Echad e Yachid o que REALMENTE DIZ o hebraico em Deut.6:4 ?

Alguns trinitários  tem argumentado que Echad (Usado por Deus em Deuteronômio 6:4) indica uma unidade composta. Em seguida afirmam que Deus não usou a expressão Yachid…(que segundo alguns se refere a uma unidade absoluta).

Tem base tal afirmação ?É a palavra hebraica Echad (ou Ehhad) usada com referência a uma “unidade pluralizada”? 

Em Deuteronômio 17: 6 lemos assim :

Pela boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, aquele que merece a morte deve ser posto à morte; mas pela boca de uma (echad) testemunha, ele não deve ser posto à morte.”

Eclesiastes 4: 8 : “Há apenas um (echad), sem uma companhia; sim, ele nem tem filho…”.

Nos dois versículos acima a mesma palavra hebraica “echad” é usada, e esta palavra está claramente referindo-se a apenas uma unidade simples, não a uma unidade composta.

A palavra “echad” em hebraico significa apenas “um”, tal qual no português. Quando contamos de um a dez no hebraico de forma masculina, dizemos:

“echad, shtayim, shalosh, arba’a, chamish, shesh, shev’a, shmone, tesh’a, eser”

Leciono Hebraico e grego e sei muito bem que este argumento que muitos estão repetindo baseia-se numa invenção forçada de trinitários. “echad” e “yachid“, são palavras que não se encaixam na fantasiosa invenção destes trinitários.(unidade composta” e “unidade absoluta”)

Antes,  tais palavras funcionam da mesma forma que no português, nas palavras “um” e “único”, enquanto o primeiro é “número”, o segundo é “adjetivo”.

Este argumento enlaça os que não conhecem hebraico. Se Moisés tivesse usado a palavra Yahhid o texto não significaria “Jeová é UM” mas sim, “Jeová é ÚNICO”. Moisés apenas disse que “Jeová é Nosso Deus”,  portanto,  que necessidade haveria de dizer que Jeová é Único ?

Quando ele afirma que “Jeová é nosso Deus” isso IMPLICA que “não há outro além dele”

ECHAD

Isaias 45:18 diz :

“Eu sou Jeová e NÃO HÁ OUTRO”. 1 Reis 8:60 diz que “Jeová é o Verdadeiro Deus” e “NÃO HÁ OUTRO” Em Isaias 46:9, Jeová o Deus de Israel diz que “nem há outro SEMELHANTE A MIM”. Tais textos descartam o fantasioso argumento dos que não conhecem nem hebraico nem as Escrituras.

Não se deve traduzir Yachid como “um só” mas antes, como “único” visto que ao se dizer “Jeová nosso Deus”,  já temos implícita a frase “um só”.

A palavra Yachid é usada com referencia a Isaque, nas Escrituras. Contudo, mesmo sendo usada Yachid no original hebraico, Isaque  não era, absolutamente, o único. Abraão tinha outros filhos: Ismael, por exemplo, (Genesis. 16:15) Ao avaliarmos o fato de Isaque ser chamado de ÚNICO entendemos o porque que a idéia de uma unidade absoluta não é o conceito da palavra יָחִיד (Yachid).

יָחִיד (Yachid)contextualmente é usada nas Escrituras Sagradas como uma palavra que ressalta o indivíduo, não uma individualidade, tanto que a Septuaginta em Det. 6.4, traz a palavra εἷς “um” (UM masculino) como equivalente de “Echad”.

Deut. 17:6 “Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá”.

Pela boca de uma só testemunha ninguém deveria ser condenado. “Uma só” ali é אֶחָד(Echad). Sem dúvidas essa única testemunha não é uma composição de várias testemunhas em uma só; Pelo contrário, a ideia do contraste numérico é evidente se lermos o texto com cuidado e sem idéias preconcebidas. No texto em questão, a palavra hebraica Echad significa simplesmente “UM”. Vemos em Det. 6:4 um contraste entre a adoração verdadeira dos do antigo Israel e a quantidade de deuses que fazia parte do politeísmo pagão das nações circunvizinhas.  Claro que seria mesmo contrário ao bom senso  informar que a pluralidade divina das nações pagãs era além de errada e um pecado, e em seguida  ensinar que aquele que inspirou isso é também um Deus pluralizado.

