claro que não. Tinha poderes em mãos por isso era um Deus/deus. O texto não diz que ele era igual a Deus ou semelhante a Deus ou algo assim, mas diz que ele era “ELOHIM”. Isso obviamente não tornava os Israelitas “politeístas” visto que os politeistas não somente aceitam outros seres como sendo deuses, como também ADORAM DA MESMA FORMA QUE ADORAM A O DEUS SUPREMO COMO SE TODOS MERECESSEM TAL ADORAÇÃO COLETIVA. As Testemunhas de Jeová adoram exclusivamente a ´Jeová. Portanto o início do artigo que citou é um que descaracteriza a verdadeira posição das Testemunhas de Jeová a este respeito e obviamente desconhece a teologia real das Testemunhas de Jeová. Quanto a João 1:1, que o verbo é o “sujeito da oração” isso é algo claro.Não vejo erro algum em afirmar isso.E que o “verbo” e “Deus” não são termos intercambiáveis também é evidente. De forma que obviamente em João 1:1 temos o sujeito da oração com as características de THEÓS “com” quem está, (TON THEON) Portanto ele não pode ser o Deus com quem está.Este é posteriormente identificado como “o filho de um Pai”.É por isso que Orígenes ( 185 E.C- 251 E.C ) considerado “um dos mais instruidos e prolíficos professores e autores da primitiva Igreja” (Encyclopedia do Cristianismo Primitivo) comentou a respeito de João 1:1:

      “Em seguida observamos o uso que João faz do artigo nestas sentenças.Ele não escreve sem cuidado a este respeito nem está ele pouco familiarizado com a lingua Grega.Em alguns casos ele usa o artigo e em outros casos ele omite. Ele usa o artigo quando o nome “Deus” se referre a causa incriada de todas as coisas e o omite quando o “LOGOS” é chamado “Deus”…o Deus que é sobre tudo é Deus com o artigo, não sem [o artigo].”

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 260 outros seguidores