Concluímos portanto que o argumento da “unidade composta” ou pluralidade em um Deus, a base de Echad e Yachid é um argumento enganoso e sem lógica. Devemos atentar para o que o texto quer dizer em seu contexto, e no caso de Deuteronômio 6:4, se considerarmos a nação rodeada por nações politeístas, Deus não daria a Israel, uma informação que causasse mais confusão que esclarecimento. Deus não ordenaria aos Israelitas que não cressem nos deuses das nações para se revelar Ele mesmo como sendo mais de um. Não há lógica nisso. É nítida a ideia do contraste entre a quantidade de entes “divinos” das nações pagãs e o um e único Deus de Israel. O Salmo 83:18 escrito sob inspiração de Deus reza:

“Para que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, Somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.”

Certo teólogos da cristandade afirmam  categoricamente que ehhad “significa uma unidade pluralizada”. Contudo não encontramos um exemplo sequer que corrobore isto!

Autoridades no idioma hebraico tem afirmado normalmente o oposto! Observe a seguinte concordância exaustiva.

A New American Standard Exhaustive Concordance define Ehhad como:

“primeir[amente] um número cardi[nal] um” Nada se diz aqui sobre uma “unidade pluralizada”.  

A autamente respeitada autoridade de Hebraico Bíblico Gesenius diz que Ehhad é “um numeral tendo a força do adjetivo um”, ele então lista os vários significados de Ehhad como: 

“1 o mesmo”

“2 primeiro”

“3 algum”

“4 atua em parte como um artigo indefinido”(2)

“5 um único do seu tipo”

“6 quando repetido (Ehhad…Ehhad) um …e outro”

“7 k Ehhad (como um homem , igual a um homem” 

Gesenius também lista uma forma plural da palavra, (Ahhadim em hebraico) que significa “ajuntado em um, unido”. Esta porém não é a forma usada em Deut. 6:4. O contexto apresenta o Deus de Israel como sendo mencionado Ehhad na acepção número 5 acima. Veja Gesenius’ Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament, #259, Baker Book House. 

Certamente se Jeová fosse uma “união de pessoas”, esta forma ( Ahhadim) que  significa “unido” , seria usada então vez após vez  para descreve-lo nas Escrituras Sagradas. Mas esta e todas as outras palavras com significados similares, nunca foram usadas para Deus. 

Ao usarmos uma concordância bíblica , tal como de Strong ou  de Young poderá ver listadas todas as ocorrências de Ehhad e nestes, verá listada a  forma rara Ahhadim (por exemplo em Ezequiel 37:17) Mas observará claramente que o uso sobrepujante da palavra Ehhad listadas nestas concordâncias (mais de 500) obviamente tem o significado de “singularidade” assim como usamos atualmente a palavra “um” em português. 

As próprias versões da palavra de Deus em Deut. 6:4 feitas por eruditos trinitários é a mais forte prova de que Ehhad não possui o significado de um plural composto. Caso fosse assim, teríamos paráfrases ou traduções alternativas indicando a opção alternativa, tal como ” Escuta ó Israel o Senhor é um Senhor unido” , “é uma unidade composta” ou algo assim. Claro que tais opções  de tradução é fantasia e totalmente utópica.

Até mesmo a altamente trinitária versão The living Bible ,que é um paráfrase da Bíblia, verte Deut. 6:4 por ” Jehovah nosso Deus é  Jehovah somente “.

Usando uma concordância junto com uma Bíblia interlinear Hebraico-Português, jamais encontrará Ehhad com o sentido de “unidade pluralizada”. Alguns citam Gên. 2:24 onde lemos “e eles se tornarão uma só carne”, a fim de tentar forçar sua teologia nas escrituras. Mas como sabemos mesmo em português a palavra “uma só” não tem significado específico de uma unidade pluralizada. Este texto é explicado não desta forma. Mas normalmente se diz que é uma metáfora ou seja uma figura de linguagem. Ninguém acredita que o homem e a mulher sejam literalmente um só. Mas devido a união de objetivos e interesses na vida estes passam a ser “um só”.

Ademais em Gen.27:37 a palavra “basar” em hebraico “carne” é aplicada a parentes proximos quando diz: “pois ele é nosso irmão e nossa carne (hebraico: basar)”. 

O Testemunho do chamado “Novo Testamento” é contrário a esta argumentação de “unidade composta”

Galatas 3:20 diz que “Deus é apenas um

Tiago 2:19 diz: “Crês tu que há um só Deus? Fazes muito bem.”

Romanos 3:30 diz que “Deus verdadeiramente é UM SÓ

1 Timóteo 2:5 CONFIRMA o ensino correto ao dizer mais uma vez:

Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus”

Os Judeus eram extritamente Monoteistas e a idéia de uma pluralidade de deuses era repugnante ao antigo Israel.Deu 6:4.
The New Encyclopædia Britannica diz: “Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita, como tal, aparecem no Novo Testamento, e nem Jesus ou seus seguidores tencionaram contradizer o Shema do Velho Testamento: ‘Ouve, ó Israel: O Senhor, nosso Deus, é um só Senhor’ (Deut. 6:4). . . . A doutrina desenvolveu-se gradualmente com o decorrer dos séculos, enfrentando muitas controvérsias. . . . Por volta do fim do 4.° século . . . a doutrina da Trindade tomou substancialmente a forma que desde então tem conservado.” — (1976), Micropædia, Vol. X, p. 126.

A New Catholic Encyclopedia diz: “A formulação de ‘um só Deus em três Pessoas’ não foi solidamente estabelecida, de certo não plenamente assimilada na vida cristã e na sua profissão de fé, antes do fim do 4.° século. Mas, é precisamente esta formulação que tem a primeira reivindicação ao título o dogma da Trindade. Entre os Pais Apostólicos, não havia nada, nem mesmo remotamente, que se aproximasse de tal mentalidade ou perspectiva.” — (1967), Vol. XIV, p. 299.

Em The Encyclopedia Americana lemos: “O cristianismo derivou-se do judaísmo, e o judaísmo era estritamente unitário [cria que Deus é uma só pessoa]. O caminho que levou de Jerusalém a Nicéia dificilmente foi em linha reta. O trinitarismo do quarto século de forma alguma refletiu com exatidão o primitivo ensino cristão sobre a natureza de Deus; foi, ao contrário, um desvio deste ensinamento.” — (1956), Vol. XXVII, p. 294L.

Segundo o Nouveau Dictionnaire Universel: “A trindade platônica, que em si é meramente um rearranjo de trindades mais antigas, que remontam aos povos anteriores, parece ser a trindade filosófica racional de atributos que deram origem às três hipóstases ou pessoas divinas ensinadas pelas igrejas cristãs. . . . O conceito deste filósofo grego [Platão, do 4.° século AEC] sobre a trindade divina . . . pode ser encontrado em todas as religiões [pagãs] antigas.” — (Paris, 1865-1870), editado por M. Lachâtre, Vol. 2, p. 1467.

O jesuíta John L. McKenzie, no seu Dictionary of the Bible, diz: “A trindade de pessoas dentro da unidade de natureza é definida em termos de ‘pessoa’ e de ‘natureza’, que são termos filosóficos gr[egos]; na realidade, esses termos não aparecem na Bíblia. As definições trinitárias surgiram em resultado de longas controvérsias, em que estes termos e outros, tais como ‘essência’ e ‘substância’, foram erroneamente aplicados a Deus por alguns teólogos.” — (Nova Iorque, 1965), p. 899.

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Comentários

  • Gesher Ashkenazi  On 23 de novembro de 2010 at 11:11

    Sou judeu, judeu de nascimento. Quero parabenizá-lo pela defesa da unicidade do Eterno. De todos os cristãos as que se chamam Testemunha de Adonay são as que mais nos respeitam e conservam esta grande verdade de Torah. Shalom

  • silvio gabriel  On 24 de novembro de 2010 at 14:51

    Echad(ela significa um entre outros), sendo que a ênfase repousa sobre um em particular…A possibilidade de existirem outros é inerente a echad, mas yachid exclui tal possibilidade.GÊN 2:24, POR ISSO, DEIXA O HOMEM PAI E MÃE E SE UNE A SUA MULHER,TORNANDO-SE OS DOIS UMA SÓ CARNE.

    • queruvim  On 26 de outubro de 2011 at 23:29

      Silvio, leia o que postei acima sobre este texto de Genesis 2:24.

  • reynaldo moura  On 20 de março de 2011 at 11:34

    Ola irmaos vou ser breve existe uma pagina que tem um pastor
    que defende a clonologia biblica do ano 607 aec isso e raro!!
    porque a maioria e apoia 587 aec queira ver por favor

    google [biblioteca biblica] chao. AVANTE firme defendendo a VERDADE!!!! Isaias 54:17

  • mercory calixto silva  On 7 de dezembro de 2011 at 11:09

    Sou cristão unicista, e gostaria de parabenizar vcs por mais uma vez contestar essa farsa organizada pela grande meretiz igeja católica. Obrigado!

    Que pena que muitos dos que se dizem cristãos estão ainda no paganismo. Pois quase todos os pagãos acreditam em tres deuses, ou tres deuses maiores e os outros menores (qualquer semelhança com os pantaleão é “mera” coincidencia…). Grecia: zeuz poseidon, hades. egito: ra, set e isis. Romanos: Jupter, minerva e querino. (embora haja variações sempre são tres e estes tres “de alguma forma” são um e são ao mesmo tempo diferentes e destitos. (absurdo)

  • Saga  On 22 de abril de 2013 at 21:54

    Imagino que algum trinitário inventou essa coisa e outros foram na onda, como na tal da Sharp Rule. Os trinitários que conheço parece que são desesperados, dizem que sua doutrina é tão obvia mas atiram pra todo lado como que que em seu intimo percebendo que precisa dar mais e mais provas (forjadas)

  • nedson destefani  On 10 de julho de 2013 at 11:19

    bom dia, realmente é uma coisa absurda o que fazem com a torah e demais escritos, se nem ao menos UMA SÓ PALAVRA entendem como endenderiam toda a torah ? sim, assim vemos que tanto os hebreus como os gentios se acham hoje perdidos, mas não todos…. vejo que depois de 2000 anos de confusão por causa de yeshua as pessoas ainda se prendem a pequenas coisas, mas eu creio na verdade da torah e ela não iria nos mandar um profeta para toda essa macaquice que vemos hoje, meus olhos estão bem fixos na torah, e sem ela nada existe nem mesmo o vazio…. mas se uma palavra apenas trás tanta confusão que será das que tem sete sentidos ? shalom Adonay.

    • queruvim  On 10 de julho de 2013 at 12:09

      Nelson gostaria de incentiva-lo a ler com atenção assim que tiver tempo este artigo (da g91 22/6):

      Judeus, cristãos e a esperança messiânica

      “Creio, com completa fé, que o Messias virá, e embora ele possa tardar, mesmo assim, cada dia, esperarei a sua vinda.” — Moisés Maimônides (também chamado Rambam), (1135-1204).1
      MESSIAS! A crença em sua vinda foi alimentada entre os judeus durante séculos. Todavia, quando, veio Jesus de Nazaré a maioria dos judeus por fim o rejeitou qual Messias. Do ponto de vista judaico, Jesus não satisfez as expectativas.
      “Messias” significa “ungido”. Entre os judeus, o termo veio a representar um descendente do Rei Davi que iniciaria uma gloriosa regência. (2 Samuel 7:12, 13) Nos dias de Jesus, os judeus já tinham sofrido, durante séculos, sob uma série de duros governantes gentios. Eles ansiavam um libertador político.2 Assim, quando Jesus de Nazaré apresentou-se como o Messias há muito aguardado, houve, naturalmente, uma grande excitação inicial. (Lucas 4:16-22) Mas, para grande desapontamento dos judeus, Jesus não era um herói político. Pelo contrário, ele afirmava que seu Reino ‘não fazia parte do mundo’. (João 18:36) Ademais, Jesus não iniciou então a gloriosa era messiânica prevista pelo profeta Isaías. (Isaías 11:4-9) E, quando Jesus foi morto como criminoso, a nação como um todo perdeu o interesse nele.
      Os seguidores de Jesus, sem se deixar desencorajar por tais acontecimentos, continuaram a proclamá-lo como o Messias. O que era responsável pelo notável zelo deles? Era a crença de que a morte de Jesus cumpria profecias, especialmente a profecia de Isaías 52:13-53:12. Esta reza, em parte:
      “Eis que Meu servo prosperará, ele será exaltado e erguido, . . . pois ele aflorou, direto como uma plantinha, como uma raiz saída de solo seco . . . Ele era desprezado, e foi abandonado pelos homens, um homem de dores, e estava familiarizado com a doença, e como alguém de quem os homens ocultam a face: Foi desprezado, e não o estimavam. Por certo ele portou nossas doenças, e levou nossas dores. . . Ele foi esmagado por causa de nossas iniqüidades: Suportou o castigo que nos tornou sãos, e por suas feridas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, nos desviamos, voltamos cada um para o seu próprio caminho. . . Ele foi oprimido, embora se humilhasse e não abrisse a boca; como cordeiro que é levado para o abate,. . . ele foi cortado da terra dos vivos. . . E eles colocaram seu túmulo junto com os iníquos.” — JP.
      Um Messias Sofredor?
      Profetizava Isaías um Messias sofredor e que tinha de morrer? A maioria dos comentaristas judaicos afirmam que não. Alguns afirmam que o Servo Sofredor era a própria nação de Israel durante seu exílio babilônico. Outros relacionam o sofrimento a períodos tais como as Cruzadas ou o Holocausto nazista.3 Mas será que esta explicação resiste a um exame mais detido? É verdade que, em alguns contextos, Isaías deveras fala de Israel como “servo” de Deus. Mas, ele menciona Israel como um servo obstinado e pecaminoso! (Isaías 42:19; 44:21, 22) A Encyclopaedia Judaica (Enciclopédia Judaica) faz assim o seguinte contraste: “O verdadeiro Israel é pecaminoso e o Servo [de Isaías 53], isento de pecado.”4
      Alguns, por conseguinte, argumentam que o Servo representa uma ‘elite justa’ em Israel, que sofreu a favor dos judeus pecaminosos.5 Mas Isaías nunca mencionou tal elite. Pelo contrário, ele profetizou que a nação inteira seria pecaminosa! (Isaías 1:5, 6; 59:1-4; compare com Daniel 9:11, 18, 19.) Ademais, em períodos de aflição, os judeus sofriam, quer fossem justos, quer não.
      Outro problema: Por quem sofreu o Servo? O comentário judaico de Soncino sugere que foi pelos babilônios. Neste caso, quem confessou que o Servo sofreu ‘por causa de nossas iniqüidades’? (Isaías 53:5) É razoável crer que os babilônios (ou quaisquer outros gentios) fizessem tal surpreendente admissão de que os judeus sofreram em favor deles?6
      É interessante que alguns rabinos do primeiro século (e vários desde então) identificaram o Servo Sofredor com o Messias.7 (Veja quadro na página 11.) Milhares de judeus vieram a discernir os inegáveis paralelos que existem entre o Servo Sofredor e Jesus de Nazaré. Como aquele Servo, Jesus teve origem humilde. Por fim, ele foi desprezado e rejeitado. Embora não realizasse nenhuma conquista política, ele levou as doenças dos outros, curando miraculosamente suas enfermidades. Embora inocente, morreu em resultado de um erro judicial — destino que ele aceitou sem protestar.
      Um Messias Que Precisava Morrer?
      Por que o Messias precisava morrer? Explica Isaías 53:10: “Mas o SENHOR decidiu esmagá-lo pela doença, para que, se ele se fizesse uma oferta pela culpa, pudesse ver a descendência e ter longa vida, e para que, por meio dele, o propósito do SENHOR pudesse prosperar.” (Ta) Isto fazia alusão ao costume levítico de oferecer vítimas animais para expiar pecados ou alguma culpa. O Messias sofreria uma morte ignominiosa, mas, como uma vítima sacrificial, a morte dele teria mérito expiatório.
      Se morresse, porém, como poderia o Messias cumprir as profecias sobre sua regência gloriosa, e também “ver a descendência e ter longa vida”? Logicamente, por uma ressurreição dentre os mortos. (Compare com 1 Reis 17:17-24.) A ressurreição do Messias resolveria também a aparente contradição entre Daniel 7:13, que predizia que o Messias retornaria triunfalmente sobre as nuvens do céu, e Zacarias 9:9, que dizia que ele humildemente chegaria montado num jumento. O Talmude tentou explicar este paradoxo por asseverar: “Se eles forem meritórios, ele virá com as nuvens dos céus; se não, humilde e montado num jumento.” (Sanhedrin [Sinédrio] 98a)8 Isto significaria que a profecia de Daniel 7:13 ou a de Zacarias 9:9 continuaria sem cumprimento. Todavia, a ressurreição do Messias lhe permitiria cumprir ambas as profecias. Inicialmente, ele viria de modo humilde para sofrer e morrer. Depois de sua ressurreição, ele retornaria em glória e iniciaria o governo messiânico celeste.
      Centenas de testemunhas oculares judias testemunharam a ressurreição de Jesus dentre os mortos. (1 Coríntios 15:6) Podem tais afirmações ser postas de lado?
      O Judaísmo e Jesus
      A maioria dos judeus do primeiro século rejeitou Jesus como o Messias. Ainda assim, ele exerceu profundo impacto sobre o judaísmo. Embora Jesus raramente seja mencionado no Talmude, o pouco que é dito tenta “menosprezar a pessoa de Jesus, por atribuir ilegitimidade ao seu nascimento, poderes mágicos e uma morte vergonhosa”. The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica).9
      O perito judeu Joseph Klausner admite que tais lendas “parecem ter visado deliberadamente contradizer os eventos registrados nos Evangelhos”.11 E havia bom motivo para isso! A Igreja Católica tinha exacerbado a aversão dos judeus por Jesus, mediante seu anti-semitismo. Ela alienara ainda mais os judeus por declarar que Jesus era um suposto ‘Deus Filho’ parte de uma incompreensível Trindade — em direta contradição com os ensinos do próprio Jesus. Em Marcos 12:29, Jesus citou a Torá, dizendo: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” — Tradução Almeida, edição revista e corrigida; Deuteronômio 6:4.
      Embora o judaísmo resistisse à conversão, “o Cristianismo influiu consideravelmente sobre o Judaísmo. Obrigou os Rabinos a mudar de ênfase e, em alguns casos, a modificar seus conceitos”.12 Os rabinos de gerações anteriores criam que a esperança messiânica permeava as Escrituras. Eles viam vislumbres dessa esperança em textos tais como Gênesis 3:15 e 49:10. O Targum da Palestina aplicava o cumprimento do primeiro texto “ao dia do Rei Messias”.13 O Midrash Rabbah (O Grande Midrash) disse sobre o último texto: “Isto faz alusão ao Messias real.”14 O Talmude também aplicava ao Messias diversas profecias de Isaías, de Daniel e de Zacarias.15 “Todos os profetas somente têm profetizado para os dias do Messias”, Talmude, Sanhedrin 99a. 16
      Mas, sob a pressão dos esforços de conversão, por parte da cristandade, o judaísmo reavaliou seus conceitos. Muitos textos que há muito eram aplicados ao Messias foram reinterpretados.17 No alvorecer dos tempos modernos, alguns peritos judeus, sob a influência da alta crítica da Bíblia, concluíram que a esperança messiânica não ocorre em parte alguma da Bíblia!18
      A esperança messiânica, porém, experimentou uma espécie de renascimento com a criação do Estado de Israel, em 1948. Escreve Harold Ticktin: ‘A maioria das facções judaicas consideram o surgimento do Estado de Israel como um grande evento profético.’19 Todavia, no modo de pensar judaico, continua não resolvida a questão de quando é que deve chegar o Messias há muito aguardado. Diz o Talmude: “Quando virdes uma geração sobrepujada por muitas dificuldades como se fosse por um rio, esperai [o Messias].” (Sanhedrin 98a)20 No entanto, o Messias judeu não veio durante a noite tenebrosa do Holocausto, nem veio durante o tumultuado nascimento do Estado de Israel. A pessoa se admira: ‘Que outras dificuldades tem o povo judeu ainda de enfrentar antes que o Messias venha?’
      Em Busca do Messias
      Foi entre os judeus que nasceu e foi acalentada a esperança messiânica. Entre eles, tal esperança tornou-se tênue. Seu brilho quase que se extinguiu pelos séculos de sofrimento e desapontamento. Ironicamente, milhões entre as pessoas das nações, ou gentios, vieram a buscar e, por fim, a abraçar um Messias. Será por simples coincidência que Isaías disse sobre o Messias: “A ele buscarão as nações [os gentios]”? (Isaías 11:10, JP) Não deveriam os judeus também buscar, eles mesmos, o Messias? Por que deveriam negar a si mesmos a sua esperança, há muito acalentada?
      É fútil, contudo, buscar um futuro Messias. Caso ele estivesse para chegar, como poderia firmar-se como um descendente legalmente comprovado do Rei Davi? Não foram os registros genealógicos destruídos junto com o segundo templo? Embora tais registros existissem nos dias de Jesus, sua afirmação de ser um descendente legítimo de Davi nunca foi questionada com êxito. Poderia qualquer futuro pretendente a Messias apresentar, algum dia, tais credenciais? É preciso, portanto, buscar o Messias que já veio no passado.
      Isto requer que se exerça novo enfoque sobre Jesus, eliminando noções preconcebidas. O asceta efeminado das pinturas das igrejas se parece muito pouco com o verdadeiro Jesus. Os relatos dos Evangelhos — escritos por judeus — apresentam-no como um homem vigoroso e vibrante, um rabi dotado de extraordinária sabedoria. (João 3:2) Na realidade, Jesus supera qualquer sonho que os judeus já tenham tido de um libertador político. Ele, como Rei conquistador, iniciará, não um frágil Estado político, mas um Reino celeste invencível que restaurará o Paraíso em toda a Terra, sob o qual “o lobo habitará com o cordeiro”. — Isaías 11:6, JP; Revelação (Apocalipse) 19:11-16.
      Viverá nessa era messiânica? Maimônides aconselhou os judeus a simplesmente ‘esperarem a vinda do Messias’.22 Nossos tempos, contudo, são críticos demais para alguém correr o risco de ter perdido a volta dele. A inteira raça humana precisa desesperadamente dum Messias, de um libertador dos problemas que afligem este planeta. Por conseguinte, é tempo de buscá-lo — intensa e ativamente. As Testemunhas de Jeová estão ansiosas de ajudá-lo a fazer isso. Lembre-se de que buscar o Messias não é trair sua herança judaica, uma vez que a esperança messiânica é intrínseca ao judaísmo. E, por buscar o Messias, bem que poderá verificar que ele já veio.
      Referências
       1. The Book of Jewish Knowledge (O Livro do Conhecimento Judaico), de Nathan Ausubel, 1964, página 286; Encyclopaedia Judaica, 1971, Volume 11, página 754.
       2. The Messiah Idea in Jewish, History (A Idéia do Messias na História Judaica), de Julius H. Greenstone, 1973 (originalmente editado em 1906), página 75.
       3. Encyclopaedia Judaica, 1971, Volume 9, página 65; Soncino Books of the Bible—Isaiah (Livros da Bíblia, de Soncino — Isaías), editado por A. Cohen, 1949, página 260; You Take Jesus, I’ll Take God (Aceitem Jesus, Eu Aceitarei Deus), de Samuel Levine, 1980, página 25.
       4. Encyclopaedia Judaica, 1971, Volume 9, página 65.
       5. Encyclopaedia Judaica, 1971, Volume 9, página 65; The Suffering Servant in Deutero-Isaiah (O Servo Sofredor em Deutero-Isaías), de Christopher R. North, Primeira Edição, 1948, páginas 9, 202-3.
       6. Soncino Books of the Bible—Isaiah, editado por A. Cohen, 1949, página 261.
       7. The Book of Isaiah (O Livro de Isaías), comentário de Amos Chakham, 1984, página 575; The Targum of Isaiah (O Targum de Isaías), editado por J. F. Stenning, 1949, página 178; The Suffering Servant in Deutero-Isaiah, páginas 11-15; Encyclopaedia Judaica, 1971, Volume 9, página 65.
       8. The Babylonian Talmud (O Talmude de Babilônia), tradução do Dr. H. Freedman, 1959, Volume II, página 664.
       9. The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica), 1910, Volume VII, página 170.
      10. Israelis, Jews, and Jesus, de Pinchas Lapide, 1979, páginas 73-4.
      11. Jesus of Nazareth—His Life, Times, and Teaching (Jesus de Nazaré — Sua Vida, Seus Tempos e Seu Ensino), de Joseph Klausner, 1947 (inicialmente publicado na Grã-Bretanha, em 1925), página 19.
      12. The Jewish People and Jesus Christ (O Povo Judeu e Jesus Cristo), de Jakób Jocz, 1954 (inicialmente publicado em 1949), página 153.
      13. Neophyti (Neófitos 1), Targum Palestinense, Ms de la Biblioteca Vaticana, Génesis, 1968, Volume I, páginas 503-4; The Messiah: An Aramaic Interpretation (O Messias: Uma Interpretação Aramaica), de Samson H. Levey, 1974, páginas 2-3.
      14. Midrash Rabbah, traduzido e editado por Dr. H. Freedman e Maurice Simon, 1961 (Primeira Edição 1939), Volume II, página 956; Chumash With Targum Onkelos, Haphtaroth and Rashi’s Commentary (Chumash com Targum de Onkelos, Comentário de Haphtaroth e Rashi), tradução de A. M. Silbermann e M. Rosenbaum, 1985, páginas 245-6.
      15. The Babylonian Talmud, Volume II, páginas 663-5, 670-1 (Sanhedrin 98a, 98b).
      16. New Edition of the Babylonian Talmud (Nova Edição do Talmude de Babilônia), editado e traduzido por Michael L. Rodkinson, 1903, Parte IV, Volume VIII, página 312 (Tratado Sanhedrin); The Babylonian Talmud, traduzido pelo Dr. H. Freedman, 1959, Volume II, página 670 (Sanhedrin 99a).
      17. The Suffering Servant in Deutero-Isaiah, de Christofer R. North, Primeira Edição, 1948, página 18; The Jewish People and Jesus Christ, de Jakób Jocz, 1954 (primeiro publicado em 1949), páginas 205-7, 282; The Pentateuch and Haftorahs (O Pentateuco e as Haftorás), editado por Dr. J. H. Hertz, 1929-36, Volume I, página 202, Palestinian Judaism in New Testament Times (O Judaísmo Palestino nos Tempos do Novo Testamento), de Werner Förster, tradução de Gordon E. Harris, 1964, páginas 199-200.
      18. Encyclopaedia Judaica, 1971, Volume 11, página 1407; revista U.S. Catholic, dezembro de 1983, página 20.
      19. Revista U.S. Catholic, dezembro de 1983, página 21; What Is Judaism? (O Que É Judaísmo?), de Emil L. Fackenheim, 1987, páginas 268-9.
      20. The Babylonian Talmud, Volume II, página 663.
      21. The Works of Josephus (As Obras de Josefo), tradução de William Whiston, 1987, “A Vida de Flávio Josefo”, 1:1-6, e “Flávio Josefo Contra Ápion”, nota de rodapé sobre 7:31, 32.
      22. The Book of Jewish Knowledge, página 286.
      23. The Targum of Isaiah, editado por J. F. Stenning, 1949, páginas vii, 178; The Messiah: An Aramaic Interpretation, de Samson H. Levey, 1974, páginas 63, 66-7; The Suffering Servant in Deutero-Isaiah, página 11.
      24. The Fifty-Third Chapter of Isaiah—According to the Jewish Interpreters (O Capítulo 53 de Isaías — Segundo os Intérpretes Judaicos), de S. R. Driver e A. Neubauer, 1969, Volume II, página 7; New Edition of the Babylonian Talmud, Volume VIII, página 310.
      25. The Fifty-Third Chapter of Isaiah—According to the Jewish Interpreters, de S. R. Driver and A. Neubauer, 1969, Volume II, páginas 374-5.
      26. The Fifty-Third Chapter of Isaiah-According to the Jewish Interpreters, Volume II, páginas x, 99-100.
      [Nota(s) de rodapé]
      Todas as citações das Escrituras Hebraicas são, quer de The Holy Scriptures (As Escrituras Sagradas; sigla JP), quer da Tanakh (Ta), ambas editadas pela Sociedade Publicadora Judaica da América.
      Afirma Pinchas Lapide, erudito israelense: “Os trechos do Talmude sobre Jesus. . . foram mutilados, distorcidos ou obliterados pelos censores da igreja.” É, assim, “mais do que provável que Jesus tenha tido originalmente um impacto muito maior sobre a literatura rabínica do que dão testemunho os fragmentos de que dispomos hoje em dia”. — Israelis, Jews, and Jesus (Israelenses, Judeus e Jesus). 10
      Veja The Life of Flavius Josephus (A Vida de Flávio Josefo), 1:1-6.21

      O Servo Sofredor nos Escritos Rabínicos
      Com o passar dos séculos, diversas autoridades judaicas respeitáveis aplicaram a profecia de Isaías 52:13-53:12 ao Messias:
      O Targum de Jonathan ben Uzziel (1.° século EC). Em sua tradução de Isaías 52:13, diz o Targum: “Eis, meu servo, o Ungido (ou, o Messias) prosperará.”23
      O Talmude de Babilônia (Sanhedrin 98b) (c. 3.° século EC): “O Messias — qual é o seu nome?. . . Os Rabinos dizem: O leproso [; os] da casa do Rabino [dizem: O doente], como é dito: ‘Por certo ele levou nossas enfermidades.’” — Compare com Isaías 53:4.24
      Moisés Maimônides (Rambam) (século 12): “Qual será a maneira do advento do Messias, e onde será o local de seu primeiro aparecimento?. . . Nas palavras de Isaías [ 52:15], quando descrevia a maneira em que os reis ouvirão a ele, diante dele os reis se calarão.”25
      Moisés ibn Crispin Cohen (século 14): “Estou contente de interpretar [Isaías 53], de acordo com o ensino de nossos Rabinos, do Rei Messias, e serei cuidadoso, tanto quanto possa sê-lo, de aderir ao sentido literal: assim, possivelmente, ficarei livre das interpretações forçadas de que outros [comentaristas judaicos] têm sido culpados.”26

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